A Profecia dos Amantes
1 A Profecia
O vento cortava os penhascos de Ossus como uma lâmina invisível. Não havia cidades ali, nem o brilho constante das rotas hiperespaciais, nem o rumor distante de guerras entre sistemas. Apenas pedra antiga, poeira dourada e as ruínas silenciosas do primeiro conhecimento Jedi, enterradas sob eras de abandono.
No alto de uma escadaria semi-destruída, uma figura avançava lentamente sob a luz fria das luas. O manto pesado ocultava-lhe o rosto, mas não o cansaço nos movimentos. Cada degrau parecia carregar o peso de séculos.
As portas do antigo cofre já estavam abertas.
Isso, por si só, era impossível.
Os mecanismos daquela câmara haviam sido selados antes mesmo da formação da República moderna. Não respondiam a chaves comuns, nem a códigos, nem mesmo à maioria das técnicas da Força conhecidas pelos Jedi contemporâneos. Ainda assim, alguém entrara.
O interior cheirava a pergaminho queimado e chuva antiga.
Holocrones partidos repousavam espalhados pelo chão, alguns ainda emitindo fragmentos de vozes há muito mortas. As paredes circulares estavam cobertas de inscrições em idiomas esquecidos — símbolos que nem mesmo os arquivistas de Coruscant ousavam traduzir sem autorização do Conselho.
No centro da sala havia apenas um pedestal de pedra negra.
Vazio.
A figura encapuzada permaneceu imóvel diante dele durante vários segundos. Então ergueu lentamente uma mão enluvada, passando os dedos pelo sulco deixado pelo objeto desaparecido.
Um livro.
Não um holocron.
Um livro físico.
As Escrituras de Ashla.
O último texto proibido da Primeira Ordem Jedi.
Atrás da figura, outra presença emergiu da escuridão.
- Então era verdade. — Disse uma voz feminina, baixa e cautelosa. — Achei que fosse apenas mais um mito entre milhares.
A figura não se virou.
- Mitos não assustam o Conselho.
Ela observou o pedestal vazio.
- O que havia aqui?
O silêncio demorou a responder.
Quando veio, trouxe consigo algo semelhante a hesitação.
- Uma profecia.
As luas iluminaram parcialmente o rosto da recém-chegada: uma mulher ainda jovem, trajando vestes Jedi simples, embora o olhar carregasse uma inquietação incomum para alguém treinado desde a infância a esconder emoções.
- Sobre o Escolhido?
- Não. — A resposta saiu seca.
- Então sobre guerra?
- Não.
Ela franziu a testa.
O homem finalmente virou o rosto. Era velho. Muito mais velho do que aparentava à distância. Cicatrizes cruzavam-lhe a pele como rachaduras em pedra antiga.
E havia medo em seus olhos.
Medo genuíno.
- Todas as grandes profecias Jedi falam sobre equilíbrio, queda, fome, morte ou redenção. Algumas mencionam impérios consumidos pelo orgulho. Outras descrevem eras inteiras mergulhadas em trevas. — Ele respirou devagar. — Mas apenas uma fala sobre amor.
O vento invadiu a câmara naquele instante, fazendo os pergaminhos espalhados se agitarem violentamente.
A jovem sentiu um arrepio percorrer-lhe os braços.
- Amor?
A palavra soava errada naquele lugar.
Errada nas bocas dos Jedi.
O velho caminhou lentamente até uma parede coberta de inscrições apagadas pelo tempo. Com a ponta dos dedos, ativou símbolos antigos que começaram a brilhar em azul pálido.
Duas figuras surgiram projetadas na pedra.
Uma envolta em luz.
Outra cercada por sombras.
Mas ambas estendiam as mãos uma para a outra.
- "Dois unidos pela Força, pensamentos protegidos por ela; Um cairá em trevas, o outro permanece na luz. Uma união testada pela distância, morte e esquecimento Quando uma criança roubada escolher o que é certo E a criança do gelo conhecer o abandono de tudo que esperou para amar. Em vida, trilham o mesmo caminho, Em morte, seguem lados separados. Verde se torna vermelho nos olhos e na lâmina; E, mesmo assim, a metade não se apaga, a amálgama não se desfaz..." — recitou ele, em tom quase ritualístico — "...Nem luz Nem trevas E, por isso, renegados por ambos. Nunca um sem o outro podem ser, Temidos por todos que os cercam."
A jovem permaneceu imóvel.
- O que isso significa?
- Ninguém sabe.
A projeção tremeluziu.
Por um breve instante, as figuras pareceram se abraçar.
Então transformaram-se em ruínas flamejantes.
Planetas em colapso.
Frotas destruídas.
Corpos celestes partidos ao meio.
A jovem sentiu o coração acelerar involuntariamente.
- O Conselho acredita que seja uma advertência. — Continuou o velho. — Que um dos dois arrastará o outro para seu lado. Se a luz vencer, haverá equilíbrio. Se as trevas vencerem...
Ele não terminou.
Não precisava.
As imagens de destruição ainda queimavam nas paredes.
- E alguém roubou isso.
- Sim.
- Um Sith?
O velho demorou a responder.
Demorou tempo demais.
- Não sei o que me preocupa mais... um Sith procurando essa profecia... — Os olhos dele voltaram lentamente para o pedestal vazio. — ...ou um Jedi.
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