A Pequena Uchiha
13 Acidente
Notas iniciais
– Vou falar pela última vez. Não vou lhe dar nenhum dinheiro. Não compro crianças. — Quando olhou diretamente para Yumi, atento ao seu próprio ódio, Sasuke reconheceu o quanto se sentia tentado a dar o dinheiro a ela.
Se pelo menos pudesse acreditar que fazendo aquilo a tiraria da vida de Aya para sempre... Mas nem isso.
Chantagem era uma coisa aviltante, odiosa. Cedo, muito cedo, Yumi voltaria querendo mais dinheiro, e aquela situação se eternizaria.
E Aya nunca estaria segura. Não, por mais arriscado que fosse, ir ao juiz e estabelecer com quem a bebê deveria ficar era o melhor caminho.
– Vai se arrepender por isso. — Yumi avisou mordazmente. — Você diz que ama Aya e não pode lhe dar um milhão de dólares, sendo que isso não lhe faria falta alguma. — ela o provocou. — E esse é o tipo de amor que tem por ela.
– Diga isso de você. — Sasuke retrucou com frieza. — Mas nós dois sabemos que sentimentos não entram em questão para você, não é? Só conhece o amor que sente por si mesma. Consegue perceber o que está arriscando vindo aqui me chantagear?
– Como poderá provar que vim aqui? — Yumi sorriu com ironia. — Comprando outro dos seus criados? Meu advogado fará com que o juiz compreenda que eles dependem de você, e por isso fazem tudo o que ordena. E se estiver pensando na nova Uchiha... — Seu olhar adquiriu um tom de zombaria mordaz. — Quanto pagou a ela para se casar com você? Ou simplesmente a seduziu? Garota tola! Um homem só valoriza o que tem que pagar para conseguir. E quanto mais ele paga, mais valoriza.
– Tenho certeza de que fala com conhecimento de causa, Yumi. — Sasuke não perdeu a calma. — Mas se ousar colocar Sakura novamente dentro da sua sórdida escala de valores, terá um bom motivo para se arrepender.
– Não ouse me ameaçar. — Yumi disse teatralmente. — Essa é sua última chance, Sasuke. Se não aproveitá-la, juro que levarei Aya para longe de você. Ela é minha carne, meu sangue. Sou sua parente mais próxima.
– Uma mãe que vendia sua própria filha a quem pagasse mais. Nenhum tribunal vai lhe dar crédito quando souber de sua história — Sasuke disse, com a confiança que lutava internamente para manter.
– Você vai pagar por isso! — Yumi o encarou. — Eu prometo a você que desejará ter pago quando teve oportunidade, porque agora perdeu qualquer possibilidade de ficar com Aya.
– A decisão não cabe a você. — Sasuke lembrou-a.
Entretanto, quando a viu continuar sua cena pelo palazzo ao dirigir-se para o carro, reconheceu que não estava tão confiante quanto fingia.
Em um mundo justo ele certamente ganharia a custódia de Aya para seu próprio bem, mas Yumi podia ser extremamente convincente. Sabia como manipular as situações, e era perigosa.
*...*...*
Yumi tremia de raiva enquanto se afastava do palazzo. Tinha certeza de que Sasuke lhe daria o dinheiro que desejava desesperadamente, muito mais do que ele imaginava. Havia perdido muito dinheiro no jogo e se envolvido com pessoas perigosas. Elas agora queriam que Yumi desenvolvesse atividades ilegais como uma maneira de pagar o que devia.
Por isso procurara Sasuke em desespero. Precisava repor aquele dinheiro. Não investira tanto para agora arriscar sua vida.
Os pneus do carro cantaram quando saiu pela estrada do palazzo.
Sakura, que estava passeando com Aya no carrinho, viu apenas a nuvem de poeira quando Yumi passou por ela como um raio. Estava já no jardim com Aya quando a mulher chegara, e ficava aliviada por ver que a conversa durara pouco.
