A Pequena Uchiha
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Notas iniciais
Estaria louca? Que idéia era aquela de casamento? Sakura acordou pensando. Sonhos ainda se misturavam à realidade.
Tremendo, levantou-se da cama para ver se Aya estava bem.
O bebê estava dormindo em paz, em seu berço. Através da janela de seu quarto via o céu que adquiria um esplêndido tom de azul, o sol que brilhava nos jardins do palazzo.
A casa de Sasuke, que seria sua casa pelos próximos cinco anos! E seria assim de qualquer modo, Sakura disse determinada para si mesma.
O contrato estipulava que ela trabalharia para Sasuke até que Aya tivesse cinco anos.
Trabalhar para ele, tudo bem, mas casar-se com ele?
Poderia sempre mudar de ideia, afastar-se dele e de Aya.
Poderia, mas sabia que não o faria. Simplesmente não fazia parte de sua natureza abandonar alguém que precisasse dela, especialmente quando a pessoa em questão era um bebê de seis meses.
E quanto aos seus sentimentos secretos por Sasuke? Como lidaria com eles pelos próximos cinco anos? Como iria anestesiá-lo?
Diziam que a rotina acabava com o amor. Talvez desempenhando o papel de esposa de Sasuke por algum tempo, conseguisse acabar com aqueles sentimentos indesejados e perigosos.
Será que Yumi viria ao quarto para ver a neta?
A cabeça de Sakura estava cheia de questões quando começou a rotina de trabalho. Aya acabara de acordar, e Sakura, que havia colocado um robe quando se levantara, pegou-a no colo e sentou-se em frente à janela, brincando e conversando com ela, aproveitando o prazer de estarem juntas logo de manhã.
Duas horas depois o celular de Sakura começou a tocar. Era sua amiga e ela ficou preocupada.
– Sakura? — Ino perguntou agitada, antes que Sakura pudesse dizer alô. — Felizarda! Por que não disse nada? Por que não deu nem uma dica? Olhe, Hana não ficou surpresa, e disse que os coraçõezinhos fluíram entre vocês desde o primeiro instante em que se viram. Não pudemos acreditar quando seu pai ligou de manhã dizendo que Sasuke havia lhe telefonado para pedir formalmente sua mão em casamento. O senhor e a senhora Haruno já estão aqui, por falar nisso, e querem falar com você. Estamos esperando que venha logo. Sasuke parece adorável e estamos loucos para conhecê-lo. — Ino não fazia uma pausa. — Foi realmente generoso da parte dele colocar um vôo a nossa disposição para irmos até aí. Como é a casa dele? Ele chama de palazzo, parece tão grande! Hana disse que ele é o máximo!
A cabeça de Sakura estava zonza. Sasuke telefonara para sua família passando a notícia de que iriam se casar. Ele formalmente a pediu em casamento ao seu pai, sem nem ao menos avisá-la?/
Sua amiga estava falando com mais alguém, e Sakura pôde ouvir uma risada.
– Hana está tentando dizer que não ficou entusiasmada com a ideia de carregar as alianças, mas é claro que ficou sim. Ela me mandou dizer que não usará vestido rosa. Sasuke tem uma família grande? Suponho que deve ter, sendo italiano... Oh, é tudo tão romântico! Ele obviamente mal pode esperar para casar com você. Quatro semanas. Vai ter de correr! Seu Pai quer falar com você...
Atordoada, Sakura escutou o que o pai disse, embora ao desligar o telefone não se lembrasse mais de uma palavra do que dissera a ele, ou ao marido de sua amiga, ou a Hana que continuava dizendo que não usaria rosa.
De seu pai, Sakura ficou sabendo que Sasuke ligara logo cedo para pedir formalmente sua mão em casamento, e para convidá-los para a cerimônia que se realizaria dali a quatro semanas.
Tomando Aya nos braços, ela desceu as escadas. Precisava falar com Sasuke naquele instante!
No salão principal encontrou Madalena com uma expressão de felicidade estampada no rosto. Quando a viu correu até ela.
– O Uchiha nos contou que vão de casar! Fiquei muito feliz! Você vai ser uma boa esposa para ele e uma mãe adorável para este bebê lindo! — ela acrescentou acariciando o rosto de Aya. — Espero que logo haja outros bebês para lhe fazerem companhia.
Outros bebês! Sakura digeriu o comentário em silêncio, esperando que a governanta não notasse o vermelho que tomava conta de seu rosto. Era natural que ela entendesse que Sakura e Sasuke iriam querer ter filhos.
– Preciso falar com Sasuke, Madalena. — disse aflita à governanta. — Você sabe onde ele está?
