A Pele Nunca Esquece - Las Amazonas
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O silêncio de certa maneira estava sendo incômodo. Victoriano não sabia o que dizer para a filha, ficou em dúvidas se ela iria acreditar nele, de que sempre amou Inês e que tiveram uma linda história de amor no passado. Não admitiria que Cony pensasse mal de Inês. Em sua mente passava um turbilhão de coisas, será que irá pensar que Inês fora sua amante? Pensava ele. Inês sempre fora seu amor, sua vida, sua tranquilidade, necessitava constantemente de sua presença. Sabia que a filha é imatura e talvez não levasse em conta sua verdade. Cony olhava para os dois com o semblante em um misto de emoções, se sentia confusa, triste, espantada, cheia de dúvidas. Seus olhos via aquela situação embaraçosa, seu coração se apertava por um momento ao passar em sua cabeça que Inês e Victoriano poderiam ser amantes, a conversa com suas irmãs logo cedo viera em sua mente, essa conversa que a fez ir em busca de Inês, precisava esclarecer as dúvidas que tinha. “CIÚMES, o papai e a Nana...”. Em seus olhos começou a forma lágrimas, olhava para baixo e passava uma mão pelos cabelos lentamente. Voltou seu olhar para Inês que estava afastada de Victoriano, com as mãos sobre a boca em forma de prece a olhando, com o semblante angustiado, parecia sentir que sua menina Cony estivesse pensando o pior dela, seu coração se apertou e em seus pensamentos orava a Virgem de Guadalupe para lhe ajudar a usar as palavras certas, que ela acreditasse na verdade dita por ela e Victoriano. Caminhou ao encontro de Constanza quando viu lágrimas escorrer pelo seu rosto, tentou se aproximar, tocá-la para acalmar sua menina, mas seu coração doeu com a atitude da mesma, que por um impulso se afastou a olhando com os olhos arregalados, estava assustada. Inês pôs as mãos no peito começando a chorar e virou olhando para Victoriano.
— Constanza – diz Victoriano a olhando – filha, não tire conclusões precipitadas, só nos ouça, está bem? – pedi ele calmo se aproximando dela, ela o olhava triste.
— O que... – apertando os lábios para segurar o choro – o que vocês são? – diz Constanza olhando para Inês agora – Nana... você é amant...- Victoriano a interrompe.
— Não – exclama Victoriano – Não ouse falar isso, nem pense. Inês não merece e nem se sujeitaria a isso, respeite-a Constanza, por favor.
— O que quer que eu pense papai – olhando para ele angustiada – você nunca nos fala nada, há tantos segredos. Até hoje não sai da minha cabeça sua ida lá de casa, isso me dói tanto – olhando para Inês – Me diz Nana – chegando perto dela chorando – por favor, foi mesmo por causa de Deborah ou porque ela descobriu que vocês são amantes...
— Já mandei não falar assim – aumenta a voz Victoriano a olhando sério – vamos conversar lá dentro, hum. – indo até a porta e fazendo sinal para elas passarem – Entrem.
Constanza passa na frente se abraçando com os próprios braços indo para sala. Inês para na porta olhando Victoriano triste, com medo.
— Sinto que o pior vai acontecer Victoriano – diz Inês para Victoriano, chorando.
— Tranquila Mi Morenita – beijando a testa dela e a olhando – tudo vai se resolver.
— Por favor, tente manter a calma Victoriano.
Ele olha para dentro e respira fundo – Tentarei.
Arthur que vinha da casa de sua mãe, Dona Raimunda, viu Inês chorando com o olhar de profunda dor, preocupou-se e se aproximou pegando em um de seu braço.
— Inês, está tudo bem? – examinando-a.
— Só aparece em momentos inoportunos – Diz Victoriano tirando a mão dele do braço de Inês, grosso. O encarando — ela ficará bem. Tenha a certeza.
— Inês é muito importante para mim e tenho quase a certeza que essas lágrimas são por culpa sua – apontando – Espero que ela fique bem mesmo. Se não, você se verá comigo. – Diz Arthur o encarando, Victoriano ia se aproximando dele Inês se coloca na frente. Arthur a olha e diz – espero que fique bem minha Inês – ela acena com a cabeça querendo dizer com o olhar que outra hora eles conversavam, parece que ele entendeu, sorriu para ela de leve acenando também com a cabeça e foi seguindo caminho.
— Imbecil – diz Victoriano com raiva o vendo ir – Entre.
Inês entra e Victoriano vem logo atrás falando baixo e irritado – não quero te ver com esse mequetrefe. Aparece de uma hora para outra, até parece que fica te vigiando.
— O assunto aqui é outro Victoriano e muito sério – diz ela andando e falando baixo também – esquece o Arthur, porque o único que me vigia aqui é você. – diz ela o acusando. Victoriano se calou.
— Sala -
Inês e Victoriano olham para Constanza que acabara de encerrar uma chamada, ela quando os viu informou.
— As meninas estão vindo para cá – se aproximando da janela.
Victoriano passa as mãos na cabeça pedindo à paciência que perdeu lá fora – Vamos espera-las então! – sentando no sofá.
Inês olhava Constanza meio envergonhada pelo que ela viu e triste por a mesma pensar que ela e Victoriano têm um caso. Constanza a olhava querendo a abraçar como sempre fazia quando se sentia perdida. Mas a imagem do beijo deles e da conversa com as irmãs não saia de sua cabeça. Começou a andar pela sala balançando o celular nas mãos, Inês sabia que ela estava inquieta, nervosa com a situação, assim como ela, por seu amor de mãe não se importou se Cony se afastaria dela novamente, só seguiu até ela e a puxou para um abraço apertado. Constanza ficou sem ação, foi quando Inês levou uma mão aos seus cabelos a deitando em seu ombro que ela a abraçou fortemente, começou a chorar. Victoriano as olhou e com uma mão passando sobre sua cabeça a abaixou e fechou os olhos fortes.
— Nana – diz ela choraminguando.
— Filha, por favor, não me julgue antes de ouvi – com a voz triste – olhe para mim – ela a olha, Inês leva suas mãos a seu rosto – não pense que fui amante de seu pai enquanto sua mãe estava com ele, nunca fui e nunca serei amante de Victoriano.
— Mas vocês estavam se beijando Nana – a olhando
— Sim é verdade – diz Inês a olhando – mas isso não significa que tenho um caso com Victoriano. Nos amamos no passado, muito. Mas isso foi antes de ele conhecer sua mãe. Deixamos no levar pela emoção, foi isso. – Victoriano a olhou e levantou.
