A Pequena Uchiha
6 Médico
Notas iniciais
Brincando com Aya em cima de um acolchoado que estendera no chão, Sakura refletiu que na verdade não se arrependia de ter assinado aquele contrato.
A menina gargalhava quando ela lhe fazia caretas, e não havia nada no mundo que se comparasse àquela felicidade!
Sakura estremeceu ao lembrar-se do episódio que se passara no escritório. Como podia ter se comportado daquela maneira ela não sabia, mas ficara claro que era capaz de sentir emoções que até então não conhecia. O melhor seria afastar as lembranças de sua mente. Para bem longe.
Mas conseguiria fazer isso?
Não havia outra opção, disse a si mesma firmemente. Para o bem de Aya, e também para o seu próprio. Havia passado toda a manhã brincando e cuidando de Aya. Queria que se acostumasse com ela e se sentisse segura. Ao mesmo tempo, ela também ia se adaptando ao seu novo espaço de trabalho.
As gavetas cheias de roupinhas caras de bebê a haviam deixado sem fôlego. Eram lindas, mas todas pareciam roupas de festa. Sakura não encontrara um moletom, um macacão, nada que um bebê pudesse usar para engatinhar no chão ou rolar nas almofadas. E o que mais a irritava era que todas as roupas pareciam novas, como se Aya nunca tivesse feito nada disso. Será que não havia ali uma única alma que tivesse um mínimo de experiência com bebês?
Na verdade, tudo no quarto da menina parecia novo. Os brinquedos caríssimos em cima das prateleiras eram maravilhosos, mas pareciam intocados. E não havia nada que Aya pudesse morder com os dentinhos que estavam despontando!
Perto da hora do almoço, Madalena veio avisar que preparara uma refeição leve, já que Sasuke a havia informado de que jantariam fora.
Jantar fora? Com Sasuke? Trêmula, Sakura tentou digerir a informação sem fazer qualquer comentário.
– Não vi Kyoko essa manhã. Você sabe onde ela está?
– Provavelmente em Roma, a esta hora. — a governanta respondeu secamente. — Ela desceu as escadas e telefonou para o namorado. Quando desligou me disse que não ficaria aqui nem mais um minuto.
Na realidade, Sakura não ficara surpresa por a garota querer ir embora. Ela já tinha lhe falado sobre como a tranqüilidade do palazzo a irritava e como preferia mil vezes o movimento da cidade. E havia ficado óbvio de que ela não tinha uma forte ligação com Aya. Madalena continuava a falar:
– Não que ela seja uma má pessoa. Apenas não era adequada para esse trabalho. Mas conhecendo quem a contratou... — Sua expressão era de desaprovação.
– O acidente deve ter sido um choque para todos vocês. — Sakura disse gentilmente, com tato.
A governanta deu de ombros.
– Para falar a verdade, nós não a conhecíamos bem. Ela não gostava do palazzo, também preferia Roma. E então, quando veio aqui... bem, tudo o que vimos foi que ela saiu muito nervosa, gritando que nunca quisera a criança e que ela estava arruinando sua vida. Que tipo de mãe era essa, que deixava seu bebê assim eu lhe pergunto? — A governanta parecia indignada.
– Aya tinha pai e mãe.
Sakura não se conteve. A governanta estava com certeza pintando um retrato pouco agradável da esposa de Sasuke, mas sempre havia dois lados da história, lembrou a si mesma. Quem poderia saber o que a levara a agir de um modo tão irresponsável?
– Hum... O pai era tão ruim quanto a mãe.
Sakura mal podia acreditar no que ouvia. A última coisa que esperava era que a governanta criticasse o próprio patrão, e justamente para ela, uma empregada nova na casa.
– Não sabe o quanto é bom que esteja aqui. A pobre menina precisa de alguém que tome conta dela direito. Tenho certeza de que Aya não sentirá nenhuma falta de Kyoko.
*...*...*
Quando a reunião terminou, Sasuke abriu sua maleta e retirou uma carta que havia chegado antes de ter partido para a cidade. Já a lera, mas sentia necessidade de ler mais uma vez.
Era de Pauline Levinsky, a mulher para quem Sakura trabalhara antes de vir para a Itália. Sasuke escrevera para ela com o objetivo de checar suas impressões sobre Sakura.