– Na biblioteca. — Madalena disse observando-a, e fazendo com que seu rosto corasse ainda mais.
– E... e... Yumi? — Sakura perguntou em voz baixa.
Havia ficado surpresa quando a mulher não aparecera no quarto para ver a neta. O olhar de Madalena pareceu fulminante quando respondeu:
– Aquela mulher? Por sorte já foi. É uma pessoa má. Nenhum de nós gosta dela.
Yumi fora embora! Sem fazer nem ao menos uma tentativa de ver Aya ou de conversar sobre a neta, de perguntar como estava, de checar se Sakura estava cuidando bem dela...
Sakura tentou imaginar alguém de sua família se comportando daquela forma, e não conseguiu.
Aquele tipo de atitude reforçava a desconfiança e a antipatia que havia sentido em relação a ela. Em seu ponto de vista, ela era totalmente inadequada para cuidar de Aya!
Isso significava que teria mesmo que fazer o que fosse possível para proteger a pequena. Até mesmo casar-se com Sasuke, pensou firmemente.
Suspeitava que ele estava certo quando dissera que o interesse de Yumi em Aya era totalmente mercenário, mas ainda doía em seu coração que tais palavras estivessem certas. Nenhuma avó partiria sem ao menos ver o bebê que era de seu próprio sangue.
Ela já estava na metade do amplo salão principal, quando Sasuke subitamente apareceu do lado oposto.
– Eu estava indo para o quarto de Aya. — ele disse.
– Eu estava procurando você.
Eles falaram juntos e pararam. Sasuke cuidadosamente atento, e Sakura procurando se conter para não esmurrá-lo.
– Minha amiga, Ino, acabou de me telefonar. — ela falou quando o silêncio lhe mostrou que Sasuke esperava que ela falasse primeiro. — Sabe que não tinha o direito de falar com minha família sem minha permissão. — disse indignada. — Estão pensando que... — Ela parou e mordeu os lábios com força.
– Estão pensando o quê? — Sasuke a pressionou.
Aya adormecera em seu ombro o que limitava os movimentos e o tom de Sakura. Além disso, estava muito pesada. Percebendo seu desconforto, Sasuke falou:
– Vou buscar o carrinho. Você já está bem? Está com dor de cabeça?
– Estou ótima! — Sakura quase gritou. — Todos os meus parentes acham que eu não poderia estar melhor!
Sakura sentia o rosto queimar. Era melhor mesmo que ele saísse para que tivesse um tempo para se acalmar.
Ele fizera com que sua família pensasse que iam se casar porque estavam apaixonados! Por que, entretanto, era ela quem se sentia culpada e desconfortável? E por que seria ela quem precisaria explicar-lhes o que ocorrera? Se não falasse nada, pensariam que...
– Eles acreditam que nós...você... — Sakura começou, ao ver que Sasuke retornava. — Estão achando que vamos nos casar... Que será um casamento normal! — ela conseguiu finalmente dizer, seu rosto queimando. — Por que foi dizer isso ao meu pai? Por que foi convidá-los para virem aqui? Por que fez isso? — ela perguntava em tom de acusação.
– Porque era a coisa certa a fazer! — Sasuke respondeu sem hesitação. — Você é filha deles, eu serei o genro deles.
– Mas você não vê? Estão pensando... Pensando que... Você e eu estamos apaixonados.
Sakura finalmente conseguira colocar em palavras parte de seu desconforto. Sasuke deu de ombros.
– E então... Isso é um problema?
– É claro que sim! — Sakura disse indignada. — Eles estão esperando que... — ela interrompeu o que dizia, o rubor aumentando quando visualizava a imagem de sua família quando chegasse para oc asamento. Estariam esperando encontrar um casal apaixonado, que não pudesse manter os olhos e as mãos longe um do outro. Que estariam trocando beijinhos e sussurros, abertamente mostrando seu amor para o mundo! Um casal, enfim, mergulhado na emoção de estar juntos! — Nosso casamento é apenas no papel!
– Você ia dizer isso a eles? — Sasuke a provocou.
Sakura se calou. A verdade é que ainda nem havia se decidido firmemente a casar, quanto mais pensado em como dizer isso a sua família.
– Eu não diria nada a eles. — ela foi forçada admitir.
– Nada?
Ela pôde perceber o tom de repreensão e descrença na voz dele.
– Eu não iria complicar as coisas! — Sakura se defendeu. — Além disso... Esse casamento seria apenas uma extensão do meu contrato... Minha família não entenderia, são tradicionais e minha amiga... — A voz dela falhou, estava infeliz.