— Não sei o que pensar sobre isso – fala Constanza se afastando.
— Nunca, nunca fui amante de seu pai – a olhando com toda verdade – jamais faria uma desonra dessas a sua mãe, a quem tanto me ajudou.
Constanza a abraçou – Ai Nana, é tudo tão confuso.
— Não se preocupe minha menina, irei esclarecer tudo para você, toda a verdade.
— Inês -diz Victoriano se aproximando a olhando, com medo de ela revelar todos seus segredos.
— Não se preocupe – diz Inês o olhando, para o acalmar.
— Filha – Diz Victoriano pegando em seu ombro, a mesma se desvencilha de seu toque – O que foi?
— você – apontando para ele – você que tanto criticou Emiliano, que tanto pedia... ÔH NO... MANDAVA, mandava me manter afastada dele, e agora... agora lhe vejo beijando a mãe do Emi, a Nana. Com que direito?– acusa Constanza brava – é o mais errado disso tudo, porque é casado
— Não vou permiti que me falhe assim – esbraveja Victoriano
— Nos faz andar sobre suas regras, mas não respeita e nem ouve a nós, não se importa com nossos sentimentos, não pergunta se estou bem.- ele tenta a pegar pelos braços e ela se debate — NO – grita ela – I hate you *eu odeio você* por nunca me ouvi, por nunca me dá atenção – chorando.
Constanza se sentia tão sozinha e o único que a animava era o homem que ele tanto odeia. Por um momento esqueceu realmente o foco do assunto.
— Não falhe assim – diz ele segurando nos dois braços dela, Inês pegou em um braço de Victoriano para ele a soltar – tudo que faço é pensando no melhor para vocês, seu e de suas irmãs. Tudo!
Constanza o olhava magoada – Isso não é certo papai. Se fizesse mesmo as coisas pensando no melhor para nós, nos ouviria mais e passaria a nos compreender. Mas o senhor não se importa com isso, coloca nossos sentimentos abaixo de suas vontades – chorando – eu sinto falta de uma mãe e o único amor materno que eu tinha por perto o senhor deixou ir. Minha Nana saiu de casa por sua culpa, sua. – se soltando dele.
Victoriano por um momento ficou sem falar, virou e olhou para as duas que se sentaram no sofá. Inês estava abraçando Constanza de lado e falando em seu ouvido para ela se acalmar.
— Eu amo você filha – declara Victoriano, Constanza não olha para ele fica de cabeça baixa – você e suas irmãs são tudo de mais valioso que tenho.
— Não parece – diz Constanza.
— Como pode dizer isso? Se parasse de ser tão mimada e imatura me entenderia – esbraveja Victoriano andando pela sala.
— Victoriano – repreende Inês.
— Não Inês – diz ele levantando um dedo – Constanza não quer nada com a vida, não procura se formar em alguma coisa ou trabalhar lá na empresa. Só quer saber de se aventurar por ai. Se valorizasse o que tem saberia dar ouvidos aos meus conselhos e todo meu esforço para dá tudo do bom e do melhor para ela e as irmãs, que são outras que só sabem me criticar. – Constanza ficou ouvindo em silencio.
— Não vou permiti que continue falando dessa maneira com Constanza – diz Inês se levantando.
— Você não tem que permiti ou deixar de permiti nada aqui Inês – diz ele nervoso passando a mão na cabeça – a filha é minha, falo o que ela merece ouvir.
Inês se aproxima dele e o olha nos olhos, diz calma – você é o menos indicado para dizer o que as pessoas merecem ouvir. Só não mando ir embora da minha casa porque temos uma conversa com as meninas, que estão para chegar. Que aliais são como minhas filhas. – se afastando dele.
— mais que inferno – esbraveja ele arrependido – vocês me fazem perder a cabeça.
— Desculpe GRANDE senhor Victoriano – diz Constanza, levantando-se do sofá – Já que sou um estorvo para você, sinta-se livre de mim – diz ela pegando sua bolsa que deixou em cima da poltrona.
— Filha – diz Inês pegando em seu braço – por favor, fique. Suas irmãs estão para chegar.
— Para com esses comportamentos infantis Constanza – diz Victoriano – você ligou para suas irmãs e agora irá ficar aqui!
— Nana – olhando para Inês — eu posso morar com você? – diz ela de súbito.
— O QUÊ? – exclama Victoriano.
— Filha... – Inês ia falar
— É só por enquanto, por favor, Nana – pegando em sua mão, ignorando completamente Victoriano.
Batem na porta, antes de ir abri Victoriano diz.
— Se pensa que irá sair de casa está muito enganada Constanza – alerta Victoriano indo até a porta.
— Meu amor – diz Inês – não é isso que me preocupa, poderia vir quando quisesse. Mas você está acostumada com outra vida minha menina e também tem suas irmãs que te amam e sentiriam sua falta em casa, tem seu pai.
— Não tenho pai, só tenho você, o Emi, Cas e Dyh .
— O que disse Constanza? – esbraveja Victoriano vindo com as meninas – repete, porque eu acho que não ouvi direito.
— Meu Deus – Diz Casandra – Mas o que está acontecendo aqui?
— Vocês nos devem muitas explicações – diz Diana encarando Inês e Victoriano.- como por exemplo – tirando alguma coisa de dentro de sua bolsa – isso aqui. Podem me dizer o que significa?
Horas atrás...Fazenda Las Dianas (Escritório de Victoriano).
— Talvez não seja o certo Diana mexer nas coisas do papai – diz Casandra a olhando mexer nas gavetas da mesa de Victoriano.
— Não, não é – a olhando – mas temos que descobri o que se passa entre o papai e a Nana. Está tudo muito estranho – diz Diana – quando Nana ainda estava aqui, ela e papai viviam de segredos, lembra? Passavam muito tempo aqui no escritório. Aqui podemos encontrar algo.
— É verdade, papai sempre confiou muito na Nana – diz ela indo ajudar Diana – Quando ela se foi ele ficou muito triste, bebia mais, se aborrecia mais. E agora – diz ela respirando fundo – parece senti ciúmes dela. Diana estou com medo do que possamos encontrar – Diana pega um livro e balança, cai uma foto.
Ela pega e fica olhando – Papai?... Nana? – com as sobrancelhas franzidas olha para Casandra.
Inês e Victoriano estavam abraços na foto, ela sorria apaixonadamente e ele beijava seu rosto com amor. Diana e Casandra olhavam a foto.
— Não pode ser – diz Casandra.
O telefone de Diana toca – Alô... o que houve? Parece nervosa... O quê?... já estamos indo para ai. – Diz Diana encerrando a chamada.
