A Past More Than The Present
22 Passado e futuro! - Parte 2
Notas iniciais
2014/Argentina, Buenos Aires
“... ainda dá tempo de desistir...”
As palavras de Sofia Vargas só tiveram peso o suficiente na mente de León quando o mesmo viu Violetta adentrar o local onde seu casamento com Lara seria realizado. Depois de semanas sem ver a morena, o Vargas analisou minuciosamente cada detalhe do corpo de sua ex-mulher, e sim, ele percebera mudanças, percebera de cara que o corpo de Violetta estava mais definido, e aquele vestido que exalava sensualidade apenas contribuía para que todos os olhares se voltassem para a Castillo. Mas, León sabia que não era isso, tinha algo mais, as mudanças corporais de Violetta eram tão estranhamente familiares que ele sentia que a havia visto em algum momento com os mesmo indícios...
A linha de pensamentos do Vargas foi cortada assim que a marcha nupcial começou a soar e Lara apareceu na porta da igreja, completamente magnífica em seu vestido branco extravagante. León por um momento desejou que fosse outra mulher, que não sua noiva, estivesse ali. Uma mulher que já havia estado naquela mesma situação com aquele mesmo homem. Respirando fundo, León evitou olhar para sua filha, que os olhava ansiosa para ver se a presença de sua mãe afetaria em algo na decisão de seu pai; evitou olhar para sua mãe, que esperava que a conversa a poucos minutos atrás fizesse efeito; e, definitivamente, evitou olhar para Violeta, pois sabia que apenas um olhar de súplica daquela mulher o faria largar tudo e ir com ela para onde ela quisesse. Era incrível como no mesmo local ele tinha as três mulheres da sua vida e nessa escala, sua noiva não se incluía.
León estava tão concentrado em sua batalha interna sobre certo e errado, sobre querer e poder, que nem notou o decorrer do tempo ao seu redor, tudo passava em câmera lenta para o Vargas, como se assistisse a um filme que não o incluía. Lara chegando ao altar, o padre iniciando a cerimônia, e logo a pergunta principal foi feita.
– León Vargas, você aceita Lara Baroni como sua legítima esposa? Para amá-la e respeitá-la enquanto ambos viverem? – e somente naquele momento León percebeu. Não conseguiria fazer aquilo, não conseguiria dizer ‘sim’ a outra mulher que não a Violetta. Não conseguiria passar anos acordando ao lado de outra a não ser a mulher que amava. Obviamente, não deixaria seu filho desamparado, mas não poderia fazer aquilo... nem com Lara, nem consigo mesmo.
O Vargas encarou sua noiva, seus olhos clamando para que ela entendesse, buscando algo nos olhos de sua noiva, algo que o fizesse desistir da decisão que estava começando a tomar. Mas, a única coisa que viu foi o rosto de Lara perder a cor, ao mesmo tempo que seus olhos se cerraram, seu corpo enfraqueceu-se e a morena foi em direção a inconsciência. E se não fosse por León ali era bem provável que o corpo iria de encontro ao chão em um atípico desmaio.
(...)
Melissa sorriu vitoriosa entrando no quarto de sua melhor amiga, afinal ambas haviam optado por mais uma típica festinha do pijama. A herdeira Vargas não conseguia conte sua felicidade, era incrível como tudo havia dado tão certo e ninguém havia desconfiado de nada. Ou quase isso.
– certo! – Isa pronunciou sentando-se em sua cama com uma almofada em seu colo. – agora, me conte. O que você fez? – Melissa riu da curiosidade da amiga, mas sabia que ela era a única pessoa da qual não conseguiria esconder.
– qual você acha que foi o motivo do repentino desmaio da senhorita Baroni? – a herdeira Vargas indagou, ironizando.
– bom, ela está grávida, então eu pensei que... ai meu Deus, o que você fez com ela? – Isa disse com falso desespero e Melissa riu rolando os olhos.
– nada demais, apenas coloquei um sonífero inofensivo no suco dela quando fui no quarto dela fazer o papel da “enteada arrependida e conformada” – Melissa fez aspas no ar. – mas, não se preocupe, isso apenas vai fazê-la dormir por um tempinho e depois ela vai acordar sã e salva. – ela terminou sua explicação e encarou Isa. Em poucos segundos, as duas amigas caíram em um ataque de risos infindável.