A carta começava com um pedido de desculpas por não ter respondido antes, explicando que ela havia se mudado recentemente para Nova York e que a carta tinha demorado a chegar ao destino final.
Mas que resolvera responder-lhe para alertá-lo de que, embora Sakura houvesse cuidado com muito carinho e responsabilidade de seus dois filhos, descobrira que andara dormindo com seu marido. Dizia que sabia que para garotas modernas fazer sexo não tinha maior valor do que uma perto de mãos, que era apenas uma diversão, nada além da cama e com quantos homens aparecessem. Contava que achava que o marido não fora o único e que embora não tivesse nenhuma reclamação quanto ao tratamento que dispensara a seus filhos, achava que Sasuke deveria saber desse seu "outro lado".
Mas agora, era tarde demais para que ele voltasse atrás. Aya precisava demais de Sakura para que ele a despedisse. Talvez a relação tivesse significado mais para Sakura do que Pauline Levinsky acreditava... Talvez ela tivesse mesmo se apaixonado pelo marido da outra mulher...
Irritado, Sasuke ficou pensando por que tinha de ser tão mais apegado a valores morais que seu falecido primo. Sofria muito quando pensava em Kakashi. Depois da morte dele e de Rin, fora até o apartamento deles, pegar os pertences de Aya. O berço da menina ficava em um quarto pequeno, suas poucas roupas estavam sujas e jogadas no chão, o guarda-roupa estava abarrotado com os vestidos da moda de Rin, mas não havia nada da criança. Desgostoso com o que encontrara e com a aparente falta de cuidado com Aya, ele havia ido diretamente a uma das lojas mais elegantes de Roma, para montar um novo enxoval para a garota.
Como teria sido sua vida ao lado dos pais?
Sasuke perguntou-se novamente o que teria acontecido se não tivesse chamado o casal para ir ao palazzo naquela noite fatídica. Não havia como não se sentir culpado. Mas havia alguém que devia se sentir ainda mais culpada que ele. A mãe de Rin. Yumi ficara furiosa com o anúncio do casamento. Sasuke a encontrara pela primeira vez em uma festa que Kakashi e Rin deram quando voltaram da lua-de-mel. Yumi dissera a Sasuke que eles haviam arruinado seus planos de levar Rin para Los Angeles onde havia um produtor interessado em oferecer a ela um papel em seu próximo filme.
Sasuke achava realmente uma pena que ela não tivesse levado a filha a tempo para Los Angeles, antes que seu primo tão sugestionável aconhecesse. Yumi deixara transparecer para Sasuke que considerava que a única qualidade que seu primo tinha era o fato de ser rico.
Ela era, na opinião de Sasuke, uma daquelas mulheres que ficam tentando reescrever a própria história a partir da vida das pobres filhas.
O sonho de ser atriz era dela e não de Rin. Fizera de tudo para que a filha interrompesse a gravidez. Apenas a intervenção de Sasuke, assumindo total responsabilidade pelo sustento financeiro do bebê, persuadira Rin a levar a gravidez adiante. E por isso ele fora designado para assumir a guarda temporária do bebê.
Quando estava saindo da cidade, Sasuke resistiu à tentação de telefonar para casa para saber como estava Aya. Não queria que Sakura pensasse que a estava controlando... ou talvez não quisesse se expor ao prazer de ouvir sua voz.
Era muito tarde também para que ele se arrependesse. Devia ter pensado melhor antes de convidá-la a entrar em sua vida e dominar, mesmo sem saber, seus pensamentos. Mas a principal preocupação dele era com o bem-estar de Aya. Aliás, essa era sua única preocupação. Jamais se permitiria prejudicar a segurança que Aya teria com a presença de Sakura.
E além do mais, mesmo que houvesse sido tolo o suficiente para se permitir dar vazão à atração que sentia por ela, a carta da ex-patroa acabara com esse sentimento. A única razão pela qual cancelara a reunião para voltar mais cedo para casa era pelo bem de Aya.
Como seu guardião, tinha de garantir que ela estivesse sob os cuidados da melhor pessoa que pudesse encontrar.