— Quem era? O que foi? – pergunta Casandra.
— Constanza está na casa da Nana – responde Diana, indo até sua bolsa e guardando a foto – falou para irmos até lá.
— Mas o que aconteceu?
— Não quis me contar. Mas disse que o papai está lá. Tem algo muito errado – indo até a porta com a foto – vamos!
— Casa de Inês –
Inês e Victoriano ficaram olhando para a foto na mão de Diana, que estava muito nervosa e impaciente querendo respostas.
— E então? – pergunta Diana os olhando.
— Onde achou isso? – pergunta Victoriano.
— Isso não importa agora – responde Diana – só quero a verdade.
— Papai... olha essa foto – diz Casandra pegando da mão de Diana, Cony fica olhando tirando suas próprias conclusões — veja Nana. Vocês parecem muito amorosos um com o outro. Não consigo ter outra explicação para essa foto a não ser que tiveram algo muito intimo. Acaso são amantes?
— Cale-se Casandra – esbraveja Victoriano – irá se arrepender.
— Mas papa...
— Me nego a crer que são amantes – diz Diana olhando para Inês – mas também não deixo de pensar na possibilidade. Perdoe-me, mas isso nos prova que houve algo sim entre vocês.
— Não vou negar que eu e Inês tivemos algo, muito lindo. Mas no passado, antes de me casar com sua mãe...
— Quer saber... irei embora – diz Constanza – sabe porque? Aqui só há mentiras, nos diz o que queremos ouvir, para não ficarmos contra vocês – olhando para Inês – por um momento cheguei a acreditar em você Nana, retiro o pedido de vim morar com você. Depois do beijo, agora essa foto só prova que sempre tiveram algo e eu jamais irei perdoar vocês por essa traição a minha mãe.
Inês ouvia tudo calada, triste. Mas entendia que as meninas estavam cheias de dúvidas, por não ter conhecimento de quase nada a julgava, o mal do ser humano. Mas todas essas acusações iriam lhes trazer muita dor e arrependimento.
— Não sabe de nada e tampouco irei permiti que continue falando dessa maneira, pelo que vejo não conhece Inês, a mulher que criou vocês com todo amor e dedicação. – esbraveja Victoriano.
— Espera, de que beijo está falando Constanza? – pergunta Diana a olhando.
— Eles estavam se beijando quando cheguei – Respondi Cony.
— O QUÊ? – exclama Diana e Casandra.
— E pelo que parece papai dormiu aqui – diz Constanza – ou irá negar? – olhando Victoriano.
— Não ouve nada entre nós, será que é tão difícil de entenderem? – diz Victoriano com raiva.
— Papai? – Diz Casandra espantada – Nana – olhando Inês – eu confiava tanto em te – com o semblante triste – estou decepcionada com você.
— Jamais esperei uma coisa dessas de vocês – fala Diana os mirando – fico pensando em como mamãe se sentiria ao saber que a mulher que tanto confiava a traiu.
Inês as olhava com uma terrível dor no peito, não poderia contar toda a verdade para as meninas, não a sua, ao que a levou até a casa de Diana Maria, sua patroa que certa noite a salvou.
— Sinto muito que pense assim de mim – diz Inês – o que posso lhes afirmar com toda segurança e com toda verdade, é que jamais trai a confiança que sua mãe teve em mim, jamais. Talvez esteja na hora de você Victoriano contar a verdade para elas.
— Não Inês – diz Victoriano a olhando – já conversamos sobre isso, por favor. Não!
— De que verdade? – pergunta Diana – papai de que verdade a Nana está falando?
Victoriano olha para Inês – Nada, a única verdade que precisam saber é que tudo que faço é por amor a vocês.
Constanza bufa – não estou entendo mais nada.
— Muito menos eu – diz Casandra.
— Toda confiança que eu tinha em vocês morreu – diz Diana os olhando – se por acaso houver algo mais que estão escondendo, fiquem sabendo que nunca irei perdoa-los. Vamos meninas – Diana vai em direção à porta com Constanza.
Casandra os olha decepcionado – A confiança se quebra facilmente, basta um erro, uma omissão – se vira e vai embora, com Victoriano as chamando bravo e indo em direção da porta.
Inês se sentia tonta, fecha os olhos colocando uma mão na cabeça, escuta um barulho vindo da janela ao lado e vira para olhar, parecia ter visto Loreto, os observando. Mas quando fechou seus olhos e os abriu novamente não estava mais lá. Se apoiou no sofá, Victoriano aparece reclamando da atitude das filhas.
— Essas meninas ainda vão me enlouquecer, espero qu... – para de falar ao ver Inês — Inês? – indo rapidamente até ela – O que está sentindo?
— Estou um pouco tonta – diz ela, ele a abraça e a senta no sofá – já pode me soltar, por favor – ele a solta.
— Vou pegar um copo com água para você – levantando.
— Espera – diz ela pegando em sua mão – vê se tem alguém ali – apontando para janela – do lado de fora.
— Por que? – diz Victoriano indo em direção à janela, olhou em volta, não tinha nada – Não há ninguém ali. Você se sente bem Inês?
— Não, mas irei ficar – diz Inês triste – percebeu? Perdi minhas meninas Victoriano – diz ela começando a chorar – o único que tenho agora é meu Emiliano, não suportaria perdê-lo também, prefiro morrer.
Victoriano se senta ao lado dela a abraçando novamente.
Ele segura seu rosto, banhado em lágrimas – morreria junto a te. Não posso te perder Mi Morenita. Nunca – beijando todo seu rosto.
— Victoriano... – tentando se afastar dele – pare com isso – ele a olha – as meninas precisam de você. Vá para casa, você deve muitas explicações para sua esposa.
— Não vou te deixar nesse estado.
— Por favor, sua presença aqui só irá piorar, preciso ficar só. Vai embora e não tenha o trabalho de me procurar.
— Inês – diz ele a olhando duro – sabe o que tenho vontade? – ela fica o olhando – de te dá umas boas palmadas.
— Quê isso? – diz Inês espantada o olhando.
— Você é muito teimosa mulher. – diz ele levantando novamente – se quero ficar aqui, vou ficar aqui com você e ponto!
— Você vai embora – diz ela o olhando – se a bebida lhe fez esquecer o que te disse quando apareceu aqui pela madrugada, lhe repito: minha casa, minhas ordens. – ele a olha contrariado – e minha ordem é que não volte mais aqui.
— Não tem como mudar essas ordens?
O telefone toca, Inês levanta para atender, se sentia um pouco tonta ainda, devido às emoções que sofreu logo cedo, mas tentou disfarça para que Victoriano fosse embora.
