A Pequena Uchiha
11 Virgindade
Notas iniciais
– Sakura.
Relutantemente, Sakura abriu os olhos. A luz do dia começava a entrar pela janela do quarto. Quando Sasuke se inclinou sobre ela, com uma toalha enrolada na cintura e o corpo ainda úmido depois do banho que devia ter acabado de tomar, ela pôde ver as marcas na pele dele. Marcas que ela fizera no calor de sua paixão.
Sentindo-se envergonhada, Sakura engoliu em seco. Se tivesse alguma esperança secreta de que a intimidade que haviam partilhado na noite anterior magicamente fizesse com que Sasuke declarasse que a amava, percebia naquele instante que estivera iludida. Ele a olhava furioso.
– Por que não me disse que era virgem? — perguntou diretamente.
Passara metade da noite acordado, culpando-se pelo que havia feito, por sua insensibilidade, por seu egoísmo, sua brutalidade, e naquele momento, ao invés de dizer a ela como se sentia, lançava uma acusação, como se a falha houvesse sido dela.
A raiva de Sasuke bloqueou qualquer sentimento de auto-piedade que Sakura pudesse ter. Numa reação automática, sentou-se na cama e o encarou.
– Qual o problema? — provocou-o. — Se já tinha decidido que eu era uma mulher experiente, que diferença faria?
Ela desejava na verdade que ele dissesse que nunca havia acreditado naquilo. E que depois de dizer isso, a tomasse nos braços e falasse do quanto a aquela noite significara para ele, fazendo-a perceber que a amava.
Sasuke caminhou na direção à janela e se colocou de costas para ela.
– Você percebe que isso muda tudo entre nós, não?
Pelo tom de voz, Sakura teve consciência de que ele falava seriamente.
– Como minha virgindade poderia mudar alguma coisa? — ela perguntou incerta.
Os nervos de Sasuke pareciam estar à flor da pele.
– Como poderia não mudar? Você acha que sou do tipo de homem que sai por aí deflorando virgens? — Ele parou e balançou a cabeça, focalizando-a em seguida. — Como acha que me sinto sabendo que meu desejo estava tão fora de controle que não pude me conter? Mais tarde falaremos sobre as razões pelas quais a Sra. Levinsky mentiu para mim sobre você, mas eu penso que sei quais são. Ciúme. Eu não tenho como me desculpar com você pelo que aconteceu. Você se tornou minha esposa em todos os sentidos do termo. É minha responsabilidade, meu dever...
– Não! — Sakura protestou, abalada pelo modo como ele dizia tudo aquilo. — Fizemos um acordo de negócios, e isso é tudo.
– A noite passada fez com que tudo mudasse irrevogavelmente. — Marco foi implacável. — Já lhe ocorreu que pode estar carregando um filho no ventre? Nosso filho? — ele lançou a idéia.
Um bebê. Um bebê de Sasuke... Sakura podia sentir-se derretendo, desejando... Teve de lutar consigo mesma para entender que aquilo ainda não era realidade.
– Nós dois temos de torcer para que não esteja. — Sasuke disse severamente. — Concordamos que nosso casamento terminaria em cinco anos. Ainda posso honrar esse acordo. Mas se você estiver esperando um filho meu não haverá como permitir que seja criado por alguém que não eu mesmo.
Ele fez uma pausa e olhou através dela antes de continuar.
– E conhecendo-a como conheço, acho que concordará comigo. Sei que valoriza muito o amor. Por isso não posso prendê-la a um casamento sem amor.
O coração de Sakura começou a bater pesadamente. Não havia como negar, ele lhe dissera com todas as letras que não a amava. Do que mais ela precisaria para acreditar?
Como o silêncio dela o exasperasse, Sasuke continuou rudemente:
– Por que deixou isso acontecer, Sakura? Para me punir por julgá-la mal? Para me provar isso de um jeito incontestável? Você não pensou?!
Muito perto de se desmanchar em lágrimas, Sakura o encarou.
– E você, não pensou? — ela o provocou.
– Pensar? No estado em que eu estava?