*...*...*
O jardim que podia avistar da janela parecia bastante tentador para Sakura, e ela resolveu descer para explorá-lo. Os bebês, em suao pinião, precisavam respirar o ar fresco. Era importante proteger bem a pele da pequena do sol forte, mas a fora isso, um passeio lhe seria muito indicado.
Sakura encontrara um carrinho de bebê novinho. Ao que parecia, nunca havia sido usado, o que a deixou novamente irritada. Aya tinha já seis meses!
Depois de trocar a fralda da menina e vesti-la, seu prazer foi enorme ao ver que ela espontaneamente lhe estendia os bracinhos para que a pegasse no colo. Após sofrer um pouco para descer as escadas com o carrinho, Sakura finalmente conseguiu sair.
Aya parecia muito feliz no carrinho que Sakura guiava pelos caminhos de pedra que cortavam os gramados. Enquanto andava, comentava com o bebê tudo o que viam.
– Olhe, Aya! — ela disse, posicionando melhor o carrinho em direção ao que estava apontando. — As flores!
Erguendo-a do carrinho, ela a levou para bem perto da roseira, inalando ela própria seu perfume, sorrindo quando a menina pareceu tentar imitá-la, os olhos bem abertos, atenta.
Virando-se para colocar Aya de volta no carrinho, percebeu que não estavam sozinhas. O médico havia chegado sem avisar e estava a observá-las.
– Que cena mais linda! — Ele a cumprimentou com um galante gesto à moda antiga, sorrindo. — Desculpe-me se a assustei. Pensei em ligar para saber como estava nossa pequena, mas acabei resolvendo vir pessoalmente. Agora percebo que minha visita foi desnecessária.
Com algum desconforto, Sakura admitiu para si mesma que estivera à espera de que Sasuke ou o doutor aparecessem inesperadamente, para ver como estava cuidando de Aya. Apesar disso, naquele momento sentia-se grata pelo profissionalismo do médico.
– Ela parece mesmo bem. A temperatura está normal e ela tomou toda a mamadeira. Queria começar a dar a ela algo mais substancioso, mas acho que ainda é cedo. E ainda não conversei com Madalena sobre legumes frescos... Acho que só devemos dar alimentos orgânicos para bebês.
– Sasuke vai aprovar seu ponto de vista. — o médico lhe disse de modo afetuoso. — Ele é um pai muito melhor para essa criança do que... — ele interrompeu o que ia dizer. — Ah, aí vem ele. Estávamos falando de você. Sasuke!
Percebendo pelo tom de voz do médico que ele já estava bem próximo deles, Sakura sentiu o rosto corar e o coração bater descompassado. O calor, que cinco minutos antes lhe parecera razoavelmente suportável, naquele momento fazia com que mal pudesse respirar. A dor de cabeça do dia anterior, embora houvesse melhorado, ameaçava tornar-se mais forte naquele momento.
– Ah, Sasuke! — O pediatra se dirigiu ao Uchiha. — Fui privilegiado por poder presenciar a cena a que assisti há pouco. A sua encantadora Sakura estava mostrando a Aya uma de suas rosas.
"Sua encantadora Sakura"... O doutor era mesmo inconveniente.
Envergonhada, Sakura apressou-se a explicar:
– Enquanto Aya não sabe andar, temos de mostrar tudo a ela... O perfume das flores...
– Elas foram plantadas por minha mãe. Ela adorava o perfume das rosas.
Aya abriu um sorriso quando viu Sasuke. Dando gritinhos, agitada, ela estendeu os bracinhos para ele, mostrando claramente que queria que a pegasse no colo. Sakura ficou um tanto surpresa quando Sasuke não hesitou, tirando-a do carrinho.
Por alguma razão, o modo como a aconchegou contra o peito fez com que Sakura sentisse um nó na garganta. Ele era a imagem perfeita de um pai amoroso.
– É ótimo ver que nossa pequenina pode novamente ter alegria depois de tudo que passou. — O médico disse, balançando a cabeça satisfeito. — Foi uma sorte ela não estar no carro. Subitamente ele se interrompeu, e colocou a mão no braço de Sasuke.
– Desculpe-me, meu amigo, eu o estou perturbando. Sei que perdeu alguém que amava muito nessa tragédia.
