A Profecia dos Amantes
11 O Chá
Rum'ea estava sentada sobre o balcão da pequena cozinha auxiliar como se aquele fosse um assento perfeitamente razoável.
Não era.
Havia bancos ao redor da mesa baixa, cadeiras adequadas, almofadas de meditação que algum Jedi otimista deixara empilhadas junto à parede, e até um banco estreito próximo à janela, onde se podia observar Coruscant descendo em camadas intermináveis de luz. Rum'ea ignorara todos. Escolhera o balcão porque dali via a porta, a janela, o corredor lateral, a chaleira, as mãos de Tarla e qualquer pessoa insensata o bastante para entrar sem avisar. Estava com as pernas cruzadas, uma bota apoiada na pedra clara, a outra pendendo para fora, o cabelo negro caindo solto ao redor do rosto e da trança de Padawan atrás da orelha direita. No colo, equilibrava um datapad, outro estava aberto ao lado de seu joelho, e um terceiro havia sido abandonado sobre a bancada, projetando em miniatura uma tabela de equivalências comerciais que ela consultava como se aquilo fosse mais interessante do que dormir.
Tarla não comentou a escolha do assento.
Já havia aprendido que, quando Rum'ea escolhia um lugar alto, com rotas de fuga visíveis e boa visão da sala, o melhor uso de sua autoridade era fingir que bancadas tinham sido feitas exatamente para Padawans pequenas, desconfiadas e incapazes de reconhecer o próprio cansaço.
Ele estava preparando chá.
O gesto, em si, era simples. Água quente. Folhas secas. Uma pequena porção de resina escura raspada com a ponta de uma faca cerimonial curta. Um grão de sal mineral esverdeado, quase translúcido. Uma infusão lenta em recipiente de barro claro que não pertencia ao Templo, pois o formato era irregular demais, antigo demais, e doméstico demais para aquela cozinha. Ainda assim, Tarla fazia tudo com uma precisão tão cuidadosa que até uma tarefa comum parecia adquirir alguma dignidade ritual. Ele media sem parecer medir, aquecia sem pressa, inclinava o pulso no ângulo exato, esperava o tempo certo antes de mexer. Os cabelos longos caíam sobre um dos ombros, soltos, e as mangas das vestes claras estavam dobradas de maneira impecável até os antebraços.
Rum'ea ergueu os olhos do datapad quando o cheiro atingiu o ar.
Primeiro, franziu o nariz.
Depois franziu o rosto inteiro.
Isso tem cheiro de muro desapontado.
A mão de Tarla parou no meio do movimento.
Por um segundo, ele apenas olhou para a chaleira.
Então riu.
Não foi o sorriso pequeno e silencioso que ela já estava acostumada a ver no canto da boca dele, nem aquele divertimento discreto que passava primeiro pelo vínculo e só depois chegava ao rosto. Foi uma risada real, baixa e quente, que encheu a cozinha auxiliar de uma forma inesperada. Rum'ea ficou olhando, surpresa demais para decidir se tinha vencido alguma coisa ou se deveria se ofender por ele rir da descrição perfeitamente precisa que acabara de fazer.
— Muro desapontado. — Repetiu ele, ainda sorrindo. — Essa é nova.
— Não é minha culpa se seu chá cheira como arquitetura deprimida.
— É um chá do norte de Keshtara. — Explicou Tarla, recuperando a compostura, embora os olhos ainda guardassem o riso. — De onde venho. Minha família o prepara há muitas gerações. As folhas crescem em encostas frias, perto dos lagos salinos.
Rum'ea olhou para a infusão com uma cautela renovada, como se a bebida tivesse acabado de receber antecedentes criminais.
— Cresce perto de sal?
— Sim.
— Isso explica parte do crime.
Tarla despejou o chá em dois copos baixos de cerâmica. O líquido era escuro, entre âmbar queimado e verde profundo, e soltava uma névoa fina que carregava um aroma amargo, resinado, levemente salgado, com um fundo fresco que talvez, em outro universo, pudesse ter tornado o conjunto melhor. Naquele, porém, apenas fazia o cheiro parecer ainda mais complexo em sua ameaça.
