A Pequena Uchiha
12 Se Sentir Vivo
Notas iniciais
Carinhosamente, Sakura tirou da mãozinha de Aya o pedaço de pano que ela tinha agarrado. Estava tentando escolher os papéis de parede e os tecidos para a nova decoração da suíte principal. Já que tinha dois cômodos um deles seria o quarto de Aya com um espaço para brincar e a "cama para emergências". O outro, mais amplo, seria supostamente ocupado por ela e Sasuke.
Nos últimos dias, os três haviam dividido a suíte de Sasuke, embora Sakura tivesse insistido para que ele dormisse em sua própria cama, enquanto ela dormiria com Aya no quarto de vestir.
Mantendo sua palavra, Sasuke manteve-se a distância, tanto física quanto emocionalmente. O que era, claro, exatamente o que Sakura queria! Ele se dirigia a ela em poucas palavras, deixando claro o desejo de se afastar o mais rápido possível.
A nova suíte iria incluir duas novas salas de vestir, uma sala de banhos e dois banheiros, e também uma sala de estar particular. Sakura havia ficado inteiramente responsável pela decoração de todo o espaço, enquanto Sasuke ficaria responsável pela arquitetura e pela construção.
Sasuke estava ansioso para acabar a reforma. Por sorte, teria uma série de reuniões em Roma sobre um grande projeto de restauração que coordenaria, e isso o manteria justificadamente afastado do palazzo. Pelo menos por algum tempo poderia deixar de ver Sakura, e acalmar seus sentimentos.
Depois de beijar as bochechas de Aya, que já tinha mais um dentinho, Sakura olhou para o relógio. Já era hora de vesti-la para o jantar. No princípio isso a aborrecia, mas já virara um hábito. Pelo menos encontrara um modo de usar o guarda-roupa da pequena.
Era costume das famílias italianas a reunião de toda a família para o jantar. Mesmo sem idade suficiente para comer à mesa, Aya ficava ao lado deles no carrinho enquanto faziam a refeição, brincando e balbuciando seus primeiros sons. Pelo menos Sakura tinha alguém com quem conversar, alguém com quem podia agir naturalmente.
Ela e Sasuke haviam conseguido estabelecer uma rotina de uso dos quartos e dos banheiros, mesmo sem haver discutido isso, que lhes permitia privacidade e a manutenção da ficção do casamento.
Apesar de tudo, Sakura sabia que tinha de ser grata a Sasuke por sua discrição e pelo fato de se manter estritamente dentro das regras do acordo que haviam feito.
Mas sentia-se rejeitada e sozinha. A verdade era que seu corpo se ressentia mais da falta de Sasuke do que antes de ele a ter possuído... mesmo que fosse uma humilhação ter de admitir isso.
Quando Sakura entrou na sala de jantar com Aya no carrinho, Sasuke já estava lá, de costas para a entrada, olhando através de uma das janelas que dava para o jardim de inverno. A janela estava aberta e Sakura podia ouvir o som da água que jorrava da fonte, o principal ornamento daquele espaço.
Embora houvesse se virado quando as ouviu. Sasuke não sorriu. Parecia preocupado e distante, Sakura logo percebeu, e esse seu sentimento foi ficando mais forte no decorrer da refeição. Ele parecia se colocar atrás de uma parede de névoa, mantendo um silêncio que ela relutava em quebrar.
Depois que terminaram o jantar, Sasuke anunciou abruptamente que subiria com elas para colocar Aya para dormir.
– Amanhã de manhã devo ir para Roma. — ele disse a Sakura. — Você tem o número do meu celular. Por favor, não hesite em me ligar se precisar falar comigo por qualquer razão.
Assentindo, Sakura suspeitou que ele estivesse falando da possibilidade de Aya ficar doente. Mas felizmente, a garota só estava ficando mais forte nos últimos meses. Tinha um rosto rosado, alimentava-se bem, estava cada dia mais esperta.
– Aya vai sentir sua falta. — Sakura disse a ele, enquanto a ajudava a subir as escadas com o carrinho. — Acho que iria gostar de um cadeirão, assim poderia jantar conosco. Pensei em ir até Florença comprar um enquanto você estiver ausente...
– O que... Ah, sim, claro. Compre o que precisar, Sakura.
Sakura sabia que havia algo errado com ele. Meia hora mais tarde, voltou ao quarto principal, com a desculpa de mostrar a Sasuke o tecido que escolhera para as cortinas, mas parou a um canto, ansiosa. Sasuke não percebera sua presença e estava parado perto do espelho, segurando a fotografia de seu primo Kakashi.
