A Pequena Uchiha
3 Palazzo
Notas iniciais
Foi como se uma onda de torpor envolvesse Sakura.
O homem a sua frente, o dono do carro, não estava dizendo nada que ela já não pensasse por si mesma. Hana, que era quem deveria escutá-lo, estava pálida e emudecida.
Podia ver ambos os carros. No dele, a batida fora na porta do passageiro, havia vidros por todos os lados. O carro em que bateram havia perdido o pára-choque e estava bem amassado na frente, mas por sorte o motorista não sofrera nem um arranhão e estava até tentando acalmar Hana, que agora tremia descontroladamente e dizia a quem quisesse ouvir que era Sakura quem estava dirigindo, e que ela não tivera culpa alguma.
Sakura chegou a abrir a boca para dizer a verdade e defender-se, mas fechou-a novamente. Como poderia? Hana tinha apenas dezessete anos, acabara de tirar sua carteira de motorista. Na noite anterior andara bebendo e provavelmente ainda tinha um perigoso nível de álcool em seu sangue... e estava sob a responsabilidade de Sakura.
Sakura prometera à amiga que tomaria conta dela. Sem saber o que fazer, olhou diretamente nos olhos do homem que falava com ela, em um apelo mudo. Já conhecia aquela expressão, gravada em sua mente naquela mesma manhã.
Sasuke sentiu-se congelar ante o olhar que Sakura lhe dirigia. Transparecia ali uma sinceridade que o abalava. Seu rosto estava pálido, mas não se diferenciava muito de seu corpo bem-feito, com aquela pele tão branca. E ele conhecia a sensualidade daqueles seios fartos, que, ao contrário de agora, estavam antes cobertos apenas por uma fina camiseta decotada.
Sasuke ficou desconcertado ante a inesperada força com que seu corpo reagiu à lembrança e a ela. Imediatamente, esforçou-se por acalmar o fluxo de seus pensamentos e concentrar-se em aguardar o que sabia que ela lhe diria em seguida.
Já havia visto muitas mulheres usando a própria beleza para conseguir o que queriam. Milhares de vezes. E não havia dúvida de que aquela bela mulher começaria lhe dizendo o que ele já descobrira por si mesmo, que não fora ela quem estava dirigindo o carro, que sentia muito e que ele haveria de desculpá-la e que...
Cinicamente, esperou que ela começasse a culpar a amiga, jurando inocência. Era óbvio que a outra, mais jovem, extrema mente assustada, maquiada e vestida daquele jeito tão vulgar fora a motorista que batera seu carro.
Sem entender exatamente por quê, vieram-lhe à mente as razões por que se opusera tanto ao casamento de Kakashi com a modelo inglesa. A união entre pessoas de culturas diferentes representava sempre um risco muito grande, os costumes, as crenças, tudo era muito diferente. A idéia do que era uma família, da dedicação que ambas as partes deveriam ter... A disposição para assumir um verdadeiro compromisso e a maturidade para fazer com que ele se mantivesse. Aqueles eram elementos que haviam se incorporado a sua personalidade desde muito jovem, e que dificilmente seriam compartilhados por alguém que viesse de uma outra cultura.
Talvez fosse algo mesmo impossível. Mas para Sasuke representava a única maneira de duas pessoas estarem realmente juntas. Nunca fora sexualmente promíscuo. Era muito cioso para permitir que um mero apetite físico o controlasse, e por isso mesmo lhe parecia tão estranha a intensidade do desejo que aquela moça despertava nele.
– Achava que podia fugir com meu carro? — ele perguntou sem meias palavras, subitamente impaciente para que aquela coisa toda terminasse, e elas fossem se entender com a polícia.
Para sua surpresa, ela não negou a culpa e disse em uma voz doce e trêmula:
– Sim... Receio que sim...
Quando ouviu-se confessar que era culpada por algo que jamais faria, Sakura sentiu seu coração apertar-se. Estava em pânico.
Pânico por toda a situação que teria de enfrentar, disse a si mesma, e não por estar diante daquele homem, que com uma expressão impenetrável fixava seu olhar sobre ela.
Céus, ele era maravilhoso! O homem mais bonito e charmoso que já havia visto.
– Sim?!
A fúria na voz dele era evidente, mas ele parecia querer ter certeza do que ela havia dito.
– Sim, foi você? — ele repetiu ainda mais uma vez.
Era quase como se esperasse que ela negasse o que havia dito, Sakura pensou confusa. Mas por quê? Além de ladra, sugeria que era mentirosa? Bem, ela não lhe daria esse prazer.