— Alô – diz ela atendendo ao telefone.
— Inês... Oi – diz Arthur do outro lado – estou preocupado com você.
— Estou bem, não se preocupe Arthur – Victoriano a olha sério e começa a andar pela sala. – Está no trabalho?
— Sim estou – respondi ele – mas não tente me convencer, sei que não está bem e irei lhe buscar para almoçarmos juntos.
— Me desculpe Arthur – respondi Inês – mas quero ficar em casa.
— Nada disso, por favor, Inês. Não irei te deixar só, ainda mais por tê-la visto chorar. Aceita, por favor. Sim? Por favor.
— Se eu disser que sim vai parar com esses “por favor”? – pergunta ela no tom mais animado.
— Sim – diz ele rindo – já ganhei meu dia – ela ri – e ainda consegui tirar um sorriso seu.
Inês conversa com ele mais um pouco, enquanto Victoriano estava para furar o chão andando. Arthur combinou de ir buscá-la na hora do almoço. Ela desliga, coloca as mãos na cintura o olhando.
— Para com isso Victoriano – diz ela o fazendo parar – assim me deixa mais tonta do que estou.
Victoriano vai até ela e a pega pelos braços – Ainda pouco estava toda sorridente com aquele infeliz no telefone, ah Inês, se pensa que irá para algum lugar com ele, está muito enganada. Não vou permiti, me ouviu bem? – a balançando – não vou permiti.
— Meu Deus se acalme – diz Inês o olhando – por favor, me solta? Está me machucando.
Victoriano aperta os lábios com raiva e a pega no colo com rapidez ela se assusta – Você irá descansar! Porque desgraçadamente minhas filhas resolveram descobri o que houve entre nós hoje e te deixaram muito abalada – indo com ela até seu quarto – Que manhã mais agitada! – exclama ele abrindo a porta do quarto — Só quero que esse dia passe rápido e irei passar ele todo com você! Nada de mequetrefe no meio – colocando ela em cima da cama.
Inês cruzou os braços, encostando-se à cabeceira da cama – o certo é você ir embora. Por que não me ouve mais?
— Por que ultimamente você só me manda ir embora – sentando perto dela e a olhando nos olhos – e eu sou incapaz de te deixar sozinha Mi Morenita.
Inês o olha e com uma voz doce diz – E quem disse que estou sozinha?
Victoriano a puxa pelo braço levando uma de suas mãos a costa dela, a deixando colada a ele, com a outra mão segurava a dela – Não brinque comigo Inês – diz ele olhando sério.
— Não... não estou brincando – olhando para a boca dele – com você.
Victoriano aparentemente calmo, vira a palma da mão dela e deposita um beijo demorado a fazendo sentir uma gostosa corrente percorrer seu braço.
— Amo essa mãozinha. Forma um ‘M’ bem aqui — diz ele desenhando com seu polegar – é gostoso de beijar – ela fica o observando, ele a olha possessivo – um ‘M’ de MINHA! — Inês sabia que ele estava com raiva, só estava tentando se acalmar.
Inês sempre foi muito doce, amável, compreensiva, com um brilho no olhar que encantava a todos, ela e Victoriano tinha uma combinação, que atraentemente os prendiam, os completavam, ele a tormenta, ela o sol que o aquecia e iluminava, lhe trazendo brisas leves acalmando suas tempestades.
— Não sou tua propriedade Victoriano.
— Eu sou seu e você é minha!
— Se engana – diz ela tentando tirar a mão dele de suas costas – você não é meu.
— Sim, eu sou seu – aproximando sua boca da dela – e sempre serei.
Victoriano a toma em um beijo avassalador, apertando suas costas, a trazendo mais para ele, ela tenta resisti o empurrando com as mãos sobre seu peito. Mas Victoriano chupava seus lábios intensamente, querendo cada vez mais, dando mordidas em sua boca, fazendo-a se entregar ao momento deles. Inês deixou de empurrá-lo, sua mão estava acariciando seu peito largo, com alguns botões abertos de sua blusa, ela entrava e saia com sua mão, sentindo seus pêlos sobre ela. Foi subindo a mão pelo pescoço dele, na sua nuca, indo até sua cabeça e puxando seus cabelos, subiu em seu colo de pernas abertas. Victoriano foi com a mão na cintura de Inês e com a outra na perna coberta dela, passando desesperadamente em busca de sentir sua pele macia. Os dois deitaram na cama, com Victoriano com as pernas para fora apoiadas no chão. Inês desceu seus beijos para o pescoço dele, beijando e dando longas mordidas, puxando de leve sua pele. Já não pensavam em nada, só naquelas sensações prazerosas, naquela paixão que estava mais acessa que nunca e no amor que queria mais uma vez se consumar em um ato de total entrega, sem se importar com as consequências, o amor queria os dois entregues mais uma vez de corpo, pois seus corações e suas almas sempre tiveram ligados. Victoriano foi subindo suas mãos das pernas de Inês, passando pela sua bunda a apertando sobre seu quadril, Inês gemeu baixo em seu ouvido sentindo sua intimidade pulsar de desejo, se esfregou nele timidamente, beijando seu rosto e indo até sua boca, se beijaram. Victoriano estava adorando a atitude dela, na ultima vez que tiveram no quarto de Inês, ainda na fazenda no dia em que discutiram da saída dela da casa, ele tentou fazer amor com ela, ainda houve muitas pegadas da parte dele, Inês se deixou levar até certo ponto, quando sentiu Victoriano subir sua blusa ela o empurrou de cima dela. Por isso ele estava a deixando livre e comandar, não iria a obrigar a nada.
Inês desceu seus beijos para o peito de Victoriano, beijou a parte descoberta de seu peito, adorava o beijar ali, Victoriano sentia uma sensação gostosa com os lábios quente de Inês ali. Ele foi subindo suas mãos pela cintura dela, levantando sua blusa, sentindo sua pele úmida pelo calor do momento, gostou. Inês levantou um pouco a cabeça, quando sentiu os lábios de Victoriano no seu pescoço, sua visão foi sobre a janela, quando Victoriano com sua mão ia chegando perto de seu seio, ela sentou rapidamente, ainda em cima dele, olhava para frente com a respiração agitada, parecia assustada. Victoriano não entendeu, mais uma vez Inês estava o rejeitando.
— De novo não Inês – diz ele puxando ela, colocando suas mãos em seus cabelos olhando em seus olhos – eu preciso de você! E sei que também precisa de mim – mexendo seu quadril a fazendo fechar os olhos rapidamente e olhar para frente.