Sakura sentiu seu coração se apertar quando olhou para ele. Apenas duas fotografias decoravam a cômoda quando eles se casaram. Uma de Kakashi e outra dos pais dele com um garotinho. Depois do casamento fora colocada mais uma, de Sakura com Aya no colo.
Ela ficara chocada na primeira vez em que vira a foto, mas imaginou que os outros membros da família de Sasuke esperariam que exibisse a foto de sua esposa.
– Sasuke.
Sakura chamou-o em voz baixa, e não se surpreendeu quando ele não respondeu de pronto. Depois de colocar a fotografia no lugar, ele se virou.
– Hoje seria o aniversário dele. Faria vinte anos... enquanto eu viver não esquecerei a cena que vi quando fui chamado depois do acidente. — Seu rosto estava marcado pelo sofrimento. — E nunca vou deixar de sentir que poderia ter feito algo para impedir que acontecesse. Qualquer coisa.
– Não deve dizer isso. — Sakura protestou imediatamente, esquecendo-se de seus próprios sentimentos e envolvendo-se nos dele. — Ele era adulto, Sasuke. Era ele quem tomava suas próprias decisões...
– Tomava mesmo? — Sasuke perguntou magoado. — Ou era Rin e eu que fazíamos isso por ele? É verdade que eu nunca quis que se casassem... mas eu nunca quis que isso acontecesse.
O sentimento que ele lhe despertava era tão forte que tudo o que Sakura queria era abraçá-lo. Instintivamente, obrigou-se a se afastar dele antes que não se contivesse. Não percebeu o olhar que ele lhe lançou nesse momento. Sasuke parou de falar e olhou para longe.
– Eu o criticava por seu estilo de vida, por viver tão... — Ele balançou a cabeça. — Mas é justamente isso que me traz algum conforto. Pensar que Kakashi aproveitou a vida ao máximo. Que viveu intensamente. Amou, dividiu esse amor... teve um filho... o único jeito que temos de nos manter imortais.
Sakura não fez nenhuma tentativa de falar. Sabia que ele precisava desabafar, dar voz a seus sentimentos de raiva e de perda.
Quando Sasuke se moveu em direção à escrivaninha em frente à janela, Sakura surpreendeu-se ao ver uma garrafa de vinho aberta.
Embora ele bebesse vinho às refeições, ela nunca o vira tomar qualquer bebida alcoólica em outra ocasião. Ele encheu o cálice com o líquido vermelho-escuro e bebeu rapidamente.
– Ele era o mais novo da família, era como um irmão para mim... Nunca pensei que... — Sasuke tomou outro grande gole de vinho. — Eu queria protegê-lo do mesmo modo que você faz com as crianças de quem cuida, Sakura, e o fato de estar morto me faz sentir que falhei com ele. Eu devia ter percebido o que iria acontecer, devia ter feito algo para que não acontecesse.
Dessa vez ele esvaziou o cálice.
– Como você poderia imaginar? — Sakura disse gentilmente, tentando confortá-lo.
– Eles só vieram ao palazzo porque os chamei. Estava preocupado com os comentários de que iriam se separar. Por minha insistência Kakashi trouxe Rin consigo. Pensei que, se passassem algum tempo aqui, longe das distrações de Roma, poderiam se entender. Mas o que esse tempo fez foi acentuar as diferenças entre eles.
Ele pegou novamente a garrafa de vinho, e instintivamente Sakura se aproximou e tocou seu braço, num murmúrio de protesto.
– Que alternativa eu tenho? — Sasuke falou asperamente. — Você? Minha esposa? — O rancor contido no olhar dele a assustou. — Você ficaria chocada se lhe dissesse que me sinto tão mal que poderia dormir com você mesmo sem amor?
As palavras dele fizeram com que Sakura recuasse, magoada. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele se aproximou dela, provocando-a.
– Sei que você é uma mulher generosa a ponto de dar amor a uma criança que precisa de você, mas será que é generosa a ponto de permitir que eu... acalme a minha dor em você? Será que você pode me ajudar a sentir que estou vivo, que sou humano, que sou um homem?
Sakura sabia que ele só dizia aquilo porque estava sob o efeito do vinho que tomara e da dor que sentia. Sexo era uma necessidade muito mais premente para os homens do que para as mulheres, Sakura sabia disso. Mesmo assim, não fez nenhuma tentativa de se afastar dele, mesmo tendo certeza de que era o que devia fazer.
