A Queda
2 I'm a cold night's intake
Notas iniciais
“Viver sem si mesmo é algo horrível, mas chega a ser bom depois de um tempo, afinal quando se abandona até a esperança viver fica um tanto quanto mais fácil. Você só espera o fim, ou cria um, se esquecendo de como está, como vive, como pensa e sente, em um estado mórbido de cansaço emocional e físico, até que por fim desiste, até porque fim das contas todos somos um tanto quanto pessimistas que podem ter o humor alterado dependendo do dia, a esperança sendo a última que morre quando se esquecem completamente de sua alma, sendo que é ela que sofre, com ou sem esperança, com ou sem alguém, no fim e em sua vida inteira você estará sozinho, eu já aceitei esse destino e agora só vivo, não sei se gosto ou não, afinal desisti de entender á mim mesmo.”
Acordo subitamente com o barulho de minha porta sendo forçada. Isso nunca é bom. Olho para o lado Lucy continua dormindo.
O barulho de minha porta cedendo me deixa em alerta, pulo de minha “cama”, pego Lucy pela e mão e faço minha mochila. Um pouco de comida água e uma troca de roupa.
— Aqui é a polícia! Se estiver alguém aqui, apresente-se agora. — Grita o policial que ainda está no andar de baixo. — Principalmente você William sabemos que está aqui!
Quem foi o desgraçado que me dedurou?! Bem, eu não tenho tempo pra isso, pulo pela janela da casa, caio nas ruas de novo e ando calmamente, se você está fugindo, nunca corra.
Se a polícia já me achou, tenho poucos lugares pra me esconder, se bem que tem uns internatos que eu ainda não entrei.
Viro a esquina de minha “casa” com um rosto despreocupado e de quem não quer nada. Caminho até Thunder, meu cachorro, vou ter que deixar ele por um tempo. Ainda segurando Lucy com uma mão faço um cafuné de despedida nele.
— Tchau amigo, volto daqui a pouco o.k? Essa porra de polícia me achou, segue seu caminho, eu vou saber te achar quando eu voltar. — Falo pra ele. Soltando sua coleira e me despedindo dele fazendo um sinal de “pode ir.”
Ele entende, lambe meu rosto e sai. Acho que vou sentir falta dele
Continuo meu caminho para o internato. Mas parece que sabiam que eu ia fugir por que tinham alguns carros da polícia pela rua, faço meu caminho pelos becos, perda de tempo, alguns policias já me viram.
— Eu não acho que você devia estar aqui, Willian Storm. — Ótimo eles sabem meu sobrenome agora, mesmo que fui eu que o dei.
Escondo Lucy atrás de mim.
— Eu sei amigo, eu sei. — Fecho o punho — acredite, o ultimo lugar que eu queria estar é aqui.
— Ei, cara. Você sabe o que podemos fazer por fazer, te dar abrigo, comida, talvez um psiquiatra. — O policial começa a se aproximar com um rosto um tanto quanto amigável. — Porra, ninguém deveria passar o que você passou, deve ser horrível conviver com você mesmo todo dia, a gente pode te ajudar cara.
Engraçado como eles mudaram a abordagem quando perceberam que não é capaz de se pegar uma pessoa que corre sempre.
Mas não se pode correr pra sempre, pode? Não Will, e você sabe disso. Você está cansado de fugir, mas no fim das contas é pelo bem dela não é?
Então, não importa o quão cansado você esteja, o quão desgastado você está, ela precisa de você.
— Amigo, você parece uma pessoa legal, muito legal de fato. — Falo segurando forte a mão de Lucy que ainda estava escondida. — Mas eu vou ter que negar sua proposta, motivos próprios.
— William... — O policial responde
— NÃO FALE ESSE NOME! VOCÊ NÃO É DIGNO!
— Ok, ok. Se acalme. Olha Will, cara, você está ruim, mas quem sou eu pra falar o melhor pra um morador de rua? Eu vou deixar você ir, ok? Mas por favor, não faça nada que possa se arrepender depois.
Viro-me e continuamos nosso caminho. Claro não tínhamos mais ninguém nos perseguindo, porém precisamos de algum lugar pra ir, pelo menos até a poeira baixar um pouco.
Lembro-me que Lucy já tinha me falado de uma espécie de internato por aqui, perto de uma área florestal. Bem, não custa tentar, se passar por um aluno novo não é difícil.
Enquanto estávamos caminhando, começa a chover, Lucy como sempre saiu sem nenhum agasalho, aproximo-a de meu corpo dividindo meu casaco com ela. As gotas são frias e doem um pouco em meu rosto, chuva, são ótimas pra... Não pare com isso Will, se recomponham, está tudo bem. Minhas pernas estão pedindo algum descanso, quase prenso em parar, mas finalmente nos deparamos com o que parece ser o internato.
Pulamos o portão, me certifico que ninguém está olhando, depois disso foi fácil conseguir entrar, mesmo exausto da correria e com as pernas bambas, os corredores eram bem movimentados e é fácil pra nós não atrairmos atenção. Mas enquanto estávamos indo me misturar com a multidão, algo segura o meu ombro e instintivamente escondo Lucy.
— Você não devia estar aqui não é? — Fala a pessoa que me segurou, pelo visto é uma mulher, mas eu estou muito cansado pra poder fugir de novo, vou ter de me virar com minha péssima lábia.
Mas antes de ela me dar tempo pra responder, ela já começa a falar.
— É mesmo! Você deve ser o aluno novo, me siga, por favor, preciso te mostrar o internato. E prazer meu nome é April.
— Will. — Não tinha por que criar pseudônimos se eu vou sair daqui o mais rápido possível.
April segue pelos corredores mostrando as instalações, mas eu estava mais preocupado com quanto tempo teria de passar aqui.
