A Pele Nunca Esquece - Las Amazonas
6 Capítulo 6 - amor de Nana
Notas iniciais
Inês dormia tranquilamente depois do dia agitado que teve, chorou angustiada até cair no sono, pelos problemas, pelos segredos e desconfianças, pelo afastamento necessário, pelo amor que a cada dia parecia se tornar impossível, por tantas coisas, seu coração doía tudo guardava nele, tudo suportava. O que a mantinha firme e viva é seu amor de mãe, seu grande amor por Emiliano, seu filho, sua esperança de dias melhores. Não suportaria perdê-lo! Por ele e para ele seria capaz de tudo, tudo, até passar por cima de seus sentimentos...
Com o vento gélido da manhã entrando pela sua janela, Inês despertou com uma sensação estranha olhou em volta com a mão na cabeça sentou na cama arrumando os cabelos, viu a janela de seu quarto aberto, com a cortina levemente balançando por conta da corrente de ar que por ali entrava. Estranhou. Teria fechado a janela noite passada, ou não? Estava tão triste que não fez mais nada a não ser jogar-se na cama e abraçar o travesseiro que Victoriano dormiu certa noite ao seu lado, a abraçando amorosamente.
Olhou para o relógio em cima do criado, ao lado de sua cama, marcava seis e quinze da manhã, sorriu levemente, sabendo que dificilmente conseguiria dormi mais que isso, sua rotina por anos foi acordar cedo na fazenda. Levantou da cama tirando o sorriso dos lábios se perguntando se cada detalhe a faria lembrar sempre daquele lugar. Foi em direção à janela arrumando o roupão de banho que dormiu, abraçou-se por conta do frio, espiou a fora, tudo parecia normal. Teve um pressentimento como se alguém estivesse precisando dela, respirou fundo indo ao banheiro, se olhou por um momento no espelho, lavou o rosto, escovou os dentes, deixou o roupão de lado e sem demora se enfiou debaixo do chuveiro. Molhou os cabelos fechando os olhos jogando a cabeça sutilmente para trás, subiu com a mão direita vagarosamente em direção a sua nuca, ali apertou prazerosamente fazendo uma pequena massagem, com uma expressão de relaxamento.
— Fazenda Las Dianas –
Na casa grande a família Santos ainda dormia, as emoções do dia passado os afetaram estavam exaustos. Os únicos por ali acordados eram os empregados, cuidando dos cavalos e as demais atividades, as mulheres preparando o café da manhã, fazendo seus afazeres. No quarto de Victoriano, Deborah dormia preguiçosamente com a cama somente para ela, com duas noites dormindo só se sentia poderosa, não se importava com nada nem mesmo com o bebê que esperava que exigia uma alimentação equilibrada e saudável, a única coisa que a mantinha ali é a sede de vingança, e assim continuou dormindo espaçosamente. As Amazonas em seus quartos dormiam tranquilamente, exceto Constanza, a menina estava tendo um pesadelo horrível: Gritos de dor e desesperos de uma mulher dando a luz a uma menininha loira a aterrorizava. Via seu pai pegando a criança, enrolada em uma toalha branca manchada pelo sangue, com os olhos marejados e logo em seguida um grito medonho de dor e desespero, via sua mãe Diana Maria morrendo aos poucos pelas complicações do parto. Tudo ficou escuro! Teve medo! Começou a escutar a voz de sua mãe gritando “VOCÊ ME MATOU, VOCÊ ME MATOU... A MIM QUE SOU SUA MÃE. ASSASSINA!”. Constanza começou a gritar e se debater na cama violentamente, bateu a mão no porta-retratos que ali tinha sobre o criado-mudo com sua agitação, espalhando pedaços de vidros pelo chão. Gritou várias vezes, começou a chamar por Inês, sua Nana que tanto lhe ajudava e protegia nos seus pesadelos.
Logo suas irmãs e Victoriano, que vinha subindo as escadas passando a mão no rosto, ouviram seus gritos. Saíram correndo em direção ao quarto de Constanza. O quarto se encontrava fechado com as chaves, as meninas começaram a bater em desespero.
— Diana: Constanza... Constanza – gritava batendo na porta – Abra a porta.
— Casandra: Cony – forçando a maçaneta da porta em desespero – por favor, abra!
Victoriano chegou nervoso afastando as meninas e batendo a porta de lado com seu corpo, duas vezes, arrobando assim a mesma e entrando correndo com as meninas atrás. Constanza permanecia presa ao pesadelo escutando gritos e acusações de sua mãe, se debatia na cama.
— Constanza: NÃO...NÃO – gritando e chorando – NANAAA.
Diana correu para cima da cama balançando e chamando Constanza, Victoriano fez o mesmo, chamava-a pegando em um de seu braço e dando leves tapinhas em seu rosto.
— Casandra: O que ela tem? – passando as mãos nos cabelos nervosa, olhando Victoriano e Diana tentando acordar Constanza – Por que ela não acorda pai?
— Victoriano: Não sei. Acorde filha – Desesperado a balançando.
Constanza abriu os olhos arregaladamente, com palpitações, o coração estava acelerado, sentou-se na cama com falta de ar, olhando para todos ali e não encontrando sua Nana para abraçá-la e dizer que tudo não passou de um pesadelo. Todos a olhavam preocupados. Constanza se levantou da cama caindo no chão, perfurou sua mão no vidro quebrado, não sentiu dor e nem nada só queria os braços de Inês, se desvencilhando dos braços de Victoriano correu, correu em direção ao quarto de Inês desesperada chamando por ela. Victoriano e as meninas a seguiram apressados.
Constanza chegou ao quarto cheia de medos e inseguranças, queria Inês para confortá-la, queria sentir seu carinho materno, seu abraço, suas mãos passando por sobre seus cabelos a acalmando com sua voz doce e confortante. Mas não a encontrou, o que viu foi um quarto vazio e silencioso.
— Constanza: Nana – dizia ela em um miado de voz chorando e se agachando ao lado da cama, apoiando sua cabeça ali.
