A Procura do Desconhecido
14 Coisas Ruins
Notas iniciais
(Versão Dakota)
Depois daquela situação toda com a Isabelle no banheiro, fui me encontrar com Enzo. Estava muito feliz que meu plano de acabar com a vida de certas pessoas, estava funcionando. Beijar Allan deu mais certo do que eu esperava para acabar com aquele casalzinho. Belle é uma imbecil que se acha superior a qualquer uma. Mas vou mostrar para ela que não e assim que funcionam as coisas.
– E aí? Deu certo? – perguntou Enzo assim que entrei em uma sala vazia onde ele me aguardava.
– Parece que as coisas estão conspirando a nosso favor. Isabelle pagou um maior mico hoje, e tudo por causa do seu príncipe. Ela está o odiando. – falei com um sorriso maldoso – Mas temos que tomar cuidado. Ela pode estar desconfiando.
– Pode ser. Mas temos que continuar com isso.
– Claro que vamos continuar. Não vou desistir. Mas e você? Algum progresso com a ruiva? – perguntei enquanto aí até a porta e olhava se ninguém estava vindo.
– Nada, a mesma coisa. Tenho que ficar de olho naquele idiota do Luke. Já passou pela minha cabeça que ele vai atrapalhar nossos planos com a Clary. Temos que fazer alguma coisa. – ele respondeu olhando sério para mim.
– Por enquanto vamos deixar ele em campo. Se ele começar a fazer burradas, o tiramos da área.
– Não se esqueça de falar com Allan, e de agir normalmente na frente de todos. – Enzo me lembrou.
– Tudo bem. Acho que minha próxima aula é filosofia, e ele está comigo. Se tiver chances já falo com ele.
– O.k. Já vou indo. Tenho que ver se descubro alguma coisa – ele falou saindo da sala.
Alguns minutos depois o sinal o tocou e eu me dirigi ao segundo andar para ir pra aula. Antes tinha que passar no meu armário para pegar minhas coisas. Quando estava indo em direção a ele, vi Allan parado na frente do banheiro. Então aproveitei a situação e fui falar com ele.
(Versão Allan)
Estava esperando John sair do banheiro para irmos pra aula, quando vejo uma menina loira se aproximando. Essa menina podia ser Belle, mas sabia que não era, já que ela não queria olhar na minha cara tão cedo; podia ser Caroline, mas sabia que ela estava em aula, então sobra à opinião menos agradável, Dakota. Quando ela foi chegando mais perto, me deu uma vontade enorme de sair correndo. Não queria falar com ela. Não estava com paciência.
– Oi Allan querido – ela falou me dando um beijo na bochecha.
– Você nunca se cansa? – perguntei sem nem pensar se poderia magoá-la.
– Nossa, por que você está falando assim comigo? Você nem me disse oi – ela perguntou fazendo biquinho.
– Não se faça de desentendida! Você estragou tudo me beijando naquele dia. Mas está aí, por que você fez isso? – perguntei aumentando o tom da voz e a olhando ameaçadoramente.
– Não entendi... Você também queria se não você não tinha retribuído o beijo – ela falou, mas falou bem na hora que a loira da minha vida estava passando e pode ouvir.
Quando percebi que Belle tinha ouvido, olhei para ela tentando explicar o que Dakota tinha acabado de falar, mas já era tarde demais, pois quando pensei em dizer alguma coisa, ela já tinha desapareci pelo corredor.
– Você tem que entender que não retribui o beijo, e não quero nada com você, a única coisa que quero, é que suma da minha vida – disse.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou John assim que saiu do banheiro e nos viu.
– Até que enfim. Vamos para a aula – falei puxando ele pela camisa e começando a caminhar corredor á fora.
(...)
– Então Dakota fez isso mesmo? – perguntou John quando terminei de contar a ele o que tinha acontecido.
– Sim. Por algum motivo isso não me deixa surpreso. Como ela consegue fazer isso? Ela não sente remorso á noite?
– Bom, parece alguém que conhecemos. – falou John apontando para Robert Spiegelman que acabara de entrar na sala.
– Nossa estava demorando. Achei que o dia não podia ficar pior.
– Olha quem encontramos aqui! – disse Robert para Rebheka que estava com ele. – Eu vi sua namoradinha cair em cima dos arbustos hoje mais cedo. Como que aquela lesada conseguiu ficar com você?
– Por que você não pergunta pra sua irmã? Ela vai saber te responder direitinho porque as meninas me querem tanto – respondi maliciosamente.
Pude ver que a expressão do rosto dele mudou de confiante para limão azedo depois da minha ofensiva resposta. Se o professor não tivesse chegado à sala no momento seguinte, ele não tinha se controlado e começado uma briga comigo. Sem ter o que fazer mais ali, Robert e Rebheka foram procurar uma cadeira para se sentar e assistir a aula. Antes de o professor começar a aula, Dakota chegou, e para minha imensa sorte, ela não se sentou perto da gente.
