A Princesa dos Sinos
2 Vou enfrentar aquela besta horrorosa, sim!
Notas iniciais
Dizer que me sinto quebrada é um tremendo eufemismo. Moída talvez seja a palavra. Todo o meu ser doi e arde, cada pequena partícula do meu corpo, cada poro da minha pele, cada gota de sangue nas minhas veias. Parece que eu fui amassada, jogada e sacudida, mas não foi o suficiente porque estou viva. Doída, mas viva. Na escuridão desse buraco que se formou depois do maldito dragão me lançar como uma bola, uma peteca, uma flecha, ou sei lá o que, contra essa montanha.
Não morri porque a barreira em minha volta absorveu a maior parte do impacto. A parte restante foi direto em minhas costas. Já posso dar adeus há uma velhice em paz, ou é muito tarde? A minha conclusão, no final das contas, é que o dragão realmente estava me visando. Ele quer me matar. O sentimento é recíproco. Dragões são meus inimigos mortais a partir do dia de hoje, em especial esse que paira acima da minha cidade, ou o que restou dela, portanto, eu vou matá-lo.
Não sei como ainda, mas eu vou matar esse dragão ou morrer tentando.
Quem ele pensa que é? Hã? E daí que é uma besta superpoderosa de outro mundo? Eu vou matá-lo.
Encosto minha cabeça na pedra. Eu vou matá-lo sim, mas depois de um cochilo. Meus olhos estão tão pesados. O mundo lá fora parece apenas um brilho avermelhado, muito longe, e meus ouvidos zumbem, como uma colmeia. Fecho os olhos. Acho que vou ficar por aqui. Essa pedra com o formato perfeito do meu corpo parece mais confortável do que o lado de fora. Aqui é frio e fresco. Escuro e silencioso. Vou só tirar um cochilo e depois matar o dragão. É isso que eu vou fazer. Quando os zumbidos terminarem. Se terminarem. Uma hora termina, há um dragão lá fora.
Meu peito doi quando respiro, ou seja, doi o tempo todo. Mesmo com olhos fechados não consigo dormir. E não posso dormir. Há um dragão lá fora. Meu pai está lá fora. Minha mãe também, assim como meu irmão. Como vou dormir se eles estão no mesmo lugar que um dragão? Um dragão que quer me matar. E é uma besta conhecida por sua mesquinhez e rancor. E ele certamente sabe que posso apagar o fogo de seu sopro, sua maior arma. Como ele sabe? Porque ele sabe e eu não? Apaguei algumas fogueiras com a barreira antes, mas não considerei tentar apagar o fogo do dragão. Ignorei a informação por medo? Esqueci? O vento é tanto o maior amigo do fogo quanto seu pior inimigo e quando se coloca um copo por cima de uma vela, ela apaga. Acho que é por isso que o dragão quer me matar. É uma luta de sobrevivência e estou perdendo. Meu inimigo têm muitas armas ao seu dispor. Garras, fogo, cauda, dentes. Eu tenho uma barreira. Uma barreira que apaga o fogo, não é perfurada por garras e absorve grandes impactos. Não quero pôr à prova seu poder contra os dentes de um dragão. Uma mordida não envolve apenas a arcada dentária em si, mas a mandíbula também e a força que ela pode exercer. Não acredito que a força da mandíbula de um dragão não consiga perfurar minha barreira. E eu só tenho uma barreira. O poder defensivo dela é imenso, mas preciso de poder de ataque. Algo que mate o dragão. Que chegue até ele, que atravesse suas escamas, que o derrube. Poderia tentar jogá-lo contra o chão e esmagá-lo, mas uma barreira rígida é uma barreira frágil, ela trincaria com o impacto e abriria. E se a barreira resistisse, e o dragão fosse de fato esmagado, tudo abaixo dele também seria esmagado e mais do que isso, ficaria contaminado. Não vou pensar na bagunça horrenda que isso resultaria. Como vou derrubar essa coisa? Os herois realmente passam dificuldades. Pior, eu nem sou registrada como uma, minha família não vai receber nenhuma indenização, não é? Estou sendo mesquinha! Acho que o dragão me infectou com sua miasma. Há muitas famílias que perderam tudo hoje e não tem nenhuma ou pouquíssima esperança de se reerguer. Se meus pais e parentes sobreviverem, eles ainda têm outros palácios, o exército guarnecendo as fronteiras e seus inúmeros generais leais, minas e minas de ouro, sal, pedras preciosas. Não é o mesmo para os plebeus. Ou para os criados.
