Notas iniciais
Meus amores, só avisando que o site deixou a fic somente como "Las Amazonas", então quando procurarem já sabem.. E mais, esqueci de avisar no cap. anterior que, acrescentei algumas coisas no 1cap. O motivo era que estava com cara de cap único rsrs (porque como sabem essa fic ia mesmo ser cap. único). Agradecimentos a todas que favoritaram: Amanda Antônia, Maria Silva, EllaEvora supremealways, Alana Prada, Rita Elisa DaVR, Maia riita simples, Baldini TekiaZ, Crystal Grey, Torres huddy, Costa, Chrisprs, dilma nunes da silva, marcinha ruffo evora, Loire Caroline ♥ Jessy Ruffo, Lupita Évora Ruffo obrigada pelo incentivo linda. Boa leitura!

— Empresas Sanlact –

Em seu escritório Diana falava ao telefone com Bermúdez, o detetive que trabalha também para seu pai, que a mantinha informada das investigações sobre Deborah e seu passado.

Impaciente ela o colocava contra a parede.

— Diana: Mas, como ainda não tem? Quero o mais rápido possível provas contundentes para desmascarar essa mulher Sr. Bermúdez – batendo o dedo na mesa – imediatamente e não me faça falar com papai e dizer que passou um relatório falso sobre Deborah e isso lhe causaria um grande dano na sua carreira profissional. Não queira ter os Santos como inimigo.

Nervoso do outro lado ele falava.

— Bermúdez: Se...Senhorita Santos... Se lhe contei sobre o pai de Deborah ter se suicidado, é para provar a senhorita que estou do seu lado.

— Diana: para o seu bem é melhor que esteja falando a verdade mesmo – respirou fundo – agora me arruma provas suficientes, quero as verdadeiras investigações em minhas mãos já! Me ouviu bem? Já!

— Bermúdez: Si...sim senhorita, o quanto antes te darei, só por favor, me dê tempo.

Diana o intimida.

— Diana: Nem pense em me passar a perna Sr. Bermúdez – o alertou – amanhã te ligarei, acho que será tempo suficiente.

— Bermúdez: Mas senhorita...

— Diana: Mas nada ou me entrega amanhã ou o papai saberá que o enganou – desliga.

Diana passa as mãos no rosto respirando fundo e se recostando na sua cadeira. Pensativa.

“Não posso confiar totalmente nesse homem, se mentiu para papai, pode muito bem fazer o mesmo comigo, só não o desmascaro por não ter provas em mãos de que ajudou Deborah a enganar papai. O que Deborah fez para que ele a ajuda-se e por que ele a ajudou? O que essa mulher pretende? Ai – fechando o olhos – tenho que tirar essa descarada da vida do papai imediatamente, o mais longe possível. Tenho que fazer minhas próprias investigações, para não ter sombras de dúvidas e assim o papai acreditar em mim, com Bermúdez tudo pode ir por água abaixo, não dá para saber de que lado de verdade estar. Por isso contratei um detetive e esse está na cola de Bermúdez, vamos ver até onde ele me levará. Ai meu Deus, me ajude. Preciso desabafar antes que eu jogue de vez essa bomba em cima do papai”

Diana levantou da cadeira subitamente.

— Diana: Nana! – olhando seu relógio – tenho a certeza que ainda está lá em casa.

Diana pega sua bolsa vai em direção à porta abre rapidamente, mas dá de cara com Alejandro que a abraçou rodopiando com ela nos seus braços a beijando e entrando com ela novamente para a sala, os dois sorriem entre o beijo. Ele a coloca no chão cessando o beijo.

— Diana: Alejandro – soando apaixonada sorrindo – como está?

Ele passa seu nariz no dela com carinho.

— Alejandro: Feliz meu amor – encostando suas testas – feliz por ter você e seu amor – dando-lhe um selinho – e você meu anjo?

— Diana: Não muito bem – com expressão de preocupação — Constanza está mal, teve pesadelos com nossa mãe, não quis conversar, só falou com a Nana, que Graças a Deus está cuidando dela agora.

— Alejandro: sinto muito por ela, mas tenho a certeza que irá melhorar logo com os cuidados e carinhos de Inês – pensou no dia que teve com Inês e sorriu – Sabe, Inês é uma grande mulher, carinhosa, amorosa... Passei um dia divertido com ela, era como se sentisse parti de mim nela e dela em mim – com uma expressão confusa – Não sei – rindo – talvez seja porque nunca conheci minha mãe.

— Diana: Ah é sim – sorrindo — Inês sempre foi muito boa comigo e com minhas irmãs, cuidou de nós como se fosse nossa verdadeira mãe ♥ – ficou séria – mas aconteceu que descobrimos que ela e papai tiveram um relacionamento no passado – andando pela sala.

— Alejandro: Diana isso não quer dizer que Inês e seu pai tiveram algo enquanto sua mãe esteve viva, tem que ouvi-la primeiro.

— Diana: então já sabe disso? Nem tive tempo de lhe falar com tudo que aconteceu...

— Alejandro: Sim meu amor – pegando nas mãos dela e beijando – Inês estava super triste, se sentia mal por vocês pensarem o pior dela.

— Diana: não quero falar sobre isso agora. Iria falar com a Nana, neste momento ia pra casa. Mas é sobre outra coisa.

— Alejandro: sobre o quê? Posso saber?

— Diana: Aquela mulherzinha – com cara de nojo — Deborah

Elias que ia à sala de Diana ouviu o nome de Deborah, parou na porta ouvindo a conversa escondido.

— Alejandro: o que tem a esposa de seu pai?

— Diana: sabe que não confio nela e por isso estou pressionando o investigador, aquele que trabalha para o papai, Sr. Bermúdez, pelo que diz está do meu lado. Mas não sou tola em acreditar totalmente nele. Amanhã ele me dará as verdadeiras provas de que Deborah não é quem diz e assim livrarei papai das garras daquela mulherzinha.

— Alejandro: meu amor tome muito cuidado com tudo isso, se essa mulher for mesmo perigosa você e sua família correm perigo.

Diana passa a mão no rosto dele.