(...)
– Não acredito que acabou – falei quando o professor nos liberou para irmos pro intervalo.
– Fica esperto Allan Jackman. – Robert disse quando passou por mim.
Não dei muita atenção para aquele aviso, e continuei a caminhar até o refeitório. Quando chegamos lá, Lizy já nos aguardava em uma mesa.
– Olá! – ela falou quando nos viu.
– Oi – eu e John falamos em coro.
– O que aconteceu com Belle? Ela estava quieta demais na aula hoje.
– Não ficou sabendo ainda? – John perguntou olhando para ela – Allan há fez pagar maior mico hoje na entrada.
– Allan o que você fez? – Lizy me perguntou enquanto me mandava um olhar ameaçador.
– Olha a culpa não foi minha. Ela que não viu os arbustos – respondi colocando as mãos no tórax (peito).
– Falando nela – John falou indicando com a cabeça Isabelle que acabara de sentar à mesa ao lado.
– Vou falar com ela – falei ameaçando me levantar.
– Não, você vai ficar aqui. Allan você tem que dar um tempo pra ela colocar a cabeça no lugar. Ainda corre o risco de você fazer outra burrada – Lizy falou me impedindo de levantar.
– Mas preciso me explicar para ela. Falar que tudo foi um mal entendido...
– E vai, mas não agora.
– Perdemos alguma coisa? – perguntou Luke que chegou com Chris enquanto se sentavam à mesa com a gente.
– Onde vocês estavam na hora da entrada que não viram Belle caindo? – John respondeu com outra pergunta.
– Belle caiu? Mas por qu... – Chris foi interrompido.
– Ela caiu por minha causa, está bem? Só porque queria me explicar para ela. É isso? Está bom assim? Já estão conseguindo me fazer sentir culpado – gritei. Mas gritei tão alto que todos que estavam no refeitório pudessem ouvir, inclusive Belle.
Quando minha fixa caiu, vi que minha respiração estava acelerada e eu estava de pé, mas não me lembrava de ter levantado. Pude ver que todos tinham parado o que estavam fazendo para me olhar. Belle estava com uma cara de surpresa, e pela primeira vez depois que nós discutimos, ela me olhava, mas não com ódio e sim com vergonha. Não queria ficar mais ali, então sai correndo sem rumo corredor á dentro.
(Versão Isabelle)
Quando ouvi Allan gritar aquelas palavras, meu estômago afundou e senti que minhas bochechas arderam. O acompanhei com os meus olhos até ele sumir no corredor. Não sabia o que fazer, já que depois que Allan saiu correndo, virei o centro das atenções. Eram muitos olhos focados em mim. Tive uma imensa vontade de sair correndo, assim como Allan fizera, mas sabia que se ficasse em pé, correria o risco das minhas pernas falharem e eu cairia no chão. Então me concentrei para não olhar as pessoas á minha volta, e resolvi ficar ali até a vergonha passar.
As pessoas começaram a voltar o que estavam fazendo e me deixando quieta no meu canto. Muitas pessoas também vão deixando o refeitório, mas sinto que virei o assunto em muitas mesas. Tento engolir um sanduíche, mas minha garganta está muito seca, a ponto de não passar nada. Só quando levanto a cabeça, vejo que tem alguém sentado na minha frente.
– Como você está? – Lizy perguntou.
– Nada bem. – respondi – Por que ele fez aquilo? Quer dizer, gritar pra todos ouvirem? O que ele tem na cabeça?
– Allan não está bem com tudo isso. Tem essas coisas horríveis que estão falando entre ele e Dakota. Tem você caindo e você o vendo beijar outra garota – John respondeu enquanto ele, Chris e Luke mudavam para minha mesa.
– Você devia tentar ouvi-lo. Conversar com ele e esclarecer – Luke sugeriu.
Conversar com Allan era o que eu menos queria fazer nesse momento. Estava sem paciência para ouvir lorotas sair da boca dele. Não tinha como ter o dedo da Dakota no meio dessa história. Ou tinha? Estava perdida nos meus pensamentos. Não sabia mais o que pensar; em acreditar ou não acreditar.
– Não sei não. Acho que é muito mais fácil falar do que fazer na vida real e colocar em prática.
– Mas você não acha que vai ser uma boa idéia falar com e... – Lizy foi interrompida por mim:
– Não eu não acho uma boa idéia, inclusive não quero e não vou falar com ele.
Depois de falar essas palavras parecendo que estava cuspindo, me levantei e sai do refeitório. Chris falou alguma coisa, mas estava com tanta pressa que não pude ouvir nenhuma palavra.