Devia haver um modo de fazer com que Sasuke pagasse, Yumi pensava freneticamente. Tinha que arrancar aquele dinheiro dele. Fora apenas por isso que jogara com a guarda de Aya. A última coisa que queria era um bebê dependente atrás de si. Aconselhara tanto Rin a interromper aquela gravidez, mas Sasuke, italiano ultrapassado, interferira. Agora ele que pagasse o que devia.
As mãos de Yumi se apertaram contra o volante quando viu Sakura com a criança.
Um súbito flash de inspiração lhe ocorreu no mesmo instante, e soube o que precisava fazer. Pisando no freio do carro, colocou-o em marcha-a-ré.
Sakura não entendeu a princípio o que acontecia. Yumi se dirigia a ela com um ar de desespero no rosto, caminhando rapidamente.
– Me dê minha neta. — ordenou no momento em que as alcançou, colocando-se estrategicamente em frente a Sakura e tirando Aya do carrinho, antes que Sakura pudesse detê-la.
Aya, acostumada a ser segurada com carinho, começou imediatamente a chorar, deixando Sakura ainda mais ansiosa.
– Você a está assustando. — ela avisou com preocupação. — Não está acostumada a ser pega assim. Deixe-me mostrar-lhe como ela gosta.
– Não me importo a mínima com o que ela gosta ou deixa de gostar. — Yumi disse agressivamente, prendendo a criança com apenas um braço e afastando-a de seu corpo, enquanto, reagindo ao modo como fora pega, a pequena regurgitava o leite que tomara pouco antes. — Não ouse ficar doente, sua pequena mal-educada — Yumi disse furiosamente, balançando-a tão forte que Sakura protestou. — Se não gosta do que estou fazendo, pior. Ela é minha neta e irá comigo.
Sakura não podia acreditar no que estava ouvindo. Yumi não iriasimplesmente pegar Aya daquele jeito. Mas para seu desespero, ela estava realmente se virando, sem dar a menor impotância ao conforto da criança. Dirigia-se para o carro e logo já abria a porta do motorista. Pela primeira vez Sakura se deu conta de que o motor do carro ainda estava funcionando.
Ficou em pânico. Já havia lido sobre aquele tipo de coisas, sobre guerras de custódia, mas nem por um segundo imaginara que aquilo poderia acontecer com Aya.
– Você não pode levá-la! Por favor... — ela protestou, a garganta seca de medo. — Ela é apenas um bebê! Ela não conhece você... Em meia hora estará com fome e...
Yumi percebeu que o que Sakura dizia era verdade. Aquela insuportável desataria a chorar e nada a faria parar.
– Se está tão preocupada, entre no carro. Quem sabe? Talvez Sasuke pague em dobro para ter as duas de volta.
Sakura a encarou. Yumi estava seqüestrando Aya para que Sasuke pagasse um resgate?
Era exatamente aquilo que deveria esperar dela, reconheceu. Tudo que sabia sobre ela apenas confirmava essa idéia.
Não havia tempo para correr até a casa e gritar por alguém. A mulher já jogara Aya dentro do carro, e estava partindo.
– Espere! — Sakura gritou. — Vou com você. Mas precisamos do carrinho e...
– Não se faça de tola! Entre já ou fique!
Que opção ela tinha? Não conseguia pensar em nada. Tremendo, entrou no carro, pegando Aya no colo e tentando confortá-la, enquanto Yumi saía em uma velocidade tão alta que Sakura foi jogada contra o encosto. Por sorte, Aya já estava bem segura em seus braços.
– Por favor. — pediu a Yumi. — Você está indo muito rápido.
– Pobre Uchiha. O que está tentando fazer? Conseguir que seu marido valentão nos alcance? — Yumi gargalhou histericamente. — Só irei parar quando estivermos em Roma. E então, querida, eu e Aya logo estaremos nos Estados Unidos, onde vamos ficar até que o seu precioso marido resolva ter algum bom senso.
