A Profecia: Guerra Nos Campos De Tandara
6 O início de uma era de trevas e um segredo...
Notas iniciais
Ela continua segurando o bebê com os olhos arregalados de espanto, sem conseguir acreditar que tem em seus braços sua princesa, aquela a quem deve respeito e obediência, e que deveria governar Tandara, se o rei Samir e a Rainha Madelaine não tivessem sido cruel e injustamente usurpados de seu trono.
Sem pensar duas vezes, a mulher sai do rio e segue com a criança em seus braços para uma pequena trilha, que leva a uma aldeia que é formada por apenas seis casas. A mulher passa pela pequena aldeia e continua a seguir a trilha, até chegar a uma pequena clareira, e no centro desta clareira uma casa bem humilde. Na frente desta casa, ela vê um homem cortando lenha, ele possui estatura mediana, pele acobreada, olhos e cabelos castanhos, um físico meio musculoso, nada muito exagerado. Usa uma calça preta e uma blusa branca sem manga, que está toda molhada de suor.
Ao avistar a mulher se aproximando, deixa o machado e a lenha e vai a seu encontro, e se surpreende ao ver a recém-nascida nos braços de sua companheira.
― O que significa isto, Marie? – pergunta ele – Você vai até o rio buscar água e ao invés de voltar com água volta com uma criança?
― Não posso explicar aqui fora, Jon. – responde Marie – Vamos entrar, as paredes têm ouvidos.
― Certo, porque não consigo entender o que está acontecendo, mulher.
― Acredite, meu marido, nem eu consigo entender.
Os dois entram na humilde casa, que possui apenas três cômodos, uma cozinha, uma sala e um quarto. Poucos móveis mobíliam a casa, na cozinha, um pequeno fogão a lenha, uma pia e uma mesa com quatro cadeiras. Na sala, dois sofás de dois e três lugares e um tapete marrom no chão, com uma pequena mesinha de centro enfeitando o local. E no quarto, uma cama de casal e uma pequena cômoda de quatro gavetas, ao lado da cama um criado do mudo com um pequeno abajur por cima dele.
Marie deita a criança em sua cama, e em seguida, cerca a bebê com travesseiros, para ela não rolar e cair. Após fazer isso, a mulher tranca a porta da casa com chave e fecha todas as janelas, Jon a segue em silêncio até o quarto.
― Pode me explicar por que está nos trancando, minha esposa?
― Estamos em tempos perigosos, isto é para que se por um acaso tiver algum espião do usurpador por esta região, ele não ouça a nossa conversa.
― Te entendo cada vez menos, mulher.
Marie senta-se na cama ao lado da recém-nascida, seguida por Jon, que faz o mesmo, ainda intrigado com tanto mistério. Ele observa sua esposa tirar os panos que cobrem a bebê e seus olhos se arregalam de espanto quando ele vê a mancha de sangue nas roupas da criança, e seu espanto só aumenta quando ele reconhece o colar que a neném segura com suas pequenas mãozinhas.
― Marie... Não me diga que esta criança... Que esta criança... Que ela é...
― É a princesa Elie.
― VOCÊ ESTÁ LOUCA MARIE???!!! COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE SEQUESTRAR A NOSSA PRINCESA???!!! SE A GUARDA REAL NOS ENCONTRAR SEREMOS CONDENADOS A PENA DE MORTE SEM DIREITO A JULGAMENTO!!!! COMO VOCÊ PODE ACABAR COM NOSSAS VIDAS DESTA MANEIRA???!!!
― Jon, acalme-se, você está entendendo tudo errado, meu marido.
― COMO EU ESTOU ENTENDENDO TUDO ERRADO? VOCÊ ME APARECE AQUI COM UMA CRIANÇA QUE É A FILHA DO REI SAMIR E DA RAINHA MADELAINE. ALIÁS, MARIE, COMO VOCÊ CONSEGUIU SEQUESTRAR A PRINCESA?!
― Jon, você por acaso esqueceu-se do que aconteceu ontem à noite?
O homem para por um momento, toma ar e se acalma, após ouvir as últimas palavras de sua esposa. O golpe! Como pudera se esquecer?
― O rei Samir e a Rainha Madelaine tiveram o trono usurpado.
