A Past More Than The Present
21 Passado e futuro! - Parte 1
Notas iniciais
2014/Argentina, Buenos Aires
As três últimas semanas para Violetta haviam sido agonizantes de uma maneira absurda, o plano já completamente formulado em sua cabeça estava sendo colocado em prática e se saindo perfeitamente bem, o apartamento já havia sido comprado e obviamente não estava no nome da Castillo. Violetta fora esperta ao constatar que se o apartamento ficasse no seu nome, facilmente León a rastrearia, então a morena comprou sua nova casa e colocou no nome de sua assistente Nathália Vidal. O resto fora fácil, apenas mobiliar a casa e preparar Melissa psicologicamente para o que estava por vir.
A cada segundo que passava, mais Violetta sentia que aquela era a decisão certa, a convivência na mansão Vargas havia se tornado tão insuportável que todos ali mal se viam. Violetta saía mais cedo do que León e voltava mais tarde do que o mesmo, para não ter que encontrá-lo, e ficou um pouco mais aliviada ao saber que León havia praticamente proibido Lara de ficar rondando sua casa. Claro, Violetta sentia falta da convivência com sua filha, mas sabia que aquela era apenas uma fase. Uma fase difícil que a Castillo teria que superar.
Como um mecanismo de defesa, Violetta se atolava de trabalho nas lojas Castillo’s, e isso estava de certa forma dando certo, pois a morena mal tinha tempo para pensar em León, em Lara, na gravidez e principalmente, naquele casamento. E tudo estava se saindo perfeitamente bem, afinal se você não se lembra da dor e não pensa nela, você a amortece e não a sente.
Mas, a dor precisa ser sentida.
Nem que seja por um segundo, mas ela precisa te agonizar por um momento, para que você possa seguir em frente.
E acontecera há uma semana, em um momento tão inusitado que chegava a ser surpreendente. Assim como todos os dias desde aquela notícia, Violetta estava saindo apressada para a sede das lojas Castillo’s que ficava ali em Buenos Aires. Os problemas naquele local eram tantos que a morena quase se esquecia da realidade fora daquele lugar. Mas, a realidade se fizera lembrar.
Descendo as escadas rapidamente, com bolsas, pastas e portfólios, e tentando não tropeçar, a morena começava a ouvir vozes, vozes indesejadas, vindas de pessoas indesejadas, que não deveriam estar ali. Mas, estavam, na sala, onde da escada dava pra Violetta ter total visão dos fatos.
– Lara, eu já te pedi que não viesse me procurar em casa. – León afirma nervoso, sem nem se dar conta da presença de sua ex-mulher.
– eu sei, mas eu necessitava falar com você. Nosso casamento é em uma semana e você não se deu ao trabalho nem de provar seu terno. – a morena reclama com seu noivo, visivelmente chateada.
A Castillo respira fundo em busca de se controlar, não esperava passar por aquilo ainda nas primeiras horas do dia, sentiu uma leve tontura e segurou-se no corrimão da escada para evitar rolar escada abaixo, mas logo o mal-estar passou. E quando Violetta reuniu coragem o suficiente para continuar a descer as escadas, um barulho básico de seus saltos batendo nos degraus se fez presente, fazendo com que as duas pessoas naquela sala levassem sua atenção a Castillo.
Finalmente ao terminar de descer as escadas, Violetta engoliu seco ao ter que encará-los juntos novamente, e o sorriso avassalador que surgiu no sorriso de Lara, apenas serviu para a Castillo sentir seu estômago embrulhar.
– Violetta, querida, eu precisava mesmo falar com você. – Lara afirmou com um sorriso falso no rosto e seu tom de voz fez a Castillo senti-se ainda pior. Violetta franziu o cenho quando a noiva de seu ex-marido inclinou-se para pegar algo em sua bolsa, mas logo a morena direcionou novamente seu olhar a Violetta, desta vez com um envelope decorado e chamativo em mãos, envelope este que León reconhecera na hora e entrara em pânico.
– Lara... – ele tentou interrompe-la, mas sua noiva estava irredutível.
– aqui está seu convite do nosso casamento. – o estômago de Violetta se contorceu. – espero que vá nos prestigiar. – Violetta encarou-a enquanto Lara se deliciava com as palavras. A expressão da noiva de León era vitoriosa, o que rapidamente irritou Violetta, fazendo com que ela agisse com coragem e maturidade pela primeira vez com aquela mulher.