-Ela parece respirar.
O zumbido virou uma voz e tenho a vaga impressão de ver o contorno de uma cabeça, assim como a luz de uma lamparina. A não ser que as sombras tenham começado a falar, provavelmente é uma cabeça. Então eu caí perto da estrada imperial. Não é tão longe assim da cidade. A capital é rodeada de montanhas, o que a faz um difícil alvo de invasões e os imperadores anteriores gastaram um montão de ouro para construir a estrada e as pontes. Sorte a minha. Seria muito pior ter sido arremessada em uma montanha isolada e de difícil acesso. Como eu ia descer? Pelo menos uma boa decisão eles tomaram, mas não vou perdoá-los pelo dragão nas bandeiras.
Com dificuldade, me movo lentamente, em direção da saída desse buraco. Não queria, mas preciso, não tenho tempo a perder. Se o dragão está me perseguindo, pelo menos ganhar algum mísero tempo eu consigo. A morte é o máximo que pode me acontecer, afinal das contas. Depois disso, bem, não há muito a pensar sobre isso, não é? Se uma pessoa conseguir escapar porque eu ganhei alguns minutos, acho que posso me considerar vencedora dessa batalha. E talvez haja algum grupo de heroi que consiga dar cabo do dragão. Esse é um continente muito grande, afinal, e milagres acontecem.
Saindo do buraco, encontro um ar quente e abafado e um mundo vermelho. A montanha está intacta, exceto pelo entalhe do meu corpo na montanha, mas a cidade embaixo parece uma enorme fogueira, iluminando tudo ao redor. Metade do palácio, que é plenamente visível daqui, está derretido. Ele parece uma escultura de cera daqui. Mais da metade da cidade queima. Não consigo mensurar o tamanho desse desastre, mesmo olhando para ele. É puro desespero, a materialização dele.
Ao meu redor, há um grupo de pessoas. Algumas delas vestiam armaduras e portavam armas. Vi espadas, lanças, bestas e todo o tipo de coisa que não mataria um dragão, mas eu não tenho nada, só vontade, então não posso zombar. Elas me encaram com olhos arregalados, mas não tenho humor para dizer qualquer coisa. Sobrevivi a um dragão e é isso.
-Você quer ajuda?
Um jovem perguntou. Olhando para ele percebo parece ter minha idade, mas suas orelhas são longas. Seu jeito de questionar foi estranho. Acho que ele queria perguntar se “eu preciso de ajuda”, mas a situação é tal que não importa o que ele quer dizer, pois foi gentil. Ele é da raça dos “orelhudos”, conhecidos por uma longa vida. Ou melhor, uma longuíssima vida. Talvez a sorte cruzasse comigo e aquele fosse um “orelhudo” adulto que já tinha ouvido sobre como o Imperador Vermelho do Imperio de Scarlet matou o dragão. Não conto muito com isso, a sorte anda trocando de calçada quando me vê.
-Você sabe como o imperador fundador de Scarlet matou o dragão?
