A Prisão Da Medusa

14 Alice quebra um dos poucos objetos que temos


Simon

De todas as coisas que eu podia fazer, aquela foi de longe, a pior das opções.

Quando vi o machucado, foi que percebi a besteira que havia feito. O sangue da Alice escorria pelo seu rosto, e caia em sua camiseta. Como se isso não bastasse, ela começou a chorar.

- Alice... — tentei dizer.

- Fique longe de mim — ela falou em meio aos soluços — Não toque em mim. Quero distância Simon! Olha o que você fez comigo!

Fiquei paralisado. O que eu tinha na cabeça quando fiz aquilo? Apertei a foice e, em seguida, coloquei a corrente em meu pescoço.

- Desculpa — murmurei.

- Desculpa? — ela perguntou incrédula — Você fez um corte no meu rosto, e tudo o que tem a dizer é desculpa?

Alice saiu em direção ao outro canto do quarto, e se encolheu.

O que foi que eu fiz, pensei Como pude agir assim?

Fui em sua direção e disse:

- Sei que isso foi errado...

- Errado? — ela me interrompeu — Isso foi... cruel. O que eu fiz pra você Simon?

O pior de tudo, é que Alice não tinha feito nada pra mim. O problema, é que eu tentei bancar o herói com ela, só que eu fracassei. Eu cansei de estar sempre nessa situação. Eu cansei de nunca conseguir fazer o certo. Eu simplesmente, cansei de nunca conseguir mostrar que eu também posso.

- Não sei o que dizer pra você — respondi — Eu estava confuso.

- E isso é motivo para me machucar? — retrucou.

Todas as respostas inteligentes que eu podia dar, desapareceram. É que não tinha o que falar pra ela. Foi apenas uma discussão e eu a feri.

Apoiei em meus calcanhares e disse:

- Escute, eu não faço a minima ideia do que foi aquilo. Não era eu — não podia ser — Foi como se eu estivesse com muita raiva, e eu precisava esvaziar aquilo de mim. — Infelizmente, soou como se ela fosse meu saco de pancadas — Fui um completo idiota em ter feito aquilo, e admito isso. O que você me falou, é verdade. Eu preciso de proteção. Já você. Meu Deus! É uma guerreira Alice, e eu não quero que uma pessoa como eu, faça isso com você.

Passei meus dedos sobre o corte em seu rosto. A aflição me dominou. Corri pegar o resto que sobrara de Ambrosia e entreguei.

- Quero que você fique bem de novo — disse.

Ela comeu um pouco e depois parou.

- Obrigada — sussurrou.

- Então... — disse — Você me perdoa?

Alice levantou a cabeça, e seu rosto estava uma mistura de sangue com lágrimas. Mesmo assim, seus olhos verdes se destacaram.

- Só dessa vez. Da próxima, eu enfio essa espada na sua barriga — respondeu sorrindo.

Eu poderia retribuir o sorriso, mas decidi lhe dar um abraço. Apertei ela com muita força, como se eu quisesse que com isso, esquecesse do que eu tinha feito.

- Preciso... lavar meu rosto — a voz dela saiu abafada.

- Ah! O.k. — respondi.

Alice se levantou e foi até a pia. Ouvi alguns murmúrios então gritou:

- Por que... Você... Não sai!

- Com quem você está falando? — perguntei.

- Com a água. — ela respondeu — Preciso lavar o meu rosto, porque está uma beleza. Uma mistura deliciosa! — começou a gritar de novo — SAI ÁGUA! EU PRECISO DE VOCÊ! MINHA CARA ESTÁ MELECADA E NÃO PRETENDO FICAR ASSIM POR MUITO TEMPO!

Então, a pia explodiu e Alice tomou um banho.