Notas iniciais
Olá pessoas, demorei né? Mas tá ai, tô bastante ocupado, mas vou tentar continuar :)

À noite, Walber conversava com Mônica sobre onde procurariam Warna. Tinham decidido encontra-la antes de ir atrás de Thânatos, o deus da morte, já que isso provavelmente seria um desafio bem maior.

“Encontrem-na no encontro do céu e da terra”, dissera Plutão. Só podia ser o Pico da Neblina. Ali, o titã Atlas segurava em seus ombros o peso do céu, seu castigo eterno, impedindo o céu e a terra de se encontrarem.

- Mas por que levariam Warna para aquele lugar? – Walber pergunta.

- Não faço ideia. – Mônica responde – Quem sabe o Pico da Neblina não é um ponto de reunião de monstros?

- Faz sentido... – concorda Walber.

- Enfim, agora temos que ir nos recolher... – Mônica diz – Amanhã será um longo dia!

Walber concordou. A amazona deu as costas e foi para seu quarto. Ela e as outras amazonas estavam hospedadas em alguns quartos no Senado. Alisson tinha sido levado ao prédio da 5° coorte. Walber segue para a 4° coorte.

Passou por apenas uma dúzia de beliches. Seu prédio era o que tinha menos pessoas de todo o acampamento. Isso era bom. Ele não gostava da ideia de dormir com dezenas de jovens num mesmo quarto, embora esse quarto fosse enorme.

Deitou-se em sua cama, encostou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Não custou para cair no sono.

Walber estava caminhando em um lugar escuro, úmido, frio. Parecia uma caverna. Ventava muito forte e ele mal conseguia se segurar em pé. Forçou a vista para tentar enxergar qualquer coisa a mais de um palmo de seu nariz.

Ouviu uma voz grave rindo. Sentiu medo.

Foi quando percebeu um pouco mais à frente, sua irmã, de joelhos, com uma expressão de dor. Havia algo escuro sobre ela. Pareciam imensas rochas. Como se ela tentasse impedir que o teto da caverna desmoronasse.

O garoto corre até a irmã. Warna estava encharcada de suor, com o corpo cheio de cortes. A roupa em farrapos. Uma mecha de seu cabelo estava branca. Walber sentiu pena da irmã. Ajoelhou ao seu lado e dividiu o peso. Mas nesse momento, o toque gelado das rochas e o peso insuportável o fazem gritar de dor.

Warna desaba ao seu lado, sem expressão. Não respirava.

O peso nas costas de Walber esmagava seus ossos. Todos os músculos de seu corpo tremendo. Tinha que se concentrar para continuar respirando, mas cada vez que inspirava, o ar ardia em seus pulmões.

De repente, acorda sobressaltado. A testa suada e a respiração ofegante. Fora apenas um pesadelo. Ficou preocupado com a irmã. Ela poderia não está nada bem.

Não conseguiu mais dormir. Andou de um lado a outro do prédio, até que o dia amanheceu.

As atividades no acampamento logo começaram. Em alguns minutos, os campistas já estavam de pé, mas naquela manhã todos estavam se preparando para desejas toda a sorte aos cinco jovens que partiriam numa missão muito arriscada. Nenhum deles sabia ao certo o que enfrentariam, mas se o próprio Plutão dignou-se a ir dá-lhes a missão, num mínimo, entrariam para a história.

Mesmo com todo o perigo, Walber não pensou duas vezes se queria mesmo embarcar na missão. Era lógico que sim. Warna precisava dele. Então, preparou suas coisas. Levaria em uma grande mochila, bastante água, comida, alguns pares de roupa, um escudo, duas lanças e uma espada, além de várias folhas de papel e canetas para traçar planos de batalha. Nunca se sabe...

Leandro apareceu com uma mochila nas costas. Estava vestido com calça jeans, tênis e a camisa roxa. Era a primeira vez que Walber o via tão à vontade.

- Todos prontos? – Leandro pergunta.

- Espero que sim... – fala Alisson, se aproximando por trás deles.

