A Past More Than The Present
25 The Past - Parte 1
Notas iniciais
2014//Argentina, Buenos Aires
Violetta segurava o envelope em sua mão completamente trêmula, desde a noite anterior não conseguira tirar aquela possibilidade de sua cabeça, então na primeira oportunidade que teve, veio a uma clínica fazer o exame, e ali estava o resultado, em suas mãos. A Castillo respirou fundo tentando respirar com clareza e pôs suas pernas a trabalharam, indo até o estacionamento, atravessou aquele local em passos largos, até alcançar seu carro.
Suspirou pesadamente encostando seu corpo no automóvel, reunindo coragem para fazer o que tinha que ser feito. Sem mais delongas e ainda trêmula, Violetta abriu calmamente o envelope tirando dali de dentro o papel que tinha sua resposta, correu o papel com os olhos e encontrou a resposta já esperada.
Positivo!
Os olhos da Castillo se encheram de lágrimas e ela levou uma das mãos a boca, ainda trêmula, tentando conter algo que seria entre um grito ou um choro. Ainda encarando o papel, a morena não conseguia acreditar, naquele momento estava carregando um pedacinho seu e de León dentro de si. Outra vez, geraria um filho do homem que amava. Poderia realizar o sonho de León de ter um filho homem.
Após notar que havia passado tempo demais naquele estacionamento, Violetta adentrou seu carro com um rumo certo. Dirigindo rapidamente, logo chegara ao local que queria: a empresa Vargas. Sem muita demora e com passos quase automáticos, a Castillo estacionou o carro e adentrou o prédio luxuoso. Andou apressada até o elevador enquanto sua cabeça trabalhava a mil. Olhou-se no espelho do elevador e viu que as lágrimas já haviam se cessado, um sorriso teimava em aparecer em seu rosto e ela acariciou o próprio ventre. O barulho do elevador a despertou e se pôs porta a fora, descendo no andar de León. A morena caminhou em passos apressados até a secretaria de Léon que assim que a viu ficou nervosa, isso era visível.
– Senhorita Ca-Castillo?! – indagou a moça, assustada. Violetta franziu o cenho.
– quero falar com o León. – a Castillo disse simplesmente, não tinha tempo pra se dispersar, León necessitava saber o que descobrira aquela manhã.
– err... Senhorita Castillo, o Senhor Vargas está em uma reunião e... — a garota se enrolou com as palavras e Violetta a olhou desconfiada. O diálogo das duas foi quebrado quando a morena ouviu alguns gritos femininos saírem de dentro da sala de León.
O coração da morena deu um salto e quase no automático ela se dirigiu até a sala de León, ignorando os protestos da secretária dele. Violetta reconhecia aqueles gritos histéricos, mas se negava a acreditar. Ela não teria coragem de aparecer ali. Empurrou a porta da sala de Léon com uma força descomunal, fazendo barulho e ali estava ela. Lara.
O Vargas sentiu dificuldade pra respirar quando viu a Castillo ali, aquilo não podia estar acontecendo, não agora.
– Violetta... – León sussurrou atônito, os olhos presos a sua garota, sua mulher, que mantinha a expressão fechada, raivosa... magoada!
– então, era ela? – Lara indagou, fazendo com que o casal que se encontrava em sua bolha pessoal lhe desse atenção. – então foi essa vadia que encheu sua cabeça contra mim? – o Vargas a encarou indignado.
– você é louca! – exclamou pra Lara. – ninguém precisou encher a minha cabeça de nada, Lara. Você me traiu e me enganou. – afirmou com raiva.
– eu fiz tudo por amor! – a morena exclamou. Vadia! Violetta a nomeou mentalmente. – fiz porque queria realizar seu sonho. – continuou. A Castillo a encarou indignada, aquela mulher estava se declarando para León na sua frente. Está mexendo com o que é nosso! O subconsciente de Violetta sussurrou e ela respirou fundo tentando se acalmar. – porque eu te amo. – afirmou e León riu.