— Não fala nada Victoriano, por favor – diz ela ofegante, desviando o olhar dele – vai embora – ela tentou sair de cima dele, ele a virou na cama prendendo seus braços acima da cabeça.
— O que está acontecendo com você Inês? – a olhando atentamente – diga! – manda ele.
— Me deixa sozinha – se mexendo em baixo dele desesperada – sai de cima de mim Victoriano.
Victoriano se assustou com a atitude de Inês e se virou de lado ela saiu rapidamente da cama, indo até a janela de seu quarto, levantando o vidro e olhando em volta, agitada.
— Eu vi... sei que vi – falava baixo, somente para si, passando uma mão nos cabelos e olhando para baixo.
Victoriano levantou da cama – Inês... Inês. – indo até ela – me fala o que você tem – ele pegou em seu rosto, fazendo-a o olhar – Mi Morenita – beijando sua testa – por favor, diga alguma coisa, por Deus.
— Eu... eu... estou bem, quero que me deixe só, tenho algo para fazer – diz ela se soltando dele.
— Mas o que de tão importante você tem que fazer? Hum? – a olhando.
Inês vira de costas para ele – tenho – pensa rápido – tenho um compromisso com o Arthur e tenho que me arrumar.
— Como é? — exclama Victoriano se aproximando dela – você... você interrompeu nosso momento por causa daquele mequetrefe, é isso Inês? – pegando no seu braço – mas que diabos você vai fazer com ele?
— Não podemos ter nada e você sabe disso. E Irei almoçar com ele – diz calma – para de apertar meu braço, está doendo.
— Meu coração também – diz ele a soltando com raiva – Mas que... inferno – ele se vira para ela e pergunta – está me escondendo algo Inês?
— Claro que não – diz ela desviando o olhar dele.
Victoriano pergunta – está tendo algum romancezinho com aquele... homem? Por isso me rejeita tanto, ein?
— Ah já basta Victoriano. Não tenho porque te dá satisfações da minha vida. Não sou nada sua e, por favor, vai embora.
Victoriano vai se aproximando dela ameaçadoramente, Inês o olhava desconfiada — você ainda vai pedi para mim ficar Inês – pegando em seu queixo – e quando isso acontecer, seja onde for o lugar, vou te amar tanto, loucamente Mi Morenita – com uma voz sexy — que farei você esquecer esse advogadozinho.
— Como irei es...
— De todas as maneiras – diz ele a interrompendo – Intensamente! – dá um selinho rápido nela e sai do quarto, Inês fica sem ação.
— ...(es)quecer o Arthur – diz ela sozinha completando a frase que ele não deixou – se é você que ocupa em mim todas as lacunas!
***
Inês vai para o banheiro, toma outro banho, iria sair, não com Arthur. Se arruma, pega sua bolsa e sai de casa. No caminho encontra Dona Raimunda que tenta falar com ela, mas Inês estava tão apressada que só fez cumprimentá-la. Foi andando até a esquina em busca de um táxi, sentiu que alguém a observava, olhou para trás. Mas não viu ninguém. Passou um táxi, Inês entrou e se foi.
O taxista deixa Inês em um bairro, a mesma atravessa a rua e entra por um portão velho e sujo, alguém a observava de longe. Inês parou em frente a uma casa, bateu três vezes, ninguém aparecia, até que ela senti alguém atrás dela a puxando pelo braço com violência, abrindo a porta e a empurrando para dentro da casa. A pessoa que estava a vigiando se aproximou e filmou no exato momento em que Loreto pegou Inês com brutalidade, o detetive que Victoriano colocou na cola de Inês ficou escondido, olhando de fora do portão, esperando ela sair da casa.
— Casa de Loreto –
— Humm. Fazia muito tempo que não vinha me visitar – a olhando rindo.
— Nunca venho te visitar e sabe muito bem disso – diz Inês afastada dele – o que fazia na minha casa?
— Eu? – diz ele sínico – ai Inêsita, acho que está alucinando – cruzando os braços – tenho coisas muito importantes para fazer.
— Não minta Loreto, te vi espiando do lado de fora da janela lá em casa – Inês o acusa, o olhando com raiva.
— Disse uma coisa certa – diz ele levantando o dedo – do lado de fora. Não estava dentro da tua casa.
— Desgraçado, o que pretendi. Por que não me deixa em paz?
Loreto a pega pelo braço com força – porque Inêsita eu serei uma sombra para sempre em sua vida.
— Eu te odeio Loreto – tentando se soltar do braço dele – me larga, seu covarde.
— Quando o Victoriano te pega assim você gosta, né? – a apertando no seu corpo – sabemos para o que você veio Inêsita – tentando a beijar.
Inês se debatia – me solta... não – ela o empurra e lhe dá um tapa – nunca mais encoste essas mãos sujas em mim.
— Olha aqui Inês – se aproximando dela – você tem um filho comigo, e eu jamais te deixarei em paz, ele sempre irá nos uni, diferente de você e Victoriano, ele jamais será unido com você, assim como eu, pois perdeu o varão que você esperava dele não é – rindo e se afastando dela, puxando a cadeira e sentado largadão.
— Cala a boca Loreto – grita Inês – cala a boca. A culpa foi sua. Sua! – diz ela chorando.
— Ah, você decidiu ficar comigo – fala Loreto – e eu não ia criar um bastardo.
— fui obrigada a ficar com você, por sua covardia. Por sua violência perdi meu bebê. Você é um monstro. Não te quero perto do Emiliano, meu filho não merece o pai que tem.
Ele se levanta – entre mim e Emiliano não se meta, ele é meu filho e tenho direitos.
— Não me venha exigir direitos agora. Volte para a cadeia que é o seu lugar – indo em direção à porta, ele a segue.
Loreto a puxa, encostando Inês na porta com força – acha mesmo que irá sair assim Inêsita? – beijando sua cabeça – estive todos esses anos sem minha mulher...
— Não sou sua mulher desgraçado, me solta Loreto– grita Inês.
— Vamos terminar o que você e Victoriano não puderam – ela o olha – eu vi vocês! Ah Inês, você é uma mulher quente, sempre foi – ela cospe na cara dele – e selvagem também. Porque sempre resisti a mim? — predendo os braços dela na porta.
— Porque não te amo, não te desejo. Você me dá asco — o olha com nojo.
Loreto ia bater em Inês, até que ele ouve alguém o chamar.
— Padrinho? – chama Alejandro, batendo na porta.
Inês olha para Loreto – Alejandro?
— Shi, cala a boca.
— Socorro – grita Inês.
Loreto a joga em cima da mesa com raiva – falei para ficar calada.