Ele estendeu um dos copos a ela.
— Pode experimentar, se quiser.
Rum'ea olhou para o copo. Depois para ele. Depois para o copo outra vez.
Isso é um teste?
Não.
Parece um teste.
É apenas chá.
Coisas que parecem veneno também podem ser apenas chá?
Frequentemente.
Ela pegou o copo com a expressão de alguém aceitando um desafio diplomático hostil. Primeiro cheirou.
A careta veio imediata.
— Tarla… É pior de perto.
— O aroma é considerado revigorante.
— Por quem? Paredes que perderam a esperança?
Tarla tomou um gole do próprio chá sem se abalar. Rum'ea observou o rosto dele com atenção desconfiada, esperando qualquer sinal de sofrimento escondido. Nada. Ele parecia genuinamente satisfeito, o que a fez desconfiar ainda mais da biologia keshtari.
Ela levou o copo aos lábios e tomou um gole pequeno.
A careta seguinte foi muito pior.
O rosto inteiro dela se contraiu como se a língua tivesse tentado abandonar o corpo por traição. Os olhos grandes se estreitaram, os ombros subiram, e por um instante Tarla sentiu pelo vínculo uma sequência caótica de impressões: amargo, resina, pedra molhada, sal, por que está quente, por que o fundo fresco piora tudo, isso foi uma escolha cultural ou um castigo de inverno, eu engoli?, eu engoli, erro, erro.
Rum'ea engoliu com dignidade ferida.
— Tem gosto de água usada para lavar o muro desapontado que foi exposto a vento marítimo, aquecida e chamada de chá.
Tarla apoiou uma das mãos no balcão e riu de novo, embora tentasse, sem grande sucesso, manter certa solenidade diante do insulto ao patrimônio líquido de sua região natal.
— É gosto adquirido.
— Adquirido depois de quê? Perder uma aposta?
— Depois de crescer com ele.
— Isso não é gosto adquirido. Isso é adaptação ao trauma.
— Alguns diriam tradição.
— Alguns diriam qualquer coisa se tivessem boas maneiras suficientes.
Tarla aceitou a crítica com um leve inclinar da cabeça e tomou outro gole. Rum'ea olhou para o próprio copo, como se ele a tivesse pessoalmente decepcionado. Depois, contra toda lógica, tomou outro gole minúsculo, talvez para confirmar a primeira impressão, talvez por teimosia, talvez porque a parte resfriada e selvagem dela ainda acreditasse que todo alimento ou bebida oferecido precisava ser compreendido antes de ser rejeitado.
A conclusão foi igual.
Ainda é ruim, pensou ela.
Sim.
Ela ergueu os olhos.
Você concorda?
Eu disse que era gosto adquirido, não que era objetivamente agradável.
— Você faz parecer agradável. — Disse ela em voz alta, observando-o enquanto ele recolocava a tampa no recipiente de barro.
— Faço?
— Faz. Você está preparando uma coisa que tem cheiro de muro decepcionado e gosto de muro decepcionado lavado no mar como se fosse um nobre respeitando etiqueta.
Tarla pousou o copo com cuidado.
— Talvez por influência de meu Mestre.
Rum'ea franziu a testa.
Qual deles mesmo?
A pergunta escapou pelo vínculo junto com uma tentativa mental muito séria de conectar nomes a rostos. Tarla recebeu a sequência inteira com uma clareza que quase o fez sorrir antes da hora. Oppo Rancisis surgiu primeiro na mente dela como serpente anciã, com um contorno respeitoso, mas ainda assim literal demais. Yoda veio em seguida como pequeno verde. Yaddle apareceu logo depois como pequeno verde, mas fêmea... acho, envolta em uma incerteza genuína e ligeiramente culpada. Tyvokka era grandão peludo, sem qualquer elaboração adicional. E Dookan, impecável, alto, nobre, austero, foi arquivado sem hesitação como príncipe vilão.
Tarla fechou os olhos por um momento.
Rum'ea percebeu tarde demais.