(...)
O Vargas passou os dedos nervosamente pelos cabelos, não estava mais preocupado com Lara, já que o médico havia lhe dito que fora um mal estar e que ela só precisava repousar. Mas, o que se indagava por dentro era: o que faria agora?
Não poderia prosseguir seu relacionamento com Lara, e nem queria fazê-lo. No entanto, queria manter seu filho por perto, mas não sabia se Violetta aceitaria isso tão bem quanto ele queria. Afinal era isso o que queria, ter perto de si, Violetta, Melissa e seu filho ou filha que Lara ainda carregava em seu ventre.
– eu exijo que vocês me deixem vê-la! – León foi desperto de seus devaneios com uma voz desconhecida pra si, logo que levantou sua mirada, o Vargas pode vê-lo, um homem com aparências normais, e com uma expressão nada agradável, um misto de preocupação e raiva, que discutia com a balconista do hospital.
– desculpe-me senhor, mas a senhorita Baroni não está disposta a visitas no momento.
León observou o homem se afastar bufando e sentar-se em uma das confortáveis cadeiras da sala de espera. Uma curiosidade súbita acometeu o Vargas naquele momento, afinal quem era aquele homem? E o que ele queria com Lara? Com passos firmes caminhou até o homem misterioso parando na frente do mesmo que o fitou confuso.
– o senhor gostaria de ver a Lara? – León indagou buscando saciar suas dúvidas sem ser necessariamente grosseiro.
– sim. – o rapaz respondeu prontamente.
– eu poderia ajudá-lo. – o Vargas disse vagamente. – basta apenas me dizer quem é o senhor.
– sou Tomás Heredia. – afimou o homem finalmente revelando com era. – namorado da Lara. – completou. – e o senhor quem é?
– León Vargas. – o olhar de Léon escureceu. – Noivo dela. – Tomás arregalou os olhos visivelmente surpreso e chocado, se afastou abruptamente de León.
– o que??! Você só pode estar louco! Lara é minha namorada, ela não tem nenhum noivo. – Tomás vociferou e León respirou fundo passando as mãos pelo cabelo, se Lara havia o traído, não tinha planos de passar aquele dia inteiro em um hospital, e sim em outro lugar... com outra pessoa.
– a quanto tempo você e Lara se conhecem? – o Vargas indagou com uma calma surpreendente. Tomás bufou e passou as mãos pelo cabelo num gesto quase desesperado.
– nos conhecemos a 3 meses e algumas semanas em Madrid. – ele revelou. – eu sou pintor e estava fazendo uma exposição na cidade quando a vi, conversamos, nos conhecemos... acabei me apaixonando... – ele soltou um sorriso sofrido. – enfim,... esses 3 meses vivemos um ótimo relacionamento, a pedi em namoro e ela aceitou. Mas, há algumas semanas ela disse que teria que regressar a Buenos Aires pra visitar sua família. Decidi vir vista-la pois estava com saudades demais, cheguei ontem e me ligaram no celular daqui do hospital, dizendo que ela havia passado mal. – o Heredia terminou soltando um longo suspiro sofrido.
– Lara, está grávida! – León exclamou e ela arregalou os olhos. – eu e Lara temos um relacionamento de 3 anos e estávamos no altar, na realização do nosso casamento quando ela passou mal. – Léon explicou impassível e Tomás engoliu seco, o choque atravessando seus olhos, realmente não esperava aquilo de Lara.
– De quem é o filho? – a indagação fora a única coisa que saíra dos lábios do Heredia. O olhar de León escureceu mais uma vez ao imaginar a possibilidade daquele filho não ser seu, de Lara tê-lo feito deixa Violetta e fazê-la sofrer a toa.
– iremos descobrir. – afirmou o Vargas convicto.
Não demorando muito o médico apareceu para informar-lhes do quadro de Lara e do bebê que como o previsto não era grave.
– fizemos muitos exames e descobrimos que foi só um mal estar da gravidez, tanto a senhorita Baroni tanto seu filho estão muito bem e ela já pode receber visitas, está no quarto 216 – o médico explicou.