Victoriano, Diana e Casandra a viram naquele estado, chorando desesperada e com a mão sangrando sobre o lençol, na antiga cama de Inês e chamando baixinho por ela. O coração de Victoriano se apertou, as filhas o olharam temerosas se aproximaram de Cony junto com ele. Victoriano sentou na beira da cama a pegando pelos braços e colocando ao seu lado a abraçando, as meninas subiram em cima da cama, por trás deles, passavam as mãos na cabeça de Constanza, Casandra a abraçou por trás, enquanto Diana beijava sua cabeça tentando a acalmar.
— Diana: Shi, tranquila, já passou mana.
— Casandra: está tudo bem agora Cony.
Victoriano a apertou em seus braços paternalmente e dizia calmo. Mas com seu coração angustiado por ter visto Cony cheia de medo chamar por Inês. Como ela fazia falta!
— Victoriano: Filha – pegando na mão dela e vendo o machucado – está tudo bem princesa, hum – beijando a cabeça dela.
— Constanza: Nana...
Continuava a chamar Inês soluçando, com sua cabeça apoiada no peito de Victoriano. Não conseguia se acalmar os pesadelos que sempre teve com sua mãe morrendo no parto por sua culpa, pensava ela, a atormentara desde criança e somente Inês a consolava, tinha o dom de acalma-la.
Victoriano olhou para Diana preocupado, jamais tinha visto Constanza assim. Casandra saiu da cama, ficou de frente a sua irmã e pegou em seu rosto fazendo olhá-la.
— Casandra: Estamos aqui com você. Se acalme nada de mal vai te acontecer.
— Constanza: Já aconteceu... eu fiz! – disse ela baixo fechando os olhos – eu sou a culpada, eu a matei.
Chorou mais ainda saindo do abraço de Victoriano que ficou sem entender o que ela quis dizer, e indo até a poltrona que ali tinha sentou-se com os joelhos dobrados, os abraçou e ficou se balançando.
— Constanza: quero a Nana... — repetia calmamente, mas em seu interior o medo residia e em sua mente às imagens do pesadelo e a voz de sua mãe a acusando lhe amedrontava.
Diana e Casandra estavam assustadas com a situação, assim como Victoriano que se aproximou dela.
— Victoriano: minha princesa, Inês não mora mais aqui...
Ela olhou para ele com os olhos avermelhados e disse aumentando a voz desesperada.
— Constanza: Quero a Nana! Quero ela papai!
Victoriano levantou as mãos levemente para acalma-la e se aproximou dela, abaixou pegando em sua mão, falando.
— Victoriano: Calma filha, sim?! Iremos buscar Inês, tranquila.
Victoriano olhou para Diana, ela entendeu o que ele quis dizer com esse olhar, saiu dali indo até seu quarto, enquanto isso Casandra foi pegar um copo com água para Constanza na cozinha. Diana no caminho encontrou Deborah na porta do quarto com roupa de dormi, a ignorou completamente seguindo até o seu quarto, a mesma a chamou.
— Deborah: Ei? Que gritos foram aqueles? Era a Constanza ela está bem? Estou preocupadíssima – encostada na porta olhando para suas unhas.
Diana virou olhando para ela cruzando os braços.
— Diana: Comigo sabe que não precisa fingir Deborah e além do mais são coisas de família que não te inclui, achei que já soubesse disso.
Diana deu as costas para Deborah e entrou em seu quarto. Deborah a olhava com ódio.
-Deborah: Estúpida — entrou batendo a porta do quarto.
— Casa de Inês –
Inês se encontrava devidamente e divinamente bem arrumada, com seus cabelos soltos caindo por sobre seus ombros nas pontas levemente cacheados, do jeito que gostava, uma blusa verde no tom de seus lindos olhos folgada com mangas longas e um colete longo marrom, com uma calça e sapatos pretos, sua maquiagem leve para o dia realçando sua beleza natural. Estava na cozinha tomando seu café, esperava Emiliano na mesa. Ele apareceu, colocando seus pertences na outra cadeira, sentou-se calado e começou a se servi. Inês achou estranha a atitude do filho que nem bom dia lhe deu, parou de tomar o café e ficou o avaliando. Emiliano começou a comer sem olhar para Inês, mas sabia que a mesma o olhava, começou a ficar incomodado.
— Emiliano: Por que me olha tanto?
Inês respondeu com outra pergunta.
— Inês: Por que não me olha?
Emiliano respirou fundo e tomou seu café, colou a xicara na mesa, enquanto Inês o mirava. Ele a olhou.
— Emiliano: Bom dia mãe.
Inês ficou mais desconfiada, já sabendo que ai tinha algo.
— Inês: Bom dia filho. Será que posso saber o que tanto te incomoda tão cedo da manhã?
Emiliano colocou o cotovelo na mesa apoiando seu rosto na mão fechada, mirou Inês e perguntou.
— Emiliano: Desde ontem à noite me incomoda e me incomodará mais ainda se eu souber que há mesmo algo. Mas me diz a senhora, o que há entre você e Don Victoriano, ein?
Inês levou os dedos à testa, ali esfregou. Logo cedo esse assunto, pensou. Olhou para ele.
– Inês: Emiliano filho, será que se eu te contar irá entender? Ou ficará desconfiado e contra mim assim como as meninas?
Emiliano franziu a testa se arrumando na cadeira
— Emiliano: Como assim as “meninas” mãe? O que está acontecendo?
Inês respirou fundo, decidida a contar para Emiliano o que houve na manhã passada com as meninas e com Victoriano e o motivo. Mas quando ia falar o celular dele tocou o mesmo a olhou desconfiado e foi em direção ao seu bolso, olhou a tela do celular e achou estranha uma ligação de Diana tão cedo do dia.
— Emiliano: Diana?
Inês o olhou. Diana falava apressadamente.
— Diana: Emiliano bom dia. Desculpe o incomodo. Mas necessito falar com sua mãe. Ela está?