Você ouviu isso.
Ouvi.
Não ouviu.
Rum'ea.
O quê?
Você apelidou um Mestre de "príncipe vilão".
Só na minha cabeça.
Infelizmente, sua cabeça compartilha paredes comigo.
Ela olhou de volta para o datapad, fingindo absoluta concentração.
— Não conte a ele.
— Não pretendo.
Rum'ea soltou um pequeno som pelo nariz, satisfeita demais com a própria avaliação para se arrepender. Tarla, ainda com o copo nas mãos, encostou-se de leve ao balcão oposto.
— Oppo Rancisis foi meu Mestre. — Disse ele. — Você o conheceu no Conselho.
— Ah, a serp... Mestre Oppo. — Corrigiu ela depressa demais.
Tarla não comentou. A misericórdia dele, às vezes, era muito irritante.
— Ele pertence a uma linhagem real de Thisspias. Não apenas nobre. Real. Havia nele uma formalidade natural, embora não vazia. Cada gesto parecia lembrar que cortesia não era enfeite; era disciplina. Quando fui seu Padawan, ele me ensinou muitas coisas antes de me ensinar a lutar propriamente. Como entrar em uma sala sem tomá-la à força. Como aceitar comida de um povo cuja comida parecia incompreensível. Como esperar que o outro terminasse de falar mesmo quando a resposta já estava pronta. Como não confundir simplicidade com descuido.
Rum'ea ficou quieta, a ponta dos dedos parada sobre o datapad.
Pelo vínculo, Tarla a sentiu reorganizando a imagem de Oppo. Serpente anciã ganhou novas camadas: realeza, paciência, etiqueta, talvez uma espécie de perigo lento e inteligente que ela respeitava mais do que admitiria em voz alta.
— Ele ensinou você a fazer chá como se estivesse assinando um tratado?
— Em parte. Mas isso também vem de Keshtara.
Rum'ea olhou para ele de lado.
— Espera… Você também é nobre?
Tarla tomou mais um gole daquele chá ofensivo e pareceu considerar a melhor forma de responder.
— Tecnicamente, sim.
Rum'ea baixou o datapad devagar.
— “Tecnicamente”?
— A família Kesyk é uma linhagem nobre no norte de Keshtara.
Ela o encarou.
— Oh. E você simplesmente esqueceu de mencionar isso.
— Não é muito relevante.
— Claro que é relevante. Você é um nobre gigante de um planeta congelado que faz chá de muro triste e flutua quando medita.
— Quando colocado assim, soa mais dramático.
— Porque é dramático.
Tarla inclinou a cabeça, aceitando o ponto com serenidade.
— Em Keshtara, a ideia de nobreza não funciona como em muitos mundos da República. Não há distinção real entre as pessoas no cotidiano. Não com castas rígidas ou privilégios que separam alguém da comunidade. Significa, principalmente, herança familiar, responsabilidade por certas tradições locais e um brasão.
— … Um brasão.
— Sim.
— Vocês têm símbolo bonito para dizer “nós somos especiais, mas educadamente”.
— Alguns keshtaret diriam que é um símbolo bonito para lembrar “nossa família foi responsável por algo e não deve esquecer”.
— Isso é exatamente o tipo de frase que uma família nobre inventaria.
— Provavelmente.
Rum'ea tomou outro gole do chá apenas para ter algo para fazer com a expressão. Arrependeu-se de imediato, mas não cuspiu. Tarla notou com uma aprovação muda que ela teria odiado se fosse pronunciada.
— Acho exagerada toda a ideia de nobreza. — Disse ela, depois de engolir o sofrimento líquido. — Gente nascendo com nome maior que o corpo. Brasão. Etiqueta. Pratos demais. Palavras demais. Como se o sangue tivesse tempo de aprender boas maneiras antes de sair da pessoa quando ela sangra.
Tarla ficou em silêncio por um instante. Não era silêncio de discordância. Era o silêncio dele quando levava a sério algo que outra pessoa esperava que fosse tratado como grosseria.
— Concordo. — Disse ele.