Se não fosse cuidadoso acabaria revelando como se sentia em relação a ela, e este era um outro problema no qual estava determinado a não envolvê-la.
– Me pareceu uma boa idéia naquele momento. — Sakura tentou falar com naturalidade.
– Uma boa idéia? — Sasuke a olhava como se quisesse estrangulá-la. — Como pôde ser tão irresponsável? Especialmente quando...
Ele calou-se, mas Sakura poderia completar a frase inacabada. Especialmente quando sabia que ele não a amava e que ela nada significava para ele.
Sasuke tentou se acalmar. Sabia que o orgulho e o respeito próprio podiam levar uma pessoa a cometer atos imprevisíveis. Mas Sakura fora ao extremo. Será que ela não tinha nenhum senso de auto-preservação?
– Na verdade, não foi tão importante. — Sakura disse a ele com uma firmeza que estava longe de sentir. A verdade é que aquela fora a coisa mais importante que lhe acontecera em toda a sua vida! — Na minha idade, a virgindade pode ser embaraçosa, e pensei que já era tempo de saber o que era toda essa confusão de que as pessoas tanto falam.
Tinha de convencê-lo de que não era tão tola a ponto de se deixar envolver por sonhos amorosos.
Sasuke mal podia acreditar no que ouvia. Estreitou os olhos para observá-la. Parecia convincente, mas alguma coisa, instinto talvez lhe dizia que ela estava mentindo.
Por quê? Será que tinha noção de que o desafiava a mostrar-lhe o quanto a relação entre eles era especial? Mostrar-lhe sensações que ainda não conhecia?
Mal humorado, ele resolveu lhe dar uma lição que a alertasse para as reações que causava. Para o seu próprio bem e para o dele.
– Será que eu poderia ousar dizer que correspondi às suas expectativas?
Constrangida, Sakura umedeceu os lábios subitamente secos com aponta da língua. Sabia que o tinha provocado. Sem conseguir fitá-lo diretamente nos olhos, ela disse do modo mais frio que conseguiu:
– Foi... Foi interessante. Mas não algo que eu queira repetir.
Sasuke a encarou. Estava tentado a se deixar acreditar que ela estava intencionalmente incitando-o a tomá-la nos braços no mesmo instante. Se pudesse acreditar por um momento naquilo...
Mas então Sakura se virou, e ele percebeu a marca em seu pescoço. Uma marca que ele mesmo fizera no calor da paixão. A culpa pesou novamente sobre ele.
Já era ruim o bastante ter-lhe tirado a virgindade. Não se deixaria ficar tão enfraquecido por seu amor que qualquer desculpa seria suficiente para levá-la para a cama. Pretendia, pelos cinco anos seguintes, poder manter sua promessa de deixá-la livre. Era uma questão de honra, que só poderia ser quebrada se ela estivesse esperando um filho seu. Somente nessas circunstâncias ele não poderia deixá-la ir embora.
– O que aconteceu entre nós não se repetirá, Sakura, e eu pretendo me certificar disso.
Sakura sentiu o rosto queimar de humilhação mediante aquele tipo de aviso. Será que Sasuke acreditava que ela não se daria o respeito e tentaria seduzi-lo?
– Ótimo. Fico feliz em ouvir isso. — respondeu em uma voz um pouco alta e estridente demais.
Por um segundo Sasuke teve novamente o impulso de abraçá-la e fazê-la retratar-se por aquelas palavras. Queria abraçá-la, acariciá-la, amá-la até que implorasse por ele. Por ele. Por seu amor.
Sentia como se estivesse afundando em areia movediça: quanto mais tentava controlar seus sentimentos, mais eles ameaçavam dominá-lo.
Sakura era tão inocente, tão inexperiente que não fazia idéia do quão especial e raro fora o momento que dividiram. O prazer que tinha dado a ele... o modo como seu corpo havia respondido ao dele... aconchegado... abraçado...
Sasuke sentiu uma espécie de fogo selvagem dentro de si implorando por satisfação. Tinha de se afastar de Sakura antes que fizesse algo de que se arrependesse depois.
Continua...
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