Alejandro ouviu Inês gritar e empurrou a porta, viu Loreto levantando a mão para bater nela e interviu.
— Padrinho – empurrando – ficou maluco? – ajudando Inês – a senhora está bem?
— Sim filho, obrigada – tocando no rosto dele, Alejandro sentiu uma sensação tão boa.
— Que bonito – diz Loreto rindo em deboche – parece até mãe e filho – pegando sua arma da cintura – quem mandou vim aqui?
— Vim conversar com o senhor – olhando para a arma dele – padrinho, se acalme.
— Só é para vim quando eu mandar – apontando a arma para ele, querendo o intimidar.
— Eu sei... eu sei. Mas precisava falar com o senhor.
— Sobre o quê? – abaixando a arma
— Porque odeia o pai da Diana? O que ele te fez?
Loreto olha para Inês que estava abraçada com Alejandro de lado – Não vou te falar nada, está do lado dele que eu sei. Seu mal agradecido, eu que cuidei de você quando sua mãe lhe abandonou.
— Sou muito agradecido pelo que me fez, mas só quero saber porque tanto ódio padrinho? Isso prejudica meu relacionamento com Diana, de certa forma, o pai dela não confia em mim por causa de você – diz Alejandro – o que pretendia fazer com Inês?
— Tô nem ai para o seu lance com essa menina. Inês é a mãe do meu filho. Estava só conversando com ela sobre Emiliano.
— Não parecia. Irei leva-la para casa. Já que, está nervoso para conversar. – indo com Inês em direção a porta. Mas antes Loreto fala.
— Terminaremos o que começamos aqui Inêsita, tenha a certeza – sorrindo para ela.
Inês o olha com raiva e sai com Alejandro abraçados.
— Obrigada Alejandro. – Diz Inês.
— A senhora está bem? – pergunta ele a olhando, parados em cima da calçada.
— Sim, graças a você – pegando na mão dele e sorrindo.
— Vila –
Arthur estava batendo na porta da casa de Inês e ela não aparecia, já era a hora do almoço, até que sua mãe aparece.
— Errou de casa foi menino?
— Mãe – indo até ela – você sabe de Inês? É que marcamos de almoçar juntos.
— Iih meu filho, ela saiu já faz um tempo e bem apressada – diz Dona Raimunda – nem falou comigo direito.
— Está acontecendo alguma coisa – diz Artur – preciso ver Inês, proteger ela.
— Humm virou super-herói agora é? – diz Dona Raimunda o olhando rindo.
— Mãe.
— Olha filho, pare de está tentando conquistar Inês. Não alimente falsas esperanças. Não quero te ver sofrer.
— Inês vai me amar mãe, sei disso – diz Arthur – não se preocupe. – beijando a cabeça dela.
***
Inês vinha de táxi com Alejandro, ele insistiu em trazê-la em casa. Os dois conversaram sobre muitas coisas no caminho. Alejandro falou da dor do abandono de sua mãe, por um momento chorou, Inês se sentiu triste por ele e o consolou, perguntou sobre Loreto ser padrinho dele, Alejandro disse que ele o pegou para criar quando sua mãe o abandonou, e que ele agradecia muito a Loreto por ter lhe ajudado, Inês se sentia incomodado com a história. Contou como conheceu Loreto e que sofreu ao lado dele, por isso o deixou. O informou sobre o acontecido de logo cedo com as meninas, que estava sofrendo com a desconfiança delas. Alejandro a entendeu e disse que acreditava nela.
— As meninas foram muito dura com você – observou Alejandro – mas não se preocupe, tudo se resolverá, acredite – pegando a mão dela e beijando.
Inês sorri para ele – você é um amor de pessoa.
— E você é meu anjo – rindo a olhando – não me esqueci de como um dia me defendeu e me ajudou com o Sr. Victoriano.
— Aquele ali é cabeça dura. Mas lá no fundo tem um bom coração – diz Inês.
— É, deve ser bem lá no fundo mesmo – diz ele brincando, Inês ri.
— É ali taxista – diz Inês indicando – sei que você ama Diana verdadeiramente, sempre irei lhe ajudar com ela.
— Obrigada – diz ele pagando o taxista – amo Diana com todo o coração.
— deixa que eu pago.
— Nada disso, sou um cavalheiro, a dama guarde o seu dinheiro e me ofereça um bom café. O que me diz? – saindo do taxi com ela
— Com muito prazer. Vamos – segurando no braço dele e entrando na vila, sorridentes.
Já dentro de casa, Inês e Alejandro estavam na cozinha, ela pegava os ingredientes para fazer o café.
— Que tal fazermos um bolo? – sugeri Alejandro animado – para acompanhar.
— Claro que sim filho – Alejandro a olha – desculpe.
— Não... sabe que, me senti bem com a senhora falando assim – diz ele a olhando.
Inês ri franzindo as sobrancelhas – Então, vamos fazer esse bolo filho.
Os dois se divertem preparando tudo. Estavam se sentindo tão bem um perto do outro, sentiam como se já se conhecesse toda a vida. Alejandro a olhou colocar o bolo no forno, enquanto fazia a calda de chocolate no fogão. Deixou a panela e foi bem devagar, querendo fazer cocega em Inês, a mesma estava de costas para ele.
— Nem pense nisso – diz Inês sabendo que ele estava atrás dela.
— Mas como sabe o que ia fazer? – pergunta ele a vendo fechar o forno e virando para ele. Sorrindo.
— Porque Emiliano sempre tenta fazer isso comigo – ele ri.
— Minhas filhas fazem sempre comigo e sempre as pego antes – ele ri – às vezes tenho que fingir que não estou vendo elas.
— Sempre sentimos quando um filho se aproxima, está no sangue — eles se olham por um momento, Inês senti cheiro de queimado – Alejandro, esqueceu a panela no fogo.
Ele corre tirando e jogando dentro da pia, com fumaça saindo, liga a torneira. Olha para ela e os dois começam a ri.
— Desculpe – diz ele – acho que vamos ter que fazer outro.
— Sim, deixa que eu faço, agora.
— Mas e eu o que irei fazer?
— você – diz Inês o levando até a cadeira – vai ficar sentado e conversando comigo – rindo.
Quando tudo aprontou, os dois arrumam a mesa, já era 1hr da tarde. Eles sentam-se e fazem junto o sinal da cruz, nem percebem.
— Nunca comi bolo de chocolate com café, ainda mais no lugar do almoço – diz Inês rindo.
— Para tudo tem uma primeira vez. Vamos ver como está esse bolo – provando o mesmo – humm – fazendo uma cara de reprovação.
