A Profecia Oculta
2 Recebemos Uma Visita de Alta Periculosidade
Quando o espetáculo acabou, as ninfas, os sátiros e os outros conselheiros depois de muito eu, Nico e Annabeth discutirmos com eles, resolveram ajudar a colocar os chalés em ordem. Era umas três da manhã quando deram passagem para mim e alguns filhos de Apolo passarmos com Juniper e Amy. Só mais ou menos umas três e meia é que fomos descobrir o porquê de Juniper estar com tanta febre: ela precisava de sua arvore, e seiva, muita seiva.
Amy era mais fácil. Só precisava de um pouco de néctar, ambrósia, e água. Quando as levamos para a Casa Grande, elas estavam num estado horrível. Juniper com uns quarenta graus de febre e sangrando bastante seiva, e Amy estava com a maioria das cicatrizes rosadas, por causa da água. Mas eram só suas costas, e o resto estava sangrando. Ela tinha cortado a sobrancelha, tivemos que jogar água em seu nariz que parecia quebrado, seu braço estava com um corte profundo de uns 20 ou 30 centímetros mais ou menos, e sua boca estava toda inchada no lábio inferior que parecia meio desfigurado. As duas estavam com muitos cortes e arranhões.Lá pra umas quatro da manhã, Quiron me chamou para a sala dele na Casa Grande. A sala de Quiron tinha uma lareira grande de pedras e uma vitrola, com vários cd´s e discos de vinil. É, a vida é cruel fazendo você escutar Frank Sinatra de madrugada, mesmo quando você esta tentando ajudar alguém.- Percy – disse ele – você sabe as conseqüências desta aparição, não sabe?- Quiron... eu tive um sonho com aquela garota. O nome dela é Amy, e ela é...- Percy, eu sei. Na verdade, Nico sabe. Ele sentiu o que aconteceu com a família dela, e é normal que você tenha tido um sonho com ela. Ela é sua irmã.Ainda não tinha caído a ficha. Mesmo que eu soubesse que eu ia ter uma nova companheira de chalé, ainda não tinha percebido que essa tal de Amy era minha irmã. Quando pensei isso, senti os meus pelos da nuca se eriçando. Tinha alguma coisa acontecendo, e algumas coisas iam acontecer. Então me ocorreu outra pergunta chave.- A família ... dela? – perguntei, atônito.- Isso você vai descobrir sozinho. – respondeu Quiron. Por que tantos enigmas? São quatro da manhã! – ela já deve estar chegando.- Ah, não, de novo não. Ela quem? – perguntei de novo, só que agora, mais irritado.- Uma pessoa conhecida para você. E você pensou que nunca mais iria vê-la. – disse ele dando aquele risinho cheio de enigmas.Outra ela. Eu preciso dar um tempo disso.Bom, mas mal sabia eu que logo descobriria quem é “ela”. E tinha gente que não ia gostar muito.Logo depois de eu terminar de contar meu sonho a Quiron, ele me liberou para ir para o chalé, me avisando que logo teria uma nova companhia sem ser Tyson, meu meio-irmão ciclope. Eu tinha perdido o sono, e por isso fui dar uma caminhada na praia, e lá, por incrível que pareça, encontrei quem eu menos queria conversar num momento: Annabeth. Só que, ao contrario do que eu achei, parecia que ela estava tendo os mesmos pensamentos que eu, que não queria conversar sobre o que aconteceu essa noite, mas também não estava a fim de dar uns amassos.Logo depois que a conheci direito, quando Grover andava meio sumido no Mar de Monstros, percebi que sempre que ela vinha à praia, estava meio triste, ou bem triste. Já que ela é da California, gosta de ver o nascer do sol. Parece que isso reanima todo mundo. Não só porque é bonito, mas porque o crepúsculo do nascer ou do por do sol, é uma boa hora para pensar, como me disse Hefesto na ilha de Calypso, Ogígia.Sentei-me ao lado dela e, por incrível que pareça, ela me disse:- Há um dia atrás, eu estava pensando que você era o único filho do Poseidon, e em como eu tive sorte de minha mãe não transformar você em pó, quando eu disse que gostava muito de você, porque ela se preocupa comigo, mesmo que não goste de você, e para você ficar comigo, você teve que salvar o Olimpo. E todo esse tempo, eu achava que ela ia te matar e seu pai ia me matar porque eles são rivais, e eu me sentia muito culpada com esse negocio de você virar comida de peixe. Pois o que importava para mim era você, só isso. E eu não queria ficar sem a coisa mais importante para mim desde que te conheci, há cinco anos atrás, quando eu pensava mesmo que amava... você sabe... – ele sempre hesita quando fala o nome dele, e hesitou – bem, Luke. Sinceramente Perce, acho que agente devia deixar pra lá essa historia de, você sabe, Luke – e quando ela fala o nome dele não para mais de falar, o que me deixa com um pouquinho de ciúme – eu tenho medo.Disse ela puxando meu braço, fazendo-me abraçá-la. - Medo de que? Você esta comigo, entendeu? Eu te amo. Você é a coisa mais importante no mundo para mim. E se você esta falando tudo isso por pensar que não me têm, você vai me ter para sempre e sempre me teve... Sempre, desde que eu te conheci. Agora, não sei se vou ter você. – falei.- Eu?... Hmmm...deixe-me pensar... Nisso, como é sempre ela que da o inicio, como foi ela que me beijou pela primeira vez, ela desencostou a cabeça do meu peito, e com o indicador e o polegar, segurou meu queixo e encostou os lábios nos meus. Annabeth colocou as mãos no meu pescoço, e eu a segurei pela cintura, sentindo a areia roçando nas minhas mãos. O cabelo dela tinha cheiro de sabonete de limão, meu cheiro favorito. Caímos no chão e pude sentir todo o cheiro de mar, todos os grãozinhos de areia. Eles poderia ser cometas e nós poderíamos estar no meio deles, mas nada seria tão maravilhoso quanto estar beijando-a. Então tirei uma das minhas mãos de sua cintura e entrelacei meus dedos com os dela no meu pescoço, enquanto ela me trazia para perto cada vez mais, prensando-me contra seu corpo, mas então (ah que droga) ela parou de me beijar.