– ah claro, e me traiu porque me ama. – León afirmou cínico. – Lara, eu não quero mais nada com você. Achei que isso tivessse ficado claro quando fui ao hospital. – ele proferiu sério. Lara socou a mesa, visivelmente alterada, ela queria Léon e teria, custasse o que custasse. Nem que pra isso tivesse que jogar sujo.
– você me acusa de ter te enganado, quando a sua mulherzinha fez a mesma coisa. – ela afirmou.
Violetta fechou os olhos amaldiçoando aquele momento, amaldiçoando ter ido até a empresa, poderia ter esperado León chegar em casa, mas porque não o fez?! Não tinha como Lara saber, era isso que a morena pensava.
– do que você ta falando, Lara? – León indagou já cansado daquela discussão.
– ah claro, você não sabia. – A Baroni afirmou cínica. – não sabia que sua querida Violetta estava grávida quando vocês se separaram, León?! – naquele momento todos na sala paralisaram, a Castillo sentiu uma leve tontura, mas se manteve firme. Havia evitado tanto aquele momento e agora chegara, Lara a estava fazendo retornar ao passado, fazendo com que ele se tornasse seu presente novamente.
– basta saber o que ela fez com essa criança, não é mesmo?! – Lara virou-se pra Violetta. – aposto que abortou.
Com uma raiva descomunal, Violetta ergueu a mão direita e a direcionou na bochecha de Lara, causando um vermelho evidente e um estalo. A Baroni colocou a mão no local atingido e olhou pra Violetta assustada e León mantinha a mesma expressão.
– Nunca mais fale sobre meus filhos. – A Castillo vociferou. E antes que algo mais acontecesse, vários seguranças invadiram a sala.
– tirem-na daqui. – León murmurou perdido.
Em meio a esperneios e gritos histéricos a Baroni foi tirada de lá, e em seguida a porta foi fechada, deixando Violetta e León a sós. A Castillo sentia um bolo instalado em sua garganta, tentava fala algo mais não conseguia. Havia escondido aquele segredo durante tantos anos, e agora ele sabia, da pior forma possível.
– isso é verdade? – León indagou, a voz controlada. A Castillo respirou fundo.
– sim. – sussurrou mais tinha certeza que León tinha ouvido. O Vargas a encarou , os olhos vermelhos, a morena podia ver a dor contida neles.
– Violetta, por favor... – ele murmurou. – vá embora. – pediu.
– León... – ela tentou se aproximar, mas ele deu uma passo atrás, a dor da negação se apoderou de Violetta e ela sentiu vontade de chorar.
– em casa, Violetta. – disse firme. – em casa conversamos. – em tom controlador ele afirmou.
A morena respirou fundo controlando as lágrimas e saiu daquele local. Tudo que se seguiu foi no modo automático, sair da empresa, entrar em seu carro, dirigir pelas ruas de Buenos Aires, chegar em casa, estacionar, descer do carro, adentrar a mansão Vargas, notar que estava sozinha, subir pro seu quarto, se jogar em sua cama e, finalmente, chorar, deixando que todas as emoções do dia lhe atingissem. No fim das contas, Francesca tinha razão. Deveria tê-lo contado.
Semanas atrás...
– Amiga, você já sabe a minha opnião. – Violetta ouviu a italiana afirmar pelo telefone. – você deve contar pra ele. – a Castillo suspirou.
– não, Fran. – negou. – esse assuntou já está morto, não quero acabar com o que León e eu temos, ele... – Violetta respirou fundo. – ele jamais vai me perdoar de ter escondido tudo dele.
– Vilu, quem ama perdoa. – a italiana afirmou tentando tranqüiliza-la.
– eu tenho medo, Fran. – confessou a Castillo.
– eu sei, mas você tem que arriscar. Se não, você pode acabar perdendo-o pra sempre.
Tempos atuais...
As lágrimas da morena saiam de forma desesperada, de tudo, a única coisa que achava que Léon não perdoaria era a mentira, e fora a única coisa que ela fizera. Havia mentido para ele, havia enganado-o. Violetta sequer imaginava a reação de León, não podia prever o que ele faria, mesmo conhecendo-o bem demais, o casal nunca estivera em uma situação tão delicada.
