A Profecia dos Amantes
6 Alderaan
A primeira missão diplomática de Rum’ea começou antes mesmo de a nave deixar Coruscant, quando Tarla apareceu à porta do quarto dela com duas caixas de tecido dobradas nos braços e a expressão serena de quem claramente já havia decidido tudo.
Rum’ea, que ainda estava terminando de prender o cinto das vestes simples do Templo, ergueu os olhos com desconfiança imediata.
— O que é isso?
Tarla entrou apenas depois do “pare de ficar na porta feito uma coluna que criou pernas e entre logo” dela e depositou uma as caixas sobre a cama.
— Roupas para Alderaan.
Rum’ea aproximou-se devagar, como se as caixas pudessem conter alguma indignidade cerimonial ou algum explosivo.
Ela torcia para que fosse o explosivo.
Quando abriu a tampa, encontrou as vestes separadas para ela: tons claros, entre areia e marfim, camadas mais elegantes do que as que usava no Templo, um caimento mais nobre, uma capa ampla e macia, calças ajustadas, botas altas escuras, o cinto atravessado em diagonal, e, correndo pelas bordas internas e pelos acabamentos, detalhes azuis precisos, discretos o bastante para serem refinados, visíveis o bastante para não desaparecerem. Definitivamente nada pintado à mão clandestinamente em um quarto na penumbra. Na segunda caixa, ainda nas mãos de Tarla, provavelmente estavam as vestes dele, algo que Rum’ea ignorou completamente, passando os dedos pelo tecido da capa do traje dela.
Ele escolheu isso? pensou, sem sequer pensar em conter o fluxo. Como ele conseguiu isso? Ele encomendou? Já tinha? Improvável – quem teria roupas guardadas para alguém com um tamanho tão específico como o meu? Isso é demais. Não, não é. Talvez seja. Não, não é. Talvez um pouco. O azul está bonito. Bonito demais? Não. Talvez sim. Não. Vai marcar tudo. Vai marcar muito. Vai ficar óbvio demais no corpo. Vai mesmo. Mas… É bonito. E eu gostei. Eu gostei muito. Isso é um problema? Não. Talvez. Não. Definitivamente é.
Tarla recebeu tudo pelo vínculo como quem recebe uma rajada de pássaros atravessando a superfície de um lago. Não comentou nenhuma das idas e vindas.
Apenas disse, com a simplicidade de quem tratava da coisa mais natural do mundo:
— Use o cabelo solto.
Rum’ea ergueu o rosto.
— Solto? Mas meu cabelo é-
— Em Alderaan, mulheres de linhagens nobres costumam prender ou estruturar o cabelo de maneiras específicas. – Ele explicou, paciente. – Se você o deixar solto, ninguém a confundirá com alguém tentando parecer o que não é.
Ela olhou para ele por um instante. Era um detalhe minúsculo, mas preciso – o tipo de informação que não vinha de vaidade, e sim de leitura de mundo, e que poderia causar problemas se não fosse respeitado. Rum’ea gostou disso também, o que só aumentou o tumulto interno que ela continuava deixando escapar sem perceber.
E quanto a minha trança?
O que tem ela?
Não conta como cabelo preso?
Não. A trança de Padawan é um símbolo da Ordem, facilmente reconhecível em Jedi. Além disso, é discreta em apenas um ponto do cabelo e, portanto, não se caracteriza como “penteado”.
… Elas usam cabelos que desafiam a gravidade e a engenharia, não usam?
Quase.
Quase?
Esta exata definição eu reservo às rainhas de Naboo.
Quando saiu já vestida, minutos depois, Tarla a esperava no pequeno compartimento da nave com as próprias roupas já trocadas. Ele realmente parecia diferente. Continuava sendo Tarla – alto demais, olhos verdes caídos nos cantos, cabelos longos castanho-grisalhos, serenidade antiga – mas as vestes claras e marcadas por linhas marrom-escuras lhe davam uma presença menos recolhida, mais formal, mais visível. Eram muito menos discretas do que ele costumava usar: corte impecável, faixas elegantes, um cinto mais trabalhado. Eram roupas de alguém que seria visto e lido num salão político antes mesmo de falar.