— Emiliano: Bom dia. Sim ela está aqui do meu lado – olhando para Inês — o que está acontecendo Diana? Parece agitada. É com a Cony? – preocupado.
— Diana responde saindo do quarto: Sim, ela não está muito bem e quer a Nana aqui. Passe para ela, por favor.
Ele levantou da cadeira junto com Inês que o mirava já preocupada.
—Emiliano: Mas o que ela tem? O que aconteceu com a Cony Diana? Me diga, por favor.
— Diana vinha descendo as escadas: Se acalme tudo bem?! Por favor, Emiliano passa para a Nana, depois nos falamos, sim?
Emiliano passou com reluta para Inês que foi logo enchendo Diana de pergunta.
— Inês: O que aconteceu com minha menina? Virgenzita será que é o que estou pesando? Quem está com ela?
— Diana: Ela teve um pesadelo, o papai e a Casandra estão com ela, estamos aqui tentando a acalmar – entrando no quarto, Victoriano andava de um lado para o outro nervoso – Nana, vem logo, por favor, se quiser mandamos alguém para ir buscá-la.
— Inês: Não, não precisa, logo chegarei ai – indo em direção ao seu quarto, com Emiliano a seguindo — Só não saem do lado dela. — encerrando a chamada, pegando sua bolsa na cadeira, virou rapidamente para sair se esbarrando em Emiliano – Menino. Vamos – o pegando pela mão – creio que irá também.
Inês e Emiliano sai rapidamente da casa, trancando a porta Inês guardava as chaves em sua bolsa. Dona Raimunda vinha subindo as escadas da vila, com sacolas nas mãos, tinha deixado Fernandinho na escola e aproveitou para comprar algumas coisinhas para tomar seu café da manhã com seu filho que logo chegaria.
Observou a afobação dos dois e se aproximou.
— Dona Raimunda: Êita que pressa é essa? Bom dia.
Inês a olha arrumando melhor sua bolsa em seus braços.
— Inês: Dona Raimunda, bom dia. Estou preocupada com minha menina, Constanza. Diana ligou dizendo que ela não está bem. Mas quando eu voltar, conversamos melhor.
— Emiliano: Mãe, vamos logo.
Dona Raimunda pega no braço de Inês a impedindo de ir.
— Dona Raimunda: Ei ei, calma ai meus filhos. A fazenda é longe daqui, não é? Então deixe Arthur levar vocês.
— Emiliano: Bom, é melhor – olhando para ela — Então Dona Raimunda cadê ele?
Dona Raimunda aponta em direção à entrada da vila. La vinha ele com sua roupa e maleta de trabalho, bem arrumado deixando cheiro de seu perfume por onde passava, algumas mulheres da vila que estavam logo na entrada o olharam dos pés a cabeça cochichando, assanhadas, Arthur as cumprimentou com um cordial bom dia. Dona Raimunda fez um gesto para elas que estava de olho, ciumenta. Arthur como quase todas as manhãs vinha à vila para tomar café com sua mãe, já que ela reclamava que ele não morava mais com ela. Fazia esse gosto para ela e com muito prazer, adorava seu café.
Arthur subiu as escadas olhando fixamente para Inês com um sorriso nos lábios, como estava linda, admirava ele. Inês o olhava não achando uma boa ideia de ele ter que leva-los a fazenda, sabia que Victoriano não reagiria bem e assim pegou seu leque de dentro da sua bolsa e se abanou, sorriu um tanto nervosa, já que estava apressada para ir e preocupada com Constanza. Emiliano cruzou os braços dando um leve sorriso olhando para Arthur que parou de frente a Inês a olhando apaixonado e logo em seguida beijando sua mão disponível. Dona Raimunda cutucou Emiliano, os dois se olharam travessos.
Arthur a mirou sorrindo, ainda segurando sua mão. Adorava pegar nas mãos macias de Inês.
— Arthur: Como está linda, sempre! Bom dia Inês.
Inês que havia parado de mexer seu leque o olhou, sorriu para ele, puxou delicadamente sua mão.
— Inês: Bom dia Arthur. Adoraria ficar conversando com você. Mas preciso ir, vamos Emiliano.
— Emiliano: Mas e a nossa carona mãe?
Inês o olhou levantando uma de suas sobrancelhas, querendo dizer para ele ficar calado. Dona Raimunda percebendo que Inês negaria a carona, disse.
— Dona Raimunda: Arthur, Inês e Emiliano precisam de uma carona, leve os dois na fazenda do garanhão... quer dizer... do Victoriano Santos.
Arthur a olha não gostando nada dessa simpatia que sua mãe teve por Victoriano e voltando seu olhar para Inês disse.
— Arthur: Mas é claro, será um prazer.
— Inês: Não precisa, eu e Emiliano pegaremos um táxi. Suponho que veio para tomar café da manhã com sua mãe Arthur, então não irei atrapalhar. Bom tenho que ir, vamos menino.
Inês não esperou nenhuma resposta, pegou Emiliano pelo braço e desceu as escadas apressadamente, saiu da vila com seus pensamentos em Constanza a todo o momento, sabia que ela não estava nada bem, se tratando de seus pesadelos sua menina ficava muito abalada.
Dona Raimunda olhou para Arthur.
— Dona Raimunda: Tá fazendo o quê ainda aqui? – com as mãos na cintura.
*
Andando pela calçada Inês e Emiliano foram em busca de um táxi até a esquina, nada de nenhum passar, até que Arthur para com seu carro do lado deles, abaixando o vidro.
— Arthur: Vamos, levarei vocês como amigo e cavalheiro que sou – sorrindo – e não aceito recusa – percebeu que Inês estava indecisa se aceitava ou não ir com ele – Está meio difícil de passar táxi. Aceitem, não sou nenhum desconhecido para vocês.
Emiliano olhou para Inês.
— Emiliano: mãe, Constanza precisa de nós, estamos demorando, vamos logo. Está com receio por que de aceitar a corona de Arthur? Sempre saem juntos.