― Sim, e ninguém sabe o que aconteceu a princesa Elie.
― Conte-me como a encontrou, minha esposa.
*****
Nas masmorras do palácio de Tandara, Samir acaricia os cabelos de Madelaine enquanto ela dorme em seus braços. Desde que desmaiara por conta do golpe que recebera no dia anterior, não voltara a si. E o fato de no momento não ter condições de cuidar dela como realmente se deve não melhora a situação.
Presos em uma masmorra, não tem como conseguir as ervas necessárias para que sua amada possa se recuperar. Ao contrário, em sua atual situação, só pode contar com a sorte, para que os deuses tenham piedade de Madelaine e a mantenham viva para ele, assim terão um ao outro, já que não lhes resta mais nada, apenas um ao outro.
As dores que seus ferimentos lhe causam não lhe importam, o sangue que secara em suas vestes não lhe perturba mais. Não consegue se importar com si próprio, apenas com Madelaine. Por ela, fora capaz de desistir de sua única chance de liberdade, e não tem um pingo de arrependimento por ter tomado esta decisão, a vida da mulher que ama vale muitíssimo mais do que sua liberdade. O resto não lhe importa... Sua fraqueza fizera com que perdesse sua única filha, agora tudo o que lhe resta é Madelaine e não consegue pensar na remota possibilidade de perdê-la.
― Você vai sobreviver, Madelaine... Você não vai morrer, meu amor...
*****
Na sala do trono, Hannes está em reunião com seu conselho, que é formado por apenas duas pessoas, Valence e Bernadette. O usurpador está sentado no trono que outrora fora ocupado por Samir, sentindo-se totalmente à vontade ocupando um trono que na verdade não lhe pertence.
Em apenas um dia, Bernadette usara sua magia para mudar toda a decoração do lugar, trocando os símbolos e brasões da Família Real de Tandara por símbolos e brasões da legião Maligna de Perrin.
― Primeiro assunto em pauta. – diz Hannes.
― O Mago Lamar e seus amigos. – informa Valence.
― Sugiro, majestade, que destitua Lamar de sua posição com Chefe da Ordem de magia de Tandara. – sugere Bernadette com um sorriso irônico.
Hannes sorri de forma sombria ante a sugestão de Bernadette, pois tinha certeza de que a maga daria exatamente essa sugestão.
― E imagino que vá colocar seu nome em pauta para ocupar a posição de Lamar na Ordem, certo, Bernadette? – ironiza Hannes.
― E por que não? – Bernadette continua com um sorriso – Em minha época, fui a melhor discípula de Lamar, e sou a mais fiel serva de Vossa Majestade. Não conheço pessoa melhor para ocupar o cargo.
― Além do mais. – continua Valence – Lamar e seus companheiros são traidores da coroa de Perrin, a nova coroa de Tandara. Nada mais justo que Bernadette ocupe o mais alto posto da ordem dos Magos de Tandara.
― Que seja. – diz Hannes, sem deixar de sorrir – A partir deste momento, Bernadette, você é a nova líder da Ordem dos Magos de Tandara. Tudo o que você decidir a respeito do uso e prática de Magia em nosso mundo será considerado lei e aqueles que discordarem de suas decisões serão considerados inimigos da coroa e receberão como castigo a pena de morte.
Bernadette sorri abertamente com o título que acabara de conquistar. Finalmente seu talento para magia fora reconhecido. Finalmente destituiu Lamar e tomou seu lugar como a Maga mais poderosa de Tandara.
― E o que faremos com os traidores, meu marido? – pergunta Valence.
― Vocês verão. – diz Hannes – Bernadette, mande chamar o porta voz da corte. Diga que é o rei Hannes quem ordena.
― Sim, majestade. – diz Bernadette com um sorriso de satisfação em seu rosto.
*****
Lamar, Oliver e Nadja conversam em volta da fogueira, agora apagada, que usaram para se aquecer durante a noite, enquanto Sabina dorme profundamente. Nadja observa a menina e sorri de forma triste.
― Gostaria de conseguir dormir assim como ela, tão profundamente. – comenta a ruiva – Sem se preocupar com nada.