Rum'ea piscou.
— … Concorda?
— Em grande parte, sim. Nobreza, quando usada para separar valor humano, é uma fantasia perigosa. Nomes antigos não tornam ninguém mais sábio, nem mais bondoso, nem menos capaz de cometer atrocidades com excelente postura.
— Então por que você parece tão confortável com isso?
— Porque boas maneiras abrem portas interessantes.
Ela bufou.
— Isso é diplomata demais.
— Também é verdade.
— Faca macia outra vez.
— Sim.
Ele voltou à chaleira, ajustando o calor para manter a infusão aquecida, e Rum'ea observou o movimento das mãos dele. Havia algo irritantemente coerente em Tarla. O modo como fazia chá era o mesmo modo como segurava um sabre, preenchia formulários, ajeitava o cinto dela antes de uma missão, ou corrigia uma solicitação jurídica: sem pressa, sem desperdício, sem tratar precisão como vaidade. Talvez fosse por isso que tantas pessoas no Templo o cumprimentavam com aquele tom um pouco mais suave do que o necessário. Talvez fosse por isso que algumas Cavaleiras o olhavam por meio segundo a mais. Talvez fosse por isso que duas bibliotecárias tinham endireitado as costas quando ele entrara nos arquivos no dia anterior.
Rum'ea estreitou os olhos.
— Metade do Templo deve ter uma quedinha por você.
Tarla parou.
Não muito. Não de forma dramática. Mas parou.
O silêncio dele foi tão imediato, tão absoluto e tão suspeito que Rum'ea ergueu o rosto devagar.
— Ah.
Tarla tomou o próprio chá.
Sem responder.
Rum'ea arregalou os olhos.
— Ah, não.
Ele continuou em silêncio.
O vínculo, porém, não mentia. Não havia vaidade nele. Nenhum prazer secreto, nenhum orgulho masculino, nenhuma curiosidade alimentada. Havia apenas aquele lago subitamente muito imóvel, como se até os peixes tivessem decidido fingir que não existiam.
Rum'ea fez um barulho engasgado de nojo.
— Não. Não, isso é horrível.
— Rum'ea—
— Não, eu não quero saber nomes.
— Eu não ia dizer nomes.
— Ótimo, porque eu não quero imaginar ninguém do Templo olhando para você e pensando... Coisas.
Tarla ergueu uma sobrancelha.
— Coisas?
— Coisas de gente que não tem ocupação suficiente.
— A maioria das pessoas no Templo tem bastante ocupação.
— Claramente não.
Tarla olhou para ela por cima do copo, e o canto da boca começou a trair um sorriso.
— E isso a incomoda?
— Sim. Porque é burro.
— Burro?
— Sim. Elas olham para... — Rum'ea fez um gesto vago com a mão livre, apontando para o conjunto inteiro dele com uma irritação que não sabia muito bem onde pousar. — Isso. Altura. Cabelo. Olhos tristes que nem um Porg. Boas maneiras. Voz de quem pede desculpa até para portas. E esquecem que você é insuportável.
— Creio que você já usou isso para me descrever algumas vezes. Mas, um Porg?
— Foi o mais próximo que eu consegui. E continuo usando porque você é. Muito. E provavelmente nenhuma delas continuaria interessada se soubesse o que se passa na sua cabeça.
Tarla, que estava levando o copo aos lábios, parou de novo.
Dessa vez, riu antes de beber.
— Concordo.
A resposta foi rápida demais, sincera demais, e Rum'ea apontou para ele com o copo de chá como se tivesse acabado de confirmar uma acusação.
— Está vendo?
— Não nego que minha mente seja menos romântica do que algumas aparências possam sugerir.
— “Menos romântica”? Tarla, não existe nada romântico aí. Sua mente é um lago cheio de tratados, chá ruim, neve, culpa antiga, formulários e frases sobre paciência.
— Há também mapas…
— Pior.
— … E listas…
— Muito pior.
— … Dentre outras.
Rum'ea fez outra careta e olhou para o copo.
— Isso explica por que o Conselho confia em você. Ninguém perigoso de verdade teria uma cabeça tão cheia de papel.