Procurando afastar o medo, disse em um tom firme:
– Sim, roubei o seu carro para isso, não?
Nesse momento ouviu Hana dar um gritinho, ansiosa, e se voltou para ela. As lágrimas da jovem haviam borrado sua maquiagem, trazendo de volta a aparência de uma garotinha desajeitada. Sakura podia ver o medo nos olhos dela. Devia ter levado um susto enorme quando bateram. Sakura precisava protegê-la e obrigou-se a lidar com seu próprio medo e com a hostilidade que sentia contra o homem a sua frente.
– Eu lhe peço mil desculpas pelo que aconteceu. Vou fazer o possível para ressarci-lo pelos danos, mas... minha... amiga está em estado de choque. Temos de voltar para a Inglaterra hoje e ainda precisamos pegar nossa bagagem no hotel, portanto se pudermos começar a solucionar esse problema... Vou lhe dar todas as minhas referências. Meu nome é Haruno Sakura e...
Ela interrompeu o que dizia ao perceber a expressão chocada do homem.
– Seu nome é o quê?! — ele perguntou incrédulo.
– Sakura... Haruno Sakura — ela repetiu, a voz trêmula por um desconfortável pressentimento.
Sasuke não podia acreditar em seus próprios ouvidos. Então aquela era a mulher que ele esperara por tanto tempo! Aquela moça miúda e esbelta, de seios provocantes, cabelos Róseos, olhos verdes como esmeraldas, um rosto lindo... E certamente responsável pelo efeito mais perigoso e devastador que ele já sentira sobre seus próprios hormônios.
Aquilo tinha de ter acontecido justamente com ele, e com aquela mulher, dentre todas no mundo? A mulher que lhe despertara tanto interesse na rua que era impossível negar o prazer que havia sentido ao revê-la. Que fora cúmplice do roubo de seu carro e que provavelmente não se importava nem um pouco com os outros, já que ajudara aprovocar um acidente. Uma mulher que tinha assumido a responsabilidade pelo roubo para proteger a verdadeira ladra, que Sasuke agora percebia que não passava de uma adolescente.
Contrariando seu instinto de autoproteção, começou a se lembrar do número de vezes que seu primo Kakashi, eterno adolescente, se metera em confusões e que ele, o mais velho, fora obrigado a lidar com elas.
Lembrou-se também do desconforto visível no rosto de Sakura quando ouvira o galanteio do vendedor de sorvetes e da aparência chocada com que ficara logo após o acidente. E do efeito que o mero fato de estar ali exercia sobre ele!
O que mais tinha lhe chamado a atenção, quando vira as cartas de referência e as indicações da agência sobre Sakura, fora a descrição da maneira carinhosa e do apego emocional que ela demonstrava pelas crianças das quais cuidava. Era aquele o grau de envolvimento que ele queria da pessoa que cuidasse de Aya.
Esperava que fosse uma mulher sensível, com um profundo instinto de proteção. Mas o que ele não esperava, e o que certamente não queria, era que tivesse aquela aura inesperada de sensualidade que tanto mexia com ele! Era uma sensualidade tão natural que era como se ela própria não a notasse. Muito mais perigosa do que aquela intencionalmente provocada, Sasuke reconheceu.
Com um jeito seco, ele se voltou para Hana.
– E você? Não diz nada?
– Hana está sob minha responsabilidade. — Sakura respondeu pela garota com uma autoridade e firmeza que estava longe de sentir.
Batera a cabeça no acidente e estava um tanto atordoada pela dor, mas sabia que tinha de superar o desconforto para proteger a menina.
– Ela é muito jovem, e como pode ver, não está nada bem. Os pais dela estão esperando que volte no vôo desta tarde e... É minha responsabilidade colocá-la nesse avião.
– Sua responsabilidade — Sasuke enfatizou. — Onde estava essa virtude admirável quando roubou meu carro, arriscando não apenas a vida de vocês duas como a de todas as pessoas em volta? Você tem alguma idéia do que uma batida de carro pode provocar? Quanta dor, quanta destruição?
Sasuke ainda tinha dificuldade para se livrar das imagens do acidente de Kakashi e sua esposa, que fora obrigado a testemunhar. Imagens que ainda o perseguiam em seus pesadelos.
Sem conseguir entender o porquê daquele sermão tão inflamado Sakura sentiu o rosto queimar.
– Eu... não pude me conter — tentou dizer aflita. — Sempre adorei...
Sakura queria dizer a marca do carro, mas não lembrava qual era.Tentou ver com o canto do olho.