- Você jamais vai me perder, e ah... você tem uma cabeça de alga muito grande.Então voltou a me beijar. Só que depois de algum tempo no nosso estupor (maravilhoso) alguém pigarreou.Nico.- É... Guardando os comentários para mim por enquanto, tem alguém que quer te ver, Percy. – disse ele, vermelho.- Quanto você viu? – perguntou Annabeth.- Só fiquei observando... – disse ele com aquele olhar maroto.- Quiron não vai saber – disse ela puxando meus cabelos.- Se não, o que? Quero alguma coisa em troca. - Nada. Você não vai ter nada. – disse ela se soltando-se de mim – Helena, filha de Afrodite.- Você não teria coragem... – disse ele ficando vermelho – quando?- Atrás da Cabine de Hefesto, na noite da fogueira no dia em que cheguei ao Acampamento nesse verão, fui pegar minha armadura para a noite da bandeira e...- Okay. Mas não vai dar para esconder. Tem areia embaixo de vocês. E o grandão do mar esta todo arranhado.Nisso eu chamei um pouco de água, me molhei e Annabeth também, depois abracei-a e absorvi a água. - Ah- disse Nico, com desapontamento.- Olha, tudo bem... Não precisa se preocupar, todos sabem, okay? Nada a esconder.- Bela pegada Annie... – disse Nico. - Sinceramente, vou receber isso como um elogio. – Foi mal por interromper vocês, mas Percy, venha comigo. Annabeth, você fica.-Eu vou junto. – disse Annabeth irritada.-não adianta me impedir.E como Annabeth tem uma cabeça, digamos que, bem dura, fomos os três caminhando pela praia, depois colina acima, ate chegarmos à porta da Casa Grande, onde notamos uma coisa estranha. Tinha pegadas de fuligem e faíscas saindo e o ar tinha um aroma de coisas queimadas e flores. Hefesto, e alguém. Alguém, Ela.Eu juro, por tudo que é mais sagrado que implorei para que Annabeth ficasse cuidando de Juniper com Grover, ou fosse ver alguns planos de Dédalo, ou, que os Deuses permitam, que ela fosse nadar. Mas nããão, o Percy é um bobo e nada vai acontecer. Bom, agora ninguém vai poder dizer que eu não tentei.Quando entramos na Casa Grande, encontramos um deus bem grande, meio aleijado, cheirando a fuligem. Resumindo, Hefesto. Mas logo atras dele tinha uma criatura pequenina... bom, não tão pequena, mas menor que eu. Eu sabia quem era ela. - Percy! – disse Calypso vindo na minha direção e me abraçando.Só pude sentir o olhar fulminante de Annabeth. Eu avisei.Calypso estava maravilhosa como sempre, só que agora, tirando sua beleza, ela parecia uma adolescente normal. Com um vestido de alças creme decorado, com flores rendadas, e um Converse preto. Seus cabelos castanhos estavam soltos e escorriam com pequenos cachinhos nas pontas pelas costas. O sorriso que abria em seu rosto já não era mais de insegurança, mas sim, de felicidade. Acho que fui o primeiro que ela conseguiu ver em uns três mil anos. Calypso batia no meu ombro agora, mas quando a conheci ela era do meu tamanho.Eu conheci Calypso há mais ou menos uns dois anos atrás, quando sem querer querendo explodi o Monte Tamalpais, virei um cometa e cai em Ogígia, lugar que dizem que so se encontra uma vez na vida e são só alguns sortudos. Calypso vivia la com criados invisíveis e suas plantas. Ogigia é um lugar incrível, mas a menina vivia muito solitária, e so contava com visitas mais ou menos de mil em mil anos, e a maldição dela era que todos que caíssem na Ilha, so podiam ser por quem ela se apaixonasse. E é ai que eu entro, ela se apaixonou por mim e teve que me fazer tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida: ou eu ficava em Ogígia vivendo do bom e do melhor com ela para sempre e me dava como morto aqui na Terra fazendo (o que eu descobri mais tarde) Annabeth quase se matar por minha causa (idem para minha mãe) ou voltava, salvava meus amigos, conheceria direito Rachel, cuidava de Tyson, Annie e Grover, acharia Nico e depois perderia Beckendorf, Silena e mais um monte de gente e salvaria o Olimpo/Mundo. Mas eu não podia deixar meu coração na mão. Por isso, mesmo sendo o mais difícil, sabia que não podia deixar mais pessoas que eu amo irem embora por minha causa. Não é justo. Ai entra a segunda opção, que obviamente foi a que eu escolhi, e agora eu estou aqui com Calypso no meu pescoço e Annabeth me lançando aquele olhar de depois-dessa-você-vai-se-arrepender-de-ter-nascido.A verdade é que nunca imaginei nessa vida que iria a encontrar de novo. E ser o centro das atenções nessas determinadas horas me deixa apavorado. A mesma coisa para o olhar de Annabeth.