Sakura não sabia mais em quem acreditar. De acordo com tudo que ouvira até então, Sasuke estava a ponto de se divorciar da esposa quando tudo acontecera, mas o médico dizia que ele a amava?
Sakura não queria entender o porquê de haver sido tomada por um sentimento tão desconfortável. Mas não podia evitar. Estaria com ciúme? Ciúme de uma mulher que havia morrido porque... porque o quê?
Melhor não entender, seu instinto de autoproteção falou mais alto.
De repente, consciente de que Sasuke a observava, virou-se rapidamente para mexer no carrinho. Foi então que sua vista ficou turva e uma horrível sensação de fraqueza a acometeu.
O suor frio era uma indicação clara de que estava prestes a desmaiar. Seu primeiro pensamento foi de que não estava segurando Aya, e o segundo, e último, foi de que Sasuke iria presenciar sua fraqueza.
Quando voltou a si Sakura estava deitada em um dos bancos do jardim, sob a sombra de uma árvore. O médico estava a seu lado, sorrindo, enquanto Sasuke, de pé, os observava com um olhar severo. Ansiosa, Sakura procurou por Aya.
– Aya? — ela balbuciou com a voz trêmula.
– Está segura no carrinho. — o médico a tranquilizou. — Sasuke a colocou lá antes de carregar você para cá. Como se sente? Você nos deu um susto!
– Eu... estou bem. — Sakura respondeu. — Acho que devo ter ficado muito tempo sob o sol forte.
– Deve ter sido isso mesmo. — O médico concordou. — Mesmo assim... — Ele fez uma pausa e olhou na direção de Sasuke.
– Contei ao doutor sobre o acidente de ontem. — Sasuke falou.
– Me preocupa que você possa ter sofrido algum traumatismo.
Traumatismo! Sakura olhou para ele sem poder acreditar.
– Eu trabalhei em um hospital. — ela lembrou. — E acho que saberia se tivesse tido um traumatismo. Tenho certeza de que foi só o calor.
Uma sobrancelha de Sasuke se levantou em uma expressão irônica.
– E com a experiência que você tem em cuidar de crianças, devia ter percebido que o sol está muito forte. E devia ter feito alguma coisa a respeito, como colocar um chapéu pelo menos! — ele observou secamente. — Acho que o melhor é fazer alguns exames. O doutor estava mesmo indo para o hospital e vai levar você.
Hospital? Sakura olhou para os dois com os olhos arregalados.
– Não, não é necessário. — ela protestou teimosa. — Não posso ir para o hospital. Quem vai cuidar de Aya?
– Eu vou cuidar dela. — Sasuke informou. — E se você não quiser ir, eu, como seu patrão, tenho o direito e o dever de insistir para que vá, nem que eu mesmo tenha de levá-la. — ele avisou, de um modo que não deixava dúvidas quanto a sua autoridade.
– Sasuke tem razão em preocupar-se. — o médico interveio gentilmente, confirmando o que ela já antecipara. — Você pode ter certeza de que o acidente não teve conseqüências, mas é melhor nos certificarmos. Infelizmente, os sintomas causados por um traumatismo podem ser similares aos de uma queda de pressão pelo sol forte, pelo menos no início. Como médico, também me sinto na obrigação de insistir para que vá ao hospital fazer os exames e assim tranquilizar a todos.
Depois disso, como ela poderia se recusar? Não lhe restava alternativa se não acompanhá-lo.
– Consegue andar até o meu carro? — ele perguntou educadamente. Pelo canto do olho, Sakura pôde ver que Sasuke a observava, franzindo o cenho.
– Estou perfeitamente bem. — respondeu com confiança.
Nesse momento, Aya começou a chorar, atraindo a atenção dos três, que automaticamente olharam para o carrinho, mas foi Sakura quem se aproximou primeiro. Sasuke rapidamente colocou-se na frente dela.
– Fique onde está. Quer desmaiar de novo? Eu cuido de Aya. Espere aqui que vou levá-la até o carro, para me certificar de que chegará lá inteira.
Seu tom de voz enfureceu Sakura. Foi como se, em uma frase ele questionasse seu profissionalismo, sua capacidade de julgamento, seu...