— Diana: não se preocupe – respira fundo – sabe o que Bermúdez me disse sobre o passado de Deborah? – Alejandro a olha interrogativo – disse-me que seu pai se suicidou na sua frente – Alejandro pôs as mãos na boca espantado.

Fora da sala Elias saiu apressado com lágrimas nos olhos ao ouvir falar do suicídio de seu pai, isso lhe doía muito. Cresceu ouvindo dizer por sua irmã Deborah de que seu pai morreu por culpa de Victoriano Santos, o homem pelo qual ele odiava profundamente, não tanto quanto sua irmã, que até por sua vingança se deitava com o homem que tanto ódio tinha. Se apaixonou por Diana, mas nem isso fez com quem seu amor por ela matasse a sede de vingança que tinha por Victoriano. E assim entrou em sua sala batendo a porta com força derramando dolorosas lágrimas, derrubou objetos da mesa com raiva. Deborah entrou em sua sala e viu seu estado.

Quando saiu do elevador o viu aparentemente vindo da sala de Diana transtornado e o seguiu, deduziu que ela fosse o motivo pelo qual seu irmão estava assim.

— Deborah: O que está acontecendo Elias? O que aquela estúpida te fez?

Deborah foi em direção dele e o sentou na cadeira o abraçando por trás. Elias com os olhos vermelhos, disse com ódio.

— Elias: vamos acabar o quanto antes com esse maldito que destruiu nossa família irmãzinha. Victoriano Santos – olhando para um ponto qualquer – irá chorar lágrimas de sangue por toda dor que nos causou.

Deborah beijou sua cabeça com um semblante de puro prazer e ódio por ouvir seu irmão falar assim, diz.

— Deborah: iremos o atingir onde mais lhe dói – virou o rosto de Elias para olhá-la – vamos começar por Constanza, depois Casandra, Diana e por último no seu amorzinho a criada. Como pode amar aquela infeliz? – bufando.

Elias levantou-se.

— Elias: Então Victoriano ama Inês a Nana das meninas? – Deborah o olhou com o semblante de raiva e confirmou com a cabeça — Interessante, não sabia disso. Mas por que Diana? Deixemos ela fora disso Deborah, nosso alvo é Victoriano...

— Deborah: E quem ele ama... Por acaso se esqueceu que o motivo da morte de nosso pai foi por culpa de Victoriano? Esse desgraçado tirou quem mais amávamos nos deixando na miséria e nada mais justo que fazermos o mesmo com ele hum – segurando o rosto de Elias em suas mãos, com lágrimas diz – quero ver esse infeliz sem a família, sem suas riquezas, quero o ver na rua vagando sem ter para onde ir, assim como nós um dia tivemos.

Os dois se abraçam com o ódio reinando em seus corações. Elias a afasta segurando em seus ombros, diz temeroso.

— Elias: Deborah, Diana está investigando você e com a ajuda de Bermúdez, pelo que ouvi amanhã ele entregará as provas e investigações sobre você e sua verdadeira identidade – a sacudindo – se caso isso acontecer todo esse tempo dedicado a nos vingar dos Santos irá por água abaixo, temos que fazer algo, temos que fazer algo... e se... e se ela descobri que somos irmãos e me odiar?!

Deborah leva as mãos no rosto dele, para o acalmar o olha nos olhos.

— Deborah: isso não vai acontecer se acalme sim — beijando sua testa – Bermúdez é ambicioso, só darmos uma boa quantia em dinheiro para ele e isso deixará de ser problema. Esse maldito não nos vai passar a perna, antes eu acabo com ele – Elias espantasse – tranquilo hum – passando a mão em seu rosto – nada que irá nos comprometer. Se quer reconquistar Diana aproveite e vá hoje na fazenda, aquela mimada da Constanza não amanheceu bem, você dando todo seu apoio a ela e se mostrando preocupado arrecadará pontos para você, e com o Veterinário... Esse pessoalmente eu cuidarei. Esse romance entre os dois não durará muito tempo, não permitirei que ninguém estrague nossos planos.

Deborah vai em direção aporta para sair.

— Elias: farei o que me pede Deborah, só não quero que inocentes se machuquem, lembre-se que nossa vingança é contra Victoriano, somente contra ele.

Deborah respira fundo revirando os olhos, vira-se para olhar seu irmão e diz antes de sair.

Deborah: Assim será irmãozinho.

Deborah na sua sala liga para Bermúdez, promete em dar-lhe uma alta quantia em dinheiro, por tanto que ele ficasse calado. O mesmo aceitou o trato, mas Bermúdez queria mesmo se sair bem, iria tirar proveito de Deborah e Elias, já que com Diana não conseguiria nada a não ser complicações com Don Victoriano, e assim pensou em tirar o quanto pudesse de dinheiro dela e depois sumiria pelo mundo.

— Fazenda Las Dianas -

Victoriano ainda estava no quarto, horas já tinha passado com ele ali calado, insistiu para Inês ir com ele ao escritório, mas ela não quis, pelo simples fato de não querer ficar a sós com ele, pelo menos no quarto tinha Constanza entre eles e não correriam o risco de se entregarem aos beijos como aconteceu em sua casa. Então Victoriano sentado do lado de Inês na cama decidiu lhe dar um tempo para que ela se acalmasse, pensava ele que Inês estava nervosa por isso não queria conversa, mas na verdade quem estava era o próprio e esses tempos todos ali o fez se acalmar de qualquer forma ela estava por perto e isso o aliviava.

Inês permanecia abraçada a Constanza passando as mãos em seus cabelos, de vez em quando cantava bem baixinho para ela, mesmo com ela dormindo e isso fazia Victoriano fechar e abrir os olhos querendo cochilar. Inês virou um pouco o rosto para olhá-lo, sorriu ao ver como estava e disse.

— Inês: acho melhor você se deitar.

Victoriano esfregando os olhos sentando-se melhor na cama, diz.

— Victoriano: Estou bem assim.

— Inês: Por que ainda está aqui? Já passou tanto tempo ai calado, você está bem mesmo? Se quiser pode ir para a empresa, eu disse que ficaria com ela, não se preocupe.

Ele a olha.

— Victoriano: Estou bem, prefiro ficar aqui, Diana está cuidando de tudo na empresa tenho a certeza, se tivesse algo urgente ela me ligaria.

