A Personagem
7 Eduardo
Notas iniciais
EDUARDO
Espanei alguns copos e pratos descartáveis do sofá e sentei-me. Pedi para que Sam me contasse o que havia acontecido na festa. Ela pareceu hesitar no começo, mas acabou contando igual.
– O James ficou lá fora enchendo a cara por umas duas horas, até que o Dean – ela levantou uma sobrancelha – foi tirá-lo de lá. Acho que James não conseguia diferenciar mais um gato de um cachorro. A festa já estava no final, lá pelas 4 da manhã. As pessoas que ainda estavam na festa estavam pra lá de bêbadas, riam e se pegavam de uma maneira confusa e engraçada. Sabe, Edu, ficar sobrea numa festa onde todos já estão bêbados tem lá suas risadas.
“Dean deitou o cara no sofá e eu fiquei lá olhando pra ele naquele estado deplorável. Depois de alguns minutos, o cara começou a me chamar, me puxar, até que eu sentei do seu lado e tentei descobrir o que estava passando naquela cabeça domada pelo álcool. Ele tentou me beijar só umas três ou quatro vezes e talvez o Dean talvez tenha ficado bravo com ele por isso... Começou a falar sobre você e a Jam, palavras soltas e sem muito sentido, porém, pelo o que eu entendi, James estava se sentindo muito mal por ter deixado você bravo e por ter atrapalhado o seu relacionamento com a Jam, e ele até chorou.”
– Mal por ter me deixado bravo? – falei, dando uma risada sarcástica – Aquele cara me odeia, sem mais.
– Ah, Edu, como você é lerdo.
– O que? – pedi, sem entender.
– Ele não te odeia, ele só é suuuuuper apaixonado pela Jam.
– Han? E como é que você tem tanta certeza disso, Samantha?
– Ah, pelo amor, Dudu... É só olhar pra cara de bobo que ele faz quando vê sua namorada. O olho dele chega a brilhar!
– Jamie sabe disso?
– Acho que ela deve suspeitar.
– E mesmo assim ela saiu com ele sozinha, todas àquelas vezes?
Sam revirou os olhos e sacudiu meu ombro.
– Não é hora pra ataques de ciúmes, não, Du.
– Mas ela não pode...
Sam respirou fundo e revirou os olhos mais uma vez.
– Eduardo, sossega! A Jamie te ama e nunca vai te trocar pelo James.
Momentos do passado vinham a minha cabeça e eu já não escutava o que a Sam dizia. Pensava em todas as vezes que Jamie saiu com o Dean, com ou sem mim, e aquele loiro com cara de zumbi estava lá observando-a. Pensei em como ele tinha agarrado a minha Jamie na noite passada e em como ela tinha defendido o garoto. Comecei a imaginar onde ela tinha ido essa manhã, por que saiu correndo tão rápido? Acabei ficando com raiva.
Em seguida, pensei também no modo que a Jam tentou se desvencilhar de James enquanto ele tentava beijá-la e também na noite que passamos juntos. O modo que ela se entregou pra mim, de um jeito tão puro e delicado e a vergonha dela de se vestir na minha frente, tão... tímida... Com certeza, foi a melhor noite da minha vida. Senti-me um idiota por ter ficado com ciúmes do James.
Sam, vendo que minha expressão havia se suavizado, comentou:
– Então, pensou com a cabeça de cima agora? É... porque a de baixo já trabalhou bastante ontem, não?
Eu ri.
– Estava demorando, né dona Samantha?
– Uma piadinha não faz mal de vez em quando. – rimos por um instante e depois a Sam complementou: — É, mas o que eu queria saber é onde foi aquela menina.
– Estava pensando a mesma coisa. – falei – Tem alguma coisa que ela não quer que a gente saiba.
Sam deu de ombros.
– Só espero que ela não esteja encrencada. – ela respirou fundo e ficou em silêncio por alguns instantes.
– Sam, valeu pelo café, mas acho que já tá na hora de eu ir pra casa. Você quer ajuda para limpar a bagunça?
Olhei para sala: copos de bebida, canudos, colheres, copinhos de gelatina, guardanapos, pratos de papel e pedaços de pizza estavam espalhados por tudo, me perguntei como Sam não estava preocupada com tudo aquilo.
– Não precisa. – falou a morena. A campainha toca. – Acho que a ajuda acabou de chegar.
Ela foi até a porta e abriu, lá estava uma mulher de mais ou menos quarenta anos de idade, cabelo negro preso num rabo de cavalo, usava tênis e calça leggin.
– Essa é a Maria – falou – ela é faxineira.
Balancei a cabeça, pasmo.
– Você pensa em tudo, não é? – a garota deu de ombros como se dissesse “alguém aqui tem que ser inteligente, não é?”
Eu e Sam rimos e Maria entrou e começou a ajuntar alguns copos. Fui até Sam que estava na porta, abracei-a e dei um beijo em sua bochecha.
– Sam, — falei – muito obrigado por ter me ajudado com tudo ontem. Apesar de não ter saído como esperado acabou dando tudo certo.
– Disponha. – ela respondeu, fazendo uma pequena reverência – Eu só queria que minha amiga tivesse uma noite especial. – ela riu e piscou de um jeito malicioso. – Aliás, que vocês dois tivessem.
– Ah, obrigado por escolher aquela roupa pra ela. Sério.
– Estou sempre disposta a exibir as curvas da Jam. – ela olhou para cima de modo pensativa – Espera ai, isso soou meio esquisito.
Nós rimos.
– Qualquer coisa me liga, vou nessa, tchau.
– Tchau, Edu. Ah, e vê se consegue achar a Jamie.
Balancei a cabeça positivamente e saí pela porta.
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