Então, lá estava o filho de Netuno e as duas amazonas.

- Sim, já podemos ir! – fala Mônica.

Walber percebera que Aline não era muito de falar. Ela era a primeira filha da deusa da vingança que ele conhecia. Não sabia de seus poderes nem do que ela seria capaz. Mas confiou na escolha de Mônica. Aline deveria ser uma boa lutadora.

Assim, os cinco semideuses despediram-se dos que ficariam. Mônica e Aline abraçaram as amigas amazonas, enquanto Leandro dava as últimas ordens a Pedro, que ficaria no comando durante sua ausência. Walber nem queria imaginar como encontrariam o acampamento quando voltassem... Se voltarem.

- Não precisávamos de uma profecia? – pergunta Alisson, olhando para os demais.

- Para uma missão? – Leandro caçoa – Não se faz necessário... Profecias só servem para deixar duvidas. E não existem muitos oráculos vivos nos tempos modernos... Quem sabe mais nenhum.

- Mas vocês não tem o Pedro? – Alisson insiste.

- Pedro não é um oráculo! – Leandro responde – Ele apenas lê augúrios... Pequenos avisos das senhoras do destino. A única profecia que temos, é a Profecia dos Sete, feita há muitos séculos.

- Entendo, apesar de que isso me soa estranho... – Alisson diz.

- Por que soaria? – Aline fala, enfim, com um olhar curioso em meio a sua maquiagem escura.

- Não sei... Apenas soa... – o garoto responde.

Os cinco continuam andando. Atravessam os portões e lá fora encontram o conversível amarelo de Mônica, os esperando. Walber dá uma última olhada no acampamento. Não tinha certeza se voltaria.

Mônica e Aline sentam-se nos bancos da frente. Os rapazes acomodaram-se no banco traseiro, com Alisson no meio.

O motor dá partida. A missão tem início.

- Agora estamos por conta própria... – diz Leandro.

- Já que vamos ficar, ao que notei, alguns dias juntos... – fala Alisson – Acho necessário que sejamos amigos.

- Concordo! – fala Walber, apertando amigavelmente a mão do filho de Netuno.

Leandro finge não ter ouvido.

- E você? – Walber olha para Aline. – Vai passar a viagem toda em silencio?

- Ela não é muito de falar... – diz Mônica.

- Desculpe, sou meio antissocial... – fala Aline. – Mas, o que vocês querem saber de mim?

- Como é ser filha da vingança em pessoa? – Alisson pergunta.

- Bem, eu tenho um senso de justiça que nem eu mesmo aguento. – ela fala com um sorriso tímido. A franja preto-azulada cobrindo um dos olhos – Sei escolher o lado vencedor e em quem confiar... Acho que por isso ainda não matei vocês...

Walber nota uma piscadela entre Aline e Mônica.

Leandro decide entrar na brincadeira.

- Vocês amazonas odeiam homens... Mas, alguma de vocês já se apaixonou?

- Quem nunca? – Mônica dá de ombros.

- Não odeio homens... – diz Aline – Mas como falei, sei escolher o lado vencedor. E nós mulheres... bem, somos muito melhores que vocês em tudo!

Pela primeira vez, Walber vê Aline rindo. Então, a garota põe fones de ouvido, escora a cabeça e fecha os olhos.

Todos entendem que estava bom de perguntas no momento.

O carro já seguia pela interestadual rumo ao Pico da Neblina, quando de repente um javali gigante surge no meio da rodovia, batendo violentamente contra o conversível.

Walber só tem tempo de se livrar do cinto de segurança e pular do carro antes do veículo sair girando sem parar por vários metros. Seu corpo é jogado alguns metros longe, e cai no chão, arranhando cotovelos e joelhos, e abrindo um ferimento no braço.

O garoto levanta preocupado com os amigos. Nota que o javali parte para cima dele. Fica feliz em ainda estar com a mochila nas costas. Pega as lanças.

Notas finais
E então? O que acharam? :D