— Inês: Victoriano você já está com dois dias sem ir à empresa pelo que sei, contando com hoje que não comparece com teus deveres, como chefe e dono deveria estar lá dando exemplo, não acha? – ele ficou a olhando sério, Inês querendo lhe dar ordens, mas antes que ele falasse Inês diz – Mas já que quer ficar aqui, me ajudará a cuidar de nossa menina – se soltando de Constanza, ficando sentada na cama sobre suas pernas dobradas arrumando sua blusa e seus cabelos – vou à cozinha preparar algo para ela comer, tem que se alimentar, não demorará pra acordar com fome.

Inês percebeu que ele ficou parado a olhando.

— Inês: o que foi?

— Victoriano: Porque sempre fica dizendo o que devo fazer Inês? Sei das minhas obrigações, não preciso de sermões. Se quero ficar vou ficar aqui com minha filha, que é o que mais me preocupa no momento e não um monte de papeis e gente me enchendo até a tampa.

— Inês de braços cruzados diz: O que realmente precisa é de uma boa esposa! – levantado levemente os braços — Cadê ela que não se preocupou nem de vim ver como a filha do seu ‘corazón’ estar? Não estou querendo cobrar nada de você Victoriano e muito menos dela como esposa e madrasta, porque isso não cabe a mim e sim unicamente de você como pai e marido e a ela como uma boa esposa e companheira, que deveria se preocupar tanto com o bem estar do seu esposo como o das filhas.

Inês sai da cama com Victoriano a olhando, e continuou a falar gesticulando, em frente à cama em pé.

— Inês: Perdão se fui inconveniente Don Victoriano. Entendo que está preocupado com Constanza, quer ficar com sua filha e isso é muito bom assim se aproximará mais de Constanza, saberá de seus gostos, seus desejos e sonhos. Se desse mais de seu tempo, e atenção que ela necessita e se dedicasse mais a ela como está fazendo agora descobriria e disfrutaria muito mais de sua filha, assim como Diana e Casandra, aprenda a escutá-las, entendê-las, não como o GRANDE Victoriano Santos, mas sim como o pai, um amigo. Será que pode entender isso?

Inês não espera resposta dele e caminhando em direção à porta, comunica.

— Inês: Qualquer coisa com a Cony, estou na cozinha.

Victoriano respirando fundo pelo atrevimento de Inês ao falar com ele e ainda mais por ela estar querendo se colocar como uma empregada a ele em seu modo de falar. Passou as mãos no cabelo arrependido e impaciente trazendo para seu rosto bagunçando seus belos fios. Olhou Constanza dormindo ao seu lado, beijou demoradamente sua testa de olhos fechados, como se quisesse manter a calma. Saiu da cama em passos largos até a porta, quando abriu Jacinta estava pronta para entrar.

— Jacinta: Desculpe Patrão, a Inésita pediu para o Senhor levar a Senhorita Cony para o quarto dela, mandou eu vim lhe ajudar.

— Victoriano: vamos logo então.

Jacinta olhando Victoriano levar Constanza nos braços para o quarto que já estava limpo, sem vidros e com a cama bem arrumada, somente abriu a porta do quarto de Cony para ele passar, que por sinal estava com a fechadura quebrada, ficando assim somente encostada e ela vendo aquilo ri indo em direção à cama de Constanza levantando o lençol para Victoriano coloca-la debaixo.

— Jacinta: parece que uma manada de touro passou ali pela porta da Senhorita Cony Patrão – rindo e indo para ao outro lado da cama.

Victoriano com Constanza nos braços a deitou na cama olhando sério para Jacinta que parou de ri, ele a cobriu e beijou seu rosto.

— Jacinta: Credo Patrão parece até que deram tranquilizante de cavalo na Senhorita Cony, veja nem se mexe, eu com uma locomoção dessas já tinha acordado de dez.

Victoriano: Menina pare de falar asneiras e fica aqui com ela.

— Jacinta torcendo seu avental entre as mãos diz: Com todo prazer ficaria aqui com a Senhorita, mas Inésita pediu para eu voltar e ajuda-la no almoço.

— Victoriano: Que história é essa? Inês está fazendo o almoço é isso? – esbravejou.

— Jacinta: é... é... sim, irá fazer ainda. É que Patrão ela disse que quer fazer a comida preferida da Senhorita Cony... então

— Victoriano: então nada, ela saiu do quarto dizendo que iria fazer somente um lanche para Constanza! Inês não está aqui de empregada, esse é o trabalho de você com as outras cozinheiras – indo em direção à porta – Inês me tira do sério... e quando vou falar com ela nunca...

Jacinta não conseguiu ouvir mais nada, pois ele saiu do quarto soltando fumaças. E sacudindo as mãos sentou-se na cama.

— Jacinta: Iiih Senhorita Cony – olhando para Constanza que dormia, sentou-se na cama – só a Inésita mesmo para aguentar os berros do Patrão – passando a mão no cabelo dela – Ai mais que sono pesado a Senhorita tem ein – Constanza se mexeu, Jacinta tirou sua mão ficando em pé ao lado da cama.

*Cozinha*

Na cozinha Inês já tinha colocado o avental preparou um pequeno lanche para Constanza para quando acordasse comesse algo antes de almoçar, já que estava perto da hora do almoço e assim deixou a merenda preparada em cima da mesa em uma bandeja. Começou a ajudar as mulheres que ali trabalhavam que foram suas companheiras de muitos anos, entre risos e conversar preparavam o almoço. Inês estava jogando uns legumes dentro da panela, enquanto as outras preparavam as demais comidas indicada por ela, as preferida de Constanza.

Pegando uma colher mexia na panela, quando ouviu os gritos de Victoriano ecoando pela casa, fazendo assim as mulheres da cozinha pular assustadas.

— Santo Deus – exclamou uma com a mão no peito.

— INÊS... INÊS – esbravejava Victoriano.

Inês olhou para as meninas atrás de si e voltou o que estava fazendo, não se importando com os berros de Victoriano. As mulheres se olharam apreensivas.

— Dona Inês, acho melhor ir até lá – disse Francisca, uma senhora que trabalhava ali como cozinheira.