— Inês suspira se rendendo: Está bem. Aceitaremos sua carona Arthur, não iremos tomar muito seu tempo, tem seus afazeres, então assim que nos deixar você pode voltar sem problemas – se acomodando no banco e fechando a porta – lhe indicarei o caminho.
Arthur confirmou com a cabeça, já sabendo que Inês não queria que ele e Victoriano se encontrassem, por isso não queria aceitar que ele os levasse. Arthur olhou para ela dando partida no carro, e disse para acalmá-la, assim querendo dizer com suas poucas palavras que não pretendia se confrontar com Victoriano.
— Arthur: Não se preocupe.
Inês o olhou sabendo o que ele quis dizer, só fez balançar a cabeça e Emiliano disse.
— Emiliano: é mãe, não se preocupe, Cony vai ficar bem. Agora vamos que o caminho é longo, acelera ai Dr. – Arthur sorriu.
— Fazenda Las Dianas –
Constanza estava deitada na cama coberta pelo lençol, ainda chorava abraçada ao travesseiro de Inês, não falava e nem olhava para ninguém. Fazia tempo que não havia tido pesadelos como esses, mas pelo ocorrido do dia anterior passou a pensar constantemente em sua falecida mãe, pela descoberta de que Inês e Victoriano tiveram algo no passado, abalou seu emocionou, a fazendo se condenar mais ainda se sentindo miserável, ainda por sempre ter em mente que ela foi a culpada da morte de sua mãe. Necessitava de Inês ali com ela, apesar de tudo a amava. Só é imatura demais, caprichosa demais, fazia tudo por impulso, sem pensar nas consequências.
Diana se aproximou de Victoriano e falou baixinho, com os dois olhando Constanza deitada e Casandra ao seu lado passando a mão em seu cabelo.
— Diana: Estou muito preocupada com ela papai.
Victoriano abraça Diana de lado, passando mão em seu braço.
— Victoriano: Eu também filha, espero que Inês a acalme. Mandou um dos peões ir buscá-la?
— Diana: Não, ela disse que não precisava, creio que vem de táxi. Mas não pense que esqueci o que descobrimos ontem, como puderam esconder durante todos esses anos que tiveram algo no passado? Sinto que há mais coisas que escondem e garanto a você papai que irei descobrir de uma forma ou de outra, acredite, assim como descobrirei o porquê de Deborah ter se casado com você, porque uma coisa é certa papai, essa mulher não te ama.
Victoriano a olhou sem entender, passando as mãos na cabeça se afastou um pouco e olhou Diana, sério.
— Victoriano: Esse ‘algo’ tem nome, AMOR, eu vivi um amor intenso com Inês, verdadeiro e não vou permiti que continuem a falar desta maneira, para mim esse amor que vivemos é sagrado, enquanto não tiver disposta a querer nos entender e sim só ouvir e tirar suas próprias conclusões, não falarei nada e não Diana, não escondo nada e muito menos Inês, e para com essa obsessão de atacar Deborah em tudo, parece que vivem competindo. Diana filha deixa desses ciúmes. Se Deborah não se casou comigo por amor, por que mais foi, hã? Me diga? Me mostre provas que a incrimine então.
— Diana: Se tivessem sido sinceros conosco deste o começo nada disso teria acontecido, nos entenda também papai. E enquanto a essa mulher, perdão, mas o senhor é muito cego, está na cara que não te ama, se tem tanta confiança assim nela, só lamento, porque agora mais que nunca irei fazer o que for não medirei esforços e vou lhe mostrar que essa mulher não é quem o senhor pensa. Sabe, me admira muito ainda está com Deborah amando a Nana...ah me esqueci, ela está grávida né, viu só? Nem isso nos contou, depois não diga quando tiramos nossas próprias conclusões e eu já tirei a minha sobre isso.
Diana deixa Victoriano e vai até suas irmãs. Victoriano passa a mão no rosto duas vezes, já pressentindo que o seu dia seria cheio. Saiu do quarto e foi em direção à cozinha. Ficou pensando no que Diana disse. Mandou investigar Deborah, todas as suas informações não tinha nada de ilegal ou algo do tipo, pelas investigações Deborah era honesta, jamais faria algo que o prejudicasse, assim pensava Victoriano que se serviu de café e logo espantou esses pensamentos, se pondo a pensar em Constanza, no seu estado ao acordar, sua filha necessitava de Inês, todos ali, precisava fazer algo para a ter por perto, mas sabia que não ia ser fácil, ainda mais com aquele mequetrefe acerca dela, pensava ele, apertando a xicara só de imaginar Arthur com Inês. Logo foi tirado de seus pensamentos por Jacinta que entrou na cozinha, começou a falar sem parar, toda sorridente, colocando o café da manhã de alguns empregados sobre a bandeja rapidamente.
— Jacinta: Bom dia Patrão. Já podemos colocar a mesa? O Senhor quer na sala de janta ou lá fora mesmo? Desculpe, mas é que era a Dona Inês que me ajudava aqui. Ai como sinto falta Patrão da Inésita, ela me orientava, graças a ela aprendi tudo que sei, ah mais pense em uma pessoa paciente e amorosa com todos. Aii tenho que ir deixar esse café da manhã para os peões, já volto e ponho a mesa como o senhor deseja. Licencinha patrão.
Victoriano viu Jacinta ir com a bandeja toda animada, encostou-se a mesa continuando a tomar seu café.
— Victoriano: Não me deixou nem falar, apressada. Já vi que precisa mesmo de Inês para orientá-la. Ai mi Morenita – suspirando.
Victoriano deixou sua xicara na mesa e foi em um dos banheiros do quarto de hospedes lavar o rosto, viu ali uma escova nova e aproveitou escovou os dentes, não queria ir para o quarto e muito menos dá explicações para Deborah porque não dormiu mais uma vez com ela. Decidiu tomar um banho rápido ali mesmo, tirou suas roupas e se pôs a se banhar. Terminou e andou pelo quarto, esqueceu-se que ali não tinha roupas limpas dele. Abriu a porta com a toalha em sua cintura e viu Candela passando com um cesto, a chamou com sua voz grossa que fez a menina pular quase soltando o cesto de roupas.
