A Profecia Oculta

1 O Acampamento vira uma caixinha de surpresas


Notas iniciais
Minha primeira fanfic, espero que gostem. Boa leitura :))

Estava atrás de uma moita, próximo a um lago. Três pessoas estavam quase a minha frente.

- Amy sai daqui!

- Eu não vou deixar você sozinha!

- AGORA! – gritou a garota loira. Ate que eu percebi que só as pontas do cabelo dela eram loiras. Me lembrava Bianca, só que claro que não podia ser ela. A irmã de Nico estava morta.

- Você não vai sair ilesa disso, querida... – aquela voz me deu um arrepio. Aquele tipo de arrepio que agente sente quando esta em perigo extremo. Era uma voz sibilada, e tinha como se fossem chocalhos no fundo. Cobras.

Mas então percebi que reconhecia aquela voz... Adivinhem quem estava me assombrando de novo? Medusa. Morta, tecnicamente. As almas dos monstros não ficam vagando que nem baratas tontas no Mundo Inferior como a alma das pessoas normais. Só ficam dando um rolê por ai enquanto o seu corpo não se recupera de novo. Pois é, pela minha sorte, eles não morrem nunca.

- Tia, não. – disse a garota outra com, a voz tremendo.

- Amy, eu não quero machucar você...- disse Medusa – eu não quero te fazer cometer a escolha errada, mas... Não posso deixar sua amiga viver. Simplesmente não.

- Você não é a tia que conheci, Eme. – “Eme” de “M”edusa.

Um segundo. A garota de cabelos iguais aos meus, só que compridos, estava dizendo que a Medusa era sua tia? Eu realmente acho que deveria me concentrar mais em coisas menos absurdas tipo, em como seria melhor se Peleus nos deixasse pegar pinhas para decorar no Natal, e não a idéia que eu coloquei na cabeça de outro plano de Cronos, como Annabeth diz.

- Amy, VAI – gritou a loira, de novo.

- Você não vai fazer nenhum mal a ela, Tia Eme. Nenhum.

A água do lago começou a borbulhar e o arrepio voltou tão depressa que quase nem percebi que tinha ficado sem ele por alguns instantes. Tinha que sair dali, tinha que ajudar as meninas. Mas meus braços não se mexiam, eu estava preso àquela cena de um modo que não conseguia me livrar, vendo que aquelas garotas indefesas não iam conseguir nada contra Medusa. Ela era poderosa demais. Iam morrer na minha frente e eu não poderia fazer nada. Eu não conseguia sair do lugar e estava começando a suar de tanta força que fazia para me desprender dessas cordas invisíveis que me amarravam.

Mas então aconteceu uma coisa pior do que eu estava imaginando.

- AMY VÁ PARA CASA! – gritou Medusa.

Então Juniper saiu de trás de uma moita e deu um daqueles toques na garota de cabelos iguais aos meus (que eu achava que era Amy) e ela virou uma árvore.

Juniper?

Só que depois houve um clarão, e um barulho que nunca tinha ouvido antes. Foi a coisa mais ensurdecedora que eu ouvi em toda a minha vida. De repente a fumaça tomou conta de mim e a loira e Medusa sumiram. Eu estava caindo na grama da moita em que eu estivera o tempo todo. Só que parecia que eu estava segurando mil vezes o peso do céu. E pode acreditar, experiência própria. E fui jogado na minha cama pelo som de alguém batendo na porta do chalé 3.

- Percy! – gritava uma voz, que para mim, era o canto das sereias.

E sai correndo para atender a porta, sem nem me preocupar em ver que horas eram para ela estar me chamando tão desesperadamente.

- Percy, meus Deuses! – disse Annabeth.

Uau. Mesmo de pijama ela fica mesmo linda. Ainda não entendia como ela gostava de mim, se é que gostava, porque a única coisa que eu sei é que eu a amo. Muito.

- Você tem que me ajudar a conter os outros chalés! Precisamos do maior numero de conselheiros possível!

- Primeiro, o que esta acontecendo? – perguntei segurando sua mão. Ela estava tremendo, e não é fácil vê-la nervosa.

- Só venha – disse, atônita. E pegou minha outra mão.

Então corremos pelo campo vendo os chalés em forma de um “U” invertido, e finalmente consegui ver o que tanto preocupava Annabeth.

Além de todas as pessoas querendo sair dos chalés, havia clarões muito fortes na Colina Meio-Sangue. Pareciam ate fogos de artifício do ano-novo, mas dava para saber que não eram. Eram muito mais perigosos e davam um arrepio na espinha até de longe. Tinha alguma coisa acontecendo lá. Eu tinha que ver. Oba, o perigo me chama. De novo.