— Inês: Não é necessário, pela demora de Jacinta já sei o que vai me dizer – balançado a cabeça – aquela menina... Só era ajudar e voltar.

Candela entra na cozinha correndo.

— Candela: Dona Inês... Inésita... Ai o Patrão está com os cãos gritando lá na sala lhe chamando.

Ela achando desnecessário a exaltação de Victoriano, somente balançou a cabeça negativamente, não estava querendo discuti com ele.

Victoriano irritado por Inês não ter ido quando a chamou apareceu na cozinha vendo ela na beira do fogão e de avental mexendo em uma panela com a colher, mordeu o lábio. Mandando nas outras empregadas com sua voz firme, diz.

— Victoriano: Saiam!

As mulheres saíram rapidamente. Inês respirou fundo, colocou a colher sobre o balcão pegando a faca começou a cortar em pedaços morangos que tinha sobre uma tigela, para acompanhar a sobremesa que estava preparando também para sua menina. Mostrando assim para Victoriano que não se importou com sua presença. Sentiu que ele estava bem atrás dela por sentir sua respiração forte e pesada passar por seus fios e alcançar sua nuca, fechou os olhos com aquela sensação, acabou cortando o dedo soltando a faca, se afastou batendo-se de costas sobre o peito de Victoriano que pressionou o corpo dela contra o seu, com suas mãos na barriga de Inês a levou em direção a pia, ligou a torneira e colocou o dedo dela sobre a água, Inês sentiu um leve ardor.

— Victoriano: Maldição – preocupado vendo o sangue escorrer por seu dedo – se tivesse me ouvido nada disso teria acontecido.

— Inês: Ai – com uma expressão de dor – Do que está falando? Você não me disse nada Victoriano a não ser gritar.

— Victoriano: você me ignorou mulher. Está doendo muito?

Inês negou com a cabeça. Victoriano desligou a torneira, pegou o dedo de Inês e colocou em sua boca chupando, sentindo o gosto de sangue juntamente com morango. Inês ficou o olhando surpresa, sentindo algo, prendeu a respiração por um momento e soltou pela sua boca levemente aberta, sentido a língua quente com os lábios de Victoriano sobre seu dedo, fez ela morder forte o lábio sentindo aquela sensação. Quando soltou lentamente deu um beijo na ponta do dedo de Inês. Viu que parou de sair sangue, ligou novamente a torneira colocando seu dedo em baixo. Inês o olhava enquanto Victoriano estava atento ao que fazia, pegando um sabão esfregando em sua mão e passando suavemente sobre o dedo dela.

— Victoriano: seu gosto é doce... e não é somente pelo morango.

Inês engoliu em seco, queria o beijar, mas se conteve.

— Victoriano: Não me olhe assim mi Morenita.

Inês com a voz baixa, pergunta.

— Inês: Assim...como?

— Victoriano: Como se estivesse pedindo para eu tomá-la – pegando um lenço limpo e envolvendo em seu dedo – para mim não é nada fácil também.

Inês sem jeito puxou a mão da dele agradecendo e virou de costas segurando o lenço sobre seu dedo.

— Victoriano: por que Inês?

— Inês: só queria agradar Constanza, fazendo sua comida favorita. Não precisava ficar tão exaltado Victoriano.

— Victoriano: Não digo sobre isto – a virando – o que aconteceu entre nós Mi Morenita? Onde foi que erramos?

— Inês: por que isso agora Victoriano? Deixemos o passado para trás, esqueça.

Inês tenta virar de costas para ele, mas Victoriano a puxa.

— Victoriano: Não – exclama — Se esquecer o passado for esquecer o amor que sinto por você, prefiro o manter, por mais doloroso que seja – acariciando com as costas dos dedos a maçã de seu rosto.

Victoriano um homem de humor flutuante entre o céu e o inferno. Quando calmo, era carinhoso, amoroso, atencioso com todos. Mas quando contrariado não media suas palavras e seu tom autoritário. Com Inês por curtos momentos se enfurecia por enfrentá-lo e falar o que merecia ouvir, mas admitira que jamais viveria sem os conselhos de Inês. Personalidade forte ele sempre teve, mas de coração nobre, isso ninguém podia negar, esse coração que encantou a Inês deste o primeiro momento que seus olhos se cruzaram, puderam sentir que um seria do outro por toda a vida, que seus corações jamais pertenceriam a outros, porque o amor os escolheram.

Olhando-se por um longo tempo sentiam a dor de não estarem juntos. Inês baixa o olhar querendo quebrar o contato visual e não se entregar a aquelas palavras de Victoriano.

Mas ele insistiu levantou seu queixo e perguntou mais uma vez.

— Victoriano: Onde erramos para que o destino nos separasse assim tão cruelmente e depois de tempos te trazer novamente para perto de mim, mas não como eu sonhara como eu desejara. Você regressou somente como a Nana das minhas filhas. Por que Mi Morenita nosso amor teve que sofrer tanto?

— Inês: Victoriano – com voz de choro — não fizemos nada mais que amarmo-nos. Esse amor nos fez feliz e depois nos fez sofrer. Não sei se a culpada sou eu ou aquele demônio encarnado do pai de Emiliano. Tudo Victoriano esteve contra nós, o destino empenha sempre em nos separar.

— Victoriano: Mi Morenita – com a voz embargada – você e nem o nosso amor teve culpa de nada e sim a maldade daquele miserável – fechando os olhos — Como eu te amo Inês... Inês – encostando a testa na dela – não te esquecerei nunca, nunca. Minha pele jamais vai deixar de necessitar-te, e do meu coração você não irá sair, iremos morrer nos amando Inês.

— Inês: Apesar de tudo Victoriano, não me arrependo de ter te conhecido – tocando no rosto dele – não me arrependo de ter sorrido para te sem ao menos te conhecer e ali – com lágrimas nos olhos – Ali em meio às flores ter me apaixonado perdidamente por você. Você sempre será meu grande amor, sempre – deixando cair às lágrimas que segurava – mas não podemos ficar juntos, você sabe muito bem disso, a única coisa que agora nos uni é o amor de pais.