― Deixe que ela durma e descanse. – diz Lamar – Pois no mundo dos sonhos ela esquece nosso fracasso da noite passada.
― Fico preocupado com o que irá acontecer a partir de agora, Lamar. – diz Oliver – O que ouvimos ontem não é nada animador.
― Por mais cruel que seja, é a realidade. – diz Lamar – Os tempos de trevas chegaram para nosso mundo, e infelizmente não há nada que possamos fazer para mudar isso. Não sabemos o que Hannes irá fazer, mas, no mínimo, fará nosso povo viver na opressão. E isso ainda é pouco, comparado às atrocidades que ele vai cometer, agora que usurpou o trono de Samir.
― E o que acontecerá ao rei Samir e a rainha Madelaine? – pergunta Nadja – Hannes irá mata-los?
― Duvido muito. – diz Lamar – Lembra-se do que Makan, o guarda que fora assassinado dissera quando nos encontramos nas masmorras?
― Ele havia dito que Hannes ameaçou matar o rei Samir e a rainha Madelaine se ele e outros guardas se recusassem a obedecer. – diz Oliver.
― Exatamente. – continua Lamar – E ele continuará a fazer esse joguinho de chantagem, se quiser que as pessoas se curvem diante dele. Pois ele não matará todos os habitantes de nosso mundo, ou então não terá a quem governar.
― Então isso quer dizer que o rei Samir e a rainha Madelaine continuarão vivos? – pergunta a ruiva.
― Em péssimas condições, mas sim, continuarão vivos. – responde Lamar. – Samir e Madelaine estão entregues à própria sorte, assim como nós.
Sabina acorda a tempo de ouvir as últimas palavras de seu mestre, sobre a triste sorte de seu rei e sua rainha. Instintivamente seus olhos se enchem de lágrimas. Pensara que havia derramado todas as suas lágrimas na noite anterior, mas estava enganada. Ainda tinha muitas lágrimas em seus olhos, e estava acabando de descobrir que ainda derramaria muitas, dali para frente.
*****
Na sala do trono, o porta voz do rei, um homem usando em sua armadura o brasão da Família Real de Tandara observa indiferente o usurpador. Seus olhos negros disfarçam o ódio que sente pelo usurpador, que tomou de forma cruel e impiedosa o trono de seu amado e respeitado rei Samir.
Por sua vez, Hannes, de seu trono, encara o representante da corte com ar vitorioso e superior. Como se o recém-chegado não passasse de uma criatura inferior, que serve apenas para servir a seus caprichos.
― Como se chama? – pergunta o usurpador.
― E por que eu responderia a alguém como você? – responde o outro.
O sorriso de Hannes evapora e suas feições enrijecem devido à raiva.
― Sabe com quem está falando, servo? Sou seu rei, você deve ser curvar diante de mim.
― Com um usurpador que não vale o chão que pisa. –diz o representante do rei – O meu rei é e sempre será Samir. Você não passa de um ser asqueroso que não honra, nem orgulho, você não passa de um rato!
A raiva de Hannes aumenta, e seu rosto começa a tomar um tom avermelhado, ele aperta as mãos com muita força, de modo que começa a sair sangue de suas mãos. O representante do rei sorri ao ver que conseguira perturbar o usurpador com as verdades que dissera.
― A verdade dói, usurpador? – pergunta o representante com um sorriso cínico em seus lábios.
Hannes rapidamente recupera-se de seu acesso de raiva, e volta a sorrir de maneira tétrica.
― Então se recusa a me obedecer e a se curvar perante a mim e aceitar-me como seu rei? – pergunta o usurpador com um sorriso cruel nos lábios.
― Sim, me recuso. Já disse, usurpador, mas parece que você não entende então volto a repetir, Samir é meu rei e minha lealdade sempre pertenceu e sempre pertencerá a ele. E somente me curvo diante dele.
― E você vai continuar se negando a se curvar e a me obedecer mesmo sabendo que a vida de seu precioso Samir está em minhas mãos? Vai continuar a me negar como rei, mesmo sabendo que se o fizer, matarei Samir imediatamente?