Me soltei de Annabeth e ela exclamou:

- O que...

- Preciso ver o que esta acontecendo lá em cima. E você vem comigo.

- Mas eu tenho que ajudar! – disse ela um pouco abalada

- Você tem que vir. – disse decidido.

- Por que? – disse ela me fitando com aqueles olhos cinzentos em que eu me perdia tanto, aqueles olhos que guardavam tantas coisas sobre o mundo a sete chaves. A lua os estava iluminando de um jeito que as palavras saíram da minha boca sem eu nem perceber, me tirando do estupor.

- Porque eu sei, venha. – falei guiando-a.

Quando chegamos ao limite Colina-Mundo Mortal estávamos arfando. Então, foi só ai que vimos à dimensão da coisa. Era simplesmente horrível, estrondoso, era... sei lá. Encontre a pior palavra que você possa achar para uma catástrofe, e multiplique-a por mil. Foi como o ultimo desastre no Haiti poir era possível sentir uma atmosfera, de terror e determinação. Pedaços e alguma coisa (ou alguém) estavam voando, e eu não queria saber do que era.

Agora sabia realmente porque Annabeth queria minha ajuda. Mais ou menos metade dos conselheiros dos chalés estavam reunidos na fronteira, e os campistas iam chegando, sem ninguém para controlá-los. A imagem era horrorosa e ao mesmo tempo um show. Parecia mais do que um ano-novo qualquer, mas sim, o espetáculo. Só que, infelizmente não era a pólvora que estava se queimando. Eram vidas. De quem ou o que eu não sei, e nem pretendia descobrir tão cedo. Errado, como sempre. Só que segundos depois eu me vi tentando me desvencilhar da multidão a minha volta, correndo para o ponto em que estava acontecendo o “ano-novo”, com Annabeth atrás de mim.

E, como se nada tivesse acontecido, uma mão me segurou pelo braço. Só que aquela mão não era como outra qualquer. Vinha do alto e tinha grossos pelos (parecendo uma crina de cavalo), e a pessoa ou a coisa que estava me segurando tinha patas de cavalo. Quiron, o centauro.

- Aonde que você pensa que vai? – Quiron perguntou com uma voz reverberante.

- Ajudar a garota. – falei determinado.

- Você vai ficar aqui com o velho cavalo. Ela tem que fazer isso sozinha, como você fez quando lutou contra o minotauro.

- Um segundo... – disse Annabeth tentando sair dos braços que a empurravam. – como vocês dois sabem que é uma garota?

Para a sorte dela, não recebeu nenhuma resposta. Pelo menos não de mim, o que a deixa irritada, bem irritada. A coisa que eu espero é que ela não esteja me fuzilando com aquele olhar assassino que faz qualquer um sair correndo, mas, mesmo que eu sentisse aquele olhar na minha nuca porque ela é menor que eu, eu não quero ver se é verdade ou se meus sentidos de “olhar-assassino” estão falhando.

Na verdade ela não precisou de resposta, porque no segundo seguinte disse:

- Oh, Styx.

Então eu percebi também a causa do nome do Rio Styx invocado. Não precisávamos de mais palavras, nem murmúrios. Só observar para entender, de novo. Porque quando eu olhei mais profundamente, a batalha de luzes havia acabado faz tempo. Eram só os reflexos das almas sendo levadas... mas tinham sobrado duas pessoas. Uma, era uma ninfa, verde como uma folha. Eu estava muito longe para ver quem era, mas sabia quando vi Grover correndo para ela: Juniper.

A segunda pessoa ficou caída no riacho que mudou de curso logo depois da batalha no acampamento, e agora passava atrás da árvore de Thalia. Ela estava ensangüentada, e era... Amy. A garota do sonho. A de cabelos iguais aos meus, toda ensangüentada e os cachos caídos a sua volta como se fossem delicados ramos negros. E com um tridente verde acima da cabeça, grande mesmo, e com as marcas de talhos sumindo, só sobrando pequenas cicatrizes rosadas.

É, parece que eu vou ter uma nova companheira de quarto. E Annabeth não vai gostar nada disso.

Notas finais
Bom, espero que tenha gostado! Escrevi esse começo há alguns anos atrás... provavelmente uns 3, e já o editei muitas vezes. Uma amiga me convenceu a postá-lo hehe. Comente, por favor!! Obrigada por ter lido, de coração(: