Notas iniciais
Oý ^^ Desculpem pela demora. Ontem não deu para postar! Agradeço pelo comentários e Boa Leitura!

Quando o médico trouxe o resultado de seus exames, Sakura desejou que Sasuke estivesse ali. Apenas para lhe dizer: "Eu não falei?".

De fato, haviam chegado à conclusão de que a exposição ao sol muito quente é que causara o mal-estar. Mas o que ela mais queria na verdade era poder voltar para o palazzo e ficar junto de Aya.

Entretanto, o médico a informou de que Sasuke insistira para que ela passasse a noite no hospital.

– Mas foi só o calor! — Sakura protestou.

– Quando se testemunha a devastação causada por um acidente de carro, como aconteceu com Sasuke, talvez se possa compreender o fato de ele querer se assegurar de que você não sofreu nada.

O tom gentil com que o médico a repreendeu não deixou a Sakura alternativa se não a de se calar. Também por insistência do Uchiha, ela ficaria num quarto particular no hospital.

Na manhã seguinte, enquanto se vestia para ir embora, Sakura se perguntava como iria voltar ao palazzo. Sasuke mandaria alguém buscá-la ou teria de ir sozinha? Claro que não esperava que o médico a levasse, ocupado como era.

Quando ouviu a porta do quarto se abrir, pensou que fosse a copeira que viera recolher a louça do café da manhã.

– Entre!

Para seu constrangimento, quem apareceu à porta foi Sasuke.

Grata por estar adequadamente vestida, Sakura perguntou:

– Onde está Aya?

– Está aqui comigo! — Sasuke exclamou, abrindo totalmente a porta para que Sakura visse a pequena confortavelmente acomodada em seu carrinho.

Para alegria de Sakura, Aya imediatamente a reconheceu, e abriu um grande sorriso para ela. Sakura notou que ela estava vestida com roupas imaculadamente limpas. Parecia uma coelhinha fofa!

Caminhou até ela sorrindo, quando Aya lhe estendeu os braços. Libertando-a do cinto do carrinho, Sakura pegou-a no colo e perguntou ternamente:

– Quem é essa garotinha linda e perfumada, hein? Você tomou direitinho sua mamadeira? Deixe ver o dentinho que está nascendo...

– Nem precisa vê-lo, tenho provas de que já nasceu. — disse Sasuke, indicando uma pequenina marca de mordida em seu dedo.

Sakura não pôde se controlar e caiu na risada.

– Você ri, não é? — Sasuke falou, fingindo estar bravo. — Pois saiba que esse dentinho é afiado!

Foi apenas naquele instante, vendo o bebê, que Sakura percebeu o quanto se preocupara com Aya. Havia acordado muitas vezes durante a noite, agitada. Sentia-se aliviada e agradecida a Sasuke por tê-la trazido.

– Obrigada. Eu estava tão preocupada...

O olhar mal-humorado que Sasuke lhe dirigiu quando disse isso a deixou chocada. O que ela havia dito que o deixara tão zangado? Como babá de Aya tinha todo o direito de ficar preocupada com ela. Ou não? Afinal, não fora para isso que ele a contratara? Talvez estivesse com ciúme... Com medo de que a menina se afeiçoasse demais a ela.

Irritado, Sasuke pensava na facilidade que Sakura tinha para tocar seu coração. Pelo curto período de tempo em que Rin vivera com Aya, nunca a vira expressar preocupação com seu bebê. E ali estava Sakura, que mal a conhecia, mostrando-se tão apreensiva em relação ao que acontecia com a garota.

Fora contratada para isso, ele disse a si mesmo com severidade.

Por essa única razão. Assim como a única razão pela qual ele estava ali, ao invés do motorista, era Aya.

– Você mencionou que Aya precisava de algumas roupas. Já que o médico disse que você está bem, talvez possamos ir a Florença agora de manhã e escolher algumas peças, o que você achar mais adequado.