– doutor, Lara está grávida de quanto tempo? – León indagou.
– a gestação é de 12 semanas. – Tomás franziu o cenho. – 3 meses. – disse o médico saindo, León deu dois passos pra trás.
– não tem como esse filho ser meu. – León murmurou e Tomás o olhou confuso. – há 3 meses, Lara estava em Madrid, para estar grávida de mim seria necessário uma gestação de 4 meses ou mais. – explicou contendo a raiva que sentia dentro de si, as únicas coisas que passavam por sua cabeça eram as palavras...
Violetta. Filho. Perda.
Sem nem pensar duas vezes seguiu para o quarto 216, sendo seguido por Tomás. Necessitava acabar com aquilo que muitos chamariam de relacionamento e desta vez nada nem ninguém o impediria. O Vargas abriu a porta bruscamente e logo conseguiu avistar Lara deitada em uma maca com as mãos pousados no ventre.
– amor eu... T-Tomás?! – gaguejou atônita.
– sim, Lara. Seu amante, querida. Não vai dar um “oi” para o pai do seu filho. – o Vargas foi irônico.
– León, eu posso explicar, eu... – Lara tentava encontrar as palavras mas foi interrompida bruscamente por León.
– explicar o que, Lara?! Que viajou até Madrid, encontrou um amante, engravidou dele e e queria fazer essa criança se passar por meu filho é isso? – o Vargas gritou, estava explodindo de ódio daquela mulher traiçoeira.
– eu não tive opção. Você me largaria por ela, você me largaria pela Violetta se eu não te desse o que ela nunca te deu. Um filho homem. – gritou a morena também. – não era esse o seu sonho, amor?! – indagou com um meio sorriso, tentando parecer angelical.
– já chega, Lara. – León socou a parede a assustando. – você é uma mulher dissimulada, mentirosa e manipuladora, não sei como poderia criar uma criança sendo assim. Seja qual for o tipo de relação que tínhamos, acabou! Não quero nada que me prenda a uma mulher assim! – após aquele anúncio o Vargas se retirou do quarto e conseqüentemente do hospital, buscando o único local onde achava que encontraria quem necessitava naquele momento.
(...)
A única surpresa de León fora não encontrar Violetta em cas, em sua casa, a casa que era deles. Mas, que sem ela parecia um lugar obscuro e sem vida. não foi necessário muito tempo pra que o Vargas se irrita-se e liga-se para Andrés exigindo que rastrea-se Violetta em menos dia uma hora. E assim foi feito, através da ligação de Violetta para Naty, Andrés conseguira localizá-la em um apartamento afastado.
Que era onde León se encontrava, em frente a porta daquele apartamento, esperando a porta ser aberta, coisa que não demorou muito a acontecer, pois logo uma Violetta ainda com a mesma produção para o casamento aparecera na porta. A morena assustada e atônita pela presença de seu ex-marido ali, logo notara a escuridão no olhar de León ousaria até mesmo dizer que era de raiva ou... oh, merda!... desejo.
– Le... León?! – o Vargas apenas deu seu lindo sorriso destruidor de canto e adentrou o apartamento de Violetta sem nem lhr pedir permissão pois sabia que ela não lhe cederia a mesma.
– surpresa, amor? – ele indagou ironizando com a voz mais grossa que o normal. Violetta arfou, encontrava-se extremamente sensível e mesmo assim achava incrível como apenas a voz daquele homem a desconcertava. Buscando seu alto-controle, a Castillo cerrou a porta e virou-se para poder encará-lo.
– o que está fazendo aqui, León? – perguntou, com um fiapo de voz. O Vargas abriu mais um sorriso destruidor aproximando-se dela, a tensão que emanava de seus corpos era quase papável.
– vim buscar o que me pertence. – ele afirmou com a voz ainda mais rouca e puxou pela cintura sua ex-mulher causando um impacto entre seus corpos.
– León... – murmurou, a respiração pesada devido a proximidade.
– shiiiiu... – ele murmurou finalizando o espaço entre seus corpos e finalmente realizando o desejo de ambos, selando seus lábios com volúpia.
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