Os olhos do representante do rei se arregalam de espanto, ao ouvir as palavras do usurpador. E, sem escolha, dobra seus joelhos diante do homem que roubara o trono de seu rei, enquanto seus olhos se enchem de lágrimas de frustração e humilhação. Não será responsável pela morte de seu verdadeiro rei, e se, a única forma de manter Samir vivo é curvar-se diante deste homem, que assim que seja.
Hannes sorri de satisfação ao ver o homem curvado e humilhado diante de si. Esperara anos por este momento e é assim que deve ser, todos curvados diante dele, respeitando-o como o que ele agora é, o único e invencível rei de Tandara.
― Qual é o seu nome, servo? – pergunta o usurpador.
― Pablo. – responde o representante do rei.
― Pois bem, Pablo, hoje mesmo você anunciará perante o povo de Tandara o meu primeiro decreto como rei.
― E que decreto seria esse? – pergunta Paco, sentindo nojo de si mesmo por estar fazendo isso.
― Que a partir deste momento, Lamar está destituído do cargo de Representante da Ordem dos Magos de Tandara, e que Bernadette está assumindo seu posto. Além disso, Lamar, Oliver, Nadja e Sabina são considerados traidores da coroa e inimigos do rei, e, devem ser caçados e presos para pagarem com a vida pelos crimes que cometeram. Além disso, todos aqueles que tentarem ajuda-los partilharão do mesmo destino e serão executados, suas cabeças serão colocadas na praça da coroa, para que sirvam de exemplo.
― Isso é um absurdo! Não vou fazer uma coisa dessas! Não existe homem melhor para ocupar o cargo de Representante da Ordem dos Magos de Tandara que Lamar, ele é o mago mais poderoso que este mundo já conheceu!
― Não me lembro de ter pedido sua opinião, servo. Limite-se apenas a obedecer minhas ordens, isso é claro, se quiser que seu precioso Samir continue vivo.
Pablo olha para o homem que ocupa o trono com asco, não quer fazer o que ele manda, mas, por outro lado, que escolha te? Deixar que Samir e Madelaine morram porque não fez o que o usurpador lhe mandou?
E, como que para completar seus temores, o filho do usurpador entra no recinto com uma lança em mãos e um olhar de tédio. A atenção de Hannes logo sai de Pablo e volta-se para seu filho.
― O que quer, Raffi? – pergunta o usurpador com um sorriso em seus lábios.
― Estou entediado! – responde o menino, com um brilho maldoso em seu olhar. – Quero torturar alguém para me sentir melhor!
Hannes gargalha de prazer ao ouvir as palavras de seu filho, realmente, o menino não nega ser descendente da Legião Maligna de Perrin.
― Pode torturar quem você quiser, Raffi. – diz Hannes, sem deixar de sorrir – Você agora é o príncipe deste mundo, futuro rei. Pode fazer o que quiser.
― Quero torturar o Samir e a Madelaine! – diz o menino com um sorriso cruel idêntico ao do pai – Quero tortura-los até me cansar ou até que eles morram! Quero ver o sangue deles sendo derramado!
Pablo olha boquiaberto a cena que é apenas um mero espectador, sem poder algum para poder mudar tal situação. A coisa é pior do que havia imaginado.
Hannes olha pra o rosto branco de Pablo, sorrindo mais do que antes. Raffi chegara em boa hora, agora o servo pode ver com seus próprios olhos o que sua desobediência pode custar.
― E então, servo? – diz o usurpador – Ainda se recusará a obedecer minhas ordens?
― Não. – responde Pablo, sentindo-se derrotado.
― Apenas não? – questiona o usurpador – Acho que está faltando um “vossa majestade” em sua frase.
― Sim... Vossa majestade. – diz Pablo, sua voz demonstrando asco do homem à sua frente.
― Muito bem. – diz Hannes – Assim é bem melhor, pois agora eu sou o rei deste mundo, retire-se e trate de cumprir minhas ordens agora mesmo.
Contrariado, porém sem escolha, Pablo deixa a sala do trono, a fim de cumprir as ordens que Hannes lhe dera e assim pelo menos tentar manter seu verdadeiro rei vivo.
*****
Em seu esconderijo, Lamar usa sua mágica e faz uma projeção do que acontece na cidade de Zakari, e, ele, Oliver, Nadja e Sabina veem que agora foram declarados traidores, e que suas cabeças estão em jogo.