Antes que pudesse se conter, viu-se dizendo:
– Vá cuidar dela, então... Do jeito como estava cuidando antes que eu chegasse. Deixando-a à mercê de uma menina sem experiência e sem um pingo de paciência e carinho, e que por ignorância estava deixando-a com fome, sem se importar...
Horrorizada, ela se calou. Quais quer que fossem suas opiniões, ela não tinha nenhum direito de torná-las públicas. Em circunstâncias normais jamais faria aquilo, mas havia algo em seu novo patrão que a irritava de um jeito que nunca ninguém havia feito antes.
Estava quebrando todas as regras que sempre adotara em sua profissão. Manter uma distância formal entre ela e o patrão, por exemplo, não permitir que as emoções lhe fugissem ao controle e regessem suas atitudes.
Sakura sabia disso, mas mesmo assim não conseguia se controlar.
Com um rápido olhar por sobre o ombro, ela percebeu que o médico felizmente estava longe demais para ouvi-la. Mas Sasuke parecia tê-la ouvido muito bem.
– Se está querendo dizer o que eu acho que está. — ele começou com uma voz perigosamente controlada. — Deixe-me assegurá-la de que a única negligência que cometi em relação a Aya foi contratar você. — ele disse sem meias palavras.
Sakura sabia que seria mais sensato calar-se, deixar que o assunto morresse, mas sua irritação era tão grande que se ouviu acusando:
– Nem roupas adequadas ela tem! Só tem vestidos com rendas e babados e outras roupas de festa. Não tem uma única camiseta de algodão, uma única calça de moletom. Parece que quem as comprou não se deu ao trabalho de escolher...
Ela parou quando percebeu o jeito como Sasuke a olhava.
– Não tive opção. As coisas que ela tinha... — Ele fez um movimento com os ombros, desgostoso. — Rin não era a melhor das donas de casa... Ou das mães. Se em minha inexperiência não dei a Aya o que ela precisava, felizmente isso pode ser rapidamente corrigido. Enquanto isso, se você me fizer a gentileza de ir com o doutor...
Colocando-se entre ela e o carrinho, Sasuke esperou que o médico se aproximasse deles.
– Já o atrasamos bastante, doutor. — desculpou-se. — Vamos colocar a Srta. Haruno a salvo em seu carro, para que o senhor possa voltar ao hospital. Será que pode me ligar quando tiver os resultados dos exames?
Estava na ponta da língua de Sakura dizer que ela não permitiria e nem precisava que ele tomasse conta de sua saúde, mas já havia falado mais do que devia. A última coisa que queria naquele instante era parecer ainda mais petulante e infantil do que já fora.
Depois que caminharam devagar até o carro, Sakura teve vontade de dar um beijo em Aya para se despedir. Como se lesse seus pensamentos, Sasuke tirou o bebê do carrinho e aproximou-a de Sakura para que se despedisse.
Aquele era realmente um homem difícil de se entender. Arrogante e frio num segundo, e tão cuidadoso e sensível no outro.
Tentando ignorar os braços fortes do pai que segurava a pequena, e o fato de que o perfume masculino se sobre punha à colônia infantil, Sakura se inclinou e beijou-lhe ternamente o rostinho, murmurando carinhosamente seu nome ao fazer isso.
– Não se preocupe querida, vou voltar logo. — Ela própria estava preocupada, entretanto, e sua expressão demonstrava isso quando olhou para Sasuke.
– Quem vai dar a mamadeira para ela? Ainda tem um pouco na geladeira, mas Kyoko foi embora e...
– Sou perfeitamente capaz de preparar o leite e colocar na mamadeira. — Sasuke assegurou secamente. — Não será a primeira vez que faço isso, posso lhe garantir.
– Você não vai deixá-la agitada, vai? — Sakura não se conteve. — Deixe que tome em seu ritmo, e...
– Não vou apressá-la. Sasuke já estava se afastando dela.
Infeliz, Sakura fechou a porta do carro. Sasuke era seu patrão e naquele momento ela tinha de fazer o que ele decidia, mesmo que não concordasse ou achasse necessário.
A última coisa em que pensou quando o médico pôs o carro em movimento foi que pelo menos se livrara do jantar com Sasuke!
Continua...
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