Sasuke não pôde deixar de se sentir intrigado, e ao mesmo tempo divertido, pela expressão confusa da moça a sua frente, que tentava em vão arrumar uma explicação racional para seu pretenso comportamento. Qualquer pessoa com um mínimo interesse por carros não precisaria olhar para ele para se lembrar de que marca era.
– Maseratis. — ele completou, a voz mais alta do que o sussurro frenético de Hana. — Ferrari!
– Sim. Maseratis. — Sakura concordou, repetindo o nome que ele havia dito. — Sempre adorei esse carro, e quando vi o seu, não pude resistir. A chave estava na ignição... — ela disse em um tom de reprovação.
– Então, devo entender que a culpa foi minha por ter deixado a chave lá. — Marco sugeriu secamente.
Ela tinha olhos lindos! De um verde brilhante... Esmeraldina... tão profundos e sinceros que parecia incapaz de mentir.
– Tem alguma idéia do que esse carro significa para um homem italiano? — ele disse em italiano.
Sem um segundo de pausa, Sakura respondeu na mesma língua:
– Sei que não devia ter feito isso.
Então ela não havia mentido sobre sua fluência no idioma, Sasuke reconheceu. A despeito de todas as razões que tinha para chamar a polícia e procurar outra babá para Aya, já sabia que não faria nemuma coisa nem outra.
Uma mulher que, por qualquer razão que fosse, estava disposta a se responsabilizar por um acidente para proteger a garota que estava sob sua responsabilidade devia ser bastante capaz de cuidar com amor e segurança de sua menininha.
Para Sasuke, era de proteção que Aya precisava. Contrataria Sakura, mesmo que viesse embrulhada em uma embalagem com um rótulo de "perigo" escrito em letras garrafais.
– Pela lei, tenho o direito de chamar a polícia e pedir que se encarregue de vocês. — ele disse a Sakura, aparentando frieza.
Depois de esperar alguns segundos para que a cor voltasse ao rosto dela, continuou:
– Entretanto, parece que estão com passagens reservadas num vôo pra a Inglaterra. Embora você... — ele disse devagar — ...deveria estar sendo entrevistada para um trabalho aqui mesmo na Itália, ou assim pensei...
Sakura engoliu em seco.
– Como sabe disso? — indagou, para emudecer em seguida, quando a verdade se fez clara em sua mente.
– Não. — ela murmurou, os olhos arregalados de desespero. — Não, você não pode ser...
– Não posso ser quem?
Nervosa, Sakura umedeceu os lábios subitamente secos com aponta da língua. Os olhos de Sasuke monitoraram detalhadamente o gesto, seu corpo vibrando de excitação. Aqueles lábios rosados, livres de qualquer maquiagem, faziam com que se lembrasse dos mamilos marcados sob a camiseta molhada.
Irritado, ele colocou seus pensamentos devassos de lado. Não tinha tempo a perder analisando-os, e nem inclinação para fazê-lo. Mas se a pele dela era tão clara e delicada, os mamilos deviam ser ainda mais claros que seus lábios... Quando os tocasse com os lábios, eles...
Sakura ouviu-o resmungar para si mesmo e ficou ainda mais nervosa. A dor em sua cabeça estava se tornando insuportável. Estava confusa e envergonhada no momento em que mais queria estar lúcida. Não podia ficar tão afetada por aquele homem... perturbador, sexy, formidável... completou para si mesma.
– Eu... minha entrevista seria com... eu devia falar com... — ela começou a responder.
– Comigo. — Sasuke completou, com uma suavidade que contrastava com o olhar fulminante que lhe dirigia. — Só que você não apareceu para a entrevista, o que não condiz com as referências enviadas por sua agência... confiabilidade, responsabilidade...
– Si... Sinto m... muito. Eu me atrasei — Sakura começou a gaguejar, sentindo-se ridícula e envergonhada. Ele pensava que ela havia roubado seu carro, e ela ainda queria se desculpar pelo atraso.
– Atrasar-se é um erro que deve ser punido por sua própria consciência... — ele concordou, fingindo formalidade. — Mas roubo é um crime passível de prisão...
Talvez fosse o modo como ele a fitava, com olhos que pareciam duas lanças de gelo, sem qualquer sinal de emoção humana, mas Sakura sentiu seu sangue congelar. Estava chocada e assustada.
Prisão! Sabia que o pavor estava visível em seu rosto, e foi apena só orgulho que a impediu de gritar alto.
Enquanto procurava algo para dizer, o toque de um celular se fez ouvir insistente. Como se de repente estivesse observando uma cena a distância, Sakura viu a mudança na expressão do homem que deveria ser o seu futuro patrão, ao retirar o telefone do bolso e atender ao chamado.