Tarla a observou com um brilho divertido nos olhos.
— Essa conclusão é perigosamente otimista.
Ela olhou para ele, e por um instante o humor se afinou em algo mais atento. Não medo, exatamente. Não como antes. Mas consciência. Tarla era perigoso. A sala de treino já lhe mostrara isso. O sabre verde, a venda, os pés descalços, as esferas disparando em intensidade total. Ele era perigoso de um jeito que não precisava anunciar perigo. E, ainda assim, ali estava, numa cozinha auxiliar depois do jantar, bebendo chá amargo, resinado, levemente salgado e absurdo, rindo porque ela comparara sua tradição natal a um muro desapontado.
Rum'ea o escaneou com os olhos, sentindo pelo vínculo as emoções por trás daquela conversa, tateando como uma mão no escuro.
Você não gosta quando pensam em você desse jeito, pensou, sem querer.
O pensamento escapou pequeno, quase sem forma.
Tarla não respondeu de imediato. O vínculo ficou quieto, mas não fechado.
Não é desgosto, veio dele enfim. É distância. Para os keshtaret, esse tipo de vínculo não nasce de aparência, nem de convivência casual, nem de admiração. E, para um Jedi, alimentar isso seria descuidado.
Mas você percebe.
Sim.
E finge que não.
Quando possível.
Ela o olhou de lado.
Isso também é diplomacia?
Às vezes é apenas misericórdia.
Rum'ea ficou quieta por um momento, absorvendo aquilo de má vontade. Depois ergueu o copo outra vez, cheirou o chá, arrependeu-se, bebeu mais um gole minúsculo e fez outra careta.
— Ainda é horrível.
— Você não precisa continuar bebendo.
— Preciso entender se piora.
— E…?
— Não piora. Mas insiste em existir.
Tarla riu baixo.
A cozinha voltou a se aquietar ao redor deles, preenchida pelo som distante do Templo à noite, pelo zumbido leve dos datapads e pelo cheiro daquele chá do norte de Keshtara, que Rum'ea agora associaria para sempre a muro desapontado, vento marítimo, nobreza inútil, Oppo Rancisis ensinando etiqueta a um menino keshtari longe de casa, e Tarla concordando sem vergonha alguma que a própria mente provavelmente arruinaria metade das paixões silenciosas do Templo.
Ela voltou ao datapad, mas não desceu do balcão.
Tarla serviu mais chá para si, mas não ofereceu de novo.
Depois de alguns minutos, Rum'ea falou sem erguer os olhos:
— Qual é o brasão da sua família?
Tarla olhou para ela.
— Pensei que achasse brasões exagerados.
— E acho.
— E quer saber mesmo assim?
— Quero saber para julgar com precisão.
Ele sorriu.
— Algo entre estrela, galhos e um fractal de gelo.
Rum'ea pensou na imagem por um instante. Depois, acabou com a cabeça, como alguém solenemente confirmando algo.
— Exagerado. – Ela fez uma pausa. – Mas… Não feio.
Tarla aceitou aquilo com uma inclinação solene da cabeça, como se tivesse acabado de receber parecer oficial sobre séculos de heráldica familiar.
— Informarei minha mãe.
Rum'ea ergueu a cabeça depressa.
— Não! Você não vai informar a sua mãe de nada!
— Tarde demais. Minha aprecia detalhes.
— Tarla...
— Posso omitir o comentário sobre o muro desapontado.
— Mentira. Vai ser a primeira coisa que você vai colocar na carta.
— Quase certamente.
Pelo vínculo, Rum'ea rosnou em ameaça, mas pelo também havia riso. Selvagem, pequeno, ainda pouco acostumado a existir sem se defender.
Tarla bebeu o último gole do chá com a elegância de um nobre que dizia não acreditar muito em nobreza.
E Rum'ea, sentada sobre o balcão com um datapad no colo, decidiu que talvez boas maneiras realmente abrissem portas interessantes — desde que ela pudesse reclamar do cheiro do chá enquanto passava por elas.
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