Será que ela fora tola o suficiente para imaginar que ele havia vindo buscá-la por alguma razão pessoal?

Aquela seria uma lição dura de aprender. Mas de todo modo, por que deveria se importar? Sasuke não significava nada para ela. Ela nem mesmo gostava dele.

*...*...*

Uma hora depois, balançando a cabeça ao rejeitar mais um modelo em uma loja de confecções para bebês, Sakura já se sentia irritada com aquela quantidade de modelos lindíssimos e sem a menor praticidade para um bebê pequeno.

Enquanto caminhavam pela rua, cruzavam apenas com mulheres italianas, elegantes, bem vestidas. Sasuke, é claro, também estava impecavelmente vestido.

Pai e filha formavam claramente um par, enquanto ela... Começava a se sentir mal em sua roupa simples e fora de moda.

– Melhor voltarmos logo para o palazzo. — disse a Sasuke. — Aya logo estará com fome.

– Eu sei. Trouxe duas mamadeiras comigo. Estão aqui. — ele respondeu, indicando a sacola acolchoada atada ao carrinho.

Sakura não conseguia conter o mau humor. Além de tudo, ele ainda queria usurpar seu papel. A pergunta sobre como havia preparado aquelas mamadeiras estava na ponta de sua língua, mas de algum jeito ela conseguiu se controlar. Aya era filha dele, lembrou a si mesma, e deveria sentir-se grata por ele ter tido pelo menos a preocupação de providenciar as mamadeiras.

– Acho que podemos andar mais meia hora e depois parar um pouco para descansar. — Sasuke disse. — Há um hotel aqui perto e conheço o dono.

Claro que conhecia, Sakura pensou enquanto dobravam a esquina e se deparavam com uma grande feira de artesanato. Os olhos dela brilharam.

– Finalmente! Acho que aqui encontraremos o tipo de roupa de que Aya precisa.

Para sua surpresa, ao invés de imediatamente recusar-se a dar mais um passo. Sasuke acenou afirmativamente com a cabeça e começou a caminhar em direção à primeira barraca.

A feira estava muito movimentada, as pessoas se acumulavam em frente às barracas, nas quais se viam plaquetas de "preços de fábrica" e "liquidação". Havia uma infinidade de casaquinhos, sapatos, camisetas pintadas a mão. Muitos turistas, grupos com guias e até duas senhoras vestidas de um jeito extravagante se misturavam em uma ruela que seguia à direita, com inúmeras outras barracas.

Sakura estava quase virando quando sentiu a mão de Sasuke em seu braço. Virou-se, esperando ouvir a proposta de que voltassem e fossem fazer compras em outro lugar. Mas para sua surpresa, ele disse com firmeza:

– Este lugar é interessante e eu venho sempre aqui. Mas por favor, fique bem perto de mim, porque já vi muitas pessoas serem roubadas. Eu não gostaria que você fosse vítima de um ladrão.

Ele se preocupava com ela! Enquanto o ouvia, Sakura podia sentir o toque que queimava sua pele. Ficava sempre chocada com o modo como reagia a ele. Um simples toque e seu corpo todo parecia ferver!

Por azar, o fluxo intenso de pessoas naquele espaço apertado empurrou-a para cima de Sasuke, e ela foi obrigada a apoiar-se nele para não cair.

Um arrepio perpassou seu corpo quando sentiu que seu ventre se encostava ao calor das coxas dele. Cada ponto sensível de seu corpo parecia responder à proximidade de Sasuke com uma intensidade que nunca havia imaginado sentir.

Procurou não olhar para ele enquanto se afastava. Sabia que seu rosto estava corado e esperava que ele pensasse que se tratava apenas do calor do sol.

Rapidamente, Sakura continuou a caminhar pela rua, só parando quando ouviu a voz dele.

– Espere! Venha por aqui. — Sasuke orientou, conduzindo-a a uma das barracas.