- Ah, Perseu... essa é Calypso como você já deve saber. Srta. Chase, Calypso, Sr. Di Ângelo, Calypso. E eu sou Hefesto, deus do fogo, forjas, e blá,blá,blá... - Anh... Olá Calypso. – falou Annabeth soltando aquela frase com todos aqueles enigmas que as garotas costumam usar.- Prazer, Srta. Chase. – disse Calypso me soltando.Aquilo já era demais.- Ah – disse Annabeth um pouco mais calma, mas com o olhar flamejante – pode ser só Annabeth.- Ah, sim, Annabell. – disse Calypso.- Ah, Annabeth… que tal você fazer a inspeção? Ou sei lá, sair com Hefesto? – falei, tentando parecer o mais sutil o possível.-Pois não, Srta. Chase, eu soube que você se interessa muito por arquitetura, hum? Até ficou impressionada com a Oficina de Dédalus e ficou com suas obras e manobras... por que não me mostra os materiais com que foram feitos os seus chalés? Soube que o de Atena teve muito cuidado nos detalhes e nos mármores, ouro branco, foram talhados e espanados a pincel n° 2, esfuminhos n° 0,05... — e Hefesto pegou Annabeth pelo ombro e, mesmo ela meio rigida e olhando para mim pedindo socorro, e ate mesmo com o ombro começando a pegar um pouco de fuligem, eles saíram para fora da Casa Grande em direção ao chalé de Ártemis.- Okay, o que Calypso esta fazendo fora de Ogígia? – posso até ter sido meio grosso, mas, sabe, o que você faria se de repente, no meio do nada literalmente, você descobrisse que tinha uma irmã que nem era para existir e que a garota em que você ficou preso em uma ilha e fez você tomar uma das decisões mais importantes da sua vida de repente de novo fosse solta do castigo eterno e estivesse... bem ali com você? Estou sentindo a pressão em meus pulmões. Tenso.- Eu te ajudei a salvar o Olimpo e... bom com essa ajuda eles sinceramente achavam que eu tinha conhecido o amor verdadeiro. Bom as coisas são um pouquinho mais complicadas do que isso, mas resumindo, é assim.- disse Calypso, toda esvoaçante e séria, mexendo nos discos de vinil do Bobby Brown de Quiron. Garotas são definitivamente animais exóticos estranhos.Na verdade, Quiron não estava nada animado com a situação. Ele ate que estava meio serio, mas afinal, ele é um professor e esta sempre serio. Mas ele tinha um certo ar de tranqüilidade tentando se acomodar novamente àquela cadeira de rodas mágica- Nossa, você tem um bumbum e umas patas bem grandes... você não é um cavalo meio grande para caber nessa cadeira andante? Essas coisas só faltam falar hoje em dia... — disse Calypso abismada. Também, ficou fora de ar por alguns trocentos mil anos... não era de se surpreender...- Ah, Calypso, aquela cadeira é enfeitiçada para ele caber e... aquilo se chama cadeira de rodas e eu, para falar a verdade acho que se você quiser ser aceita vai ter que começar a agir como uma adolescente normal.- E como é que eu faço isso, meu herói?- Boa pergunta.- Na verdade Percy,nós achamos que, como ela te ajudou a ver o lado certo e mais claro das coisas, os Olimpianos decidiram libera-la hoje para te ajudar. Naquela hora que conversamos. Amy apareceu e precisamos da visão clara de Calypso para nos aju...Nesse exato momento,graças aos Deuses, entrou Chris, um outro campista que já havia passado uma vez para o lado errado da batalha, se é que você me entende, e agora esta no acampamento e namorando Clarisse, filha de Ares.- A garota acordou! Alguém, pelo amor dos Deuses, do Styx, de Quiron ou seja lá o que for, me ajude!- O que eu tenho a ver com essa historia? – reclamou QuironEntão corremos para o quarto da Casa Grande onde estava Amy.
Notas finais
Isso foi editado umas mil vezes, sério. Não me decidia com os detalhes, mas esse é o final. Qualquer dúvida sobre o enredo ou curiosidade sobre a história, é só perguntar! Obrigada por ter lido (:
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