Notas iniciais
Oiiiii! Eu sei que demorei bastante dessa vez, é que eu estava muito ocupada com o meu projeto da feira de ciências, então sorry, gente.

GEORGE

A mulher loira batia o salto fino no chão impacientemente, olhava-me com olhar de desprezo enquanto cruzava os braços com tanta força que estava amassando seu terninho chique. Seus olhos estavam arregalados e podia ver que ela havia borrado aquilo que ela chamava de maquiagem.

– Você precisa enviar um livro perfeito para a editora em menos de duas semanas e me diz que está só no capítulo onze? – gritava Madeline. – Pelo amor de Deus, George, você só pode estar brincando comigo!

– Na verdade, não estou. – disse, dando um grande gole no café – E você poderia, por favor, baixar o volume? São só oito da manhã, Madeline!

A mulher andava pra lá pra cá com as mãos na cabeça, os saltos finos batendo no chão do meu quarto de hotel faziam um sono muito irritante, pois lembrava-me dos tempos que eu trabalhei em um escritório.

– Será que você não entende que o seu prazo já foi adiado três vezes? Você vai perder o contrato com a editora, seu idiota!

– Foda-se a editora! Eu vou escrever meu livro quando eu quiser e vou mandar para outra editora se esta não quer. Então, vê se afrouxa a cinta e bebe um café. – a mulher fez uma cara de ódio terrível. – Ops, talvez café não seja a melhor opção, tente um suco de maracujá e alguns calmantes.

Madeline estava vermelha de raiva.

– Sabe por que eu não me demito, George?

– Não faço a mínima ideia. – falei despreocupado, enquanto bebericava meu café e revirava os olhos.

– Porque eu tenho pena de você. Eu sei o que aconteceu com a sua esposa, Clarisse... Câncer, não foi?

– Cale a boca. – falei, calmo.

– Morreu logo depois de dar à luz a uma menina, não?

– Cale. A. Boca. – falei, agora com mais raiva.

– Como era o nome dela? Jane?Jannet?

– CALE A BOCA!

– Jamie... O mesmo nome da sua personagem principal, não é?

Larguei a xícara de café e fiquei em pé para encará-la melhor.

– Você não tem o direito de falar dela. Delas. Não tem o direito de mencionar o nome delas. Não sabe pelo o que elas passaram, não sabe pelo o que eu passei! Então vê se cala essa sua boca, que mais parece um alto-falante, e me deixa escrever a minha história para a minha Jamie. Eu estou dando a ela a vida que ela deveria ter tido.

– Então George, — disse em um tom doce – vê se faça uma coisa por ela e por você e escreve suas aventuras de adolescente mais rápido. Porque, se não, ela só vais ser mais uma história sem fim que ninguém quis publicar. Não é isso que você quer, não é? Você quer torná-la imortal nas páginas e na mente de todos que vão ler. Mas, isso não vai acontecer se você não entregar o livro pronto para editora em duas semanas. Então, sugiro que você tome um banho e escreva aquela história.

– Tudo bem – me rendi. – Vou terminar esse livro. Mas quero você bem longe daqui.

– Com prazer – respondeu a loira, saindo pela porta, deixando para trás apenas a dor de cabeça que proporcionou a mim com seus berros.

Esfreguei as mãos nos olhos, tentando ignorar a dor. Peguei o notbook e, ao invés de abrir o documento onde estava o livro inacabado, cliquei no ícone de fotos e encarei a galeria de fotos ali presentes. Mais de mil imagens

Comecei a vê-las. As lembranças explodiam na minha mente. Vi a todas as fotos, a primeira era eu e Clarisse jantando em uma pizzaria, depois uma foto do dia em que a pedi em casamento. O casamento. Clarisse grávida. Clarisse segurando Jamie, com a cara de cansaço depois do parto. Clarisse embalando Jamie para dormir em seu quarto. Eu, Jamie e Clarisse sentados no sofá, exibindo um pacote de embrulho natalino. Primeiro aniversário de Jamie, Clarisse encontrava-se ao fundo da foto, com um lenço enrolado em sua cabeça, o rosto cansado, mas ainda assim, sorrindo.

Era a última foto que minha esposa aparecia.

As fotos seguiram-se apenas comigo e Jamie. Primeiro dia de aula. Aniversário de quatro anos. Jamie brincando. Vestida de bailarina. Vestida de princesa. Aniversário de sete anos, passado no hospital. Hospital. Hospital. Aniversário de dez anos. Hospital. Hospital. Hospital. Jamie e seus amigos comendo pizza. Treze anos, Jamie ajeitava tranquilamente a nova peruca, feita com cachos ruivos muito parecidos aos que ela tinha. Quatorze anos... Quinze... Meu coração apertava quando ao via que as fotos estavam chegando ao fim. Última foto: Jamie com dezesseis anos de idade, comemorando o aniversário ao lado de seu namorado e sua melhor amiga, havia presentes, bolo e flores. Todos eles estavam sorrindo, tentando ignorar o lugar em que estavam: um quarto de hospital.

Assim, com todas as memorias de Jamie explodindo em minha cabeça e saindo em forma de lágrimas pelos meus olhos, consegui, com uma facilidade muito maior do que antes, escrever a continuação da história. Lembrei-me como o namorado de Jamie a fazia feliz. Não era momento para ser pai brigão e implicar com o namorado da filha, era hora para deixá-la ser feliz, deixá-la “viver a sua vida”.

Enxuguei as lágrimas, abri o arquivo do livro e comecei a escrever.

Notas finais
Surpresos? Alguém ai imaginava isso? Comentem, por favor! Beeeijos ;)