— Victoriano: Inês... – contrariado – não falhe assim, não quero te perder – passando a mão em sua nuca encostando seus narizes, em um gesto carinhoso – Sabe de uma coisa? Meu coração e minha vida nunca mais foram os mesmo depois daquele seu sorriso – os dois de olhos fechados com suas testas coladas sorriram em meio às lágrimas – estava tão linda concentrada no que procurava no mercado que nem percebeu quando a segui – os dois deram as mãos, ficaram mais próximos sentindo suas respirações – Você Inês Huerta roubou meu coração assim que passou em minha frente... E aquele pestinha do Carlinhos roubou meus queijos quando abandonei a venda para ir ao teu encontro – os dois sorriem lembrando-se. Afastaram suas testas, olharam-se rindo, Victoriano limpou as lágrimas dos olhos de Inês com seu polegar, ela fez o mesmo com ele.

Escutaram baixos risos na cozinha e olharam para ver quem eram. Inês solta às mãos de Victoriano rapidamente olhando para as quatro pessoas que os miravam com lágrimas nos olhos e com o sorriso bobo por ter ouvido parte da emocionante e triste história dos dois.

Diana, Alejandro, Casandra e até Constanza estavam os mirando. Diana tinha ido falar com Inês, Alejandro a acompanhou, mesmo sabendo que Victoriano não gostava dele, mas queria ver Constanza que também estava ali, acordou-se por ser mais de meio dia e seu estômago ter dado sinal de vida, Casandra como não recebeu nenhuma ligação sobre o estado de Constanza foi para casa por estar preocupada ainda mais por ninguém a ter atendido quando ligou. Enfim, o destino tratou de coloca-los justo no momento em que recordavam parte de sua história e sofrimentos.

Emiliano, esse era o único que não estava presente e isso talvez não fosse nada bom, porque o mal por ai andava e em forma de gente, de seu próprio pai, Loreto.

Em gritos animados e emocionados de Jacinta e Candela, que também tinham ouvido a conversa dos dois em um canto escondidas da cozinha, tirou o olhar nervoso de Inês e todos ali presentes em direção a elas que ficaram sem jeitos com tantos par de olhos sobre elas e saíram correndo.

Inês apreensiva perguntou preocupada com a reação das meninas.

— Inês: ouviram tudo?

As meninas balançaram a cabeça, Alejandro as olhou e acompanhou afirmando também com o aceno de cabeça. Inês juntou as mãos em forma de prece em sua boca.

Victoriano saiu do transe, falando rapidamente e já se zangando.

— Victoriano: Se...se irão querer gritar comigo e Inês novamente fiquem sabendo que não vou permiti e só irão sair daqui quando nos escutarem me ouviram bem? Não pense que irei permiti que saiam. Merecemos pelo menos que nos dê espaço para explicar, falar realmente o que houve entre nós.

— Diana: Papai...

— Victoriano: Inês ama vocês com todo o coração, as criou com todo carinho, se dedicou a educa-las, ficou ao lado de vocês, cuidando, dando todo sua atenção, dedicou a vida toda a vocês e a essa família. Não tolerarei mais nenhuma palavra maldosa e difamadora contra ela...

— Constanza: PLEASE, STOP — exclamou fazendo Victoriano parar de falar – Pare de falar papito, ok?

Constanza só com roupa de dormi foi até Inês e a abraçou encostando sua cabeça em seu peito a apertando, Inês ficou surpresa. Levou, suas mãos as costas de Cony e a abraçou.

— Inês: como se senti? está melhor?

— Constanza: Sim. Nana... – olhou para Inês lagrimejando.

— Casandra: que triste e emocionante história – a abraçando com a voz embargada.

Diana se aproxima, Alejandro fica parado no seu lugar com Victoriano o encarando e depois voltando seu olhar para as filhas e Inês.

— Victoriano: será que agora podem nos ouvir?

— Diana: Nana – pegando na mão de Inês, enquanto Casandra e Constanza ficaram ao seu lado abraçando-a – só queremos que – limpando as lágrimas – Que nos esclareça algumas coisas, como por exemplo: onde conheceu mamãe? Por que mesmo estando apaixonada pelo papai ainda continuou aqui, vendo ele casado com nossa mãe e depois com... aquela mulher? O que te trouxe até aqui afinal?

Inês olhou para Victoriano hesitante, se afastou deles indo até o balcão colocando suas mãos ali, fechou os olhos, de certa maneira Victoriano também não sabia o porquê de Inês ter virado amiga de Diana Maria e ficado em sua casa trabalhando, a única coisa que sabia era que Diana Maria a contratou no tempo em que ele estava em uma viagem de quase dois meses fora do país. Os dois quando se viram pela primeira vez na casa não tocaram entre si no assunto de terem sido namorados, o começo foi incomodo para Victoriano e Inês. Diana Maria sabia do que houve entre os dois antes de Victoriano se casar com ela, a pedido de Vicente, Inês mesmo contou a ela, Diana Maria não os julgou, confiava em Inês e sabia que jamais poderia amar Victoriano como amor Vicente, assim como sabia que Victoriano continuava a amar Inês e vice-versa.

Com os olhares curiosos de todos ali presente e ansiedade de Victoriano, Inês virou-se para eles e disse.

— Inês: Vamos até seu escritório Victoriano, podemos conversar com mais privacidade. Meninas vão na frente com seu pai, chamarei as mulheres para terminarem seus afazeres.

— Victoriano: Te esperamos no meu escritório então Inês – olhando para Alejandro – e você Sãn Roman... Já pode ir.

Diana olhou para Victoriano e foi em direção a Alejandro pegando em seu braço e saindo da cozinha, as outras acompanharam. Victoriano antes de ir olhou para Inês respirando fundo e saiu. Diana pediu para Alejandro espera-la na sala.

Assim que Inês chamou as meninas para terminarem o que faziam, foi em direção ao escritório, Alejandro estava na sala sentado, Inês o chamou para entrar com ela.

Indo até Inês Alejandro disse.

— Alejandro: Acho que não será bom eu entrar. Viu como Don Victoriano me olhava? Pensei que iria me matar somente com o olhar – rindo.