E como ela permaneceu ali. Sasuke interpretou isso como um convite. Sakura sabia exatamente o que ele faria quando se aproximou dela e a abraçou, correndo as mãos por seus braços nus, o hálito de vinho perigosamente sedutor contra sua pele quando ele lhe beijou a testa e o pescoço.
– Deixe-me me afogar em você, doce Sakura...
As palavras que o afastariam estavam na ponta da língua de Sakura. Para o bem de ambos ela sabia que devia interromper a quele jogo perigoso. Mas recusava-se a dizê-las, e seu corpo já respondia, em sua própria linguagem, às palavras de Sasuke.
– Linda Sakura... Não sabe o quanto tem me perturbado, me tentado, nas últimas semanas. O cheiro do seu perfume neste quarto, o som de seu riso quando brinca com Aya, as formas do seu corpo por baixo de suas roupas quando se move... e minhas lembranças de quando estava nua... Eu quero você, Sakura! Quero me perder em sua doçura... esquecer minha dor e minha culpa...
Sakura não sabia qual dos dois dera o primeiro passo à frente, mas seus corpos já estavam quase colados, e ela não se importava com mais nada. Naquele momento, só queria saber que Sasuke a desejava, que precisava dela. E tudo o que queria era corresponder ao desejo dele.
Instintivamente ela o abraçou com força, levantando o rosto e oferecendo os lábios. Ele os capturou imediatamente, fazendo-a tremer.
O beijo era forte e possessivo. O beijo de um homem guiado por paixões primitivas. Suas mãos cobriam o rosto dela e a seguraram, como se fosse obrigá-la a fazer tudo o que quisesse. Mas era exatamente ali que Sakura queria ficar, como se uma força mais poderosa que qualquer instinto de proteção estivesse em jogo, mantendo-a colada a ele enquanto o beijo se aprofundava ainda mais.
Uma das mãos de Sasuke desceu por seu queixo, seu pescoço, acariciando-lhe a pele. Continuou deslizando lentamente pelas costas até a cintura, e então apertou-a ainda mais contra si, de modo que seus corpos ficara ainda mais juntos.
– Você pode sentir o quanto a desejo? — ele sussurrou em seu ouvido.
Sakura tremia, consciente da excitação dele e do quanto isso intensificava seu próprio desejo.
– Você tem seios lindos, feitos para ser beijados. — Sasuke a abraçava com força. — O que foi? Não acredita em mim? — perguntou quando ela automaticamente balançou a cabeça, abalada pela intimidade das palavras dele. — Quer que eu prove como os acho lindos?
O vestido de Sakura escorregou por seu corpo quando Sasuke desceu o zíper que o fechava nas costas. Ela fechou os olhos. Não apenas para não ver sua nudez, mas para que Sasuke não percebesse em seus olhos o amor ridículo que sabia que estaria revelado neles.
O que estava fazendo era tão arriscado, tão perigoso e potencialmente auto destrutivo... Sakura sabia como Sasuke se sentia em relação a ela, ou melhor, como não se sentia. Será que a consciência de que estava se aproveitando da vulnerabilidade dele para satisfazer seu próprio desejo não a faria parar?
As mãos dele estavam pousadas em seus ombros, e ele beijava a base de seu pescoço. O ar da noite estava frio contra sua pele nua, mas Sakura sabia que não era esse o motivo pelo qual seus mamilos estavam arrepiados e sensíveis. As mãos de Sasuke os acariciavam, enquanto ele dava pequenos beijos em seus olhos. Cada parte de seu corpo ia se acendendo...
– Sua pele é tão branca, tão macia... — ele murmurou. — Há algo em você, doce Sakura, que desperta em mim um caçador selvagem, que deseja estar em você, penetrá-la com toda a força do meu desejo.
Sakura não conseguia falar, mas sentia que conhecia cada vez mais o homem que lhe dera tanto prazer na noite de seu casamento. Ele a desejava desde então, e a desejava naquele momento. Mas desejo não era amor, tentou alertar a si mesma. Seu corpo, entretanto, não queria escutá-la e respondia a Sasuke com flagrante sensualidade.
– Não me olhe desse jeito.... a não ser que acredite no que esses seus grandes olhos estão me dizendo. Quer que a leve para a cama, que cubra seu corpo com o meu... Quer que a toque de todas as maneiras que um homem pode tocar uma mulher, quando deseja que ela gema de prazer!
Sakura estava tremendo tanto que se ele não a estivesse segurando não poderia se manter em pé. Aquelas palavras a excitavam tanto quanto as caricias incessantes em seu corpo nu. As mãos fortes dele aqueciam sua pele e a atormentavam, fazendo-a desejá-lo mais e mais.