— Ai, não me diga que está ruim – pergunta Inês o olhando com uma carinha engraçada.
— está ótimo – diz ele rindo, Inês bate de leve no braço dele , ele ri – uma delícia. Tem mãos de fadas, não, de anjo.
Os dois comem em uma harmonia, fazia tempo que Inês não se sentia assim, completa, como se algo que nela faltava estivesse regressado. Alejandro se sentia o mesmo, sublime. Os dois terminam de comer.
— Muito obrigada Alejandro – diz Inês pegando na mão dele – pensei que meu dia não pudesse melhorar. – diz ela com uma cara triste. Alejandro passa o dedo na calda do bolo e passa no nariz de Inês – por que fez isso? – pergunta ela rindo, tentando limpar. Lembrou-se que alguém fazia isso com ela no passado.
— Te vi ficando triste e não pensei em outra coisa – diz ele rindo encolhendo o ombro, como se estivesse pedindo desculpa.
— Hum, então irei retribuir o favor – diz ela passando na bochecha dele o chocolate, os dois sorriem, e ficam se olhando – bom agora vamos arrumar isso filho.
— Agora eu arrumo e a senhorita fica ai sentadinha – diz ele levantando.
— Tudo bem – diz Inês feliz – Quero um dia poder conhecer suas filhas Alejandro.
— Sim, sim – diz ele arrumando as coisas – elas irão te adorar.
***
A noite Inês estava na sala conversando com Dona Raimunda, depois da tarde divertida com Alejandro, estava mais leve, mais animada.
— Aquele rapaz bonito que chegou com você aqui na vila, quem era? – pergunta Dona Raimunda curiosa.
Inês não precisou perguntar de Dona Raimunda como ela sabia, pois ali na vila quase tudo que entrava e saia ela sabia.
— Alejandro – diz ela sorrindo – namorado da filha do Victoriano, Diana.
— Falando no garanhão, o que ele fazia aqui tão cedo?
— Bem, é... ele estava conversando comigo.
— Hum... e as filhas dele também? Mas eu vi elas saindo primeiro todas estavam tão nervosas, depois de um longo tempo que vi ele indo. – diz Dona Raimunda, deixando Inês desconfortável. – Desculpe Inês. Só fique sabendo que para o que precisar estarei aqui, está bem? Pode confiar em mim – pegando em sua mão.
— Obrigada Dona Raimunda – diz Inês sorrindo para ela.
— Mas me diz, ele beija bem?
— Dona Raimunda, mas que pergunta é essa? – diz Inês a olhando com vergonha.
— Beija bem ou não? – insisti ela – um homem daquele se não beijar bem... Ai como sinto falta do meu velho, que Deus o tenha – se benzendo – bom – diz ela levantando — como sei que vou ficar sem minha resposta, já irei, tenho que dá a janta para o Fernandinho.
Inês vai até a porta com ela.
— Obrigada pela companhia Dona Raimunda – dando um beijo nela.
— Eu que agradeço. Ah ligue para o Arthur, ele esteve aqui te procurando.
— Tudo bem, irei ligar. Boa noite.
— Boa noite, fique com Deus minha filha.
— Fazenda Las Dianas –
Victoriano quando chegou em casa, Deborah o encheu de perguntas, ele desviou o assunto e não disse onde passou a noite, ela fez drama, dizendo que se sentia só, que ele estava a abandonando, Victoriano tratou de acalmar por causa do bebê, a levou para o quarto para ela descansar, Deborah tentou o seduzir. Mas ele não quis, desceu e pediu para Jacinta levar um chá para ela. Deborah sentia Victoriano mais afastado dela e iria fazer algo, precisava o manter preso a ela, para assim ter completamente a confiança dele.
Victoriano estava no seu escritório, depois de telefonar para a empresa e perguntar como ocorreu o dia lá sem ele, decidiu ligar para o detetive. Foi logo o enchendo de perguntas.
— Don Victoriano – diz o detetive tentando falar – Senhor, Por favor.
— Olha aqui, para quê eu te pago? Para ficar de bobeira? – esbraveja Victoriano – Quero saber por que diabos não me falou da manhã que Inês teve com aquele advogadozinho? Hum?
— Iria te comunicar sobre isso Don Victoriano – diz o Detetive Ruben.
— Não me venha com essa de ‘iria’ Ruben. Te pago muito bem, então espero que entenda que quem dita às ordens aqui sou eu, entendeu?
— Sim Senhor Don Victoriano.
— Muito bem. Diga-me agora o que aconteceu exatamente naquela manhã.
— Eles foram em algumas lojas, pelo que percebi estavam atrás de um terno. O advog...
— Desde quando Inês virou estilista de modo? – esbraveja Victoriano com raiva – aquele mequetrefe.
O detetive ri – Desculpe Senhor, mas a Inês é muito boa para escolher ternos. Vi ele experimentando, talvez ela tenha muitas qualidades que o Senhor não reconhece.
Victoriano olha para o telefone, com raiva do atrevimento de Ruben – Escuta aqui Ruben, desde quando te dei autoridade para falar assim? E para você é DONA Inês, ouviu, DONA.
— Perdão Sr. Santos – torcindo nervoso – Bom, continuando. O advogado levou ela para almoçar também, percebi que está interessado na Dona Inês e...
— E o quê Ruben? – diz ele apertando o punho.
— Ele sempre pegava nas mãos dela e beijava, quando ela olhava para alguma coisa, tinha a impressão de que queria beijá-la – ele ri – mas também quem não... – para rapidamente.
— Continua, continua – diz Victoriano com raiva – irei descontar do seu salário – desliga na cara do detetive – Estupido!
O detetive liga, Victoriano não atendi. Ruben para explicar o que Inês fez hoje decidiu mandar o vídeo para ele. Victoriano escuta o celular apitar e olha, dá o play no vídeo: Inês batendo na porta da casa de Loreto apressada, parecia nervosa, logo em seguida ele aparecendo atrás dela, a olhando dos pés a cabeça, a cobiçando, a puxou pelo braço com força a levando para dentro de sua casa. Victoriano ficou preocupada e se levantou da cadeira discando o número da casa de Inês, ninguém atendia, ligou para Ruben descontando sua raiva.
— Seu imbecil. Por que não me ligou para dizer que Inês tinha ido na casa de Loreto? Ele pode ter feito mal a ela e ao invés de me ligar ou ir lá, não, resolveu filmar. Se algo tiver acontecido com Inês você pagará as consequências. Está despedido – Ruben tenta fala – Despedido – desligando o celular e tenta ligar novamente para Inês – Vamos Inês, atendi, atendi...
