Notas iniciais
Oiii pessoaaaaaal, olha quem voltouuuuu Espero que não tenham me abandonado... Enfim, tenho que me desculpar com vocês pela demora, mas é que gente, eu estava atolada de coisa pra fazer, então me desculpem. Mas eu resolvi vir aqui postar pra vocês como um presente do meu aniversário (que é amanha, 14/11) pra vocês. ficou um pouco curto, mas ai está....

JAMIE

“É claro que você sabe quem você é. Eu lhe fiz com a total consciência de...”

– Nada disso, George. – falei enfatizando seu nome – Eu sei quem eu era.

“Do que você esta falando?”

– “Jamie era o nome de alguém que eu gostava”? Quem era essa pessoa?

“Jamie, você não entende...”

– Eu entendo, George. Na verdade, eu entendo até bem demais. – respirei fundo, acalmando-me e tentei falar com uma voz tranquila. – O que aconteceu com a Jamie de verdade?

A pergunta ficou no ar, à espera de uma resposta, uma resposta que não vinha, não vinha, não vinha... Quando finalmente chegou, pude sentir a amargura carregada nas palavras.

“Ela se foi.”

– Quer falar o que aconteceu?

“Acho melhor eu mostrar pra você...Durma.”

Sua ordem pareceu impossível de se contrariar, senti meu corpo todo perder a força enquanto eu caia na minha cama, sentia como se estivesse sido sugada para outro lugar. Por um tempo, ouvia somente sussurros abafados, como uma conversa sendo aplacada por uma porta fechada. Finalmente, uma imagem se formou.

Eu estava em um quarto bagunçado. Havia papéis de todos os tamanhos espalhados pelo chão, como se alguém tivesse furiosamente esvaziado as gavetas de um escritório velho. Na minha frente havia um homem de cabelos bagunçados em um tom de ruivo um pouco mais escuro que o meu. Estava de costas e segurava algo com força em sua mão.

Ouvi um soluço vindo atrás de mim, me virei e quase dei um grito. Eu estava olhando para mim mesma dez anos mais nova. Estava de camisola azul, os cabelos muito bagunçados e um ursinho velho na mão. Eu estava chorando silenciosamente, enquanto usava o ursinho para enxugar as lágrimas e soluçava de vez em quando tentando conter o choro.

– Jamie, meu amor, venha cá. – disse o homem ruivo se virando.

A garotinha andou até ele e estendeu os braços pedindo colo. Ele a pegou.

– Queria que o papai do céu devolvesse minha mãe. – disse ela – Eu sinto muita falta dela.

O homem começou a chorar e abraçou a Jamie de seis anos.

A cena mudou. Estava em um quarto composto de lilás e branco, havia uma prateleira com livros e alguns bichos de pelúcia espalhados pelo chão. Deitada na cama, vi a mim mesma novamente, deveria ter uns quatorze anos, meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e eu estava deitada somente olhando para o teto até que alguém bateu na porta. O homem ruivo;

– Como você está?

A garota somente levantou os olhos para ele por um segundo e voltou para o livro.

– Vai dar tudo certo no exame, não se preocupe. – falou ele. Jamie não teve reação nenhuma. Ele respirou fundo. – Closing times... You don’t have to go home... but you can’t stay here... – cantou ele.

A Jamie deitada na cama finalmente sorriu.

– Closing times, every new beginning comes from some other beginning's end, yeah! – cantou ela também, rindo, perdendo a cara feia.

– Vou estar com você. – disse o homem – Vamos?

Ele pegou sua mão e a puxou, os dois saíram do quarto. A cena mudou.

Dessa vez eles estavamos em um consultório médico. Um homem velho segurava uma pasta enquanto Jamie de quatorze anos e o homem ruivo estavam sentados olhando-o com desespero.

– ...um caso complicado de câncer de tireóide, no estágio III. – ouvi somente o final da fala do médico.

– O que foi que você disse? – perguntou o ruivo, levantando rápido e furiosamente da cadeira.

– Senhor Waters, acalme-se.

Jamie chorava. Eu observava tudo tentando compreender o máximo.

– Não! A minha menina, minha filha... Você sabe... sabe o que aconteceu com a minha esposa, Clarisse... não pode...!

– George! – repreendeu o homem enquanto Jamie saia correndo da sala. – Você tem que se acalmar, tem que ser forte. Pela Jamie. Pela Clarisse... Por elas.

As lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ele se virava e ia atrás de Jamie, deixando o médico sozinho em sua sala.

As cenas começaram a mudar rapidamente. Vi a mim mesma ficando cada vez mais doente, vi o Edu segurando minha mão no hospital, vi Sam sentada nos pés da cama do hospital enquanto penteava uma peruca ruiva e colocava na minha cabeça. Uma enfermeira trocava algumas ataduras...eu estava cada vez mais doente.

George cantava Closing Times para mim enquanto segurava minha mão e molhava-a de lágrimas. Meus olhos se fechavam cada vez mais lentamente enquanto uma lágrima escorria do meu olho.

– Sinto muito, pai, por te deixar sozinha...

– Shh! – disse George interrompendo a música que estava se tornando incompreensível – Você nunca vai me deixar, Jam, você vai estar sempre estar comigo. Você nunca será esquecida, Cherry Jam...

A Jamie sorriu por trás da mascara de oxigênio, uma máquina fazia bipe cada vez mais devagar.

– Canta... – a Jamie choramingou.

George recomeçou a música e eu o acompanhei, mesmo que fosse uma lembrança, mesmo que ele não me ouvisse, eu acompanhei George enquanto nós dois observávamos a vida ir embora de mim.

Closing Times... every new beginning comes from some other beginning’s end...

Eu fechei os olhos, a máquina fez um bipe contínuo, ouvi um choro agoniado.

Abri os olhos, estava de volta ao meu quarto. Senti meu rosto inchado e percebi que estava chorando.

– George. – choraminguei numa voz trêmula.

“Agora você já sabe...”

– Eu sinto muito...pai.