– claro! – Violetta exclamou alcançando o envelope e dando um sorriso largo e falso, não se deixando abater e evitando de seu olhar encontrar o de León. – tentarei comparecer, mas agora necessito ir, o trabalho me chama. – disse a Castillo finalmente encerrando aquela conversa e encaminhando-se para sua loja.
Violetta não sabia o que havia lhe dado naquele momento, aquela coragem súbita de competir com Lara quando era visível que era uma batalha perdida. Mas, o convite para aquele casamento havia sido uma jogada a qual a morena não esperava. Uma jogada de mestre. E, Violetta tinha que admitir, Lara era uma boa oponente. Mas, comparecer aquele casamento não estava em seus planos, até aquele momento. Presenciar o enlace de León com outra mulher. Apenas o pensamento fazia o enjôo súbito que a Castillo sentira em casa voltar e fora dessa maneira que Violetta chegou a sede das lojas Castillo’s, correndo em direção ao banheiro e vomitando todo seu café da manhã e desejando que fosse possível vomitar seu coração, que doía mais do que qualquer corte físico.
Depois daquilo a semana passara tão lentamente que assustara a Violetta, aquele havia sido o único contato que Violetta tivera com León e Lara. Mas, quando o dia chegara, não dava mais pra evitar, ela tivera que enfrentar e naquele momento em frente aquele espelho, encarando como estava vestida, se perguntava se havia tomado a decisão certa, se não lutar por León era a decisão certa. Porque é como dizem, quem ama deixa livre e se realmente for seu vai voltar. Tomando coragem saiu daquele closet, já totalmente pronta. Maquiagem, sapatos, penteado, estava pronta. E estava perfeita.
– como estou? – perguntou, Violetta, para as três ali presentes.
– ai. Meu. Deus. – Melissa disse boquiaberta.
– Vilu, você ta... – Francesca tentava encontrar as palavras.
– Gostosa! – Isa disse e todas a encararam. – aposto que se o tio León te ver assim e larga a outra no altar na hora. – alfinetou a filha de Marco sorrindo.
– Isabella! – a mãe dela a repreendeu.
– que foi?! É a verdade. – Violetta apenas riu.
– vamos. antes que nos atrasemos, Nathan já está me ligou cinco vezes. Já ta me irritando. – Melissa disse guardando o celular na bolsa e virando-se para sua mãe. Violetta sorriu para a filha analisando como ela estava, e realmente, a herdeira Vargas tinha o bom gosto da mãe.
– Vamos! – Violetta disse após respirar fundo. Afinal, não dava mais pra fingi. Teria que encarar.
(...)
– ainda dá tempo de desistir! – exclamou Marco despreocupado pelo milésima vez, León já teria se irritado com ele se não estivesse com a cabeça em outro lugar... mais precisamente, em outro alguém... mais precisamente, em Violetta.
– eu vou me casar, Marco. já está decidido. – afirmou o Vargas enquanto tentava dar um nó em sua gravata. – e você deveria ter sido um bom amigo e ter aceitado ser meu padrinho de casamento. – alfinetou León.
– não vou contribuir para a infelicidade do meu melhor amigo! – Marco deu de ombros e León rolou os olhos.
– mas, que droga, não consigo dar um nó nessa gravata. – Marco gargalhou da cara dele e León se segurou para não xingá-lo. – dá pra chamar a minha mãe? – o Vargas indagou já a ponto de se enforcar com aquela gravata, quando a porta se abriu revelando uma senhora de cabelos loiros e olhos verdes, mais conhecida como Sofia Vargas.
– chamou? – a mãe de León perguntou divertida e ele sorriu. Ao notar qual era o problema Sofia se aproximou de seu filho e começou a refazer o nó em sua gravata, a loira respirou fundo. – León, você sabe que eu sempre fui contra esse relacionamento não é?! – ela perguntou e León rolou os olhos.
– mãe, por favor... – ele pediu e ela o ignorou.
– acalme-se, hoje não vou falar da Lara. – ela o assegurou. – sabe, filho, as vezes até mesmo nós mães erramos. Eu, por exemplo, sempre achei que a mulher da sua vida era a Violetta, no entanto olhe só onde estamos. – León, realmente, gostaria de dizer a sua mãe que ela estava enganada. que sim, Violetta era a mulher da sua vida. mas, dadas as circunstâncias, não podia. – então, se realmente, é este casamento que te deixará feliz, eu te aconselho a seguir a diante. Mas, se você tem alguma dúvida... ainda dá tempo de disastir. – então ela finalizou o nó e beijou o rosto de seu filho saindo logo em seguida.