Rum’ea, por sua vez, sentia a roupa em cada centímetro do corpo. O tecido seguia-lhe as curvas com uma dignidade que não era vulgar, mas também não apagava nada. A capa caía bela demais para um traje funcional, embora fosse tecnicamente uma capa de viajante e, por isso mesmo, removida ao entrar no salão, e as linhas azuis faziam o conjunto parecer ainda mais seu, como se alguém tivesse entendido exatamente quanto de neutralidade ela conseguiria suportar antes de começar a desaparecer dentro das roupas e de si mesma.
Tarla olhou para ela com atenção calma. Não aquele tipo de atenção que homens davam que a fazia querer imediatamente procurar uma rota de fuga, mas uma avaliação clara, objetiva, quase arquitetônica. Depois, assentiu.
— A escolha foi correta. — Disse ele, como se fizesse uma avaliação estrutural. — As vestes lhe caem muito bem. São adequadas ao ambiente, e o azul integra sua presença sem quebrar a formalidade.
Era um elogio tão ascético, tão precisamente desprovido de calor indevido, que Rum’ea levou um segundo para entender que ainda assim era um elogio.
E, contra todas as próprias expectativas, aquilo a deixou feliz quando entendeu.
Não lisonjeada.
Não envergonhada.
Feliz.
Como se ele tivesse visto exatamente o que a roupa fazia — não só no corpo, mas nela — e tivesse achado aquilo certo.
Ela desviou o rosto depressa, fingindo examinar a fivela do próprio cinto.
Você fala de roupa como se estivesse descrevendo arquitetura.
Ambas devem sustentar presença sem desabar, respondeu ele com serenidade inabalável.
A missão, como Tarla explicara no trajeto, deveria durar apenas um dia. Alderaan não os receberia para crise armada, disputa de fronteira ou questão de segurança. Era, segundo ele, “complexa, mas não perigosa”, o que para Rum’ea parecia exatamente o tipo de frase que diplomatas usavam antes de mergulhar até o pescoço em problemas que ninguém queria admitir que eram problemas. Tratava-se de um acordo entre uma casa menor aldeerana, responsável pela administração de um cinturão de lagos de altitude, e um consórcio agrícola local que queria redefinir termos de distribuição, manutenção e prioridade de uso das águas para três comunidades serranas. Não havia fome, nem guerra, nem escassez imediata. Havia, porém, tradição, orgulho, terminologia legal, dialeto cerimonial alderaano e o tipo de polidez refinada que conseguia transformar qualquer frase em uma arma sem ponta visível.
O salão onde a negociação ocorreria era exatamente tão aldeerano quanto Rum’ea imaginara que seria: luminoso, elegante, composto por mármore claro, janelas altas, tapeçarias discretas e uma quantidade insuportável de beleza perfeitamente distribuída. Tudo ali parecia caro demais e pacífico demais para ser inteiramente confiável. Tarla foi recebido com respeito imediato, e Rum’ea sentiu vários olhares pousando sobre si em seguida: curiosos, avaliativos, nunca grosseiros, mas atentos à Padawan de vestes claras e detalhes azuis, cabelo negro solto e olhos de quem parecia ainda pouco convencida de que um salão bonito deixava alguém menos perigoso.
Não tome os olhares como mais do que realmente são.
E o que realmente são?
Curiosidade.
Ótimo. Sou um bicho exótico no meio da corte.
Não. Você é a primeira Padawan que trago comigo em 68 anos em que represento a Ordem perante Alderaan.
68 anos?!
Em intervalos consideráveis. Vim quatro vezes.
Então provavelmente nem lembram se você vinha com ou sem um Padawan debaixo do braço.
Você subestima a memória e a atenção dos Nobres, Rum’ea. Não faça isso.
Durante a primeira parte da reunião, Rum’ea falou quase nada, como era esperado dela. Ficou ao lado de Tarla, levemente atrás, observando tudo com atenção. E Tarla, pelo vínculo, começou a explicar a superfície da conversa e o que havia por baixo dela.
