O avião decolou há pouco mais de quatro horas, o que significa que, tenho um pouco mais de dez horas de voo ao lado de Edan Vasconcellos, o que, decididamente, está sendo muito mais difícil de suportar do que eu inicialmente imaginei.

Tentei abrir um livro e simplesmente fingir que ele não está ali, ao meu lado, e, infelizmente, não adiantou muito.

Liguei meu celular no modo avião, coloquei os fones de ouvido e tentei escutar música, pois a música sempre teve o poder de me acalmar, mas, infelizmente, essa estratégia também não deu certo e, tudo isso porque toda vez que eu olho para o lado dou de cara com Edan, que, obviamente, está louco para ter qualquer tipo de conversa comigo.

É incrível como ele simplesmente não entende que eu não quero nenhum tipo de aproximação para com ele.

― Vai ficar mesmo fingindo que eu não existo a viagem inteira, Regininha?

Não estou dizendo?

Queria muito saber qual a dificuldade do Edan em perceber que eu não quero conversar com ele.

― Era essa a minha ideia. – respondo, de cara feia – Só que você simplesmente não me deixa fazer isso.

― Você tem que concordar comigo que, a viagem é longa e o tempo passará bem mais rápido se nós dois conversarmos.

― Até onde eu sei não sou abrigada a nada, e, por isso mesmo é que eu não quero conversar com você. Mas você é insistente e parece que não quer entender isso.

― Me responda uma coisa.

Não!

Por que esse homem simplesmente não entende que eu não quero conversar com ele? Nem agora e nem nunca?

― Edan...! – falo, o encarando nos olhos e esforçando para não perder a pouca paciência que ainda possuo.

― O que eu fiz para você me tratar desta forma? Até onde eu sei, eu não fiz nada que mereça este tratamento vindo de sua parte. Se você me responder isso, eu prometo que nunca mais irei me dirigir a você, fingirei que você nem ao menos existe, se for isso mesmo que você quer. Mas, se não responder, vou ser obrigado a ficar lhe questionando sobre isso, até que eu consiga descobrir a verdade.

― Eu também tenho uma pergunta para você, Edan. – digo, cada vez mais irritada – Por que você simplesmente não aceita as minhas escolhas sem qualquer tipo de questionamento como qualquer pessoa normal faria?

― Porque eu não sou o tipo de pessoa que gosta de pagar por algo que nem ao menos sabe o que é. E, além do mais, se eu fiz algo que você não gostou, tenho o direito de saber o que é, para que ao menos eu possa tentar reparar o meu erro.

Ouvir as palavras de Edan faz com que eu suspire, pois eu estou cada vez mais incomodada com esta conversa. É claro que ele não vai entender os meus motivos, ninguém entende! E, além do mais, ele é a única pessoa no mundo com quem eu não falaria sobre o que aconteceu três anos atrás. Infelizmente, essas memórias ainda estão bem vivas em minha mente, o que só faz com que eu sofra toda vez que penso no que aconteceu.

Volto a encarar Edan, só para ver o olhar questionador dele, claramente esperando por uma reposta de minha parte.

Volto a respirar pausadamente, enquanto continuo a encarar as profundezas dos olhos deste homem. O olhar dele é intenso e, parece querer ver no mais íntimo de minha alma e descobrir todos os meus segredos.

― Olha, Edan, eu realmente não quero falar sobre isso, e, agradeceria se você respeitasse o meu espaço.

― Até onde eu sei estou respeitando o seu espaço. Mas, eu te fiz uma pergunta e, gostaria muito que você me desse uma resposta satisfatória.

― Pois saiba que eu não vou te dar resposta nenhuma! – digo, completamente irritada – Isto é um assunto meu e não quero que você se meta em minha vida!

― Pois eu digo que, a partir do momento em que você começa a me tratar mal por conta de algo que aconteceu, eu tenho todo o direito do mundo de saber o que houve!

― Você não tem direito a nada!

― Larga de ser teimosa, Regininha! É só você me dizer o que quero saber e eu nunca mais irei lhe importunar.

― Pois eu tenho a impressão de que mesmo que eu lhe contasse, você não iria sair do meu pé. Porque você é desses!

― Mas como voe é difícil!

― Você é que não sabe respeitar o meu espaço e nem me deixar em paz!

― Agradeça a seu irmão, afinal de contas, foi ele quem fez nossas reservas!

Essa última frase de Edan faz com que a raiva cresça ainda mais em meu coração ao lembrar o que Rafael fez comigo ao me colocar no mesmo voo que Edan. Será que ele sabe o quanto isto está sendo difícil pra mim?

Provavelmente sabe, mas não dá a mínima, visto que ele e Edan são unha e carne e, pelo visto, nenhum dos dois pareceu se importar com a minha opinião quando Rafael resolveu nos colocar no mesmo voo.

Cansada de discutir com Edan, volto a minha atenção para um livro e, tento me concentrar na leitura e esquecer o homem que está a meu lado.

Felizmente, Edan parece se dar por satisfeito e pega o celular dele, parecendo esquecer de mim, o que acho ótimo, visto que eu não estou com a mínima vontade de discutir com ele.

Tudo o que eu quero é que esta viagem termine de uma vez e este avião pouse logo na Índia, pois, assim que este momento chegar, eu poderei seguir para meu hotel e esquecer que Edan Vasconcellos existe.

Começo a ler o meu livro e, em pouco tempo, todos os pensamentos envolvendo o melhor amigo de meu irmão somem da minha mente, o que é simplesmente ótimo, visto que tudo o que eu quero, é ter um resto de viagem tranquilo.