A Princesa Sparta: A Possessão

14 E isso é só o começo - Agatha


Enquanto Agatha estava desacordada sua mente vagou novamente para a terrível noite dois anos atrás. A noite em que Jade, sua irmã gêmea, havia sido estuprada e morta pelos servos de Zeus.Novamente ela estava lá, no meio da floresta, com a tempestade caindo pesadamente sobre elas. Jade ainda estava viva e Agatha a aparava em seu colo.

— Era você. Era você o que eu procurava.

— Sim! É isso! Mas agora vai ficar tudo bem. Você me achou e eu te achei. Eu vou te levar de volta para casa e vamos à um médico, tudo bem? Jade? Jade!

Não houve resposta.

Agatha acordou com o som de gritos. Lentamente ela abriu os olhos e percebeu na hora que algo dentro dela havia mudado para sempre.

Assim que abriu os olhos percebeu que tudo à sua volta estava mais claro. Cada detalhe do cômodo era nítido para a herdeira de Cronos. E o cheiro de sangue que atingiu suas narinas causou-lhe uma sensação estranha. Uma mistura de desejo com abstinência.

A Princesa Sparta se levantou. Sentiu seus músculos mais forte e pesados, mais rígidos. Olhando para a direção em que vinham os gritos viu Julia sendo torturada por Talita e Felipe preso ao chão por Nathan.

— Já chega.

Tanto Talita quanto Nathan recuaram até encostarem na parede. Olhavam para ela com uma mescla de medo

— Princesa Sparta. – Talita estava suando. – Pensamos que estivesse...

— Morta? – Agatha riu. – Não estou. Muito pelo contrario, Talita. Eu nunca me senti tão bem.

Agatha focou seus olhos em Felipe que agora a encarava de boca aberta. Voltou a olhar para os dois gangsters.

— Saiam da minha frente.

Sem esperar uma segunda ordem, Nathan puxou Talita e os dois correram para fora da casa.

O cheiro de sangue tinha se tornado muito tentador. Agatha virou-se para Julia. Caminhou lentamente, como uma onça analisando sua presa e se agachou ao lado da filha de Hades.

— Deixe-me ver isso.

Esticou a mão para tocar os dedos feridos de Julia, mas a garota a encarava fixamente e se encolheu.

— Seus olhos...

— O que tem meus olhos?

— Estão...Estão...

A Princesa Sparta se levantou. O que poderia haver de errado com seus olhos? Tirou o celular do bolso e ativou a câmera frontal. O que viu quase a fez largar o celular no chão.

Seus olhos, que sempre foram verdes escuros agora estavam dourados. Incrivelmente dourados. Eram olhos sobrenaturais que não deveriam existir. E isso é só o começo, querida. A voz metálica a vez se virar, a procura de quem poderia ter sussurrado aquilo em seu ouvido.

Ao se virar ela só viu Felipe e Julia que ainda estavam no chão.

— Quem está ai? Apareça!

A mesma risada que ela havia escutado antes de desmaiar ecoou em seus ouvidos. Eu estou dentro de você, Princesa Sparta. Nós agora somos um só.

— Quem é você? Cronos?

A risada voltou. Isso mesmo, querida.

Felipe começou a se erguer.

— Agatha você está...

Antes que a Princesa Sparta se desse conta ela já estava em cima do filho de Zeus, apertando seu pescoço com uma força descomunal. Como ela havia chegado ali tão rápido?

— Seu inútil, quem você pensa que é para usar meu nome verdadeiro? – Em um acesso de raiva, Agatha socou o rosto do rapaz. – Inútil!

Isso. Mostre para eles toda a sua raiva, seu poder. A herdeira de Cronos soltou Felipe e levou as duas mãos à cabeça. Parecia que estava prestes a explodir.

— PARA COM ISSO!

Nós agora somos um só. Vamos fazer Zeus desejar ter morrido.

Lentamente Agatha ergueu a cabeça.

— Sim, nós vamos.

Felipe ainda tossia por conta do apertão e um filete de sangue escorria de seu nariz, mas ele se aproximou de Agatha e perguntou com um tom gentil:

— Você está bem?

A herdeira de Cronos virou a cabeça com uma velocidade impressionante, como uma fera prestes a rosnar. Seus olhos dourados brilharam de maldade e loucura.

— Bem? Nunca estive melhor.

Quando Agatha percebeu que a voz de Cronos havia falado por ela, a Princesa Sparta riu. Dessa vez era mesmo a sua voz, mas a loucura de Cronos era inconfundível.