A Princesa Sparta: A Possessão
1 Prólogo
— Atena!
Atena se ergueu em seu trono já prevendo o pior quando o Senhor do Olimpo entrou furiosamente na sala em seu castelo.
— O que você quer Zeus?
Os olhos castanhos e tempestuosos de Zeus se cravaram na deusa da guerra. Atena encarou aquele rosto belo e severo com a barba castanha cortada rente. Ele havia abandonado o terno cinzento que usava para aparecer no mundo mortal. Afinal não estamos no mundo mortal. Zeus estava usando sua toga grega que deixava parte de seu peito músculo à mostra.
— Isso já passou dos limites! Você não tinha o direito de esconder aquelas garotas de mim.
Novamente aquele assunto. Já havia se passado quinze anos e Zeus ainda não havia superado o fato de Atena ter levado suas duas filhas gêmeas para o mundo mortal escondido dele.
— Claro que tinha. Elas eram minhas filhas, eu tinha que mantê-las longe de você já que obviamente o senhor não aceitaria minha proposta de cria-las aqui e fazer delas a maior arma que o Olimpo poderia ter.
Um trovão sacudiu a sala.
— Nunca! Elas eram uma ameaça iminente, Atena!
Atena desceu as escadas que levavam ao seu trono. Agora estava realmente irritada. O que mais ele queria?
— E você ainda não esta satisfeito pelo que fez com Jade? O que mais você quer Zeus? Deixe Agatha em paz e não terá que temer uma guerra.
O olhar de Zeus ficou carregado de eletricidade.
— Do mesmo modo como deixaram os spartas vivos e eles se revoltaram?
— Aquilo foi culpa de Leônidas. Foi ele quem instigou os spartas a se revoltarem contra seus mestres.
— E o mesmo irá acontecer com essa...essa...essa bastarda. – Zeus cuspiu no chão. – Ela irá erguer um exército e tentar tomar meu torno!
Atena tinha certeza de que Zeus estava enlouquecendo.
— Ela nunca pensou nisso e nunca pensará. Ela só tem quinze anos Zeus! Você só tem que deixa-la em paz. Se os spartas não tivessem sidos escravizados injustamente, eles nunca teriam se revoltado. Vamos esquecer tudo isso, senhor. Deixa-a viver sua vida longe de tudo isso. Agatha não precisa saber que você foi o pivô da morte de Jade.
O senhor dos céus pareceu refletir durante aquilo por menos de um segundo.
— Não! Eu vou acabar com ela do mesmo modo que acabei com a outra e você vai me dizer onde ela esta.
E novamente aquela conversa.
— Eu já te disse mil vezes que eu não sei.
Outro trovão.
— Como não? Foi você quem as levou do Olimpo!
— Sim, e você descobriu sua localização e mandou seus assassinos. Juro pelo Rio Estige que não sei onde Agatha está. Foi Apolo que a levou embora... junto com Laura.
Zeus pareceu vacilar. A deusa não tinha certeza de que ele se sentia culpado por mandar aquele grupo de pégasus perseguirem Laura, sua própria filha. Ele havia feito aquilo somente porque a princesa tentou salvar a vida de Agatha. Mas aquilo havia sido há um ano, quando ela ainda tinha quatorze anos e Laura dezessete.
— Foi preciso, ela me traiu.
— E agora também ela está além de seu alcance. Eu não posso te dizer o que não sei e mesmo se soubesse eu não te contaria nada. Não vou perder minha única filha.
Atena havia feito um voto de castidade no passado que só foi quebrado quinze anos atrás e deu origem às duas herdeiras de Cronos. Agora só lhe restava uma.
Zeus a olhou com um ar imponente.
— Isso não vai ficar assim, Atena. Eu vou descobrir onde ela está e a matarei com minhas próprias mãos.
— Boa sorte tentando vencer o poder de Cronos.
Um raio se formou em sua mão direita e ele o atirou em direção à Atena, mas a deusa ergueu seu escudo e o raio foi absorvido sem nenhum esforço. Quando o abaixou, viu Zeus deixando a sala e pingando de raiva. Atena sabia que Apolo estava em perigo crescente a cada dia.
Ela saiu da sala do trono e subiu as enormes escadas que levavam a seus aposentos. Abriu a porta do quarto e falou.
— Ele não vai sossegar até conseguir as respostas, Apolo.
O deus do sol se levantou da cama, onde estava nu, e foi até Atena.
— Eu nunca irei contar para ele onde Agatha está.
— Eu sei.
— Tem certeza que não quer saber a localização?
— Não. Eu já jurei pelo Rio Estige centenas de vezes para Zeus dizendo que não sei onde ela está. Se você me contar eu não poderei fazer isso e ele saberá que eu tenho as respostas. – a deusa deixou que Apolo a abraçasse brevemente, antes de se afastar. – Conte-me mais, como esta a nossa menina?
Apolo sorriu.
— Já faz praticamente um ano que ela foi efetivada no... – ele parou para não falar o nome da gang – na gang da favela para qual a levei. Laura também foi efetivada.
— Disso eu já sabia. Quero saber se ela esta progredindo. Ela luta bem? Sabe se defender?
— Acredite em mim, ela é a melhor que eu já vi. Nesse curto período de tempo ela fez a gang ganhar ainda mais renome e força. Ela e Laura estão sempre grudadas, parecem até irmãs.
Atena nunca aprovou aquela amizade. Uma filha de Zeus e uma sparta não podiam ser amigas.
— Prossiga.
— Bem, ela não sabe que eu a observo de longe. Ainda esta com raiva de mim.
— Suponho que por causa daquele cão.
Apolo afirmou com a cabeça.
— Mas tem um problema.
Atena o encarou.
— Diga logo.
— Capão me disse que elas querem voltar para São Paulo. Ele esta adiando essa transferência ao máximo, mas Agatha já esta impaciente. Ele terá que deixar.
Atena sentiu um nó na garganta.
— Ela não pode voltar Apolo. Zeus vai encontra-la.
— Eu sei. Estou pensando no que posso fazer para evitar isso, mas até agora não consegui pensar em nada que a segure em... — Atena tapou sua boca para que ele não falasse o nome da cidade.
— Cuidado. Eu não posso saber. Você tem que se apressar, Agatha precisa aprender a usar seus poderes. Somente suas habilidades de luta não serão páreo para Zeus.
Apolo sorriu ironicamente.
— Você fala isso porque nunca a viu lutando.
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