A Profecia Dos Sete - Parte Dois
3 Walber
Notas iniciais
Walber nunca achara que os gregos eram tão maus quanto diziam as lendas. Já o leitor de augúrios e o pretor, eram totalmente anti-gregos.
Ele era o centurião de maior confiança de Leandro, o pretor, filho de Júpiter. Está no acampamento a quase cinco anos e participou de algumas missões gloriosas. Faz parte da 4° coorte. O acampamento era dividido em cinco delas. As três primeiras eram as historicamente mais fortes e aristocráticas. No entanto, a 4° e a 5° coortes têm ganhado cada vez mais força no cenário romano.
Era filho de Belona, a deusa romana da guerra. Tinha dezesseis anos. Cresceu ao lado da irmã Warna, educado na arte da luta por sua avó, Mía Zhang, uma chinesa. Walber não tinha traços asiáticos, nem sua irmã, mas sua parte mortal da família descendia de chineses. Walber sabia lutar, era ótimo em esgrima e era o melhor estrategista do acampamento.
Oito meses atrás, Dayane, a poderosa filha de Plutão que em dois anos conquistou a pretoria ao encontrar um item perdido há séculos, desapareceu misteriosamente. Walber liderou as missões de busca, mas infelizmente não conseguiu nenhuma pista dela.
Agora, a amazona Mônica aparece com más notícias a respeito de sua irmã e com um garoto que parecia ser filho de Netuno, o deus dos mares.
Pedro era o leitor de augúrios do acampamento. O garoto louco que esfaqueava ursinho e lia nos enchimentos profecias e tinha visões do futuro ou do presente ao qual não teriam acesso. Era descendente de Apolo. Walber não sabia a quantas gerações. Talvez três ou quatro. Desde o sumiço de Dayane, Pedro tentava tomar seu lugar na pretoria.
- Precisamos reunir o Senado! – Pedro diz entrando na sala dos pretores.
- O que houve Pedro? – quer saber Leandro.
- Graecus. – o leitor de augúrios fala com nojo – Isso é o que houve. Estão preparando um ataque a bordo de um navio voador.
- Gregos? – Walber fica curioso – Vindo para cá?
- Inimigos! – Pedro afirma.
- O que mais os augúrios dizem? – pergunta Leandro.
- Que muito em breve uma antiga profecia se realizará... – Pedro derrama mais enchimento – E que o filho do mar trará a perdição à Roma!
Com isso, Pedro olha para Alisson quase lançando faíscas. Walber sabia que Leandro confiava em Pedro tanto quanto confiava nele. E que o pretor, após tal declaração do leitor de augúrios, não mais confiaria em Alisson.
De repente um relâmpago ilumina a sala e um trovão barulhento se faz ouvir. Imediatamente todos olham para a imensa e gloriosa estátua de Júpiter, o patrono do acampamento, esperando alguma manifestação sua. Geralmente, Júpiter só fazia visitas a seu filho, Leandro, quando este estava sozinho.
No entanto, o deus que aparece é outro. Plutão.
Walber já tinha visto alguns deuses pessoalmente, mas era a primeira vez que via um dos três grandes.
Plutão era majestoso. Usava uma armadura de ferro estígio adornada com detalhes em prata e ouro. O rosto pálido, ancestral. Ele representava a riqueza do solo.
Leandro e Pedro se ajoelham. As amazonas, que estavam ali em silencio, o imitam. Walber faz o mesmo, e puxa Alisson pelo braço para que se ajoelhasse também.
- Sem cordialidades! – o deus diz. A voz rouca ecoa pela sala – Vim aqui para dar um recado importante. É chegada a hora de encarar o pior dos inimigos! O plano de vingança está sendo posto em prática. O defensor das Portas da Morte está cativo pela tecelã. Cinco de vocês precisam encontra-lo e liberta-lo de sua prisão tecida. A amazona também precisa ser resgatada. Encontrem-na no encontro do céu e da terra. Alguns de vocês precisam provar ser dignos de estar entre os sete. O filho de Netuno deve liderar a missão. Escolham os outros quatro entre vocês... E que os deuses os abençoem.
Falando isso, Plutão some em meio a uma névoa escura, deixando os jovens semideuses de boca aberta.
- O filho de Netuno deve liderar a missão? – Pedro reclama – Inconcebível! Ele trará a perdição!
- As palavras de Plutão devem ser seguidas! – Leandro fala – Podem não fazer muito sentido, mas devem ser seguidas... Ele citou os sete. Seria a antiga profecia que se realizará?
- Sim! – Pedro confirma – A milenar profecia dos sete. – ele busca apressadamente nos bolsos um pergaminho velho, e lê. – Sete meios-sangues responderão ao chamado. Em tempestade ou fogo o mundo terá acabado. Um juramento a manter com um alento final. E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.
- Cara, você anda com isso no bolso? – Alisson pergunta, rindo.
- Ando prevenido para tudo, e... Cale-se! – Pedro diz, virando-se para Leandro. – O defensor das Portas da Morte seria Thânatos, o próprio espectro da morte?
- Provavelmente... – Leandro concorda.
- Com licença... – Mônica fala. – Lorde Plutão citou nossa rainha, Warna. Temos que salva-la. Ela está presa!
- Iremos fazê-lo! – Leandro afirma – No momento, decidiremos os cinco que irão nesta missão.
- Eu com certeza, embora contra minha vontade... – diz Alisson. Walber percebeu a ironia em sua voz.
- Eu também irei! – Walber levanta a mão – Warna é minha irmã.
- As outras três vagas nós ocuparemos! – Mônica diz. – Vamos eu, Lara e Aline. Se Warna está presa, precisamos ajuda-la.
- E eu? – pergunta a outra, com cara de bêbada.
- Temo que não poderão ir três amazonas... – Leandro diz – Pois eu irei com o grupo. Não confiarei a missão ao filho de Netuno! Vamos eu, Walber... e Alisson. Duas amazonas serão o suficiente...
- Certo, não vou contestar... – Mônica concorda – Então iremos eu e Aline. Tudo bem para você? – a amazona pergunta à garota de preto.
Aline apenas dá de ombros.
Algo em Walber alertava que esta missão não seria tão fácil quanto às que já enfrentara. E que nem todos os cinco regressariam com vida.
- Discordo em levar o filho de Netuno na missão! – Pedro continua reclamando – Os augúrios não apoiam isso. Plutão está equivocado!
- Como ousa? – Leandro se espanta – Ninguém contesta ordens divinas! Ainda mais vinda de um dos três grandes!
Walber admirava a sabedoria de Leandro. Ele era muito esperto e sabia sempre fazer as escolhas certas. Não é à toa que era pretor a mais de quatro anos, embora tivesse apenas quinze. Walber lembra que em seu segundo ano na legião, um garotinho de onze anos foi declarado pretor. Foi uma surpresa para todos, mas ninguém tinha ousado contrariar a ideia. E ele continuava até hoje.
- Partiremos amanhã cedo! – afirma Leandro. – Por esta noite, acomodem-se e descansem!
Walber confirma com a cabeça, e faz um sinal para que as amazonas e Alisson o seguissem. Fecha as portas douradas atrás de si.
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