– Para que isso funcione, para que possamos convencer o juiz de que Aya tem um ambiente adequado para sua educação é essencial que aos olhos de todos esse seja um casamento "normal" — Sasuke explicou. — Como acha que Yumi usaria a informação de um casamento em segredo? Se descobrisse que aos olhos de sua família você está apenas trabalhando aqui? Não acha que ela diria que era apenas um arranjo e usaria isso contra nós frente ao juiz?
Não havia nada que Sakura pudesse dizer. Ela sabia que o que ele falava fazia sentido, e sabia que seria impossível explicar-lhe o que realmente sentia e onde estava exatamente localizada sua insatisfação.
– Já que estamos falando no casamento. — Sasuke continuou. — Era por isso que eu estava indo falar com você. Já fiz os arranjos para a cerimônia na igreja daqui a quatro semanas. Há outras formalidades, mas nenhuma será complicada. A festa aqui no palazzo é que vai nos dar mais trabalho. Já instruí Madalena para contratar os empregados que forem necessários. Minha família é muito grande. Tenho muitos parentes idosos, mesmo os mais distantes, que vão querer vir e participar da celebração. Mas não se preocupe... — ele disse a Sakura quando ela pareceu ainda mais chocada. — Eles vão abraçá-la com lágrimas de gratidão, já que vêm me dizendo há anos que preciso me casar. Entretanto tenho três tias mais velhas que alimentam uma rivalidade histórica entre elas, e teremos de nos vestir um pouco da sabedoria de Salomão para conseguir lhes dar atenção.
– Então por que não se casou ainda? — Sakura não resistiu a perguntar.
O olhar sombrio fez com que ela se lembrasse da primeira vez em que o vira. Mais uma vez ele vestia aquele modo arrogante que fazia com que ela ficasse com os nervos à flor da pele.
– Até este momento não era necessário. — lacônico.
– Necessário? — Sakura balançou a cabeça sem poder acreditar. — As pessoas não se casam porque "é necessário". — ela protestou de forma emocional. — Casam-se porque se amam. Porque não podem suportar viver separadas.
– É. Foi o que Kakashi me disse. — Sasuke concordou secamente.
– Está me dizendo não se importa com o amor? — Sakura desafiou-o. Ela não sabia por que estavam tendo aquela discussão, e tudo o que queria era não ser tola o bastante para continuá-la.
Mesmo assim, ali estava.
– Amor não é desejo sexual, e as pessoas muitas vezes confundem uma coisa e outra. — Sasuke disse com ares de superioridade. — É importante que se compartilhem ideais e objetivos, valores e crenças. O casamento tem de se basear em algo que poderá ser dividido por toda a vida e não em um fogo que logo se consome, nesse "amor" de que falam.
O tom de desprezo que ele usava para a palavra "amor" era tão forte que ela pensou qual seria sua reação se algum dia lhe falasse do que sentia.
Antes que pudesse se conter, Sakura já respondia:
– O sentimento de amar uma pessoa importa mais que qualquer outra coisa. Odiaria ser um tipo de pessoa que não acredita no amor. Mas para alguém como você...
– O que quer dizer com "alguém como eu"? — Sasuke perguntou irritado. Não gostava do tom crítico que ela usava. E gostou ainda menos de sua própria reação a ele.
Incomodada com o rubor em seu rosto, Sakura tentou apaziguar a situação.
– Estou dizendo que um homem na sua posição, com toda a história de sua família, pensa em casamento de um jeito diferente do meu. Acredito que esteja acostumado a casamentos que levam mais em conta a posição das pessoas do que o fato de se amarem ou não. — ela concluiu. — Suponho que tenhamos valores muito diferentes.
Pelo modo como Sasuke a olhava estava claro que ele considerava o que dizia uma grande bobagem.
Furioso, ele estava tentado a contar a ela que seus pais haviam vivido uma linda história de amor verdadeiro, e que fora criado nesse clima. Mas ao invés disso, sua raiva o fez ser mordaz.
– Realmente nossos valores devem ser diferentes. Ao contrário dos meus, os seus são "modernos".
Sakura não pareceu compreendê-lo.
– O que está tentando dizer? — ela perguntou atenta.
Sasuke lançou-lhe um olhar selvagem.
– Como você observou, somos pessoas diferentes, que vêm de culturas diferentes, e do mesmo modo que sei que você se compromete totalmente com as crianças de quem cuida, sei que seus valores morais não são os mesmos que os meus.
– Meus valores morais? — ela o interrompeu no mesmo instante.
Sasuke desviou o olhar dela brevemente, antes de responder.
– Eu soube de seu caso com seu antigo patrão.
Sakura foi pega totalmente de surpresa. Do que ele estava falando?
