A Princesa Sparta: A Possessão
11 Respostas - Agatha
— Pra onde estamos indo? – Laura tinha começado a suar muito desde que Agatha havia entrado no carro e a mandado dirigir.
— Continue dirigindo.
A Princesa Sparta nem ao menos se dava ao trabalho de olhar para a filha de Zeus. Mantinha seus olhos voltados para a janela e observava as árvores que passavam por elas na rodovia Anhanguera.
A conversa que ela teve com Felipe e Julia ajudou a clarear sua mente. Como ela tinha sido tão burra? Sentia vontade de se socar. Era óbvio que uma filha de Zeus não iria ajudar a herdeira de Cronos sem mais nem menos ao menos que houvesse algo muito grande envolvido.
Desde Santos Agatha desconfiava das atitudes de Laura. Ela tinha quase certeza que a filha de Zeus estava tramando alguma coisa, mas a briga com os cães infernais e a aparição de Ártemis fizeram ela se esquecer disso. Até agora.
A Princesa Sparta avistou uma entrada para o meio das árvores e apontou para uma trilha de terra que levava à uma chácara perto de um pedágio.
— Entre ai.
Laura virou o volante e obedeceu.
— O que viemos fazer nesse lugar?
— Saia da trilha.
— O que?
— Para o meio das árvores. Agora!
Laura virou o volante mais uma vez e enfiou o carro por entre as árvores, mas depois de alguns metros ela parou.
— Não da pra ir mais que isso. As árvores são muito juntas.
— Desça.
A filha de Zeus se virou e olhou para ela. Agatha repetiu:
— Desça!
Laura abaixou a cabeça e desceu do carro. A Princesa Sparta sacou sua arma e a engatilhou, deixando pronta para atirar. Desceu do carro.
A filha de Zeus estava parada à alguns metros de distancia e olhava para a herdeira de Cronos de modo apreensivo. Somente as luzes dos faróis do carro iluminavam a cena.
— Tire a blusa.
Confusa, a outra garota olhou para a própria blusa de frio e depois olhou novamente para Agatha. Algo no olhar da Princesa Sparta a fez obedecer sem questionar.
— Jogue para cá.
Laura jogou a blusa para a herdeira de Cronos que a apanhou no ar e caminhou até a filha de Zeus. Agatha grudou nos cabelos de Laura com uma mão e rodou-a de modo que a garota ficasse de costas para ela. Rudemente puxou os braços da filha de Zeus para trás e os amarrou com a blusa.
— Agatha, o que você esta fazendo?
Sem responder, Agatha chutou a parte de trás da perna direita de Laura colocando-a de joelhos. Em seguida a Princesa Sparta empurrou-a com o pé e forçou-a a olhar para seus intensos olhos verdes.
— O que você quer?
Laura piscou, confusa.
— Do que esta falando?
A herdeira de Cronos aplicou-lhe um soco bem dado que fez o sangue jorrar de seu nariz.
— Você é filha de Zeus, nunca iria passar tanto tempo assim próxima a mim sem ter um motivo. Me diga Laura: o que você quer?
A filha de Zeus desviou o olhar e não respondeu. Agatha odiava ser ignorada. Dessa vez ela chutou a barriga de Laura.
— Podemos ficar nessa a noite inteira.
— Eu não quero nada!
— MENTIROSA!
Agatha sacou a arma e deu uma coronhada na cabeça da filha de Zeus... e depois outra e mais outra até sentir que Laura desmoronava.
Puxou-a firmemente pelos cabelos, forçando-a a manter os olhos nela Agatha reformulou sua pergunta.
— O que te ofereceram?
Laura virou a cabeça para o lado e cuspiu um monte de sangue no chão.
— O trono de Atena.
A raiva de Agatha foi tanta que ela bateu com a cabeça da filha de Zeus no chão. Teria continuado até mata-la, mas sabia que aquilo não era a historia completa.
— Quem? Seu pai?
Laura não respondeu e isso causou-lhe mais um chute, dessa vez no rosto. Novamente a garota cuspiu sangue no chão.
— Hera.
Agora a Princesa Sparta havia ficado confusa.
— Por que Hera e não Zeus.
Laura respondeu de imediato.