– Essa é sua resposta? — Sasuke perguntou suavemente quando, sem parar de beijar-lhe a boca, tomou-a nos braços e colocou-a na cama.
– Sei que me deseja, assim como eu a desejo. — ele completou, segurando-lhe um seio e sugando o mamilo, enviando ondas de excitação por todo o seu corpo.
Quando ela se rendeu aos seus próprios desejos, tocando-o e beijando-lhe o peito nu, foi a vez de Sasuke gemer alto. Sakura forçava a calça que ele ainda vestia, clamando pelo acesso a seu corpo todo. Subitamente ele sentou-se a seu lado, os olhos brilhantes fixos nos dela com uma expressão de triunfo.
– É isso o que quer?
Sakura não conseguia dizer em palavras, mas foi até ele e continuou a tocá-lo, provocá-lo, totalmente envolvida no que fazia. Podia sentir a pele mascula sob seus dedos, o perfume da pele masculina e seu gosto quando seus lábios ali pousaram. Quando Sasuke removeu o restante de suas roupas, Sakura pôde continuar sua exploração, totalmente guiada pelo desejo. Instintivamente sabia o que fazer, Sasuke a estimulava a tocá-lo ainda mais intimamente, tocá-lo e acariciá-lo do mesmo modo como, ele sussurrava em seu ouvido, ele faria com ela.
Enquanto falava, ia gentilmente afastando a calcinha que Sakura ainda vestia, seus lábios percorrendo novos caminhos com pequenos beijos delicados.
– Você sabe que efeito me faz saber que fui eu que despertei você para o desejo, Sakura? — ele perguntou. — Na noite do nosso casamento eu a machuquei, eu sei, mas acho que também lhe dei prazer. Me diga... diga como se sentiu... — ele pediu docemente.
Sakura gemeu baixinho. Ouvir aquelas palavras a estava excitando de uma forma incontrolável. Apenas lembrar-se de como se sentira naquela noite, enquanto Sasuke a penetrava, fazia com que todo seu corpo ardesse de desejo e da urgência que sentia por ele.
– Me diga... — Sasuke insistiu.
– Foi bom... bom... — ela admitiu num sussurro.
– Tão bom que ainda consegue se lembrar da sensação? Porque se não foi assim, desta vez você se lembrará. — ele prometeu suavemente.
Seu toque se tornava cada vez mais íntimo e quando Sakura arqueou os quadris contra a mão dele, Sasuke estremeceu e se colocou sobre ela. Instintivamente. Sakura o enlaçou com as pernas e procurou se aconchegar a ele, saboreando a delicadeza com que ele a penetrava desta vez. Sentiu que Sasuke aumentava o ritmo de seus movimentos, parecendo escutar seus pedidos, Logo chegaram as contrações intensas, fortes, que faziam com que ambos mergulhassem em um turbilhão de prazer e emoção.
Quando finalmente relaxou, Sakura percebeu que lágrimas grossas rolavam por seu rosto, pela intensidade de sua experiência. Seria tão fácil convencer-se do carinho que havia nos olhos dele, enquanto secava suas lágrimas.
*...*...*
Sasuke acordou assustado. O quarto estava escuro e nenhum som vinha do quarto de vestir, o que indicava que não fora Aya quem o fizera despertar. Havia, sim, um ruído pouco familiar em sua própria cama. A respiração suave de Sakura.
Sakura! Seu coração falhou um batimento. O efeito do vinho que havia tomado já desaparecera, e o desespero que sentira pela morte de Kakashi transformara-se em uma dor suportável. Mas nada serviria como desculpa para o que fizera. O que acontecera ao autocontrole que ele sempre se orgulhara de possuir?
A última coisa que Sakura iria querer quando acordasse seria vê-lo deitado ao lado dela. Cuidadosamente, Sasuke escorregou da cama, parando apenas mais um instante perto dela para cobrir-lhe o corpo nu, com um gesto protetor.
Ela parecia tão jovem e tão docemente atraente em seu sono... Incapaz de se controlar. Sasuke inclinou-se e beijou suavemente seus lábios antes de se dirigir à cama estreita que Sakura normalmente ocupava.
*...*...*
Quando Sakura acordou, Sasuke já partira para Roma. Ela disse a si mesma que precisava de um espaço para respirar e conseguir reunir forças para lutar contra seu amor por ele. Não podia continuar com aquilo. Mas também não podia ir embora. Assim como Sasuke, ela devia colocar os interesse de Aya acima dos seus.