Por ser a mais nova, os olhos de Sabina começam a derramar lágrimas amargas, enquanto ela se abraça a Nadja.
― Eles matarão o papa e a mama? – pergunta a menina.
― Se os encontrarem sim, Sabina. – responde Lamar – Mas creio que a esta altura dos acontecimentos, seus pais já devem estar bem longe da cidade.
― E o que vai acontecer conosco? – questiona a menina.
― Se nos encontrarem, seremos condenados à pena de morte. – diz Nadja – A partir de agora teremos que viver como foragidos.
― Isso é tão frustrante! – diz Oliver.
― Mas é assim que tem que ser. – diz Lamar – Infelizmente não teremos outra chance de invadir o palácio e salvar Samir e Madelaine, os dois estão entregues à própria sorte.
― As trevas realmente chegaram a nosso mundo... – diz Nadja, com pesar.
― Sim, as trevas chegaram. – confirma Lamar – Mas mesmo assim, isso não quer dizer que é o fim. Pois bem no fundo do meu coração, vejo nascer uma pequenina chama de esperança para nosso mundo, uma chama que deve crescer em segurança e em segredo, e que na hora certa, irá se incendiar como uma enorme fogueira e abrasará todos os corações que não deixarem de acreditar na esperança de um novo amanhã.
*****
Jon olha para a pequena princesa adormecida em sua cama, após ouvir a história que sua esposa acabara de lhe contar, não acreditando que tem ali a verdadeira princesa, herdeira do trono, enquanto seus pais são mantidos prisioneiros em seu próprio palácio. E, o que mais lhe impressionara, era o ferimento que aquela criança trazia no corpo ter parecido cicatrizar, como se fosse mágica. Nem Lamar, o mago mais poderoso que Tandara já conheceu, seria capaz de tal feito.
― Só uma coisa não consigo entender. – comenta Jon.
― O que? – pergunta Marie, observando a pequena princesa adormecida.
― Como a princesa Elie pode ter sobrevivido a um ferimento tão profundo?
Marie sorri, pois tinha uma teoria em mente, que, era a explicação mais plausível para esta situação.
― Acho que foram as águas do rio.
― O que?
― Eu encontrei a princesa Elie em um cesto no Rio Sagrado de Tandara, o Rio sagrado dos Reis, as águas haviam entrado no cesto e ela estava ensopada. Você sabe o que dizem as lendas a respeito deste rio, meu marido. Dizem que as águas deste rio têm poderes curativos para os que carregam em suas veias o sangue dos reis de outrora. E Elie é filha de rei, é a herdeira legítima do trono de nosso mundo. O sangue de todos os grandes reis de Tandara correm nas veias dela.
― Então você acha que os poderes das águas do rio curaram os ferimentos dela?
― Tenho certeza que sim.
― Acho que isso é um sinal dos deuses, minha esposa. Acho que os deuses estão nos dando uma esperança de salvação para este mundo.
― O que quer dizer com isso?
― Que os deuses trouxeram a princesa até nós para que cuidemos dela em segredo e em segurança enquanto o usurpador estiver no poder.
― Como vamos manter segredo sobre a princesa?
Jon olha mais uma vez para a princesa, e tira dela o colar que pertencera a sua mãe, um arriscado plano se formando em sua mente. Um plano que a manterá a salvo, que fará com que cresça em segurança até o dia que os deuses decidirem que ela esteja pronta para recuperar o trono que lhe pertence.
― Escondendo a verdade de tudo e de todos, escondendo este colar em um lugar onde ninguém poderá encontra-lo. A partir deste momento, esta criança que está deitada em nossa cama não é a princesa Elie, herdeira do trono de Tandara, a partir de agora, ela é Kacie, nossa filha. Vamos protegê-la do usurpador até que ela esteja pronta para saber a verdade e forte o suficiente para reivindicar o trono que é dela por direito.
― Que os deuses nos protejam, pois estamos entrando em uma guerra arriscada e de muito poder.
― Sim, minha esposa. E creio que nossa participação nesta guerra é manter a princesa a salvo, até que esteja pronta.
― Sim, Jon. Até que esteja pronta...
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