— Victoriano: Ei menina!
— Candela: Ai Senhor! – observou que ele estava só de toalha com seu peito à mostra, se pôs de lado envergonhada para não o olhar, nervosa – Si...si...sim Don Victoriano precisa de algo?
— Victoriano: Preciso que traga roupas limpas para mim.
— Candela: É...eu... eu acho que tem suas aqui no cesto, estão limpas e passadas Patrão.
Victoriano estende os braços para pegar a roupa.
— Victoriano: Me dê então.
— Candela: Q... quê?
— Victoriano: As roupas menina, anda!
Candela se aproximou de Victoriano com a cabeça baixa e o cesto na frente de seu corpo, entregou rapidamente o cesto, sem ao menos tirar a roupa dele e saiu apressada dizendo.
— Candela: Estão ai Patrão... Com licença – saiu correndo.
— Victoriano: Espera...
Victoriano olhou para o cesto em seus braços com um monte de roupas limpas e bem passadas. Bufou impaciente entrando para o quarto fechando a porta com os pés. Virou o cesto jogando as roupas em cima da cama de solteiro que ali tinha, começou a procurar a sua para vesti, fazendo uma bagunça, derrubando umas no chão.
— Victoriano: Caramba... Por que não deu somente as minhas? – reclamando.
Todo de preto Victoriano peteava os cabelos para trás em frente ao espelho, já bem arrumado. Saiu do quarto de hóspede para ir no antigo quarto de Inês vê como sua filha estava e saber se Inês havia chegado. Diana vinha saindo do quarto e da de cara com Victoriano que ia entrando.
— Diana: Papai...
— Victoriano: Como ela está? Inês já chegou?
— Diana: Continua sem dizer nada, eu e Casandra já tentamos fazer com que falhe conosco. Mas fica somente com o olhar perdido, está febril – suspirando – Nana ainda não chegou, está demorando, né. Só espero que ela e Emiliano estejam bem.
— Victoriano: Aquele moleque está vindo para cá também?
— Diana: Pare de tratar Emiliano assim, pelo tanto que o conheço sei que virá porque se preocupa e ama Constanza.
— Victoriano: Não diga que esse moleque ama minha filha, nunca permitirei que ele e Constanza se relacionem.
— Diana: Ai papai, por que sempre é contra nossas escolhas? Por que não aceita por quem nossos corações se apaixonaram? Por que papai é tão duro?
— Victoriano: Me preocupo com vocês. Esses homens que escolheram não me agradam em nada, você e Constanza escolheram errado, pelo menos Casandra se salvou – respirou nervoso — Sabe que Loreto quer me destruir é meu inimigo declarado, e é padrinho de Alejandro, quem me garante Diana que não estão tramando algo pelas minhas costas e te usando para se infiltrar aqui e lá na empresa, hum?
Diana se altera e aumenta a voz, apontando para ele.
— Diana: Alejandro não tem nada haver nessa guerra entre você e o padrinho dele e não vou permiti que continue a falar desta maneira papai, Alejandro é um homem honesto, me ama e por esse amor serei capaz de tudo até mesmo de lhe enfrentar, se preciso for, e não seguirei discutindo mais com o senhor sobre isso, agora o que me preocupa é Constanza. Cuide de sua protegida esposa e deixe meu relacionamento com Alejandro em paz.
Diana ia entrar novamente no quarto mais Victoriano segura seu braço a impedindo, esbravejando diz.
— Victoriano: será que não enxerga que esse homem não te ama Diana? Filha pense e reconsidere, de uma hora para outra esse homem apareceu na sua vida, deixou Elías que tinha um namoro há anos, para ficar com esse tipo que só está te trazendo desavenças comigo, sou seu pai e exijo que me respeite e obedeça.
Diana puxou seu braço com raiva, viu Deborah há algumas distancias dela e de Victoriano, ela os olhava.
— Diana: Alejandro me ama! – convicta de suas palavras – o senhor e nem ninguém me fará duvidar dele e muito menos de seu amor por mim. Se quer tanto que eu continue a lhe respeitar, comece respeitando minhas decisões. – olhou para Deborah e voltou seu olhar a seu pai – De longe se ver que não é amado há muito tempo verdadeiramente como homem, seu coração está ausente de amor, está amargurado e cheio de ódio, sua esposa não tem a essência que seu coração e o senhor precisa, porque, quem sabe – levantando as mãos – só quem tem é a Nana, já que é a única que lhe amansa.
Victoriano ia falar mais Diana o interrompe.
— Diana: Quando der por si que amor é diferente – olhou para Deborah — de desejo. Talvez seja tarde demais para o senhor. Eu escolhi amar e ser amada. O desejo papai acaba, mas e o amor? O amor quando verdadeiro dura para sempre, é perpétuo – mais uma vez declarou e afirmou seu amor – Amo Alejandro, amo!
Diana entrou para o quarto, deixando Victoriano sem falar e respirando pesado, sentiu Deborah passar as mãos em suas costas.
— Deborah: coração, não ligue para o que sua filha diz – se vitimizando – ela nunca irá me aceitar por isso diz essas coisas, por mais que eu faça de tudo para agradá-la. Mas o que importa é que por você eu suporto tudo, porque te amo coração – pegando no rosto dele e virando para beijá-lo. Mas Victoriano se esquiva, passando por Deborah e indo em direção à sala.
Deborah fechou a cara com raiva, respirou fundo e seguiu outro caminho.
Victoriano abriu a porta e quando saiu soltou o ar que havia prendido passou a mão nos cabelos fechando os olhos, andou pelo pátio em forma de passarela.
“Diana tem toda razão ao falar que não sou amado, porque é o certo, não me sinto amado nesse casamento com Deborah por mais que ela me ame, eu não a amo, talvez eu seja o culpado e não Deborah, não devia ter me precipitado e casado com ela, fui egoísta pensei somente em mim. Agora estou de mãos atadas, Deborah grávida e eu amando cada vez mais Inês. Mas não posso deixar Deborah, não esperando um filho meu. Ah Mi Morenita, perdão por errar tanto contigo”.