Não tinha a mínima idéia para onde estava indo. A única coisa que sabia ao certo era que não queria ficar mais com eles no refeitório, pois sabia que todos ficariam tentando me convencer de falar com Allan. Olhei no relógio. Ainda faltava meia hora para a próxima aula. Então decidi que iria para a biblioteca dormir um pouco.
Andando pelos corredores, vi e ouvi muita coisa. No segundo andar vi Rebheka se pegar com um cara do 3° colegial. Já no terceiro, Alice estava de papinho com o professor novo de ciências. Me aproximei, mas quando ele me viu, se despediu de Alice e sumiu de vista.
– O que é isso agora? – perguntei me aproximando.
– Steven Green. – ela respondeu ainda olhando na direção em que ele tinha ido.
– Ah não me diga! – falei colocando a mão na boca – Quer fazer o favor de olhar pra mim. – disse fazendo um estalo com os dedos para chamar a atenção dela.
– Oi! – ela falou enquanto se virava para me olhar.
– Vai ficar de papo furado com o professorzinho? – perguntei cruzando os braços.
– E daí? O que tem de mais nisso? Estava explicando pra ele como é a rotina das pessoas aqui na escola.
– Acho que ele estava mais é interessado na SUA rotina aqui na escola.
– Claro que não. Não seja boba. Steven é só um amigo... Ou melhor, professor.
– Bom, eu acho que ele não quer ser apenas seu professor. Quem sabe um pouquinho mais...
– Isabelle Daddario – ela falou rindo – não seja louca. Por mais que ele queira uma coisa a mais, tem a mim, está se esquecendo de mim? Eu não quero nada com ele.
– Ah é! Tinha me esquecido do Chris nessa história toda. – falei ironicamente.
– Nem me fala nele. Ele implicou comigo por causa do Steven. Dá pra acreditar?
– Claro que dá. E não é pra menos também. Essa troca de olhares caliente entre vocês. Quer o que? Que ele te apóie e fale “Isso Alice, fica com ele e vai ser feliz”?
– Não, não é isso que quero dele... – disse Alice pensativa.
– Então não exija tanto do coitado. Você ainda não percebeu o quanto deve ser difícil ter alguém lutando com você pela mesma garota?
– Como assim lutando pela mesma garota?
– Vai me falar que ainda não percebeu o que ele sente por você?
– Ah!! Para de fazer perguntas no lugar de respostas – ela falou desesperada.
– Ele só falou com você daquele jeito, porque ele te ama – falei diminuindo o tom da voz para ninguém poder ouvir.
– Christopher? Me amando? Tem certeza? Você bateu a cabeça quando caiu?
– Não fala bobeira. Não sei se ele te ama, mas que sente uma coisa muito forte por você, isso está escrito na testa dele.
– Mas como você sabe disso?
– Alice não foge do assunto. Você sabe muito bem disso, não precisa ser uma especialista no assunto. Chris gosta de vocês, e só falou do Steven porque realmente estava preocupado e com ciúmes. – falei fechando a cara e descruzando os braços.
– E... O que eu faço?
– Isso já não é comigo. Ainda mais com a minha situação com Allan, não estou boa pra dar conselhos amorosos.
– Tudo bem então. Obrigada pelo aviso.
– Imagina. Deixa eu ir andando. Beijos te vejo mais tarde – falei começando a andar e pegar o rumo até a biblioteca.
– Até!
Fui rumando a biblioteca, quando vejo duas pessoas entrando em uma sala vazia, onde ninguém deveria entrar na hora do intervalo. Sabe aquele momento que você sente uma grande vontade de bisbilhotar? Pois é, foi o que eu senti. Sabia que não devia, mas eu fui. Fui devagar, em silêncio enquanto me aproximava para que pudesse ver quem era. Quando cheguei mais perto, pude reconhecer quem entrara na sala. Dakota e Enzo. O que eles estariam fazendo ali? Minha consciência perguntou. Mas não demorou para mim obter a resposta.
– Conversou com Allan? – Enzo perguntou a Dakota.
– Sim. Mas não tive muito êxito. Por sorte a bobinha da Isabelle estava passando e ela pode ouvir uma coisa que o incrimina.
– Isso quer dizer que ainda temos mais um tempo para concluir nosso plano.
– É, mas temos que ser rápidos, não podemos perder tempo. Mas e a Clary e o Luke?
– Descobri uma coisa que pode acabar com nossas idéias. Mas prefiro te contar em casa. Melhor a gente ir.
Aí meu Deus, eles estão vindo. Me virei de costas a procura de um lugar para ir, onde eles não pudessem me ver, quando sinto alguma coisa bater na minha cabeça; tentei me virar para ver o que era, mas no momento seguinte tudo ficou escuro.
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