A Princesa Sparta: A Possessão
15 O início do fim - Pov Olimpo
Zeus arregalou os olhos ao ouvir aquela gargalhada maléfica. Ele a reconheceria em qualquer lugar. Chutou seu cobertor de peles para o lado e se levantou.
— Aonde vai, senhor? Não lhe agradei?
O senhor do Olimpo virou-se ao sentir o toque da concubina que estava em sua cama real.
— Agradou, mas preciso tratar de assuntos urgentes agora.
— Não demore a voltar. – A moça presenteou-lhe com um sorriso malicioso.
Em outras circunstancias aquilo teria feito Zeus atirar-se novamente em cima dela até se satisfazer por completo, mas isso poderia esperar. Cronos estava de volta.
O Rei virou as costas para a cama e apanhou sua túnica do chão. Vestiu-a sem cerimônia e saiu de seus aposentos reais com os olhos castanhos soltando faíscas de relâmpago.
Em menos de cinco minutos todos os doze olimpianos já estavam reunidos na sala de audiência do Olimpo. Cada qual estava em seu trono. Zeus sentiu um arrepio de raiva e rancor quando Hera se sentou à sua direita. O senhor dos Céus ainda estava desconfiado de que sua esposa tramava algo.
A sala era circular de modo que todos os doze tronos estavam dispostos em um O perfeito. Ótimo, assim Zeus poderia olhar para todos eles perfeitamente.
Apolo foi o primeiro a falar. Com seu ar imponente, o deus do sol estava com as pernas cruzadas e apoiadas no braço de seu trono dourado e reluzente.
— Espero que você tenha um bom motivo para nos chamar aqui de uma hora para outra, Zeus. Saiba que atrapalhou algo muito importante.
Zeus sabia muito bem o que Apolo considerava importante e lançou um olhar reprovador para Afrodite que corou lindamente e se encolheu em seu trono cor de rosa.
O deus voltou os olhos para Apolo.
— Algo mais importante do que a volta de Cronos?
Zeus sentiu todos os outros deuses prenderem a respiração ao mesmo tempo.
— Isso é sério? – Poseidon, que estava sentado do lado esquerdo de Zeus, bateu com seu tridente no chão de mármore da sala. – Não pode ser. Cronos está muito bem aprisionado no Tártaro!
— Mas é verdade. – Hermes sorria do outro lado da sala. As asinhas presentes em seu capacete de ouro agitavam-se alegremente. – Eu estava justamente me dirigindo para cá para dar a terrível noticia ao senhor, Zeus, mas felizmente o senhor já sabia. Como, eu me pergunto?
Zeus estremeceu e o ar da sala pareceu ficar estático. Ele não tinha certeza de como sabia da volta de Cronos. Simplesmente sabia. O Rei sentia isso em cada fibra de seu corpo.
— Isso não interessa. – Ártemis acariciava seu arco prateado. – Sabíamos que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. A herdeira...
Zeus fechou o punho com força e um trovão se fez ouvir no mundo inteiro.
— Não atreva-se a falar em minha presença, sua traidora! – ele nunca iria perdoar Ártemis por sua traição. Como ela ousou desafia-lo e ajudar a bastarda de Cronos a fugir? – Dê-se por satisfeita por eu não ter te banido do Olimpo.
Ártemis pareceu prestes a responder, mas foi interrompida por Atena. Já estava na hora.
— O que esta em pauta aqui não são traições e sim o retorno de Cronos.
Hera se manifestou.
— Até porque se fossemos discutir traições, Atena, aposto que as suas seriam as mais comentadas.
A deusa da sabedoria se virou para a rainha.
— Pelo menos eu tenho a honra de não esconder meus atos.
Zeus sentiu um choque no olhar das duas. Hera desviou o olhar e se calou. Aquilo havia sido uma indireta? Zeus não tinha tempo para descobrir.
— Precisamos fazer algo a respeito, agora mesmo. Cronos voltou e isso significa que não somente nós, mas toda a humanidade está em perigo. Apolo, pela ultima vez, eu imploro que seja sensato e diga onde está a garota.
— Nunca.
Ares se ergueu de seu trono vermelho sangue, ao lado do de Apolo, e encarou-o como se o outro deus não passasse de um moleque.
— Você esta disposto a colocar todos nós em risco por causa de uma bastarda?
Apolo se levantou e começou a brilhar de raiva.