Victoriano viu um carro do lado de fora do portão e Inês descendo com um terno sobre o braço e seu leque, Emiliano logo em seguida saindo tirando seu chapéu e se abanando e Arthur que parecia tentar tirar algo das mãos. Apressou os passos, quase correndo, fez sinal para um dos peões abri o portão.
Inês quando o viu ficou apreensiva. Victoriano aproximou-se deles, olhou os dois de frente colocando as mãos na cintura, já com raiva de ver Arthur ali, mordendo os lábios bravo, diz.
— Victoriano: o que faz aqui?
Arthur olha para Inês, e para não começar uma discussão diz calmo.
— Arthur: vim deixar Inês.
Emiliano que viu a distração dos três passou por trás e entrou na fazenda correndo para ir em busca de sua amada. Victoriano não gostando nada diz.
— Victoriano: E por que tanta demora para chegarem aqui, hum? Inês devia ter chegado à tempos.
Arthur não gostou nada da forma que Victoriano falou.
— Arthur: Inês só veio por sua filha, pelo que me disse, e não por você então, por favor, trate ela com mais consideração e não como se fosse um de seus empregados onde você manda e desmanda, dando suas ordens e impondo horários.
Victoriano se aproximou mais de Arthur o encarando.
— Inês: Por favor, não comecem – Inês pega no braço de Arthur – por favor, você disse-me para não me preocupar.
Victoriano tirou a mão de Inês do braço de Arthur a trazendo para o lado dele e disse com raiva.
— Victoriano: Tire a mão dele – olha para Arthur — Inês é como a mãe de minhas filhas, tenho todo respeito por ela, jamais a tratei como uma empregada porque ela sempre teve seu próprio lugar aqui e nos nossos corações e ninguém, escute bem ninguém irá afastá-la de mim. Nem se quer você – deu uma cutucada no peito de Arthur – tenho a certeza que fez de tudo para tardar a chegada dela aqui.
Inês vendo que Arthur ficou vermelho tratou de explicar o porquê da demora deles.
— Inês: Victoriano, só nos atrasamos porque o pneu furou e Emiliano com Arthur tiveram que trocar. Enquanto estamos aqui discutindo algo sem fundamento Constanza está precisando de nós.
Victoriano a olhou bem, viu que ela ainda estava com o terno de Arthur no braço, pegou e jogou em cima dele. Arthur aparou com as mãos já perdendo a paciência com Victoriano. Decidiu ir embora, via o quanto Inês estava desconfortável com aquela situação embaraçosa que Victoriano promoveu.
— Arthur: nos falamos mais tarde – olhando para ela.
Inês mais aliviada diz agradecida.
— Inês: obrigada pela carona Arthur, muito obrigada. Até mais tarde.
Arthur se direciona ao carro dele, abre a porta, antes de entrar, diz.
— Arthur: Se precisar Inês é só...
Victoriano o interrompeu.
— Victoriano: ela não irá precisar de você, agora saia das minhas terras.
Inês preocupada com Constanza olhou Victoriano com repreensão, deixou ele ali sozinho, passando rapidamente pelo portão e arrumando melhor sua bolsa em seu ombro cumprimentava seus amigos que ali trabalhavam, acenando e andando apressadamente em direção a casa. Arthur deu ré e se foi. Victoriano vinha logo atrás de Inês.
— Victoriano: Advogadozinho petulante.
Inês nada responde, só respira fundo mantendo a calma. Abre a porta da casa e entra continuando seus passos deixando aberta para que Victoriano passasse. Victoriano percebeu que ela iria subi as escadas, com certeza para ir ao quarto de Constanza, diz.
— Victoriano: Ela está no seu antigo quarto Inês.
Inês desce e segue para lá.
No quarto
As meninas olhavam Cony, enquanto Emiliano segurava em uma mão dela, beijava e acariciava. Inês entrou no quarto, parou quando viu Constanza, Victoriano chegou logo atrás dela pegando em seu braço.
— Victoriano: olha como não fala e nem olha para ninguém, parece está em outro mundo, será que pode trazê-la de volta mi Morenita? – falava baixo perto do ouvido de Inês.
— Inês o olhou: Por isso estou aqui Victoriano.
Inês foi em direção à cama, Emiliano foi para perto das meninas, estava triste por Cony, e falando com as meninas diz.
— Emiliano: estou tão preocupado com ela.
— Casandra: foi um pesadelo e tanto, parece que continua preso a ele, olha como os olhos estão vidrados – dizia angustiada.
— Diana: isso me preocupa, já está há muito tempo assim – olhou para Emiliano – por que demoraram?
— Emiliano: o pneu do carro furou. Vamos ver se mamãe consegue acalmá-la.
Inês subiu pelo outro lado para abraçar sua menina do jeito que sempre fazia. Constanza estava com o olhar vago, pálida e com os olhos em lágrimas. Inês apoiou-se de lado, com o corpo encostado na cabeceira e nos travesseiros com as pernas sobre a cama, trouxe Constanza para si, a mesma a abraçou pela cintura já reconhecendo aqueles braços que tanto as consolava. Emiliano e as meninas se olharam, Constanza com eles não se moveu para nada na cama e com Inês sem ao menos a olhar a abraçou. Inês sentiu que ela estava um pouco febril, Constanza olhou para cima e viu Inês a olhando com um leve sorriso, a mesma começou a cariciar os cabelos de Constanza que começou a chorar novamente a apertando e encostando sua cabeça sobre o peito de Inês. Victoriano quis se aproximar, mas Inês o olhou balançando a cabeça.
Inês beijou a cabeça de Constanza a abraçando também, abaixou um pouco e disse no seu ouvido.
— Inês: Só foi um pesadelo minha menina, sua Nana já está aqui, vai ficar tudo bem – levantou seu rosto e a olhou com afeto passando suas mãos e limpando as lágrimas que desciam.