Nunca lhe passara pela cabeça ter um caso com qualquer homem casado, ou com qualquer homem que tivesse qualquer ligação com outra pessoa. O mero pensamento a deixava revoltada.
– Recebi uma carta da mulher dele, em resposta ao meu pedido de referências. Ela disse que você foi a melhor babá que ela já teve, mas que o marido dela confessou que estava tendo um caso com você. Ela também insinuou que deviam ter havido outros maridos que aproveitaram de seus "favores".
Sakura sempre suspeitara que Pauline Levinsky guardara ressentimentos em relação a ela, porque seus filhos eram mais apegados a ela do que à própria mãe. Mas fazer uma coisa daquelas!
Porém, compreendeu o que acontecera quando se lembrou do dia em que dissera, com todo o tato a Pauline, que não os acompanharia a Nova York. Fora Pauline quem trouxera o assunto de seu marido, Bryce, e que perguntara diretamente a Sakura se era ele a razão de sua saída do emprego. E fora Pauline quem se desculpara quando ela finalmente admitiu que ficava incomodada com a constante possessividade de Bryce em relação a ela, seguida por constantes comentários sobre sua insatisfação sexual. Jamais dissera que "tivera um caso" com ele, mesmo porque isso não era verdade.
Como Pauline podia ter dito aquilo?
Sakura sentiu-se mal, humilhada, muito machucada até para checar qual a opinião que Sasuke formara sobre ela, até mesmo para explicar ou defender-se.
Quando finalmente conseguiu articular algumas palavras, disse:
– Você acredita que isso tenha realmente ocorrido e mesmo assim quer se casar comigo?
Sasuke estreitou os olhos, como se ouvisse a raiva que permeava suas palavras. A reação dela não fora a que ele esperava. Admirou-se do fato de ela não ter feito nenhuma tentativa de negar ou explicar qualquer coisa, mas o brilho de seus olhos o surpreendeu ainda mais.
– Aya é minha primeira preocupação. — Sasuke respondeu friamente. — Minha única preocupação. — ele frisou. — E nosso casamento é apenas um acordo de negócios. Se eu estivesse procurando por uma esposa de verdade... — Ele fez uma pausa, e Sakura soube imediatamente o que ele estava pensando.
– Você nunca me escolheria? Bem, devo dizer que eu também não o escolheria. — ela mentiu sem hesitar. — Quando eu me casar de verdade, será com alguém que amo... Tanto que não agüentarei viver sem ele. Alguém que acredite no amor e que o valorize. — acrescentou de um jeito apaixonado.
Precisava instintivamente se proteger. O julgamento cínico que fizera dela não apenas a machucara como dera outro sentido ao beijo que trocaram no dia anterior.
Ele, com certeza, pensara que ela era o tipo de mulher que dormia com qualquer um. Até com homens casados!
Sakura sabia que se não fosse por Aya, teria saído daquele lugar no mesmo instante, rescindido seu contrato e tomado o primeiro vôo para casa.
Mas ela simplesmente não podia deixar a criança.
De repente, mais um pensamento surgiu imperioso em sua mente.
– Se você pensava... Acreditava... Em tudo isso, por que me contratou? — ela perguntou com aspereza.
Sasuke estudou o rosto dela. Mais para punir a si mesmo do que para puni-la, ele disse com a voz mais controlada que pôde:
– Bem, não foi porque também queria o tipo de favores que você oferece aos outros.
A fúria que ele viu no olhar dela, o fez rir-se por dentro. Seriam todas as mulheres tão boas atrizes?
– A princípio, você foi a única que preencheu todos os requisitos que eu tinha exigido. Se eu tivesse recebido a carta de Pauline Levinsky antes que começasse a trabalhar para mim, e principalmente antes que Aya tivesse se apegado a você, com certeza eu não a teria empregado. Entretanto... — ele continuou friamente. — Aqui, sua predileção pelo marido de outras mulheres não nos trará problemas, já que não tenho uma esposa. Felizmente, quando Aya tiver idade o suficiente para precisar de um modelo de moral...
– Eu já estarei fora de sua vida. — Sakura completou com um olhar sofrido.
Onde tinha se colocado? Por que aceitava aquilo?
– Agora podemos voltar ao assunto que importa? — Sasuke continuou, como se a bomba que jogara não significasse nada. — Você terá de ir até Milão para uma reunião com o designer que se encarregará de seu vestido de noiva e de suas damas. Eu entendi que minha amiga ladra de carros será uma delas e que não usará cor-de-rosa.