— Inês: só você mesmo para me tirar um riso em meio a essa tensão – pegando na mão dele – se me permite, quero que entre comigo, segure em minha mão, você me trás confiança, de certa maneira me tranquiliza Alejandro. Sinto em meu coração que algo em te me é especial.

Alejandro emocionado diz: Também sinto o mesmo, é como se em você visse a...a mãe que nunca tive – beijando a mão dela – cuide desse machucado depois hum, tem que passar remédio e fazer curativo, às vezes um pequeno corte pode nos deixar doente senhorita – passando o dedo no nariz dela, Inês sorri – dando seu braço para ela – então vamos lá, pela senhora irei enfrentar essa.

Inês pega em seu braço.

Alejandro abre a porta do escritório deixando-a passar primeiro, Victoriano estava sentado batendo os dedos na mesa, Cony e Diana sentada, Casandra em pé. Quando viram Inês entrando com Alejandro, Victoriano levantou.

— Victoriano: Não falei para você ir embora? O que faz aqui?

— Inês: eu o chamei para entrar – encarando Victoriano.

— Victoriano: Não o quero aqui, é assunto de família.

— Inês: sendo assim então irei sair – fazendo menção em sair.

— Victoriano: Inês – a chama.

— Diana: Espera Nana. O papai querendo ou não, Alejandro fica. – olhando para Victoriano – meu namorado vai ficar, o que Nana tem a dizer é para nós e se ela quis que Alejandro tivesse presente é porque ela tem seus motivos, não leve as coisas somente para o seu lado pai.

— Casandra: Gente por favor – gesticulando com a mão – vamos parar com isso. Papai o Senhor também ein.

— Victoriano: Sãn Roman... – apontando ameaçadoramente para ele e sentando – Inês — olhando para ela e acenando com a cabeça, mostrando assim que o espaço era todo dela para começar a falar.

Inês olha para Constança e se aproxima pegando em seu ombro.

— Inês: Primeiro me diz se está bem mesmo Cony, se não tiver deixemos para outro dia.

— Constanza pega na mão dela: Não estaria melhor se não fosse você aqui comigo, pode contar Nana, estou bem, juro.

Inês vai até a janela do escritório segurando ainda no braço de Alejandro, respira fundo, olhou para ele que acenou com a cabeça dando um leve sorriso para ela. Inês voltou sua vista para todos ali e começou a falar.

— Inês: Eu e Victoriano nos conhecemos ainda jovens, nos apaixonamos perdidamente – olhando Victoriano – tínhamos vários sonhos juntos, nos amávamos intensamente. Mas não foi possível realizar todos esses sonhos... o destino foi cruel conosco, me afastou de Victoriano impiedosamente. Imaginem vocês a dor de perder o grande amor de suas vidas – as três ficaram quietas, imaginando o quão sofrido poderia ser, Diana olhou para Alejandro — Meus primeiros dias longe de Victoriano – derramou uma lágrima fria e amargurada, estava muito nervosa – foram os piores de minha vida, eu fui humilhada das piores formas possíveis – apertou o braço de Alejandro fechando os olhos rapidamente, Victoriano queria abraça-la por saber que para Inês isso era muito difícil, as meninas a olhavam angustiadas – um homem desgraçou minha vida, foi de uma maneira imensurável. Eu não tinha ninguém, também não podia contar para ninguém, estava abandonada pelo mundo, fui forçada a conviver com ele. Até que uma noite, depois de um mês de eu ter perdido... – se calou com os lábios tremulos pelo choro, Victoriano a olhou — Ele voltou novamente a me... – não conseguia falar, levou uma mão à boca chorando, Alejandro a abraçou de lado segurando em sua mão – o que vocês precisam saber é que, nessa noite, nessa maldita noite não pude mais aguentar, sai correndo pelas ruas desconsolada deixando tudo para trás. Queria morrer, estava torcendo para que um carro me atropelasse para me matar de uma vez e arrancar toda aquela dor e humilhação que passei, até que... A senhora Diana Maria me encontrou, se compadeceu de minha dor e prometeu me ajudar, disse que ia me levar para um lugar seguro – olhou para as meninas que choravam silenciosamente, Victoriano com as mão em cima da mesa as apertando segurando o choro com os olhos avermelhados, queria matar Loreto, Inês continuou – Diana Maria foi o anjo que Deus me enviou quando pensei que não havia mais esperança. Trouxe-me para sua casa, cuidou de mim, nos tornamos grandes amigas. Mas quando a conheci naquela noite, não sabia nada dela e tampouco tinha conhecimento que era esposa de Victoriano, ele estava em uma viagem fora do país. Quando ele voltou e nos vimos, foi uma surpresa enorme. Pensei em sair da fazenda. Mas mesmo eu contando que eu e Victoriano tivemos algo no passado a Sra. Diana Maria insistiu para mim ficar, estava grávida de você Diana, eu fiquei e cuidei dela na sua gestação e nas outras, assim como uma noite cuidou de mim eu cuidei dela até o último momento. O que posso dizer é que nunca fui amante de Victoriano e nem sequer nunca me comportei de maneira indevida com ele estando casado com a mãe de vocês e muito menos depois, jamais trairia a confiança que ela tinha em mim. O resto já sabem – olhou para elas suplicante com sua pulsação acelerada – fiquei por vocês, porque as amava, as amo – Inês senta no sofá que ali tinha chorando com Alejandro no braço do sofá passando a mão em seu cabelo – Não moro mais aqui, mas meus sentimentos por vocês não mudou, as quero como se fossem minhas filhas.

As meninas se levantaram e foram até Inês abraçando-a. Alejandro levantou, ficou um pouco longe limpando as lágrimas vendo as meninas chorando e beijando Inês, pedindo perdão por terem pesando mal dela. Victoriano levantou, andou pela sala passando a mão no rosto enxugando suas lágrimas. Se aproximou de Alejandro e disse somente para ele ouvi.

— Victoriano: viu só a dor que aquele infeliz de Loreto provocou em Inês? Teu padrinho aquele miserável, e espero mesmo San Roman que você não esteja tramando nada juntamente com ele contra mim e minha família, não deixarei que machuquem mais Inês. Fique sobre aviso! – o olhando de braços cruzados.

