A Prisão Da Medusa

15 Um pombo correio meio assassino


Annabeth

Depois de conseguir pelo menos uma noite de descanso, me lembrei que tínhamos apenas quatro dias para salvar Alice e Simon.

Adentrar em uma floresta, já não é uma tarefa muito divertida, mas quando se encontra mais uma fúria, a situação fica pior ainda. Então minhas lembranças voltaram aos poucos, e eu percebi quem ela era.

– Você! — exclamei — Você é a fúria que me machucou! Queria proteger sua amiguinha, mas sinto em lhe dizer que ela está morta.

Percy me olhou, e percebi que ele estava começando a entender o que se passava.

– Então olha que ótima surpresa! — ela respondeu — Encontrei meus novos amigos. Mas não estou aqui para isso. Vim trazer um recado da Medusa.

Fúrias agora viraram pombos correios. Isso serviu para me divertir um pouco.

– Não acredito em você — falei em um tom totalmente ríspido — Se fosse apenas isso, não teria feito aquela festa ontem.

– Realmente, foi uma noite bem animada — ela sorriu — Mas eu tenho algo para dizer. A Medusa mudou o prazo de vocês. A partir de agora... Vocês tem mais dois dias.

Eu tentei pronunciar uma única palavra, mas minha voz não saia. Perdi o fôlego e fiquei paralisada.

– Dois dias? — Percy falou por mim — Não foi esse o nosso combinado.

– Ela não jurou nada para vocês certo? — a fúria respondeu — Medusa não está aguentando a ansiedade de ter peças novas para seu jardim.

Como se toda a parte racional do meu cérebro tivesse saído para dar uma voltinha, peguei minha adaga e pulei em cima da criatura.

– Pelo menos, diga onde eles estão — falei.

Os olhos dela se arregalaram e mostraram surpresa.

– Pensa que vai conseguir tirar isso de mim Filha de Atena? — ela perguntou e um sorriso largo se abriu em seu rosto — Se é isso que quer, vai ter que tirar a força.

Em um movimento rápido, fui jogada e caí de costas no chão.

– Annabeth! — Percy gritou. Ele ia em direção para lutar, mas eu interrompi.

– Deixa que eu cuido disso — olhei diretamente nos olhos daquele monstro — Olho por olho, dente por dente querida. Você me machuca, eu te machuco, só que dessa vez, será ainda pior.

Me levantei, e reuni todas as forças que eu tinha e sai para atacar. Consegui prever o golpe que ela daria, e desviei rapidamente para a direita. Sem perder o embalo, dei meia volta e pulei em suas costas. Acho que ela não ficou muito feliz com isso.

– Saia... De cima... De mim! — ela gritava.

Como eu estava em vantagem, me agarrei nela, só que não fiz do modo simples. Enfinquei minha adaga, e nela me segurei. A fúria grunhiu de dor.

Recuperei minha arma e fiquei de frente com aquela criatura.

– Isso não vai ficar barato — falei — Não vou deixar que você saia salva depois do que fez comigo.

Ela ainda cambaleava por causa da dor nas costas, e provavelmente, não ouviu nada do que eu disse.

Sem pensar duas vezes, corri e acertei a adaga em seu rosto. Por pura coincidência, fiz o desenho do corte, atingiu os mesmos pontos que o meu. Aquilo não era o suficiente.

Derrubei o monstro no chão e perfurei seu peito.

Olhei para trás e Percy estava pálido.

– Tudo bem? — perguntei.

– Você fez algum truque de mente? — ele respondeu — A fúria nem teve chance de se defender!

Senti minhas bochechas esquentarem.

– Ah... obrigada — disse — Não consegui a resposta! — meu coração deu um pulo, e por um segundo, me arrependi de te-la matado.

Respirei fundo e contei até dez.

– Dois dias Percy. É tudo o que temos.