A princípio, Sakura imaginou que ele houvesse visto uma barraca interessante de roupas de bebê, mas não. Ele a estava conduzindo a uma outra onde se viam os mais diversos tipos de chapéus.

– Você precisa de um destes. — ele disse com firmeza. — Quem sabe consegue proteger seu rosto desse calor.

Sakura concordou sem pestanejar. Mas ao olhar com cuidado para os chapéus, percebeu que nenhum deles era para ser usado em casa, no jardim. Eram caríssimos!

Como se percebesse imediatamente o que ela estava pensando, a dona da barraca começou a conversar com ela em inglês.

– Esse chapéus são de um dos mais famosos designers italianos. Ele tem uma fábrica não muito longe daqui, e estes são...

– Amostras. — Sakura completou em seu idioma pátrio, percebendo que a mulher não conseguia encontrar a palavra. Traduziu então o que dissera para o italiano.

– Oh, você fala italiano?

– Sim. E esses chapéus são lindos, mas são muito caros para mim. Receio que...

– Oh, mas experimente-os. — A mulher insistiu. — São de ótima qualidade, e eu garanto a você que valem o preço.

Antes que Sakura pudesse interrompê-la, já estava com um chapéu firmemente colocado na cabeça. Um modelo leve, de palha naturalmente colorida, flexível como se fosse feito de tecido. Quando Sakura olhou-se no espelho, foi forçada a concordar que o chapéu parecia ter sido feito para ela.

A moça começou a enumerar as várias qualidades do chapéu, e Sakura fazia gestos negativos com a cabeça. De repente, Sasuke se adiantou e decidiu:

– Nós vamos levar esse.

Ele já estava tirando o dinheiro da carteira quando a vendedora tentou persuadi-lo de que Aya também precisava de um chapéu.

– Para ficar bonita como a mamãe! — ela exclamou.

Mamãe! Sakura tentou desviar o olhar, mas ele acabou se cruzando com o de Sasuke.

O que estava acontecendo que fazia com que seu coração ficasse apertado e doesse tanto? Um desejo secreto de que Aya, a quem ela já amava tanto, fosse sua filha... Ou um desejo ainda mais secreto de que Sasuke fosse o pai de seu filho?

Como ela podia ter tais pensamentos? Aquela dor de cabeça havia causado mais danos do que ela pensara. Essa era a única explicação para que ela estivesse deixando que aqueles pensamentos florescessem.

Quando eles se afastaram um pouco da barraca, Sakura começou a procurar em sua bolsa o dinheiro para pagar a Sasuke.

– O que está fazendo? — ele perguntou, ao perceber seu movimento.

Quando Sakura lhe disse, ele parou de andar e franziu o cenho.

– O chapéu é um artigo necessário para o seu trabalho, e uma vez que trabalha para mim, eu pago por ele!

– Não, eu não posso deixar que faça isso.

– Não tem que deixar ou não deixar. — ele retrucou, segurando seu braço enquanto continuava. — Veja, ali tem uma loja com roupas de bebê.

Distraída, Sakura olhou para a direção que ele apontava. Cinco minutos depois, ela dizia entusiasmada:

– Esse é exatamente o tipo de roupa que ela precisa.

– Ótimo. Separe o que achar necessário.

Com cuidado, Sakura escolheu várias peças, balançando a cabeça negativamente quando Sasuke pegou um macacão.

– Não, essa cor não combina com ela.

O sorriso terno que curvou os lábios dele a pegou desprevenida.

Era dirigido a Aya, disse a si mesma, não a ela. Como poderia ser para ela?

– Tem certeza de que já é o suficiente? — Sasuke perguntou quando ela terminou.

– Tenho sim. Aya está crescendo, seria tolice comprar muita coisa.

Aya, que havia adormecido no carrinho, começava a acordar, e a experiência disse a Sakura que logo estaria com fome.