Com os olhos ainda meio embaçados, a morena seguiu ao banheiro e iniciou a prática tarefa de se dispir, logo já estava nua e se acomodava debaixo da água gelada, enquanto as lembranças a abraçavam, e juntamente com elas a dor voltava.
10 Anos Atrás...
A claridade naquele quarto era tão forte que fez Violetta piscar algumas vezes até se acostumar, o local nada família deixava a morena pouco a vontade, mas a curiosidade de saber onde estava e porque estava ali a fez analisar o quarto a sua volta. Um quarto quase que completamente branco e quase vazio, a não ser pela morena sentada em uma poltrona ao lado de sua cama. Tragando a saliva com dificuldade, a morena se pronunciou.
– Francesca? – indagou com a voz ainda rouca de sono, a italiana levantou o olhar, finalmente percebendo que a Castillo estava acordada.
– Vilu! – exclamou aliviada. – graças a Deus você acordou. Está bem?! Sente alguma dor? – indagou a italiana preocupada, Violetta a encarou confuso.
– hum... o que aconteceu? – indagou a Castillo.
– você estava dirigindo pra fronteira da cidade quando perdeu o controle do carro. – explicou a italiana. – recorda-se?! – e então tudo passou como um flash na cabeça de Violetta, a gravidez, a traição, o acidente. As lágrimas se acumularam no rosto da, até então, senhora Vargas.
– Fran... – a chamou cautelosamente. – e o meu bebê? – indagou preocupada e ao ver a expressão de tristeza e melancolia no rosto de Francesca teve certeza de suas suspeitas.
– eu sinto muito. – a italiana murmurou perdida e preocupada.
Tempos Atuais...
Violetta podia sentir tudo novamente, mas o sentimento que predominava era a dor. A dor da perda. A morena sentia como se seu peito estivesse sendo cortado pouco a pouco, como se quisessem torturá-la. Aquele fora o pior dia de sua vida e tinha certeza disso, não tivera tempo de ficar de luto na época, sua filha precisava de si. Agora, após tantos anos a dor ainda er pior, pois sabia que na época tinha culpado León e a traição por tudo o que acontecera, mas não podia seguir mentindo assim para si mesma, tirando o peso que carregava em seus ombros. Soluçando debaixo do chuveiro, a morena constatou que a culpa não era de ninguém a não ser ela mesma.
(...)
A Castillo coçou os olhos despertando de seu sono, olhou em volta e notou que ainda estava sozinha, preguiçosamente esticou seu corpo e sentou-se na cama e se assustou ao notar que já era noite e que havia dormido tanto. Alcançou seu robe e o amarrou em volta do corpo se dirigindo até a pequena varanda que havia em seu quarto.
Violetta segurou o parapeito e fechou os olhos sentindo o vento gelado acariciar seu corpo, era exatamente daquilo que necessitava depois de tudo que vinha acontecendo em sua vida, necessitava de um momento só, sem pensar, sem sonhar, sem criar expectativas, um momento apenas seu. A morena perdeu a noção do tempo ali e só foi se dar conta da realidade que a cercava quando ouviu o barulho da porta do quarto sendo fechada. A respiração da Castillo ficou imediatamente pesada e o nervosismo tomou conta de seu corpo.
Respirando fundo, a morena abriu os olhos sentindo alguém se aproximar e se inclinar no parapeito ao lado seu lado. Subitamente a Castillo virou seu rosto podendo finalmente encará-lo, os olhos verdes dele ganhavam um poder mais intenso a noite, a maneira como estava tenso, a mandíbula travada, tudo nele demonstrava a dor ou ansiedade que sentia, mas mesmo assim não poderia estar mais lindo, talvez, mas só talvez, Violetta estivesse com medo de perdê-lo e por isso queria decorar sua feições.
– Precisamos conversar, Violetta. – afirmou o Vargas em um tom frio.
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