O homem à esquerda representa a Casa Ulcere, disse ele, enquanto em voz alta agradecia a hospitalidade com a fluidez macia de alguém que realmente sabia usar palavras polidas sem se afogar nelas. Eles controlam legalmente o acesso aos lagos altos, mas precisam parecer generosos para não criar ressentimento político.
Rum’ea manteve o rosto imóvel.
E a mulher de verde claro?
Qual das três? É uma cor popular aqui.
A com cara de que um rancor resolveu acasalar com um bantha bem do lado do travesseiro dela na noite passada.
Criativo. É a representante do consórcio agrícola. Ela não quer apenas a água. Quer linguagem suficiente para garantir precedência administrativa no período de cheias.
Ela sorri com os dentes e não com os olhos.
Excelente. Boa avaliação.
A reunião avançou assim, camada sobre camada. Tarla falava em voz alta sobre equilíbrio, sustentabilidade, confiança recíproca e tradição compartilhada. Pelo vínculo, traduzia o que aquilo realmente queria dizer.
“Equilíbrio” aqui significa ninguém quer perder a capacidade de mandar.
“Tradição compartilhada” do jeito que estão usando significa os dois lados acreditam que o costume antigo os favorece.
Agora ele vai citar a estabilidade regional para fazer parecer que a questão é maior do que a própria Casa.
Rum’ea começou a perceber que a diplomacia de Tarla não era a coisa “cheia” que ela desprezava tanto quanto imaginava. Havia enchimento, sim, mas também uma espécie de dissecação limpa. Ele não fingia que as facas sob a mesa não existiam. Apenas falava como alguém que preferia impedi-las de serem puxadas.
Mesmo assim, alguma coisa na discussão começou a incomodá-la.
Não era o tom. Não era a postura. Não era exatamente nenhuma das intenções que Tarla ia nomeando para ela. Era outra coisa, mais rápida, escorregadia, quase irritante por estar tão perto da compreensão e não se deixar agarrar de imediato. Rum’ea ouviu uma das assessoras locais repetir um termo na língua aldeerana por conter algo de cerimonial antigo, depois ouviu o tradutor converter aquilo para Basic, e sentiu um pequeno solavanco por dentro. Depois outro.
Havia algo errado. Não no conteúdo geral, mas na costura.
Alderaan falava Basic. Mas dialetos locais históricos das antigas Casas nobres ainda sobreviviam em cerimônias e textos antigos.
Ela ficou ainda mais imóvel.
Tarla sentiu a mudança.
O que foi? perguntou ele.
Espera.
A frase seguinte veio. Depois a resposta do outro lado.
Depois uma nova tentativa de redação do tratado. E o desconforto dela ficou mais agudo.
Sem aviso, Rum’ea abriu o próprio datapad em plena mesa de negociação.
Tarla virou o rosto uma fração mínima, o bastante para que ninguém mais notasse. O vínculo, porém, veio nítido e firme.
… Rum’ea?
Sem resposta. Os pensamentos dela corriam em todas as direções sem parecerem se fixar a nada concreto.
Rum’ea.
Mais uma vez, nada.
Rum’ea.
Quieto.
Ela já digitava.
Rum’ea, o datapad. Isso pode ser entendido como falta de resp-
Não me atrapalhe.
Padawan Olph-
Tarla, fique quieto! Só... Ganhe tempo.
Ele sentiu tão claramente a certeza nela que, por um segundo, quase respondeu por reflexo como Mestre.
Mas Rum’ea, naquele instante, parecia ter esquecido completamente que era Padawan. Estava debruçada sobre a tela, sobrancelhas unidas, uma rapidez feroz nos dedos, a cabeça levemente inclinada do jeito que fazia quando estava caçando sentido em alguma peça desmontada do mundo.
Ganhe tempo, repetiu ela. E pare de me cutucar pelo vínculo, ou vou morder você!