Ele o olha respirando fundo e diz.

— Alejandro: O que menos quero é fazer mal a sua família. Sou afilhado de Loreto, mas isso não quer dizer senhor Victoriano que tenho o mesmo gênio ruim que meu padrinho. Amo Diana, amo sua filha, tenho um carinho enorme por Inês, respeito sua família e apesar de tudo você.

— Victoriano: para o seu bem espero que esteja falando a verdade, ao contrário serei implacável em destruí-los.

Inês abraçada às meninas sorria entre lágrimas e elas começaram a fazer perguntas.

— Diana: Nana? – Inês a olha – esse homem que tanto mal te fez foi o pai do Emiliano não foi? Loreto padrinho de Alejandro.

— Inês: Sim.

— Casandra: Desgraçado! Ele te afastou do papai? Foi ele que se meteu entre vocês dois? – olhando para Victoriano – papai então o Senhor nunca amou a mamãe?

— Victoriano: Mas é claro que amei, amei de uma forma diferente de que amo Inês, mas amei.

— Constanza: A Nana é o amor de sua vida papai então? Se assim é por que se casou com Deborah e não com nossa Nanita? – o olhando

Victoriano passa a mão no rosto e olha para Inês, que não correspondia ao olhar dele.

— Victoriano: Sim, sempre – calmamente dizia – nunca consegui tirar esse amor de mim por mais que um dia tenha tentado. Entre mim e Inês havia uma confusão de sentimentos que me afastava dela, me sentia traído e abandonado por ela, sentia raiva por pensar que meu amor não foi suficientemente o bastante para conquista-la. Mas há pouco tempo vim descobri e perceber que não era como imaginava.

— Casandra: Acho que entendi papai e para mostrar seu desinteresse pelo que ela lhe fez o senhor se casou com Deborah, o senhor tentou provar a Nana que o abandono dela não te afetava mais – com as sobrancelhas franzidas, olhou para Victoriano – que horror pai, o Senhor foi muito duro com ela e com certeza se arrependi pelo que fez, não é? Que pena já é tarde, o senhor é casado sua esposa espera um filho e Nana já tem um pretendente, pelo que sei – voltando-se para Inês que a repreendeu com o olhar.

Victoriano cruza os braços olhando para as meninas envergonhado, realmente era a verdade o que sua filha disse, se casou com Deborah unicamente para castigar Inês por tê-lo abandonado, sentia seu ego e seu amor pisoteado, desvalorizado e assim para se convencer de que não amava mais Inês casou novamente. Inês não o julgou e muito menos tentou convencê-lo a não casar-se, sabia que o rancoroso sempre carrega consigo seus ressentimentos e esse era o de Victoriano, por mais que não fosse uma decisão dela a maldade de Loreto os afastou.

— Victoriano: pensei que Inês amava aquele infeliz, por isso tinha me deixado – justificando-se – e só depois vim saber o real motivo.

— Constanza: Mas, por que então o senhor não lutou pelo amor dela? Por acaso quando estavam juntos a Nana não demonstrava o amor dela pelo senhor?

Claro que Inês demostrava amá-lo com todo seu ser, tanto que se entregou a ele, entregou sua pureza a ele, somente a ele e isso ele jamais iria esquecer, aquela noite foi a mais bela a mais bonita de toda sua existência e só depois veio perceber que Inês o amava tanto que por amor entregou-se sem ao menos terem casados, percebeu que apesar de tudo Inês permaneceu ao lado dele cuidando dele e de suas filhas, o modo como ela o tratava, falava, cuidava quando ficava doente, quando o mirava e sorria para ele. Inês sempre mostrou o quanto o amava, tanto a ele como a Constanza, Diana e Casandra.

E triste respondeu, não se importando que Alejandro estava presente e abriu seu coração como jamais tinha feito diante de suas filhas.

— Victoriano: fui um fraco – com os olhos molhados mirava Inês – devia ter insistido, lutado por Inês, nunca na vida tinha sido tão pouco homem...

— Inês: Victoriano – levantando-se – não diga isso.

— Victoriano: não Inês, é verdade! Eu devia ter feito você falar o real motivo pelo qual estava me deixando, devia ter lutado por você não devia me contentar com suas poucas palavras e no momento mais sofrido de sua vida o que eu fiz? A deixei ir. Pensei somente na sua rejeição, não me lembrei – ficando de frente a ela – no seu ato de amor, na sua entrega a mim. Nos momentos árduos e difíceis que passei você sempre esteve ao meu lado Inês mostrando o quanto se importava comigo o quanto me amava, ficou comigo na pobreza, no desespero, nos meus medos – limpando suas lágrimas e pegando suas mãos, Inês sentia sua garganta fechar com o choro engasgado – esteve ao meu lado no nascimento de minhas filhas, me ajudou a consolá-las quando Diana Maria se foi, cuidou delas, de mim, cuidou de todos Inês e ninguém cuidou de você – As meninas choravam abraçadas — Inês me perdoe – a abraçou, apertando Inês nos seus braços – me perdoa por não ter lutado por nosso amor, por você, por não ter cuidado de te, me perdoe? – com a voz embargada pelo choro.

Inês chorava o abraçou o acariciava nas costas, passeava suas mãos suavemente para acalmá-lo. Alejandro nunca se sentiu tão tocado, se sentia nas palavras de Victoriano e no toque de Inês.

— Inês: Ah minha vida, apesar de tudo sempre estarei do seu lado, em seu coração e você no meu – disse baixinho fechando os olhos derramando suas lágrimas – Victoriano, não me peça perdão e muito menos fique se culpando, por favor, não faça isso, me deu uma família – olhando para as meninas – me deixou viver em sua casa com meu filho. Sempre me defendeu e não diga que não porque a verdade é que sempre cuidou de mim, se não fez nada por mim no passado foi porque me calei, mas quando passei a morar aqui nunca deixou passar uma noite sem perguntar como eu estava, me levava todos os dias no mercado para comprar as coisas para casa com medo de alguém me fazer mal só porque uma vez fui roubada... A verdade é que sempre nos protegeu. Sempre me ajudou o que sou hoje devo a você Victoriano, obrigada – o abraçou — você é o homem mais incrível que conheci, mesmo mandão assim todos te admiram.