Questionei, enquanto arranco o resto da manga do meu manto. Estava por um fio e começou a me incomodar.. Minha barreira têm seus problemas. Não sinto nenhuma dor de queimadura, apenas do impacto, pois sou protegida externamente, mas não internamente. E a proteção ao redor da minha pele já estava inteira novamente. Está calor, então tiro o manto, junto com os enfeites de ouro do meu cabelo. Millan é de fato uma ama matron talentosa, ela arrumou meu cabelo de tal modo que nenhum dos enfeites chegaram perto do meu couro cabeludo com o impacto. Eles eram da minha mãe biológica e eu sempre uso as joias dela em meus aniversários. Com meu manto faço uma trouxa com eles e com meus brincos. Vou mandar para o meu pai. Acho que ele vai precisar de algum ouro. Olhei para o jovem “orelhudo”, esperando que ele fosse um suposto jovem “orelhudo” e tivesse respostas para meus questionamentos, e ele estava coçando o queixo.
-E então?
-Não sei, nasci nessa era e não houve testemunhas oculares do acontecimento.
A resposta me frustrou, evidentemente. Era um orelhudo da minha era. Argh. Ninguém sabe como aquele homem matou o dragão, talvez ele tenha o esmagado, afinal, arrancou um castelo do chão com as fundações e tudo, catar um dragão e jogar de um canto para o outro como uma peteca não parece impossível. Paciência, já que não tem respostas, vou tentar o que der. Para a minha surpresa o homem continuou:
-Mas pelo que eu sei, toda besta que tem uma casca muito dura é mole por dentro.
-Ele cospe fogo, deve ser resistente por dentro.
Replico naturalmente e me sinto estranha por isso. Minha mente está clara e funcional. É um daqueles momentos em que todos os meus pensamentos se encaixam um com outro como uma dança perfeitamente ensaiada. Parece que tenho todo o tempo do mundo e o ato de trocar conhecimento em um momento como esse parece a coisa mais racional que eu poderia fazer. Sinto paz. E parece que estou prestes a cumprir o objetivo do meu nascimento. Olha o tamanho desse desastre, acho que eu deveria me desesperar um pouco, não? Ao contrário, sinto que estou lúcida, tão lúcida que pode ser considerada uma insanidade. Será este o pré-morte? As pessoas sentem paz quando vão para uma batalha difícil? Ou é apenas a calmaria de enfrentar o inevitável? De todo modo, o jovem orelhudo parecia estar no mesmo fluxo que eu, e enquanto seus colegas pareciam perdidos ou chocados, ele continuou a conversar comigo:
-Não, isso só significa que ele é imune ao fogo. O problema dos dragões são as escamas, é impossível de transpassar por elas sem uma enorme força. E que eles voam. Mesmo que haja força, se não conseguir alcançá-lo não adianta de nada.
-Eu consigo alcançá-lo, mas força… De qualquer modo, obrigada. Se possível, entregue isso ao príncipe Argent do Império Dubhe!
Joguei a trouxa antes que ele pudesse dizer alguma coisa e usei minha barreira como suporte, formando uma plataforma invisível no ar. Muito concentrada no meu destino inevitável, ouço-o perguntar:
-Você vai enfrentar o dragão?
-Eu tenho escolha?
Temo que tenho. Ou meu pai diria que eu tenho, mas minha consciência diz que não. Fugir era uma opção, mas lutar é a única que vem à minha mente. Mesmo que eu fuja, provavelmente o dragão ainda vai me encontrar. Não vou levar esse desastre a outros lugares. No mínimo, não serei eu a razão dele destruir outras vidas. Acho que meu instinto de sobrevivência quebrou com a queda, perdão, papai.
Enquanto subo cada vez mais alto, meu coração acelera. Não vejo dragão. Nem ouço seu rugido. Será que ele tomou uma pausa para tirar a adaga da unha? Pouco provável. Sinto que ele está por perto. À espreita, esperando para me emboscar. O ar está quente e pesado. Um cobertor desagradavél. Começo a sentir arrepios. Ele se escondeu entre as montanhas. Coisa astuta. Estendo minha barreira na vertical e ela brilha iridescente no ar, tremulante como o brilho de uma piscina e as cores de uma bolha de sabão. Com ambas as mãos estendidas, fechei os olhos, tentando me afastar de toda distração. Meu coração parece um tambor de guerra, cada vez mais agitado, mas exceto por isso, eu sei o que devo fazer.