Tarla respirou uma vez, muito devagar, e então fez exatamente isso. Endireitou-se, voltou-se aos presentes e passou a falar. Fê-lo com tanta calma e elegância que ninguém na sala pareceu ofendido pela súbita concentração da jovem ao seu lado. Ele levantou uma dúvida acessória completamente inútil sobre a interpretação dos calendários de cheias e secas nos distritos altos mas que gerou explicações solenes o suficiente para ocuparem os minutos, depois puxou uma observação sobre a manutenção dos canais de contenção e, em seguida, permitiu que a conversa derivasse alguns minutos para a distinção entre uso primário e uso sazonal — tudo perfeitamente plausível, tudo suficientemente relevante para parecer avanço enquanto, na verdade, servia apenas para criar o intervalo que Rum’ea pedira.
Vinte e cinco minutos depois, ela deslizou o datapad para ele por baixo da linha principal de visão da mesa.
Tarla baixou os olhos.
Rum’ea havia destacado três ocorrências do mesmo termo na língua local e três traduções em Basic. Na língua aldeerana usada ali, a palavra central trazia a ideia de guarda responsável compartilhada, com sentido de custódia vinculada ao dever solene de manutenção e retorno. Mas, em Basic, vinha sendo traduzida repetidamente como “posse administrativa”, que carregava peso jurídico de controle mais exclusivo. O problema não era material. Era linguístico. Um lado estava ouvindo responsabilidade rotativa; o outro, prerrogativa de domínio. Nenhum dos dois aceitava o texto porque, sem perceber, não estavam discordando da intenção central — estavam tropeçando na tradução.
Tarla ergueu os olhos para Rum’ea.
Ela apenas o encarou de volta.
Eu disse para você ganhar tempo.
No instante seguinte, ele reposicionou a negociação inteira com a sutileza de alguém acostumado a mover salões sem derrubar nada. Solicitou, com toda a elegância possível, que revisassem a base terminológica do documento “em honra à precisão cultural e histórica de Alderaan”, o que teve o benefício adicional de transformar uma falha de tradução em gesto de respeito. Se Alderaan ainda não adorava Mestre Kesyk, passou a adorar naquele instante.
O esclarecimento veio, os dois lados perceberam o ruído, o impasse desfez-se com rapidez quase constrangedora, e o tratado avançou em menos de meia hora depois disso.
Quando saíram do palácio, a missão estava encerrada.
Curta, como prometido. Complexa, como prometido. Não perigosa, também como prometido. Rum’ea ainda sentia a roupa bonita demais sobre o corpo e a satisfação muito quieta de ter encontrado o nó antes que todos os outros percebessem que aquilo sequer era uma corda.
Na nave de volta, Coruscant ainda estava distante o suficiente para que o silêncio da cabine pequena fosse confortável. Tarla estava sentado diante dela, já sem a rigidez pública da missão, embora ainda com as vestes elegantes que lhe davam aquele ar menos discreto do que o habitual. Rum’ea havia soltado um pouco a capa e encostado a cabeça na parede lateral, o cabelo negro ainda livre sobre os ombros.
Tarla ficou em silêncio por algum tempo antes de perguntar:
— Como percebeu antes de mim?
Rum’ea demorou um pouco para responder. Não porque não soubesse, mas porque a resposta não parecia, para ela, uma habilidade digna de nome. Era só uma coisa que sempre acontecera.
— Em Kyrmora, apareciam compradores de muitos lugares. — Ela começou a falar, sem jeito, olhando para as próprias mãos. — Gente da Orla Exterior e Média, gente de rotas que eu nem sabia nomear, contrabandistas, comerciantes, atravessadores… A maioria das placas lá são escritas em Basic da Orla Exterior, Huttês comercial e Aurebesh, mas também tem outros alfabetos e línguas. Quando criança, poderia jurar que vi runas Sith em algum lugar perto do Cemitério… É onde a maioria das naves cai. Ninguém realmente têm uma explicação do porquê isso acontece ou qual a lógica por trás disso… Desculpa. Voltando. Alguns lá falavam Basic mal. Outros falavam línguas que eu nunca aprendi do jeito normal. Mas eu tinha… Facilidade.
Tarla inclinou levemente a cabeça.
— Facilidade como?
Rum’ea franziu um pouco o cenho, tentando encontrar palavras que não a fizessem soar delirante.