— ... E aqui é seu dormitório, decore o número dele, por favor, ele é a base de tudo aqui — Fala April. O número do quarto é 0038. —, e na esquerda temos o refeitório, sua mesa é o mesmo número que o do dormitório, acho que você consegue achar seu lugar a partir daqui.
Sigo meu caminho para o refeitório, porém eu não sentia fome alguma, nem comer eu acho que conseguiria. Procuro a mesa 0038 pelo lugar, mas alguém está apontando pra mim e para um lugar na frente dele, provavelmente, minha mesa, olho o número escrito ao lado dela: 0038.
— Hey cara! Aqui! — Grita alguém da mesa, apontando pra um lugar na frente dele.
— Cara, eu já achei a mesa, pode deixar. — Falo assim que me aproximo
— Você deve ser o cara novo né? Qual seu nome?
— Will. — Me apresento enquanto analiso um pouco de cada um da mesa.
— Sebastian, mas todos me chamam de Russo, e estes são: Kurt, Nathan, Sophie, Noah e Angelina. — Diz Sebastian, aquele que estava falando comigo antes. Ele parece energético, até demais.
Russo é meio baixo tipo uns 1,65, tem cabelo castanho café, com olhos azuis, suas mãos tremem enquanto ele segura uma garrafa térmica.
Kurt é quase da minha altura, que é 1,85, ruivo fogo, olhos cinza-azulados, as pontas de seus dedos estão gravemente queimadas, já pretas.
Nathan é moreno, mais ou menos 1,75 de altura, olhos cinza, fuma, pois cheira a fumaça e cigarro.
Sophie possui um grande cabelo loiro trigo, uns 1,75. E olhos azuis e castanhos, seus olhos brilham com algum tipo de volatilidade.
Noah é loiro ouro, 1,72 chutando, possui olhos cor de cobre, seus olhos brilham com algum tipo de ganância.
Angel tem uns 1,70, morena grafite, olhos verdes e seus olhos brilham, eu não tenho certeza honestamente.
Me pergunto o que o brilho de meus olhos refletem, se é que eles ainda brilham.
Pare com isso Will.
— Caras, agora a gente tem um numero impar de pessoas na turma, alguém vai ter que sair, Kurt! Você é o que esta há mais tempo na turma, então tchau, vai na sombra. —
— Russo, você pode me fazer o favor de ir se fuder! Porque se você não fizer isso, eu faço. Calando sua boca com um belo soco no meio da sua cara! —
— Nossa, se fosse comigo eu não deixava! — Incentivou Noah
— Gente, sério? Essa putaria de novo? — interviu Angel
— Deixa os dois se quebrarem, pelo menos daí tem um a menos pra causar problemas. — Falou Nathan, sua voz é muito rouca.
— Will, isso acontece sempre tá, não precisa se preocupar. — Explicou Sophie pra mim, concordo com a cabeça.
Eles continuam a brigar um pouco até alguém apazigua-los, não sei quem porém, Sebas continua intrigado com o número impar de alunos no quarto.
— Nathan, você fuma?
— Claro, é bom e eu morro jovem como bônus, não vejo lado ruim com isso. — Ele fala, rindo um pouco no fim da frase. — Quer um?
— Não obrigado, não gostei tanto assim.
— Ok então, se quiser algum só me pede.
— Eu acho que você não entendeu o não gosto. — Afirmo com um pouco de raiva, pra que insistir? — De qualquer maneira, não espere nada.
— Porra Nathan — Angel grita. —, não faz mais gente se viciar com isso, cigarros são difíceis de encontrar aqui.
— Mais fácil que whisky, só que quem bebe aqui é você.
— Que porra é essa de me deixar de fora? — Noah se pronuncia. — O alcoólatra aqui sou eu.
— Não precisamos de um ataque de orgulho agora Noah, menas.
— Só falando, não deixe meus méritos de fora.
Depois de passar algum tempo naquele lugar, fui para o dormitório que me deram e escolhi a minha cama: um beliche no canto do quarto parece bom, me deram uma calça, eu precisava de uma nova de qualquer maneira, e uma camiseta azul escuro com o símbolo do colégio, um cajado com duas cobras em volta dele. Vamos ao banheiro que fica no fim do corredor iluminado por uma lâmpada pendurada. Ele é relativamente grande, com quatro chuveiros e duas cabines, porém não vejo uma divisória pros sexos, estranho; mas quem sou eu pra questionar coisas desse tipo?
Tomo um banho, me troco e vou dormir, Lucy dorme em minha cama, ninguém viu ela, então estava segura. Durmo abraçando-a
***
— Willian, você tem que ver isso. — Uma garota está me acordando
— O que, que é tão importante pra você me acordar no meio da noite?
— Você não está ouvindo esse barulho? Isso é alguma gangue se aproximando. — A garota para de falar e me deixa escutar, é verdade parece um grupo grande grupo de pessoas se aproximando.
— O que nos vamos fazer agora? — Pergunto um pouco desesperado, quais as nossas chances contra um grupo? Eu mal aguento contra uma pessoa só.
— Acho que correr não vai adiantar nós precisamos nos esconder em algum lugar. — Paro e observo o ambiente, parece uma rua normal, porque é uma rua normal. — Já sei, eu não me lembro direito dessa rua, tem alguma loja aberta por perto?
— Loja? Tem, tem sim uma cafeteria aqui perto, mas ela é um lugar fechado como é que a gente vai levar nossas coisas?
— A gente não leva, vamos levar somente o necessário, é melhor mais uma vez ter que começar tudo de novo do que não ter como começar. — Ela termina a frase e pega a sua faca de borboleta, junto com alguma água, enquanto pego coisas como água, comida e roupas, para colocar na mochila.
Seguimos nosso caminho
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