Sakura fixou-o com o olhar. Como ousava fazer humor depois de tudo o que dissera? Se ela queria alguma prova de que ele não sentia absolutamente nada pessoal por ela, aí estava. E além de tudo, pensava que o que ela queria era sexo casual!
– Tenho certeza de que poderei encontrar algo simples e adequado aqui mesmo em Florença. — Respondeu de um jeito grosseiro. — Como você disse, para um arranjo de negócios não será preciso tanta preparação.
Sakura estava orgulhosa por haver disfarçado bem seus sentimentos. Só esperava poder continuar negando-os.
– Mas ainda assim é um casamento, e nossas famílias têm expectativas em relação a ele. E eu não tenho a menor intenção de desapontá-los!
Por sorte, antes de ele dizer qualquer outra coisa, Aya acordou e começou a reclamar.
– Madalena me disse que Yumi foi embora. — Sakura procurou manter sua voz em um tom normal. Não tinha a menor vontade de continuar a discussão.
– Sim, foi embora. — Sasuke confirmou.
– Ainda pensa que ela vai lutar pela guarda de Aya? — ela perguntou, sentindo que ficava apreensiva com a possível resposta.
– O que eu penso é que se ela o fizer, o fato de você e eu estarmos casados vai assegurar a Aya poder ficar onde está, com as pessoas que a amam. — Sasuke disse com firmeza. — Mas nós temos ainda um assunto para discutir. Devemos ser os anfitriões de um jantar que ofereceremos às nossas famílias no dia anterior ao casamento, e também na festa depois do casamento. Além disso, é tradição em minha família oferecer uma grande festa a todos os empregados. Mas eu posso fazer todos os arranjos necessários para isso. Convidei sua família para que chegue uma semana antes da data, isso dará tempo a nossa ladra de Ferrari para provar seu vestido. Claro que sua amiga será sua principal dama. Já que minhas tias são extremamente tradicionais, para não dizer até um pouco ultrapassadas ,esperarão que durmamos em quartos separados antes do casamento. Até aí não haverá nenhum constrangimento, embora, já que estamos tocando nesse assunto delicado, devo dizer que também vão esperar que mostremos algum afeto enquanto estivermos juntos.
– Não! — Sakura ficou pálida como um fantasma, e mesmo sem querer deixou que o medo transparecesse em sua voz. — Não. — ela repetiu, balançando veementemente a cabeça. — Não vou fazer isso. Você não pode esperar isso de mim.
A rapidez e a intensidade com que ela rejeitou a ideia trouxe um brilho sombrio de raiva aos olhos de Sasuke.
– Você está exagerando nessa histeria de falsa virgem. — ele avisou com um jeito seco. — Além disso, não é como se estivesse sendo solicitada a fazer algo que já não tenha feito antes, muitas, muitas outras vezes, e com muito mais intimidade.
Ele tinha ido longe demais para que Sakura pudesse suportar. Cega, teve vontade de esbofeteá-lo, mas resolveu entrar no jogo.
– Isso foi muito diferente. Não tive de fingir. Eu queria mesmo estar com ele... Com eles. — corrigiu, sem arrepender-se quando percebeu o brilho de ódio nos olhos dele.
Instantaneamente, Sasuke voou em sua direção. Sakura soltou um grito de medo, de pânico mesmo, sem saber o que esperar. Rudemente, ele a aprisionou em seus braços, beijando sua boca de uma forma selvagem.
Sakura percebeu que cometera o erro de provocar um homem no que dizia respeito à sua sexualidade, insinuando ainda que ele pudesse ser inferior a qualquer outro. Não havia dúvida de que Sasuke a beijava vorazmente naquele instante por raiva, forçando seus lábios a se abrirem, penetrando-a profundamente com a língua.
Era o tipo de beijo que um homem trocava com uma mulher experiente, ela pensou, o tipo de beijo que imediatamente os dirigiria a um lugar onde pudessem aprofundar suas carícias. Sakura não podia conter a excitação que a tomava. Sentiu quando ele tocou seu corpo, tomou posse de seus seios, acariciando-lhe os mamilos com experiência e habilidade, provocando-lhe sensações e desejos incontroláveis.
Confusa, Sakura sabia que se odiaria pelo que estava sentindo naquele momento, mas simplesmente não tinha experiência para interromper aquele tipo de ataque erótico. Aconchegou-se ainda mais a Sasuke, sua mão alcançando o rosto dele num desejo de prolongar a intimidade daquele beijo.
Porém, sua impressão foi a de que ele apenas esperava por aquilo para dar um passo para trás, cortando qualquer contato entre eles.
– Diga-me que você estava fingindo.
Não havia nada que Sakura pudesse dizer. Não havia maneira de esconder sua vergonha.
Continua...
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