Depois de mais umas ligações Emiliano que atendeu, acabara de chegar em casa. Chamou pela mãe e não obteve resposta.
— Alô?
— Cadê sua mãe moleque? – pergunta Victoriano impaciente.
— Ei, fala direito comigo se não desligo.
— Fala logo cadê sua mãe, deixa de mariquice.
— Vou desligar
— Se desligar juro que vai se arrepender – ameaça Victoriano do outro lado – passa a droga do telefone para Inês.
— Por que não deixa minha mãe em paz ein? Se ela saiu de sua casa, não precisa ficar ligando para ela.
— quem é Emiliano? – aparece Inês de roupão.
— Mas só passarei se me disser como está Cony? Ela não atendeu minhas ligações e hoje tínhamos um compromisso.
Victoriano respira fundo – Se afaste da minha filha, deixa ela em paz. Quero falar com Inês, é ela que me interessa.
— Não irei me afastar dela porque você quer e muito menos acatar suas ordens, que para mim não valem mais nada. Cony é livre, solteira, já você é casado e fica procurando minha mãe – Inês o olha e tenta pegar o telefone de sua mão – para mãe...
— Inês? – diz Victoriano ouvindo ela falar com Emiliano – Emiliano, não irei me afastar de Inês, jamais a deixarei em paz. Sempre amei Inês. Se era isso que queria saber, pronto já sabe, agora passa esse telefone para ela.
Emiliano olha para Inês – seu desgraçado e eu tampouco deixarei a Cony – jogando o telefone no sofá e indo para o quarto, batendo a porta.
Inês pega – Alô, Victoriano?
— Inês – diz ele aliviado – Mi Morenita. Você está bem?
— Sim, estou bem. Mas por que me ligou? O que falou para o Emiliano?
— Disse a esse moleque que te amo e que não vou te deixar em paz, nunca.
— Victoriano – diz Inês sentando no sofá – não era para você ter falado nada disso, sabe como Emiliano é. Estavam tão bem ontem.
— O que estava fazendo que não me atendeu? – pergunta ele.
— Estava no banheiro
— Hum – Victoriano pensa no banho de Inês logo cedo que presenciou.
— Para quê me ligou? – pergunta Inês.
— O que foi fazer na casa do Loreto? – pergunta ele sem rodeos — ele te fez alguma coisa? Respondi.
— Você me seguiu? – pergunta Inês.
— Não. Mas eu sei que foi até lá. Então era esse o compromisso que tinha?
— Tire esse detetive da minha cola Victoriano. – manda Inês – fui até lá exigir que ele se afaste de mim e do meu filho.
— Mas você me disse que não o via há algum tempo...
— O vi hoje, espiando na janela de casa.
— O quê?
— Sim, primeiro foi na janela da sala, logo quando as meninas saíram, depois...no quarto.
— Por que não me disse Inês? – pergunta Victoriano – tem que parar de me esconder às coisas, posso te ajudar e quero. Mas tem que confiar em mim.
— Confio em você, claro que confio.
— Então, me deixa ficar ao seu lado para te ajudar e proteger.
— Victoriano, não insista. Já falei para ficar longe de mim, agora mais que nunca, as meninas pensam que fomos amantes e isso não é o certo. Não quero piorar mais a situação, fique com suas filhas, com sua esposa e esse bebê que logo chegará, fique com sua família.
Victoriano bravo respondi – não, não vou ficar longe de você e irei sim insisti sempre e nada que me diga me fará mudar de ideia. Não vou te perder de novo Inês. Agora me diz se aquele infeliz do Loreto te fez algum mal? Porque pelo vídeo que vi ele te pegou com violência.
— Que vídeo? – pergunta Inês confusa, já querendo chorar pelo que Loreto tentou lhe fazer.
— Que o detetive...ah isso não importa. Inês, por favor, me responda. O que aconteceu lá dentro da casa dele?
Inês tenta falar – ele tentou.. ele... – começa a chorar – Victoriano.
— Maldito – batendo na mesa – Mi Morenita, me diz que ele não fez o mal
— Não... Alejandro chegou e me ajudou – com a voz embargada.
— Percebi Inês o perigo que correu? – esbraveja Victoriano – foi imprudente. Se colou em uma bandeja para ele – gritando com ela.
— Não me falhe assim, não grite comigo, por favor.
— Mais que inferno Inês, será que já não sofreu o bastante com esse miserável e ainda vai procurá-lo. – ela fica calada – irei até ai amanhã e não estou me importando se me impendi, conversaremos sério. Me ouviu bem — desligando o telefone.
Victoriano estava com raiva por Inês nunca o ouvi e se expor ao perigo, indo atrás de Loreto, andou pelo escritório passando as mãos nos cabelo, arrependido pela forma que falou com ela, pegou o celular e ligou novamente, ela atendeu esperando ele falar.
— Me perdoe Mi Morenita, me perdoe. – diz ele arrependido respirando fundo, com a voz calma – tente me entender, você se arriscou atoa, não me quer por perto para te proteger, não suportaria se esse infeliz te fizesse mal novamente, sou capaz de mata-lo. Eu te amo tanto Inês – ele espera ela falar. Mas ela não falou nada – seu silêncio é gritante. Não consigo ficar sem ouvi sua voz. Por favor, diga pelo menos que me ama também.
Inês deixa derrama lágrimas — Eu te amo Victoriano. – e desliga a chamada.
Victoriano fica olhando o celular, seu coração se animava cada vez que Inês declarava seu amor por ele. Mas sentia que ela sofria, assim como ele. Foi ao quarto que era dela na casa, tudo estava do jeito que ela deixou, Victoriano não permitiu que tirassem nada do lugar, muito menos o lençol da cama. Tirou os sapatos e se deitou sobre a mesma, pegando o travesseiro, inalando o cheiro de Inês que ali ficou, o abraçou.
— Sinto sua falta Mi Morenita – declara ele com a voz triste – nada é mais o mesmo sem você aqui.
*Casa/Quarto de Inês* A mesma já estava debaixo das cobertas de roupão, não quis se trocar, passava sua mão onde Victoriano dormiu noite passada, sentia lágrimas quentes descer de seus olhos.
— Me perdoe Deus meu, perdoe-me por amá-lo tanto.
*Fazenda/Antigo quarto de Inês* — Perdoe-me Morenita, por te amar demais e ser incapaz de te deixar.
— Boa noite meu amor – Os dois disseram juntos, como se seus corações ouvissem suas palavras. Dormiram profundamente agarrados ao cheiro um do outro.
Fale com o autor