– Se aquele hotel que você mencionou não estiver muito longe. — ela começou a dizer a Sasuke enquanto ele pagava a conta. — Acho que é melhor irmos para lá.

Quando Aya ouviu a voz dela, virou-se para olhá-la, balbuciando, reclamando, para ser pega no colo. Alegremente, Sakura levantou-a do carrinho, dizendo:

– Já vai tomar sua mamadeira, querida.

Acomodando-a em seu ombro, Sakura voltou a andar pela loja.

Quando Sasuke se aproximou, percebeu que a pequena já se ajeitava para testar seu novo dentinho no pescoço de Sakura.

– Não, não, você não vai fazer isso, mocinha!

Ele apressou-se a levantá-la para impedir que Aya mordesse Sakura. O que as pessoas da loja estariam pensando? Será que percebiam que Sakura era apenas a babá de Aya ou pensavam que ela e Sasuke formavam um casal?

Irritada com o rumo que seus pensamentos insistiam em tomar, Sakura se perguntava o porquê daquilo. Já era ruim o suficiente que estivesse tão apaixonada por Aya, iria apaixonar-se por seu pai também?

Apaixonar-se por Sasuke? Ela? Não, isso estava totalmente fora de questão. Quando se apaixonasse, seria por um homem com quem se sentisse à vontade, confortável, e não com um homem arrogante, com ares de galã de cinema, que tinha um casamento infeliz em seu passado, e cuja atitude para com a filha era...

Sakura percebeu que não sabia mais qual era a atitude de Sasuke para com Aya. Naquele momento, tratava-a tão naturalmente quanto um pai dedicado a sua filha.

– O hotel fica no final desta rua.

Percebendo que Sasuke a esperava para atravessarem a rua juntos, Sakura procurou deixar de lado os sentimentos e pensamentos perturbadores.

Quando entraram no hall do luxuoso hotel minutos depois, ela percebeu que estava atraindo mais do que um olhar de interesse e admiração de um homem que passava ao lado deles.

Sem na verdade se dar conta do que estava fazendo, Sakura instintivamente se aproximou um pouco mais de Sasuke e Aya.

Nesse instante, pôde ver que ele franzia o cenho.

Por que não queria que ela se aproximasse tanto?

Apesar de sua expressão, entretanto, não fez nenhum movimento para se afastar dela, e pouco depois colocou uma mão em seu ombro para apontar-lhe uma mesa a um canto, convidando-a a sentar-se e tomar um café.

Naturalmente, continuou dizendo-lhe que dali poderiam continuar a apreciar a rua movimentada, e teriam também uma bonita vista do rio.

– Temos de pedir logo que aqueçam a mamadeira de Aya. Preciso também trocar a fralda dela.

– Deixe por minha conta. — ele disse, antes de perguntar: — Você gostaria de tomar uma xícara de café antes de pedirmos o almoço?

– Seria ótimo. — Sakura concordou, concentrada em tirar Aya do carrinho e sentá-la com segurança entre sua cadeira e a janela.

Quando Sasuke retomou, Sakura estava conversando docemente com a menina, que parecia prestar toda a atenção no que dizia, o olhar fixo em seu rosto.

Ele parou por um segundo a observá-las, fazendo uma careta ao ter certeza do que não podia mais esconder de si mesmo. Seus filhos dificilmente seriam tão morenos, e ele tinha dúvidas se queria ou não que suas filhas herdassem os lábios rosados e convidativos da mãe... Se isso acontecesse, seria eternamente atormentado por cada rapaz que as visse, exatamente como se sentia atormentado naquele momento...

Sakura se virou e olhou para ele. Seu coração bateu ainda mais forte dentro do peito quando encontrou seu olhar. Por que Sasuke a olhava daquele jeito?, pensou intrigada. Como se... como se...

– Já conversei com o gerente, ele vai colocar um quarto a nossa disposição para que você possa cuidar de Aya quando terminar seu café.