— Estou sim. Vamos nos afogar em nosso próprio sangue se for preciso. Também estou admirado Ares. Logo você, um deus que se julga tão forte e intimidador, está com medo de uma garotinha.
— Calados! Ares, volte para seu trono!
O deus da guerra lançou um ultimo olhar para Apolo e voltou a se sentar. Zeus massageou as têmporas. Era preciso muita paciência para lidar com todos os deuses ao mesmo tempo.
— Hermes, você disse que vinha me contar sobre o retorno de Cronos. Como você ficou sabendo?
Hermes deu um pigarro se fingindo de importante.
— Como o senhor deve saber a maior fonte das minhas noticias é o mundo inferior. Fiquei sabendo através de...
Uma explosão de fuligem preta irrompeu do chão, no meio da sala.
— A família toda reunida. Que maravilha. – Hades deu uma volta olhando para os doze olimpianos. – Eu assumo daqui Hermes, obrigado.
— O que você faz aqui, Hades?
— Esclarecendo algumas incógnitas no caso do retorno de Cronos. Já estou acostumado a ser excluído dessas reuniões importantes.
— Diga logo o que você quer e suma. – Zeus estava fazendo força para não pulveriza-lo.
— Como Hermes dizia, ele recebeu a noticia do mundo inferior. Na verdade eu mesmo a deu para ele. Desde o nascimento das garotas eu sinto uma estranha agitação no Tártaro entre os titãs.
— Mas é claro. – Here fez um gesto de desdém- Cronos deve ter sentido que suas herdeiras tinham nascido e agitou os outros titãs.
— Tsc, tsc. Eu também pensei que era Cronos a fonte da agitação, mas ao mandar meus servos verificarem o que estava acontecendo... eles voltaram com noticias um tanto alarmantes. Não era Cronos quem causava tudo aquilo. Na verdade Cronos era um dos que menos se manifestava. A fonte da revolução era Érebo.
Todos os olimpianos praguejaram e tremeram ao mesmo tempo.
— O que quer dizer com isso Hades?
— O que eu quero dizer, Hefesto, é que foi Érebo quem despertou os titãs. Ele era o que estava a mais tempo aprisionado e era o mais forte. Dividiu sua força entre os outro titãs e os fez voltarem a “vida” por assim dizer. Se passaram esses quinze longos anos e Érebo focou sua força total em Cronos, tornando-o forte... Mas não forte o suficiente para renascer.
— Ue, então o que aconteceu?
Hades se virou para Afrodite e caminhou em sua direção.
— Ora, vamos. Use essa linda cabeça Afrodite. – ele virou-se para Zeus, seus olhos negros como dois buracos brilhavam. – Cronos incorporou em sua herdeira.
Atena ergueu-se de seu trono.
— Isso é impossível! Agatha jamais... Para fazer algo assim, Cronos precisaria do consentimento dela e... Minha filha nunca...
— É ai que você se engana. Por conta própria a pobre garota poderia até mesmo ter recusado, mas Érebo sabe ser bem persuasivo. A Princesa Sparta aceitou a oferta de Érebo e Cronos entrou dentro dela no mesmo instante.
Zeus esmurrou o braço de seu trono.
— Eu sabia! Eu te avisei Atena. Falei que ela era uma ameaça.
Atena sacou sua espada.
— Isso não teria acontecido se você não estivesse tentando matá-la desde o momento em que ela nasceu!
Hera se ergueu.
— Deviamos ter te banido quando tivemos a chance. Eu baniria você e Apolo de bom grado. – Hera voltou-se para o marido. – Olhe só o que a traição desses dois causou, Zeus. Obrigue-os a falarem onde a bastarda está e vamos acabar logo com isso antes que seja tarde demais.
— Já é tarde demais. – Zeus pareceu ter envelhecido dez anos. – Agora ela não é mais um alvo fácil. Não estamos mais lidando com uma criança. Estamos enfrentando o próprio Cronos... Que as Parcas nos ajudem.
Todo o Olimpo ficou em silencio. Até mesmo Hades se calou e abaixou a cabeça. Sabia o que a volta de Cronos significava.
Atena e Apolo tiveram uma rápida troca de olhares e a tristeza no olhar deles era palpável. A filhinha deles, a garotinha que eles haviam feito de tudo para proteger de Zeus e provar que não era uma ameaça havia traído a todos e trouxera de volta o único capaz de acabar com a vida na Terra.
Aquele era o inicio do fim.
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