Expando o escudo que envolve minha pele delicadamente para os lados e para cima. O que me envolve é a barreira mais resistente que eu tenho, todo seu uso é puramente instintivo, por outro lado, mexer nele é arriscado. Dentro desse escudo, eu me torno uma garota quase normal, mas essa situação requer que eu use o que tenho de mais forte disponível se quero ganhar tempo. O escudo externo precisa ser constantemente pensado e planejado, e se não fazê-lo direito ele pode se tornar frágil e quebradiço.
Cadê ele? Sei que não fugiu, não tem o porquê fugir, e sinto seu olhar. É imensamente desagradavél. Condescendente, raivoso, zombador e cheio de desprezo. Sou menor que um inseto, uma formiguinha fácil de lidar. Acredito que bater a cabeça é o motivo da minha intrepidez, se não fosse por isso, estaria morrendo de medo. Uma formiga venceria um dragão? A resposta é óbvia, mas até uma formiga incomoda quando morde. No mínimo uma indigestão eu pretendo que ele tenha.
Minha barreira toca o dragão. Ele está acima de mim. Com um rosnado, a besta mergulha no ar, em minha direção. Queria me engolir inteiro, mas ficou querendo, porque assim que o senti acima de mim, explodi uma barreira que me lançou para fora do alcance de seu ataque. Ele tinha entrado em meu território, e pretendo mantê-lo aqui comigo até que minhas forças fujam. O dragão, que é ruim, mas não é bobo, tenta se forçar contra as paredes ao seu redor. Ele falha. E então tenta mais algumas vezes. E mais vezes. E então começa um show de pirotecnia contra as paredes de meu escudo que faria meu avô morrer de inveja se comparado com o ano novo. Minha barreira não é inflamável, portanto, não tinha fumaça, mas as áreas mais atingidas pelo fogo do dragão ganharam manchas de forte tom de vermelho, com bordas iridescentes e contornos arroxeados. Tecnicamente eram áreas mais fragilizadas, mas a energia era dispensada para toda a barreira. Estou positivamente surpresa, mas tem um gosto amargo nessa informação. Se a cidade estivesse dentro de um escudo em forma de domo ela não seria invadida pelo dragão, né? E não tenho palavras para descrever minha infelicidade de estar aqui, presa com um dragão em um espaço fechado, enquanto ele solta fogo por todo canto. Claro, minha infelicidade foi precoce.
O dragão parou de pavonear pela barreira.
Respiro fundo. Muito fundo, até a dor ser insuportável. Todo o espaço aqui dentro cheira a morte e meu nariz arde, enquanto meu estômago revira. Agora começaria realmente a parte difícil. “Se você quer derrubar um tank, não começe pelo escudo, mas pelo seu dono”. Aquela besta finalmente percebeu isso. O ponto fraco do meu escudo sou eu.
O dragão voa até o limite da barreira. Não tiro os olhos dele. Se eu tirar os olhos dele, eu morro. E não é porque vou morrer, que significa que quero morrer. Preciso olhar para ele e prestar atenção em seus movimentos. O próximo provavelmente é um mergulho, seguido de um voo rasante, provavelmente com um sopro de fogo. A barreira que nos envolve é o escudo da minha pele, do qual eu expandi. Preciso desviar do sopro e pensar em uma barreira que contenha o fogo com eficiência, mas, mais importante ainda, tenho que fazer isso no tempo certo. Como imaginei, ele dá a volta e faz o mergulho. A velocidade é tal que ouço o vento sendo rasgado. Estou ferrada sim, obrigada por perguntar! Um pouco antes de chegar ao chão, o dragão muda para um vôo rasante, do mesmo modo que os falcões do palácio fazem quando querem predar algo. A presa aqui (eu, no caso) não está muito a fim de ser predada, então fixo meus olhos naquela coisa horrorosa porque minha vida literalmente depende disso. Se eu me distrair um pouco que seja nem epitáfio vou ter. Preciso desviar na hora certa. Se for muito antes, ele pode mudar de direção e não vou ter tempo de me defender, se muito tarde, eu morro.