Com facilidade, Sakura pôde entender o que dizia, sentindo a ansiedade crescer rapidamente dentro de si. O homem fazia perguntas sobre o bebê e orientava seu interlocutor a chamar o médico imediatamente.
O que teria acontecido?
Sasuke desligou o telefone preocupado. Nunca julgara que a babá escolhida pela mãe de Aya fosse uma pessoa apta a cuidar de um bebê tão pequeno. Lerda e impaciente, ela não tinha nenhuma vocação para aquilo, mas era no momento a única pessoa com quem ele podia contar.
O palazzo estava a uma hora de distância de carro, e Sasuke não tinha mais tempo a perder com um acidente bobo no qual ninguém havia se machucado.
No currículo de Sakura estava escrito que ela tinha experiência como enfermeira em um hospital local. Pois bem, devia levá-la o quanto antes para ver Aya. Sabia que sua teimosia o levaria a valorizar mais o cuidado que Sakura tivera com a jovem que a acompanhava do que qualquer outro motivo pelo qual racionalmente deveria deixar de contratá-la.
Sasuke realmente não imaginara que ela pudesse ser tão desejável! Sua reação a ela o pegara totalmente de surpresa. Tinha esperado encontrar uma jovem como aquelas que conhecera na universidade em Londres, produzidas e sem graça, com um jeito libertino. Por ironia do destino, agora era ele quem mal podia manter sua própria libido sobre controle.
Sasuke odiava ser pressionado pelos acontecimentos, mas naquele momento não queria analisar sua decisão. Acima de tudo, estava sua preocupação com Aya, disse a si mesmo. Além disso, podia perfeitamente controlar o desejo que Sakura lhe despertava, mas a doença da bebê, não.
– A que horas você disse que parte o seu vôo? — ele perguntou. Com o rosto pálido, Sakura olhou para ele. Que tipo de homem... que tipo de pai seria, para priorizar um tolo acidente de carro à saúde de sua pequena filha? Se estivesse no lugar dele, a última coisa que faria seria ficar ali parado, preocupando-se em resolver a situação com a polícia. Afinal, ninguém havia se ferido.
Que grande mentira o mito de que os homens italianos eram pais maravilhosos, que adoravam e protegiam seus filhos!
Instintivamente, Sakura teve vontade de castigar o homem pela sua negligência, de mostrar a ele o que sentia naquele momento como profissional, como uma vítima inocente de um delito que não cometera e, acima de tudo, como mulher. Uma mulher que não se permitido reagir a ele de um jeito que jamais se repetiria!
Ignorando a forte dor de cabeça que sentia, ela o acusou ferozmente. — O pobre bebezinho! Como pode estar mais preocupado com uma droga de carro do que com ele? — ela investiu, enquanto sentia seus olhos se encherem de lágrimas.
Não tinha nenhuma vergonha de mostrar sua sensibilidade, não importava o quanto ele pudesse utilizar-se disso para pisoteá-la.
– Pensei que os homens italianos fossem pais extremosos! — ela continuou em tom de ironia, incapaz de controlar-se. — Mas no seu caso, parece que o amor pelo carro supera a preocupação com a saúde de seu bebê.
Alguma coisa faiscou no olhar dele, um tipo de emoção que Sakura não pôde definir, mas quase como se a explosão dela, de alguma forma,o houvesse agradado! Mas quando ela o fitou com mais atenção a expressão já desaparecera.
Dando-lhe as costas, ele pegou novamente o celular e passou a dar algumas instruções para alguém. Quando terminou, voltou-se para ela e falou secamente:
– Você irá comigo para o palazzo. Sua amiga será escoltada até o aeroporto e acompanhada até a hora de embarcar.
Sakura encarou-o, mal acreditando no que ouvira. Ele a levaria para sua casa. Mas por quê?
Estava chocada, amedrontada e tomada por uma sensação que não sabia definir mas que era forçada a reconhecer que parecia se tratar de um outro tipo de emoção perigosa, que fazia com que o sangue corresse rapidamente em suas veias.
Será que o sol da Itália havia afetado seu cérebro, fazendo com que o calor emocional daquele povo a contagiasse? Com certeza, não havia outra explicação razoável para a excitação que aquecia todo o seu corpo. Aquele homem não possuía nenhuma das virtudes que ela valorizava, nenhuma delas, insistiu firmemente consigo mesma.
– Você não pode me obrigar a ficar na Itália. — ela avisou.