— Victoriano: Ah mi Morenita – beijando sua cabeça abraçando-a com suas filhas – não existirá jamais alguém semelhante a te, você é única Inês.

— Diana: Nana você sempre será como nossa mãe, sempre – beijando seu rosto.

— Casandra: Te amo Nana, obrigada por tudo – emocionada – estaremos ao seu lado, te protegendo.

— Constanza: você é tão boa Nanita, te amo. Iremos cuidar de você, assim como sempre cuidou de todos nós – pegando em sua mão – Aii era para Emiliano está aqui – dando um pulinho e abraçando eles – amo todos vocês.

Ficaram abraçados, até que Diana da falta de seu namorado.

— Diana: Alejandro... cadê ele?

*Fora da Fazenda*

Alejandro andava lentamente com as mãos no bolso olhando para baixo. Ficou tão emocionado vendo aquela cena de Inês, Victoriano e as meninas, que desejou ter sua mãe por perto, ter a família que nunca teve. Parou ao lado de seu carro encostando-se nele.

— Alejandro?

Ele olha.

— Alejandro: Emiliano, como vai?

Se aproxima dele pegando em seu ombro.

— Emiliano: Bem e você? O que faz aqui?

— Alejandro: Estou bem, trouxe a Diana e aproveitei para ver como Constanza está.

— Emiliano: Ela está bem não é?

— Alejandro: Sim, sim. Não se preocupe.

— Emiliano: Então por que essa cara?

Alejandro ia responder quando aparece Loreto.

— Loreto: Olá meus filhos – sorrindo – que bom encontrar vocês aqui. Por acaso você e sua mãe voltaram a morar aqui Emiliano?

— Alejandro: Oi padrinho – o olha acusativo.

— Emiliano: Não, não. Mas o senhor o que faz aqui?

Loreto tira seu chapéu e coça a cabeça fazendo uma cara de triste.

— Loreto: é que fui até a vila onde moravam e me informaram que tinham vindo para cá. Decidi vim atrás, porque quero que aceitem sair comigo, não sei... para almoçar... jantar, você e sua mãe escolhem, só quero passar mais tempo com vocês – pegando no ombro dele – com você filho que tanta falta me faz. Quero recuperar minha família.

— Emiliano: Pensasse nisso antes de matar alguém e ser preso por muitos anos, se importávamos tanto para você, por que matou uma pessoa? E também acho que mamãe não irá aceitar, sabe que ela não te suporta. Já até falou que era para mim escolher entre você e ela, e sabe que escolho minha mãe.

Loreto aperta o chapéu com raiva.

— Loreto: então sua mãe pediu para você escolher? – pensativo – então é por isso que tem me evitado? Filho me escute, não matei ninguém, fui acusado injustamente, tem que acreditar em mim Emiliano, sou seu pai e jamais mentiria para você – olhou para o portão da fazenda – chame sua mãe e conversamos os três juntos.

— Alejandro: Não – disse subitamente. Loreto o olha – quer dizer, Inês não vai poder, não agora, tem que ficar com Constanza.

Alejandro não queria Loreto perto de Inês.

— Loreto: E por que não? Emiliano é mais importante que a filha de Victoriano – se aproximando dele – sou o pai do filho dela, aceitar conversar os três é o direto dela como mãe.

— Alejandro: quem é você para exigir direitos de alguém padrinho?

— Loreto: fala direito comigo seu mal agradecido, se não fosse por mim estaria morto – apontando para ele — não cuspa no prato de quem te deu o que comer.

— Emiliano: Já, já – afastando Loreto – não discutem.

Loreto sorri.

— Loreto: Emiliano venha comigo e irei te explicar e esclarecer muitas coisas, não sou o homem mal que te disseram – o olhando – nunca desconfiou de Victoriano e Inês? A forma como Victoriano te trata... nunca se perguntou o ‘por que’? – Emiliano fica pensando nas palavras de Inês e a forma como ficou pela manhã e na maneira em que as meninas falaram “apesar do que descobrimos e aconteceu ontem você está aqui Nana”, Alejandro vendo o que Loreto queria fazer tenta se opor mais ele faz um gesto de mão para ele, lhe dirigindo um olhar ameaçador – Vamos filho, minha camionete está logo ali.

*Pátio da Fazenda*

Inês e Victoriano vinham andando em silencio, as meninas decidiram almoçar com Constanza, não queriam a deixar só depois do que aconteceu, iriam aproveitar esse tempo para ver se Cony se abriria com elas.

Victoriano olhava para Inês que tinha o olhar perdido, de braços cruzados como se quisesse se refugiar em algo.

— Victoriano: não foi fácil contar tudo aquilo.

Ela concordou com a cabeça.

— Victoriano: sei que deve ter tido lembranças amargas – parando ela – mas Inês, me diz... o que você perdeu? – ela o olhou – você disse que depois de um mês de ter perdido... então não completou – a olhou interrogativo – o que quis dizer e o que perdeu Inês?

Inês dá passos para trás olhando pros lados esfregando suas mãos em seus braços, em sua mente veio um flash da noite em que perdeu seu bebê.

Loreto entrou possesso em casa estava cheio de raiva, viu o barrigão de nove meses de Inês, que estava para ter o bebê, lembrou-se do maldito Victoriano, derrubou as coisas que estavam sobre a mesa, assustando Inês que começou a respirar rapidamente nervosa e institivamente levar as mãos a barriga começando a chorar, Loreto pegou em seu cabelo com força o puxando para trás, deu um beijo em seu pescoço sentindo a barriga dela triscar na sua, deu-lhe um soco em seu lado esquerdo a fazendo se curvar e cair no braço do sofá velho que ali tinha, começou a senti fortes dores e gritar. Loreto vendo a burrada que fez pegou Inês nos braços e a levou para o hospital dando a desculpe que ela caiu e bateu com a barriga.

— INÊS? INÊS? – Victoriano a sacudia pelos braços, ela o olhou assustada

Notas finais
Como viram tudo está se esclarecendo aos poucos, quero colocar Inês como esposa de Victoriano logo e tudo irá aos poucos acontecendo... Me façam felizes. Até o próximo.