— Constanza: De novo Nana e foi horrível! – disse depois de tanto tempo calada, chorando se referindo ao pesadelo, falava baixo. Mas que os outros podiam ouvir – eu... eu sou a culpada.
Inês calmamente dizia as palavras.
— Inês: Não meu amor você não tem culpa de nada. Ela jamais viria te cobrar algo, te amava muito e quer te ver feliz, liberta desses pesadelos e esse sentimento de culpa.
— Constanza: Ai Nana, tive tanto medo – com a voz embargada – por que demorou tanto?
— Inês: Já estou aqui minha vida e isso que importa – alisando seu cabelo e a olhando.
Inês pegou a mão de Constanza para beijar e viu o machucado o corte era superficial o sangue já estava seco, olhou para Victoriano e as meninas que as observavam atentamente tristes, os mirou em reprovação por não terem feito curativo na mão dela, Inês olhou para Emiliano e acenou com a cabeça em direção a uma gaveta que tinha com kits de primeiros socorros que ela deixou ali, Emiliano conhecia onde sua mãe guardava as coisa, abriu a gaveta, pegou e deixou perto de Inês.
— Inês: quando a Sra. Diana Maria estava grávida de você, sabe o que ela me dizia?
Inês começou uma conversa, sorria para ela abrindo à maletinha, se acomodando melhor na cama e pegando um algodão, fez um gesto com a mão que precisava molhar, Diana foi até o banheiro e trouxe uma pequena vasilha com água.
Constanza sabia o quê. Mas sempre quisera ouvir Inês falar, e balançou a cabeça em negação, olhando para Inês.
— Inês: “Constanza será nossa princesinha, virá para iluminar todos com sua alegria” – Constanza sorriu para ela de leve – Essa é sua verdadeira mãe, que te falava palavras carinhosas mesmo você ainda estando no ventre dela e não a mulher do pesadelo – passou o algodão molhado na mão de Constanza, para limpar — E sabe de mais uma coisa? – com o tom de voz animado.
Constanza olhava fixamente para os olhos de Inês, relaxando aos poucos sentindo seu calor maternal, sempre se sentia segura com Inês, as palavras e a maneira de falar com ela a acalmava até nos seus piores pesadelos. Inês falava com ela suavemente.
— Inês: Ela sempre cantava para você alisando sua avantajada barriga, estava tão linda grávida – sorriu – passava horas balançando-se na cadeira de balanço lá fora na grama, cantando para te, enquanto suas irmãs brincavam ela se divertia com você, se emocionava a cada chute seu em sua barriga. Constanza, você sempre foi à princesinha dela minha vida. Nossa princesa!
Constanza chorava emocionada. Victoriano deixou lágrimas escapar, estava com as emoções a flor da pele, em segundos ficava triste em outros estressado e com raiva, encostado-se na parede limpou as lágrimas. Diana e Casandra estavam abraçadas a Emiliano, olhavam Inês conversar com Constanza, cuidando dela com todo seu amor.
Depois que Inês limpou e secou a ferida expirou antisséptico na mão de Constanza, que ao sentir um leve ardor quis puxar a mão, mas Inês segurou a alisando e continuou a falar.
— Inês: Se existiu alguém que te amou tanto, esse alguém foi sua mãe, mesmo sem te ver já te amava, assim como...
Começou a fazer o curativo na mão dela, pondo a gaze, Victoriano se aproximou sentando na beira da cama e pegou a atadura, entregou a Inês, ficou a olhando com carinho, como ela é paciente, pensava ele, enquanto Inês começou a enrolar na mão de Constanza, completando suas palavras.
— Inês: Como seu pai, que te ama mais que sua própria vida – Cony olhou Victoriano com uma carinha, ele sorriu para ela – suas irmãs, Diana e Casandra, Emiliano, veja como te amam – olhando para as meninas e Emiliano que se aproximaram da cama a olhando afetuosamente, Diana passou uma mão em seu cabelo sorrindo para ela – Você tem aqui as pessoas que mais te ama, fariam tudo para te verem bem.
Inês terminou com o curativo, pegou um comprimido para Constanza dormi e deu para ela com a água que Casandra deixou sobre o criado mudo. Arrumou Constanza melhor na cama, a abraçando de frente, Constanza escondeu o rosto entre o peito de Inês, tremia estava frágil.
– Inês: Nenhum mal e nenhum pesadelo é maior que esse amor que todos nós sentimos por você e sua mãe – Inês beijou a testa dela – lá de cima olha por você e te ama cada vez mais. Você e suas irmãs é tudo que ela sempre sonhou.
Constanza a apertou mais.
— Constanza: Nana?
Inês: Hum?
Constanza: Eu te amo tanto.
Inês começou a passar a mão nos cabelos dela, estava sofrendo por ver sua menina assim, derramou umas lagrimas. Victoriano, Emiliano e as meninas ficaram olhando aquela cena que demonstrava o quanto o amor era forte, independente de Inês não ser mãe de sangue de Constanza a amava como filha, a filha que seu coração escolheu, assim como Diana e Casandra, e por esse amor estava ali cuidando dela dando toda sua atenção e afeto.
Casandra ajoelhou-se no chão perto da cama ficou passando a mão na costa de Constanza, olhou para Inês agradecida com os olhos lagrimejantes. Victoriano levantou-se indo até a janela, Inês o acompanhou com o olhar sabendo que ele não estava bem.
Diana sentou acariciando Constanza que fechava e abria os olhos, e falou baixinho.
— Diana: Ainda está com febre.
— Inês: Sim. Mas não se preocupe irá passar assim que ela descansar.
— Casandra: o que deu para ela Nana?
— Inês: um comprimido para dormir, assim vai relaxar mais e acordar melhor.
Constanza com um tempo depois que o remédio fez efeito, dormiu tranquilamente nos braços de Inês com seus cuidados, o carinho das irmãs e o remédio logo relaxou. Estava toda uma criança que quando tem pesadelos corre para o quarto de seus pais na madrugada para acalmá-la, sempre que tinha corria para o quarto de Inês e dormia agarrada a ela o resto da noite, só assim não voltava a ter pesadelos.