Estava quase agradecida por não ter tido a oportunidade de ser entrevistada. Não haveria mesmo a menor chance de que pudesse trabalhar para ele. Aquela arrogância a enfurecia e a afastava, ao mesmo tempo que lhe despertava emoções desconhecidas. Ficava atordoada, confusa, perigosamente perto de perder a cabeça.
Sua primeira reação deveria ser a de correr para longe e colocar-se a salvo. Não gostava dele. Nem um pouco. E o que percebera a respeito de suas atitudes para com o bebê fizera com que tivesse ainda mais raiva dele.
Subitamente, Sakura lembrou-se da criança. Tudo que sabia do emprego era que seria contratada para cuidar de um bebê que perdera a mãe recentemente e que precisava de uma presença feminina constante e amorosa em sua vida.
Interessara-se muito, sabendo que poderia dar à criança todo o amor que necessitasse. Naquele momento, tendo conhecido a frieza do pai, seus sentimentos se intensificaram. Com certeza o bebezinho precisava muito de alguém que o amasse.
– Não pode nos forçar a nada! — ela retrucou impetuosamente.
– Ah, não? — Sasuke foi ainda mais seco. — Você tem duas opções, Srta. Haruno: Ou vem comigo neste instante, ou você e sua amiga enfrentarão as conseqüências pelo acidente que provocaram.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa em sua defesa, Sakura ouviu o pedido apavorado de Hana:
– Por favor, Sakura... Faça o que ele diz! Não posso suportar a idéia de ir para a cadeia.
Quando a ouviu falar, Sakura percebeu que na verdade não havia mesmo outra opção. Não havia nenhum ponto para se apoiar e dizer que o homem a sua frente estava apenas blefando.
Um confortável veículo de quatro portas subitamente estacionou atrás da Ferrari vermelha. O motorista saltou e dirigiu-se rapidamente a eles.
Ouvindo o breve diálogo em italiano entre os dois homens, Sakura percebeu que o recém-chegado trabalhava para o Sr. Uchiha e que este havia lhe dado instruções para acompanhar Hana ao aeroporto, enquanto ele e Sakura se dirigiriam ao palazzo.
– Sua bagagem será levada diretamente do hotel para o palazzo. — ele informou a Sakura, sem se importar se ela concordava com aquela decisão.
Mas claro, por que deveria? Devia ser óbvio para ele que ninguém contestaria uma ordem do Uchiha.
Havia pouco o que fazer. Sakura conversou rapidamente com Hana, já sóbria e parecendo sentir-se culpada.
– Desculpe, eu não quis...
– Shh! Está tudo bem. — Sakura sussurrou, tentando acalmá-la mas avisando gentilmente: — Acho que não será uma boa idéia contar isso a Ino.
A última coisa que queria era que sua amiga ficasse preocupada, especialmente naquele momento em que a amiga dissera que ela e Gaara estavam planejando ter um bebê.
Houve apenas tempo para que as duas trocassem um breve abraço, e então Sakura foi conduzida ao carro por seu novo patrão.
Estranhamente, Sakura tinha a impressão de que a mão que ele colocou em seu ombro fazia mais do que guiá-la. Podia sentir a força dos dedos másculos em sua pele e, também podia dizer, pela proximidade com que a mantinha a seu lado, que ele a estava guardando... Como se fosse uma prisioneira!
Todo o seu corpo estava dolorido em conseqüência do choque. Sentia-se fatigada com o calor do sol em sua cabeça, e pior ainda com tudo o que acontecera. Mas de forma alguma ela demonstraria algum sinal de fraqueza enquanto estivesse próxima àquele homem.
Não fosse por Hana e pelo pobre bebê, ela certamente não permitiria que ele a dominasse daquela forma. Ele era tudo o que mais detestava em um homem. Tudo o que desprezava.
Arrogante, seguro demais de si mesmo, fechado em sua imponência... e sexy como nenhum outro que ela tivesse conhecido.
Não pôde resistir ao impulso de olhar demoradamente para ele, enquanto dirigia. Mas logo arrependeu-se, quando ele se virou inesperadamente para ela, fazendo com que seu rosto corasse até as orelhas e seu coração negasse com firmeza o que estava sentindo.
Em vão, Sakura tentou se concentrar na paisagem, e não em seus sentimentos.
Ele era mais alto que ela, mais imponente. Orgulhoso e soberbo, a frieza de sua expressão marcava a perfeição de seu rosto. Em contraste, ela se sentia pequena e insignificante, sobrepujada por ele. Pareciam um centurião romano e sua presa.
Um longo arrepio de uma emoção que não estava preparada para nomear percorreu a espinha de Sakura.
Continua...
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