Desviar na hora certa.
Ouço minha respiração irregular e minhas pernas pesam.
Desviar na hora certa.
O dragão está cada vez mais perto.
Consigo ver sua arcada dentária, a forma pontiaguda de seus dentes, o interior escuro de sua boca, a língua preta e bifurcada.
Desviar na hora certa.
O fundo da garganta dele brilhou, como se a lua tivesse pegado fogo em uma noite sem nuvens.
Agora é a hora certa.
Com todas as minhas forças, físicas, emocionais e de vontade, eu me jogo para o lado, contrariando o meu corpo que quer paralisar de medo. A rajada de fogo passou do meu lado e a barreira estremeceu. Estremeci com ela. Foi tão próximo. Está tão quente! Um vulcão teria inveja desse calor!
Não tenho tempo para levantar.
O dragão tenta me abocanhar e apesar de conseguir impedi-lo com um escudo externo, fico presa entre a barreira e a mandíbula aberta do dragão. Uma fossa não é tão feia. Sinto a barreira abaixo de mim, que foi expandida, instintivamente se encolher ao meu redor como se ela tivesse vontade própria. Estou em perigo real e ela quer voltar a minha pele. Tento mantê-la no lugar, mas vejo a garganta daquele bicho brilhando novamente. Eu realmente não quero testar isso seja com o escudo que for. Parei de resistir a barreira. O chão embaixo de mim some e eu caio livremente no ar. A vantagem é que o dragão também é desestabilizado e a rajada dele atinge a montanha atrás de nós. A desvantagem é que estou no ar. E o ar não é meu território. Mais rápido do que eu poderia estabilizar uma nova barreira, o dragão mergulha em minha direção com a boca aberta. Certamente é assim que um peixe se sente contra uma gaivota. Ou o dragão me abocanha ou me espatifo no chão. Sem epitáfio mesmo. Aparentemente nem o que enterrar meu pai vai ter, que desastre… Não há muito que eu possa fazer agora, né? Mesmo que eu faça uma nova barreira, com a velocidade do dragão, ele me engoliria, com barreira e tudo o mais. E se eu não fizer, caio para morte certa, com o destino igual a de uma melancia jogada de uma sacada. Nem um pouco bonito. E só irritei o dragão. Tudo bem que ele é um esquentadinho, uma coisa irritadiça, mas exceto pela adaga na unha, eu não causei muito dano. Acho que eu deveria tentar. Não é como se ele fosse parar o ataque apenas porque me devorou. O tamanho dessa coisa. Uma Elena não passa pelo fiapo do dente dele. Vai precisar de toda a metade da cidade sobrevivente para apaziguar sua fome. E até onde me consta, minha família faz parte da metade sobrevivente.
Não, não, não.
Eu vou morrer.
Tenho que causar mais do que um incômodo, para que minha morte valha a pena. Como vou fazer isso? O problema continua o mesmo. Uma barreira não tem poder ofensivo. Não posso comprimir um dragão até à morte. Pelo menos não em tempo hábil, ele conseguiria me engolir primeiro. O meu escudo natural chega à minha pele. E novamente sinto que o mundo, que corria lentamente há um tempo já, agora está de fato parando. Vejo minhas gotas de suor flutuarem em direção ao dragão, o grupo que assistia nossa luta pelo canto dos olhos e o mundo nunca pareceu tão colorido. E claro como a luz, minha mente virou uma chave.
Não posso comprimir o dragão… Mas posso fazer o contrário.
Estendo minha mão e sinto o ar tremendo.
Não precisa ser ele inteiro, só precisa ser certeiro.
Uma pequena barreira, menor do que uma semente de mostarda, aparece em minha mente. A imagino dentro da cabeça do dragão e penso nela se expandindo, ocupando todo o crânio dele. Ouço o som de um trovão e sinto um cansaço tremendo tomar o meu corpo. Se eu disser que vi a hora que apaguei, estarei mentindo.
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