(...)
Violetta respirou fundo entrando naquela igreja junto com Melissa, o local já cheio, todos esperando ansiosos pela noiva. A Castillo, mesmo não querendo atraiu a atenção de todos quando entrou e sentou-se em um daqueles bancos, principalmente do noivo que praticamente a comeu com os olhos e que não desviou a atenção para outro lugar nem por um instante.
A morena mordeu o lábio inferior nervosa, não conseguia parar de olhá-lo, era como se algo a chamasse para ele, era simplesmente inevitável. Mas, a conexão de ambos foi quebrada ao ouvirem a marcha nupcial ser iniciada. E no início da igreja Lara entra com um sorriso no rosto, como se aquele momento fosse a realização de um sonho. Violetta não deixou de reparar que Lara estava realmente linda em seus trajes de noiva.
Logo a marcha nupcial foi cortada, quando Lara chegou ao altar e imediatamente León segurou em suas mãos, imediatamente lembraças desagradáveis vieram a Violetta, juntamente com um enjôo, um enjôo que vinha lhe acometendo a semanas.
10 anos atrás...
A visão de Violetta encontrava-se embaçada pelas lágrimas, a morena sentia uma dor tão grande e tão profunda que não desejaria aquela dor ao seu pior inimigo, era como se tivesse engolido mil facas e elas estivessem lhe cortando de dentro para fora. A morena jamais imaginaria que León pudesse fazer uma coisa dessas com ela. Imaginar que cada “eu te amo”, cada palavra proferida, cada sorriso dado, cada olhar trocado, era tudo fingimento; e pensar assim a deixava ainda pior.
A pista molhada não ajudava em nada a obter sucesso na sua tentativa de fugir... mais uma vez. Violetta sempre fora assim, toda vez fugia, nunca enfrentava seus problemas de frente e León sabia disso. Todas as vezes que eles brigaram e quase terminaram, Violetta fugia e León ia atrás. Mas, dessa vez não bastaria ele ir atrás e pedir perdão, não mais.
A morena deixou as lágrimas incessantes rolarem por seu rosto e apertou o volante com força com uma mão enquanto levava a outra até seu ventre e o acariciava de forma protetora. Não sabia o que aconteceria dali pra frente, perder León para outra mulher não estava em seus planos, não agüentaria outra baque daqueles tinha certeza disso.
E tudo que veio a seguir foi rápido demais, o barulho do trovão estrondoso distraíra Violetta tempo o suficiente para que ela não percebesse uma árvore caída no meio do caminho, numa tentativa de desviar, o carro derrapou na pista molhada e capotou, fazendo com que a Castillo caísse na inconsciência.
Tempos Atuais...
Violetta ofegou em busca de ar como se estivesse se afogando, o enjôo apensa aumentara de intensidade com todas aquelas lembranças e a situação e o local onde se encontrava não ajudavam em nada. Sua filha que estava ao seu lado a encarou preocupada, a Castillo deu um sorriso tranqüilizador, que não chegou aos seus olhos.
– ta na hora? – Melissa indagou nervosa e Violetta assentiu te dando um beijo na testa.
– logo, logo nos veremos. – Violetta afirmou e Melissa respirou fundo, assentindo.
Não dava mais pra adiar ou não daria tempo, Violetta teria que sair dali naquele momento ou não daria tempo, e era exatamente isso que ela estava fazendo. Ao chegar na porta da igreja pegou um táxi e disparou até a casa de León, pegou as poucas malas que ainda estavam ali e voltou ao táxi dessa vez rumando ao seu novo apartamento, o local era bastante longe, demoraria mais ou menos quarenta minutos ou até mesmo uma hora de viagem, ela havia escolhido o apartamento mais distante possível.
Enquanto estava naquele táxi, o enjôo apenas aumentava fazendo Violetta se arrepender de ter tomado café da manhã com Francesca. Mas, assim com das outras vezes, ela ignorou o mal-estar, seguindo outra linha de pensamentos. Aquela hora, León e Lara já deveriam estar casados, e curtindo a sua festa, comemorando que agora formariam uma família, ela, ele e seu filho. Um a lágrima solitária escorreu no rosto de Violetta, enquanto outra vez lembranças a alcançavam.