— Casandra: Ela dormiu Nana.
— Diana: vai ficar bem depois que acordar?
— Inês: Sim, vai ficar bem só, por favor, não pergunte nada a ela do ocorrido a não ser que ela queira contar.
— Emiliano: Mas por que mãe?
— Diana: Eu também queria entender por que ela dizia que ‘matou ela’, ela se referia à mamãe, certo?
Inês respirou fundo ainda abraçada a Constanza.
— Inês: Sim. Ela tem pesadelos com sua mãe, se senti culpada de sua morte. É algo doloroso para ela por isso acho melhor não perguntarem, só fiquem do lado dela.
Diana levantou da cama passando a mão nos cabelos.
— Diana: A morte da mamãe sempre foi algo doloroso para todas nós, vejo que para ela é muito mais, porque não teve nenhum momento com ela. Mas iremos sempre está do lado dela Nana.
Inês concordou com a cabeça olhando para Constanza que dormia calmamente.
— Casandra: Nem parece a Cony que vimos desesperada correndo para cá, estava com tanto medo. Olha como agora dorme serena.
Emiliano se aproximou passando a mão e beijando a cabeça dela.
— Emiliano: tenho a certeza que ela vai ficar bem, tratarei de fazê-la feliz e se curar desses pesadelos.
As meninas sorriem para ele o abraçando.
— Diana: Tenho a certeza que sim.
— Casandra: Vou me arrumar e depois volto, tinha que ir trabalhar. Mas como ela não está bem irei ficar aqui.
— Emiliano: Eu também.
Inês os olha.
— Inês: não, vocês precisam trabalhar, vou ficar com ela.
Victoriano se aproxima com as mãos no bolso da calça.
— Diana: não Nana, não podemos abusar de você, deve ter seus afazeres também.
— Inês: Não tenho nada de especial para fazer, Constanza é o que me importa agora, já disse que ficarei com ela, podem ir até porque Constanza não se acordará agora.
— Casandra: Ok Nana. Mas qualquer coisa nos ligue.
— Diana: Sim Nana, também tenho que ir a empresa e obrigada por tudo. Apesar do que descobrimos ontem e de tudo que aconteceu, está aqui, mesmo assim veio ajuda-la.
Emiliano as olhou.
— Emiliano: Mas o que aconteceu ontem? Você ficou de me falar mãe. Disse que tinha algo haver com você e – olhou para Victoriano — ... e as meninas.
Inês o olhou temerosa de sua reação. Emiliano e Victoriano nunca se deram bem e ela tinha a certeza que seu filho iria reagir de uma forma não muito boa.
— Diana: Bom, acho melhor deixar para falarmos sobre isso quando Constanza melhorar.
— Casandra: o que mais importa agora é que Cony melhore, então vamos nos unir por ela.
— Emiliano: mas quem está desunido aqui? Irei ficar sempre ao lado de Constanza, jamais irei abandoná-la a não ser que ela me obrigue – rindo – bom já irei, na hora do almoço venho aqui vê-la – indo até Inês e beijando seu rosto – até mais mãe – beijou a cabeça de Constanza antes de ir.
As meninas se despediram também e saíram cada qual para seus quartos para depois irem a seus trabalhos. Inês e Victoriano ficaram sós, ele a olhou abraçada a Constanza, estava se sentindo impotente. Não sabia como reagir com a situação da filha e ainda por cima estava com raiva de Inês por ter vindo com Arthur e assim ele permaneceu calado a olhando. Até que deu passos em direção à porta e Inês vendo que ele estava com sentimentos controversos e sua intenção de sair, o chamou.
— Inês: Victoriano volte aqui!
Ele fecha as mãos com força e vira para ela a mirando duro. Inês já sabia o por quê daquele olhar.
— Inês: Não me olhe assim.
Victoriano se aproxima da cama esbravejando.
— Victoriano: Por que trouxe aquele mequetrefe para minha fazenda? Sabe muito bem que não gosto dele e muito menos com você e ainda assim o trás para cá, por que faz isso hãn Inês? Se não tinha como vim, só era pedi que uns dos peões iam buscar vocês e ainda por cima o pneu fura a pondo em risco nessas estradas – gesticulando com as mãos – agora me diz o que diabos se passa realmente com Constanza, nunca vi minha filha agir daquela maneira, desesperada correndo pela casa, gritando e não querendo nem que toquemos nela. Entendir que se senti culpada pela morte de Diana Maria, mas quero saber quem colocou isso na cabeça dela, quem Inês?
Inês com a mão no ouvido de Constanza para não se assustar com os berros de Victoriano, diz.
— Inês: Agora posso falar? – o olhando – vou pedi, por favor, que não altere sua voz – respira fundo – Não trouxe Arthur para sua fazenda, lembre-se que ele me deixou no portão, nem sequer passou por ele, você que é um exagerado e grosso ao agir daquela maneira a gentileza dele em me trazer. Sabia que reagiria assim. Mas não quero e nem vou deixar de ver Arthur porque isso te molesta. Arthur é meu amigo e você para mim é somente... – ele a olhava apertando os lábios nervoso.
— Victoriano: Vamos... diga. Somente o quê?
Inês respira fundo e muda de assunto respondendo a ele sua outra pergunta sobre Constanza.
— Inês: Ninguém colocou na cabeça de Constanza que ela é culpada pela morte da mãe, ela sempre se sentiu assim por saber que a Sra. Diana Maria morreu depois do parto.
— Victoriano: Vamos ao meu escritório.
— Inês: O quê? Não Victoriano, já respondi suas perguntas, daqui não saio, só estou por Constanza, para ficar com ela.
Victoriano passa a mão na cabeça e vai até o outro lado da cama e estende a mão para Inês que o olhava apertando mais Constanza a seu corpo.
— Victoriano: Vamos ao meu escritório Inês!
— Inês: Já disse que não.
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