Sakura tentou não parecer impressionada.

– Também pedi o café. — Sasuke disse, puxando uma cadeira e sentando-se ao lado dela.

Quando ele se inclinou para brincar com Aya sua coxa roçou na dela. O tempo pareceu disparar. Imagens explicitamente sensuais se formavam rapidamente na mente de Sakura, que ficou chocada com a vivacidade que tinham e com a intensidade do sentimento que as acompanhava. Ela nunca havia sentido aquele tipo de excitação por um homem, nunca havia se sentido tão estimulada sexualmente!

Como aquilo podia estar acontecendo? Em um momento ela o achava o ser mais antipático e desprezível do mundo. No outro, seu corpo todo tremia pelo despertar de um desejo sensual feminino. Tudo o que queria era tocá-lo, sentir sua boca, abraçá-lo.

O café chegou e Sakura mal percebeu o olhar de admiração que o jovem garçom lhe dirigiu. A força dos sentimentos que nasciam dentro de si era tão grande que prendia toda a sua atenção.

Como aquela incômoda transformação havia ocorrido? Que ela houvesse instantaneamente se apegado a Aya era até natural, compreensível, era um bebê que precisava de seu amor. Mas por que será que seu tolo coração ousava acreditar que também o pai dela poderia querer ou precisar de seu amor?

– Seu café está esfriando...

O modo quase crítico com que Sasuke falou a fez perceber o quanto estava sensível a qualquer variação de entonação dele.

– Aya deve estar com vontade de tomar a mamadeira. — ela procurou disfarçar sua distração.

– Deixe que eu a seguro. — Sasuke ofereceu. Em seguida chamou outro garçom e lhe deu instruções para que se apressasse com a mamadeira, aproveitando também para pedir o cardápio. — A porpeta com macarrão ao sugo é a especialidade deste restaurante. Mas se você preferir outra coisa... um peixe, ou...

– Não, não, peça o mesmo que vai pedir para você. Eu gosto de carne, de vez em quando. — Sakura assegurou-lhe, sorrindo quando do viu que o garçom já retornava com a mamadeira de Aya.

Pegando-a dos braços de Sasuke, ela acomodou-a confortavelmente em seu colo, sorrindo novamente quando ela começou a sugar ruidosamente o bico de borracha.

– Ela já está se alimentando muito melhor! — disse entusiasmada a Sasuke. — Os bebês são muito sensíveis às emoções da pessoas que estão a sua volta. Ela devia estar sentindo que Kyoko ficava muito aflita ao alimentá-la. E deve ter sentido muito também a falta da mãe. — acrescentou, a voz quase falhando quando percebeu que Sasuke também devia estar sentindo a falta da esposa, da mãe de sua filha. Madalena comentara que o casamento não corria bem, mas mesmo assim...

– Falta da mãe! Eu acho que não. — Sasuke respondeu prontamente, a voz transmitindo raiva e surpreendendo Sakura. — Rin nunca quis ter Aya, e depois que ela nasceu passava com ela o mínimo tempo possível. Chegou a pedir ao médico que adiantasse a data da cesariana para que não perdesse um evento de moda ao qual queria comparecer.

O desgosto na voz dele era evidente. Não, não havia mesmo mais amor entre o casal quando Rin falecera, Sakura teve certeza.

Por alguma razão seus olhos brilharam, cheios de lágrimas.

Piscando, ela passou o dedo carinhosamente pelo rosto de Aya, que sugava a mamadeira.

– Ela é tão adorável, tão preciosa... Eu não posso... — Sakura começou, mas não pôde continuar porque a emoção embargou sua voz.

Havia coisas que ela não devia dizer. Não seria justo nem mesmo com a mulher que estava morta e que não podia mais se defender. Além disso, Sasuke era seu patrão, e seria um atrevimento fazer qualquer comentário sobre sua vida pessoal.