— Às vezes eu ouvia… Sussurros, eu acho. Não exatamente vozes de alguém perto. Mais como se alguma coisa fosse traduzindo por baixo do que eu estava ouvindo. E, quando eu queria responder, era como se mostrasse por dentro o jeito de dizer aquilo em outra língua. Nem sempre inteiro. Às vezes só intenção. Às vezes palavra. Às vezes estrutura.
Rum’ea enviou a ele algumas lembranças com sua percepção: ela criança ouvindo uma mulher dizendo em Basic quebrado que oferecia um preço justo por uma peça brilhosa enquanto seus ouvidos se enchiam de sussurros quando a mulher falava com outra, e Rum’ea entendia que aquele preço não era nada justo e que “roubar de crianças sempre era mais fácil”. Um grupo de homens de pele laranja olhando para Rum’ea já adolescente e falando algo em uma língua de cliques, e os sussurros ao redor dela produzindo apenas uma sensação ruim e a palavra “corra” que ela obedeceu sem hesitação. Uma criatura estranha com 7 olhos (dois deles furados ou arrancados), pele cinza e focinho longo conversando com outra criatura igualmente estranha mas inteiramente preta e os sussurros traduzindo a localização onde um suborno fora deixado e que Rum’ea roubara apenas o suficiente, sabendo que suborno incompleto causava múltiplas fraturas mas não morte.
Tarla observou-a em silêncio, e Rum’ea sentiu que ele não estava avaliando se acreditava ou não. Apenas encaixando a peça na paisagem maior dela.
— A Força realmente se manifesta de formas curiosas. — Disse ele, enfim.
Rum’ea soltou um pequeno som pelo nariz.
— Curiosas é uma palavra elegante.
— É uma palavra útil.
Ela olhou para ele de lado.
— Você realmente não tinha percebido.
— Não.
— E isso não o incomoda?
Tarla pensou por um momento.
— Não. Na verdade, me agrada muitíssimo.
Rum’ea ergueu as sobrancelhas.
— Agrada?
— Sim. Prefiro descobrir cedo que minha Padawan vê coisas que eu não vi.
Ela não respondeu imediatamente. O título, dessa vez, não soou como peso. Soou como reconhecimento limpo.
Pelo vínculo, ela sentiu então algo muito simples vindo dele: não orgulho exuberante, nem surpresa teatral. Apenas uma aprovação calma, firme, quase austera – um equivalente emocional do elogio que fizera mais cedo às roupas dela.
Você foi muito bem hoje, veio dele, silenciosamente. Não apenas pela percepção do erro, mas pelo momento em que escolheu agir.
Rum’ea baixou os olhos depressa, como se a própria satisfação pudesse fugir pelo rosto se não fosse contida a tempo.
Eu abri o datapad no meio da reunião.
Sim.
Você quase me sacudiu pelo vínculo.
Quase.
Então talvez eu não tenha ido tão bem assim.
Tarla deixou que um canto da boca se erguesse.
Rum’ea, você encontrou em alguns minutos o que uma mesa inteira de pessoas educadas demais não percebeu em quase uma hora – eu incluso. Posso tolerar um datapad. Apenas me avise o que está fazendo da próxima vez.
Ela olhou para ele, e a felicidade pequena, surpresa e muito real que sentiu foi tão súbita que desta vez percebeu tarde demais que também a havia deixado passar pelo vínculo. Tarla, misericordiosamente, fez de conta que não notava a parte mais íntima dela – o calor contente, a leveza absurda que um elogio tão simples conseguia abrir.
Do lado de fora, as estrelas passavam como pontos frios e constantes. Dentro da nave, Rum’ea ajeitou a capa sobre os joelhos e decidiu, sem anunciar em voz alta, que gostava daquelas roupas, daquela missão curta demais, do azul nas bordas, da comida boa de Alderaan que Tarla não deixara que ela trouxesse um pouco consigo, da forma como Tarla escolhera o cabelo solto por uma razão prática e não ornamental, e até mesmo da diplomacia um pouco mais do que gostaria de admitir.
Só um pouco.
E apenas porque, naquele dia, ela a vira funcionar.
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