Já fazia quase uma semana que Sasuke partira. Ele telefonara todos os dias, às vezes duas vezes por dia, mas claro que para saber se Aya estava bem. Naquela noite ele iria voltar, embora houvesse avisado que teria uma reunião após o jantar e que pegaria o último vôo noturno.
O telefone tocou e Sakura automaticamente atendeu, os músculos de seu estômago se contraindo de excitação ao imaginar que ouviria a voz de Sasuke. Mas a ligação era de Yumi, a avó de Aya.
Disse apenas o nome de Sasuke, de um modo autoritário.
– Receio que não seja possível falar com ele. — Sakura respondeu tão educadamente quanto pôde. — Está fora, viajando a negócios.
– Oh, é você! — a mulher retrucou com desprezo na voz. — A babá, ou eu deveria dizer, a nova condessa... Não pense que não sei o motivo desse casamento. Mas ele não vai me fazer desistir de meus planos, já consegui bons advogados. Quando vai estar de volta? Preciso falar com ele. — ela perguntou abruptamente.
Quando Sakura hesitou, sem saber que tipo de resposta. Sasuke gostaria que desse, embora soubesse exatamente o que gostaria de dizer, ouviu a voz estridente de Yumi do outro lado da linha.
– Está tentando protegê-lo? Que patético! Suponho que está apaixonada por ele? Mas sabe que ele está apenas usando você, não sabe? Tenho todo o direito de ver minha neta e é exatamente isso que farei. Não importa quando Sasuke virá. Estou de partida para aí.
O coração de Sakura acelerou com as palavras da mulher. Sabia que nada do que dissesse a impediria de chegar ao palazzo. Só esperava que Sasuke estivesse de volta antes disso.
Sakura não dormira direito desde que Sasuke partira, de forma que quando terminou a refeição foi logo para a cama. Não havia razão para que não se deitasse cedo, pensou. Sasuke só chegaria nas primeiras horas da manhã, e quando chegasse, não havia nenhuma razão para que quisesse vê-la.
*...*...*
Sabendo que chegaria em casa tão tarde, Sasuke havia deixado seu carro no estacionamento do aeroporto. Enquanto dirigia pela longa estrada que levava até o palazzo, ele reconheceu o quanto estava cansado, e o quanto sentira falta de Sakura.
Em Roma, inconscientemente, estava sempre procurando por ela, como se ouvisse sua risada e o som de sua voz, tranqüila e melodiosa. Se estivesse grávida, teria de ficar com ele. O mero pensamento de poder acompanhar o desenvolvimento da gestação de um filho seu o fazia sentir-se tomado por um encantamento inimaginável.
Não devia permitir a si mesmo pensar naquilo. Sakura tinha o direito de dedicar livremente seu amor ao homem por quem viesse a se apaixonar e que a amasse também. Se ele tentava lhe negar esse direito, então não podia amá-la.
*...*...*
Sakura tremeu ao lembrar-se de seu pesadelo. Yumi sorria ao dizer que o juiz decidira que Aya deveria morar com ela. Acordou com a boca seca, os olhos lacrimejantes. Saindo da cama, entrou no quarto principal, dirigiu-se ao banheiro e então parou quando a luz do luar revelou a silhueta de Sasuke adormecido na cama em frente a ela.
Ele estava de volta. E ela não o ouvira chegar.
Impulsivamente, Sakura rodeou a cama pé ante pé, sem poder resistir à tentação de ver seu rosto adormecido. Em repouso, o rosto de Sasuke parecia mais suave, os cabelos escuros desarrumados e a barba que começava a despontar, mais atraentes. Sem pensar no que estava fazendo, Sakura se aproximou e tocou o rosto dele com a ponta dos dedos, imaginando qual seria a sensação da barba contra sua pele. Mesmo enquanto dormia, a aura de masculinidade que ele emanava a envolvia poderosamente. Seus dedos chegaram à boca dele.
Levou um enorme susto quando subitamente os olhos de Sasuke se abriram ao mesmo tempo que sua boca se fechou sobre os dedos dela e as mãos a enlaçaram pela cintura, puxando-a para mais perto dele.
– Sasuke! — ela protestou.
Mas a sensação de tê-lo sugando seus dedos daquela forma fez com que murmurasse seu nome mais uma vez, mais como um longo e trêmulo gemido de desejo, do que como uma clara objeção.
Sasuke libertou-lhe os dedos, mas manteve-a cativa em seus braços.
– Eu não devia fazer isso. — ele murmurou. — Mas não há como não fazer.
Continua...
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