O almoço foi servido, e Aya terminou de tomar a mamadeira.

Enquanto a colocava de volta no carrinho, Sakura viu que o garçom lhe servia vinho e arregalou os olhos. Ela não costumava beber no almoço, mas não havia por que fazer uma desfeita. Além disso, o vinho era maravilhoso, ela descobriu depois do primeiro gole. Os italianos, como os franceses, apreciavam uma boa comida e tornavam cada refeição uma ocasião especial.

Todas as mesas do restaurante estavam ocupadas, algumas por executivos, outras por senhoras elegantes carregadas de sacolas de compras, e algumas por famílias... como a que estava ao lado da mesa deles. Sakura reparou que a moça tinha também um filhinho pequeno e olhava com atenção para Aya. O que será que imaginava? Que ela era a mãe?

– Não, não aguento mais! — Sakura protestou, recusando uma última xícara de capuccino. Já havia devorado um prato cheio de fetuccine ao sugo com as almôndegas e já tomara uma enorme taça de sorvete. Sem contar o cálice de vinho tinto seco que a tinha deixado deliciosamente relaxada! Embora não tão relaxada a ponto de esquecer de suas obrigações.

– Acho melhor eu subir com Aya para trocá-la.

– Está bem.

Quando ela se levantou. Sasuke a imitou, ajudando-a a manobrar o carrinho por entre as mesas até o elevador.

– Estamos no quarto andar. — ele disse a Sakura, pressionando o botão e tirando do bolso uma chave antiga. — Este hotel originalmente era uma residência. — ele explicou, quando parou em frente a uma das portas. — As alterações foram mínimas na reforma, tentaram manter o máximo possível como era originalmente. Fui eu que coordenei os trabalhos.

– É maravilhoso, Sasuke. Você é muito talentoso. — Sakura comentou quase emocionada, observando os corredores com ornamentos de gesso no teto e nas paredes, as cerâmicas antigas formando lindos desenhos.

Sasuke abriu a porta do quarto e ficou de lado para que ela entrasse. O cômodo era amplo, com uma enorme cama de casal no centro. Através da porta que dava para a sacada, tinha-se uma vista maravilhosa do rio.

– Vou trocar Aya no banheiro. — disse a Sasuke um tanto embaraçada.

Por alguma razão, não esperara que ele a acompanhasse até o quarto, e sentia-se ao mesmo tempo nervosa e agudamente consciente de sua presença. Não havia nenhum motivo racional para aquilo. Mas com certeza havia um motivo.

O banheiro era amplo como o quarto. A louça era branca, brilhante, os azulejos antigos, lindamente decorados. Através da porta entreaberta, Sakura pôde ver que Sasuke fazia uma ligação no celular.

Ficou tensa ao ouvi-lo perguntar quando a Ferrari estaria pronta.

Beijando a pele alva de Aya, ela começou a vesti-la rapidamente.

– Você é muito linda, eu vou morder você... — Sakura conversava ternamente com a bebê.

Sasuke a ouviu. O que tinha aquela mulher que a fazia tão instintivamente maternal e ao mesmo tempo tão feminina, tão sexy?

Apenas ouvi-la já o deixava transtornado, cheio de desejo. A idéia de Sakura ser a mãe de seu próprio filho invadia sua mente a todo instante.

As palavras dela para Aya soavam como um eco das palavras que ele próprio queria dizer a Sakura. E não apenas dizer, ele constatou sorrindo, ao mesmo tempo que ouvia o mecânico dizer que a Ferrari estava quase pronta para ir para a coleção.

Sasuke ficou tenso quando viu Sakura saindo do banheiro com Aya nos braços.

– Acho que já estamos prontas para ir embora. — avisou enquanto andava em direção ao carrinho.