— Ela quer depor meu pai. Queria que eu te matasse para que pudéssemos usar seus poderes para matar o Rei.
— Você ia trair Zeus?
Agatha ergueu o punho para acerta-la novamente, mas Laura falou mais rápido.
— Ele me traiu primeiro! – lentamente a Princesa Sparta abaixou a mão. – Ele me traiu ao mandar seus servos atrás de mim naquela noite.
— Você nunca me contou a historia completa sobre esse ataque.
Nesse momento Agatha percebeu que Laura estava chorando.
— Fui eu quem entregou sua localização para Zeus. Eu entrei em todos os sites de noticias possíveis que falavam sobre a morte de Jade. Foi em um deles que eu peguei seu nome, sobrenome e de onde era. Liguei em varias escolas da região até achar a certa. Fiquei te esperando na porta da escola, te segui até onde você treinava com Apolo e depois até a sua casa. Eu... – ela engoliu em seco e parou.
— Você o que? Fala!
A Princesa Sparta socou seu estomago e Laura gemeu de dor. Ao se curvar para frente e tentar recuperar o ar, gotas de sangue pingaram em seu colo.
— Eu teria te matado. Eu teria entrado na casa e te matado aquele dia, mas meu pai disse para nos encontrarmos. Foi nesse encontro que ele me falou que você tinha o poder dos doze... Depois disso eu fui para casa, mas algo havia mudado dentro de mim. Eu sai correndo no meio da noite com o carro da minha mãe e cheguei até sua casa. O resto você já sabe.
Agatha precisou piscar varias vezes para que as lagrimas não viessem.
— Você me enganou.
Laura ergueu os olhos para ela. Seu rosto estava todo machucado e ela sangrava muito.
— Não. Minha vida mudou no momento em que decidi impedir Zeus de te matar.
Agatha golpeou-a com as costas da mão.
— Mudou, foi? Então por que estava tramando com Hera para me matar?
— Por vingança! – ela estava ofegante – Meu pai merece morrer pelo que ele me fez... Pelo que ele fez à nós duas.
A falsidade era tanta que a herdeira de Cronos teve que chuta-la.
— Não finja que se importa comigo!
— EU ME IMPORTO! Antes de me bater, ouça! A proposta que Hera me fez foi a mais de um ano.
Agatha sentiu-se desmoronar.
— Um ano? E você...
— É, eu não te matei... Como você deve ter notado.
Nada daquilo fazia sentido.
— Mas... Por que?
A filha de Zeus ofegou ainda mais. Ergueu o rosto para encarar a Princesa Sparta novamente.
— Porque seus olhos...
A herdeira de Cronos deu um passo para trás. E Laura continuou.
— Na verdade nem mesmo eu sabia o motivo por não ter te matado. Tudo teria sido tão fácil se eu... Se eu tivesse feito o que Hera me pediu, mas... Eu acho que... Eu acho que eu amo você.
A arma caiu da mão de Agatha. Ela sentia uma mistura de nojo e surpresa. Deu outro passo para trás. Ela precisava pensar muito bem no que fazer a seguir.
Pensou, respirou fundo e se agachou ao lado de Laura. Com um movimento rápido ela soltou a blusa que prendia os braços da filha de Zeus amarrados em suas costas.
— Agatha...
— Não. Não fale comigo. Só... Vá.
— O que?
— Suma! Eu nunca mais quero ter que olhar para o seu rosto outra vez Laura. Se eu voltar a te encontrar, eu juro que enfio uma bala na sua cabeça. Agora vá!
Cambaleando e fazendo força para ficar de pé, Laura disse.
— Me desculpe, eu nunca quis...
Agatha chutou a arma que estava no chão na direção de Laura.
— Pegue isso. É perigoso por aqui. – ela observou cada movimento da filha de Zeus enquanto ela se agachava para pegar a arma do chão. – Agora suma da minha frente e não volte nunca mais.
Sem pensar nos riscos, Agatha virou as costas para a filha de Zeus e caminhou até o carro. Entrou e arrancou para fora das árvores. Quando a Princesa Sparta olhou pelo retrovisor, a ultima coisa que ela viu foi Laura parada no meio do nada segurando a arma que ela havia dado.
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