15 anos atrás...
– Acha que a barriga tá muito evidente? – indagou Violetta ainda se olhando no espelho e acariciando seu ventre por cima da blusa.
– não, acho que você ta normal. – León deu de ombros. – só está com o corpo mais definido. – ele afimou com um tom malicioso, era óbvio que ele repararia nisso, ele conhecia bem demais o corpo de Violetta e saberia se ocorresse alguma mudança como as que estavam ocorrendo por conta da gavidez, como seios maiores, barriga barriguinha mais saliente entre outros.
– minha mãe me mata se no casamento der pra perceber. – a morena riu faço sem humor e León se aproximou.
– não dá pra perceber. – ele sussurrou atrás dela e em seguida afastou os cabelos da morena da nuca da mesma e depositou um beijo em seu pescoço.
– então quer dizer que eu estou com o corpo mais definido, é Vargas? – Violetta adquiriu um tom malicioso e León proferiu uma risada deixando um chupão no pescoço da morena que se segurou para não gemer.
– ta muito mais gostosa que o normal. – ele afirmou e segurou firmemente na cintura de Violetta colando seus corpos. Ela ofegou ao sentir sua ereção.
– León... – ela o chamou ofegante enquanto ele dava uma mordida em seu ombro. Ele murmurou um “hum?!” e a morena sorriu maliciosamente. – mulheres grávidas ficam mais sensíveis a qualquer contato sexual, sabia?! – ela perguntou ironicamente maliciosa, provocando-o.
– bom, saber. – o Vargas sussurrou antes de erguê-la em seu colo e levará para o quarto, enquanto Violetta ria de como era fácil conseguir o que queria com ele.
Tempos Atuais...
– chegamos, senhora! – Violetta despertou de seus devaneios com o taxitas a chamando.
A morena limpou suas lágrimas e desceu do carro, estava em frente ao prédio onde moraria por algum tempo. Um dos porteiros venho e lhe ajudou com as malas e logo a morena subiu para seu mais novo apartamento, o local era aconchegante e bem espaçoso, tudo já estava mobiliado e arrumado apenas para a chegada de Violetta. A Castillo suspirou e andou pelo apartamento, foi até a cozinha e bebeu um copo de água e em seguida foi ao banheiro e desmanchou a trança embutida que estava em seus cabelos. Voltando a sala, sacou seu telefone e discou o número conhecido, após alguns toques ela lhe atendeu.
– Naty?!
– sim, é ela. Deu certo? – a espanhola perguntou curiosa e intigada, Violetta suspirou.
– sim, já estou no meu apartamento. – respirou fundo. – Naty você comprou a passagem?- indagou sendo direta e ouviu um suspiro.
– sim, eu comprei, coloquei debaixo do travesseiro da sua mais nova cama. – ela soltou uma risadinha. – o vôo está marcado para amanhã, às 09:00h. – informou.
– hum... e pra onde é? – indagou Violetta, já que seu destino era surpresa até para si mesma.
– Forks, Washington. – Violetta ofegou. – você disse uma cidade distante, eu pensei que...
– tudo bem, está ótimo. Obrigada! – a Castillo tratou de se corrigir.
– hum... quanto tempo você vai ficar fora do país? – a espanhola perguntou e Violetta suspirou olhando Buenos Aires pela janela.
– eu não sei, Naty. – foi sincera, Violetta. – espero que pouco... ficarei fora apenas o tempo suficiente para eu me recuperar. – Naty suspirou.
– ok, boa viagem, Violetta – se despediu Naty.
– obrigada, Naty... por tudo! – completou a Castillo encerrando a chamada.
Violetta observou seu apartamento mais uma vez, no dia seguinte estaria longe de Buenos Aires, longe de tudo, mas principalmente, longe de León. Foi desperta da seus devaneios quando ouviu a campainha soar, não imaginara quem seria, ninguém sabia que ela estava ali, a não ser Francesca e Melissa, mas ambas estava no casamento. “Talvez, pudesse se o porteiro” pensou a Castillo e guiada por esse pensamento abriu a porta sem nem ao menos perguntar quem era. Grande erro!
Violetta se arrependeu amargamente de ter agido sem pensar, o choque atravessou seus olhos quando observou o moreno de olhos azuis esverdeados, parado em sua porta. Engoliu o seco e sentiu seu estômago retraísse diante daquela presença.
– Le... León?!
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