Quando o alcançou, Aya se voltou para ela, aninhando-se em seu peito. Sasuke sabia que aquela era uma reação instintiva do bebê, e igualmente instintiva foi sua reação à cena. Aya podia não ser sua filha, mas para ele era como se fosse. E observar o modo carinhoso como Sakura lidava com ela o enternecia de um jeito que ele julgava ser impossível antes de conhecê-la.

Segundos depois de ser acomodada no carrinho, a pequena já dormia. Sorrindo, Sakura se afastou dela alguns passos e então levou um susto quando tocou em algo sólido. Não tinha percebido que Sasuke estava bem atrás dela. Automaticamente começou a virar-se, para em seguida desejar não tê-lo feito, já que Sasuke não se moveu.

Sakura desejou estar a quilômetros de distância dali, ao mesmo tempo que desejava que Sasuke estivesse um milhão de vezes mais próximo.

– Por que está me olhando assim? — ela perguntou com a voz trêmula, dizendo a primeira coisa que lhe veio à mente. — Se é por causa do seu carro, posso pagar pelo conserto. — acrescentou, o queixo arrogantemente empinado.

– Não ligo a mínima para a Ferrari. Isso não tem nada a ver com aquele carro.

A emoção vibrava entre eles como raios de eletricidade, mas teimosamente Sakura se recusava a admitir aquilo.

– Então... o que é? — Sua voz falhou enquanto tentava se afastar. Sasuke segurou-a pelo braço com uma mão e pelo ombro com a outra, não apenas apoiando-se, mas massageando, acariciando... Incapaz de resistir, Sakura fechou os olhos, gemendo baixinho.

Aquilo não podia estar acontecendo. O desejo que sentia não podia ser real.

Sem ação, ela olhou para ele. A visão da boca de Sasuke a fez sentir-se ainda mais fraca, incapaz de afugentar o próprio desejo, confusa. Queria sentir o calor daquela boca, traçar seu contorno com os dedos, com os lábios, com a língua... Como se tudo estivesse acontecendo em câmara lenta, observou paralisada quando ele inclinou a cabeça em sua direção, a boca se aproximando da sua, o coração batendo desesperadamente dentro do peito, o corpo tremendo da cabeça aos pés enquanto ele deslizava os dedos por seus cabelos e lhe apoiava a nuca, o polegar massageando apele macia e sensível atrás da orelha.

Então, com uma mão ele tocou-lhe um seio, e no mesmo instante ela sentiu a urgência de se livrar das roupas para senti-lo tocar sua pele nua. Como se pudesse ler sua mente, Sasuke puxou-lhe a camiseta para cima e logo libertou os seios do pequeno sutiã rendado. Com o polegar ele acariciou lentamente os mamilos rosados, levando-a à loucura. Sakura antecipava o momento em que ele sugaria seus seios, excitado.

Sasuke era tudo que ela queria.

O grito agudo de Aya foi como um jato súbito de água fria sobre o calor do desejo que os dominava. Ambos olharam no mesmo instante para o carrinho e ficaram paralisados.

Foi Sakura quem primeiro conseguiu sair do transe, ajeitando de novo a camiseta, o rosto queimando de vergonha. Logo já estava com Aya nos braços, caminhando até a janela e confortando-a aliviada por não ter de olhar diretamente para Sasuke por alguns instantes.

O que ele estaria pensando? Estaria tão chocado quanto ela como que acontecera, ou cinicamente pensava na facilidade que tivera em seduzi-la, certo de que na próxima oportunidade conseguiria usá-la?

Bem, ninguém iria culpá-lo por tentar satisfazer seus desejos sexuais, já que estava agora viúvo. Mas o seu comportamento, as pessoas veriam de uma outra forma. Era injusto, mas era assim. Sakura tinha consciência disso, quando disse a Sasuke sem se virar.

– Vou levá-la para baixo.

Não havia mais como negar a si mesma que, sem saber como, havia se apaixonado por ele.

Continua...

Notas finais
Protinho ^^ Cap meio grande esse não acham? Recomendações? Comentem o que acharam! bjs