Yumi fez a curva para entrar na estrada principal, e Sakura estremeceu quando foi jogada de encontro à porta do carro. Aya não suportaria poucos quilômetros naquela velocidade, quanto mais até Roma, e sem comida!
Sakura jamais conseguiria odiar alguém como odiava Yumi naquele momento. Como podia fazer aquilo com a própria neta? Sabia que não adiantaria tentar falar com ela, a mulher parecia agir irracionalmente. Aya soluçava contra seu peito. Seus olhos estavam cheios de medo.
– Está tudo bem, meu amor. — Sakura murmurou carinhosamente. — Não se preocupe... não se preocupe.
Yumi dirigia no meio da estrada, e quase bateu em um carro que vinha na outra direção.
– Só podia ser um homem. — Sakura a ouviu resmungar, enquanto pisava ainda mais no acelerador. — Como odeio homens! Todos eles, mas nenhum mais do que o seu marido! — ela aumentou o tom de voz. — Tudo que tinha que fazer era me dar o dinheiro. Isso era tudo. Poderia ter ficado com essa criança chata e com você, mas não... ele diz que as ama, mas não faz nada. Nem de você ele gosta muito, não é?
Era novidade para ela que Sasuke alguma vez houvesse dito que a amava, mas Sakura logicamente se manteve calada. Queria apenas imaginar um jeito de tranqüilizá-la para que reduzisse a velocidade. Se não o fizesse um acidente poderia ocorrer a qualquer instante!
*...*...*
Demorou meia hora para que o jardineiro, Pietro, retornando do campo, percebesse o carrinho de bebê abandonado e relatasse o que vira a Sasuke.
Sasuke, que pensara que Sakura o estivesse punindo pela noite anterior mantendo-se afastada dele, rapidamente foi até o quarto. Encontrando-o vazio, imediatamente pegou o carro e foi até lugar onde Pietro afirmara ter visto o carrinho vazio.
As marcas de pneu no chão lhe disseram o que precisa saber.
Yumi! Sabia que, de alguma forma, Yumi era a responsável pelo desaparecimento de Sakura e Aya.
– Merda! — ele murmurou para si mesmo quando imaginou o que acontecera.
*...*...*
Uma vez que chegasse em Roma, telefonaria para Sasuke do aeroporto. Minutos antes que o avião partisse, pensou com prazer. E diria que o resgate de Aya lhe custaria dois milhões dólares. Claro que um milhão a mais também pelo retorno da babá.
Como iria persuadir Sakura a entrar no avião com ela, Yumi ainda não pensara, mas suspeitava que aonde quer que levasse Aya, Sakura a seguiria.
Claro que Yumi não poderia simplesmente deixar o país com Aya, Sakura refletia.
Havia formalidades, passaportes, documentos. Mas não podia dizer nada a ela que a levasse a um estado ainda maior de loucura e agitação.
Aya continuava vomitando, embora não tivesse nada em seu estômago. Sakurar tentava confortá-la o quanto podia. A estrada do palazzo era estreita e cheia de curvas. Mesmo quando Sasuke dirigira nervoso com ela aquele dia, ele era um motorista extremamente cuidadoso.
Yumi, por outro lado, estava tão tomada por sua loucura que não parecia mais saber de que lado da estrada deveria estar.
E foi assim que o inevitável aconteceu. Ela entrou em alta velocidade em uma curva e teve que virar bruscamente para se desviar de um carro que vinha em direção contrária. Perdeu o controle do carro, e Sakura tensionou o corpo, percebendo que o choque com o outro carro seria inevitável. Instintivamente, envolveu Aya com seu corpo, o barulho do metal misturando-se aos gritos e a uma série de pancadas. Sentiu dor em suas pernas, e então o torpor. Um pesado silêncio caíra, uma calma na qual ela quase se deixava levar para apaziguar a dor que sentia. Mas onde estava Aya? Tinha que acalmá-la.
Continua...
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