2014/Argentina, Buenos Aires

Era uma manhã meio quente, Violetta ainda encontrava-se dormindo tanquilamente. Após, o beijo da noite anterior, ela ficou apenas mais um pouco na festa e logo foi pra casa, não agüentaria olhar novamente na cara do Vargas aquela noite.

Violetta despertou lentamente, olhou em volta e logo constatou que estava em seu quarto, passou a mão pela cama e logo alcançou seu celular, olhou na tela do objeto e constatou que eram 06:30. Logo levantou-se e se direcionou ao banheiro, rapidamente se despiu e ligou o chuveiro na água bem gelado, com os minutos se passando a água foi despertando seus sentidos. Desligou o chuveiro e se secou, foi até seu closet andando rapidamente, pegou as primeiras peças de roupas que viu pela frente e se vestiu, decidiu que iria correr um pouco, logo se pôs porta a fora...

Violetta colocou os fones de ouvido, colocou pra tocar uma música aleatória e começou a correr pelas ruas de Buenos Aires. Logo foi capaz de perceber qual era a música que soava.

A batida da música em contraste com o vento que batia no rosto de Violetta, a velocidade que seu corpo se encontrava, fizeram com que lembranças viessem até Violetta...

12 anos e alguns meses atrás...

Violetta estava numa euforia sem limites, olhou pela janela e viu que o jardim de sua casa estava repleto de pessoas, era a festa de aniversário de 3 anos de sua filha, estava tão feliz, se sentia realizada. Sentiu uma mão pousar em sua cintura e instantaneamente uma corrente elétrica percorreu se corpo, já sabia quem era...

– meu amor, estão nos esperando... – os olhos de Violetta cintilaram ao ouvir seu marido lhe chamar de “meu amor”, mesmo que isso já fosse normal no seu dia a dia.

– eu sei,... – ela suspirou pesadamente e se virou fitando seu marido. Sorriu. – são três anos né?! – ela disse animada, León sorriu.

– três anos que a melhor etapa da minha vida começou. – ele disse e aproximou seus lábios dos de Violetta, selando-os. Logo se separam.

– Vamos. – Violetta disse e León assentiu.

Se puseram a descer as escadas e logo adentraram o jardim, com vários conhecidos, Violetta cumprimentou a todos, mas logo uma pessoa desconhecida lhe chamou atenção...

– nossa, meus parabéns pela festa, está realmente incrível! – a mulher exclamou sorrindo para León, só o fato de ela estar sorrindo dessa forma para seu marido, estressou Violetta.

– desculpa, quem é você? – Violetta indagou de forma tranqüila e a loira que se encontrava na sua frente respondeu com um sorrisinho superior.

– Desculpe-me, eu sou Stephie Camarena, a secretária do León. – ela disse com um sorriso no rosto. – e a senhora é a Violetta certo?! – indagou cínica.

– Violetta Castillo Vargas, em carne e osso. – ao ouvir Violetta acrescentar o sobrenome de León, a tal Stephie suspirou irritada. – bom, espero que aproveite a festa, Stephani. – Violetta sorriu superior.

– érr... Stephie, não Stephani – a loira a corrigiu.

– ah desculpe, como eu dizia divirta-se Stephani – Violetta errou propositalmente e León soltou uma risada abafada. – vamos amor? – voltou sua atenção a León dando ênfase na palavra “amor”.

– Vamos. – os dois se afastaram de Stephie e começaram vagar procurando sua filha. – posso saber o que foi aquilo ali atrás? – ele perguntou se referindo a ceninha de ciúmes de Violetta.

– nada demais amor, só coloquei sua secretária no devido lugar. – disse irônica.

– Violetta! – León a advertiu.

– não. Gostei. Dela. – Violetta disse pausadamente e León se aproximou de si.

– não tem porque ter ciúmes Violetta. – ele afirmou, mas a morena continuou irritada. ele sorriu. – Eu. Só. Quero. Você. – ele afirmou pausadamente e deu um selinho rápido em Violetta que sorriu.

(...)

Tempos Atuais...

Violetta continuava correndo na mesma intensidade, tinha tanta raiva daquele dia, raiva das mentiras de León, raiva por ter acreditado nele.

E inundada nesses pensamentos, mais uma lembrança venho até si.

10 anos atrás...

Violetta adentrou seu quarto e logo bateu suas costas com força na parede, naquele momento desejava morrer, não esperava por tudo aquilo, não agora, escorregou na parede até se sentar no chão. Abraçou as próprias pernas, pousou a cabeça nos joelhos e se pôs a chorar. Chorava desesperadamente, não sabia o que fazer, nem como agir, parecia que tudo a sua volta estava desmoronando aos poucos, e que a estabilidade que tinha a poucos meses atrás estava escorrendo como água entre seus dedos. Nunca pensou que passaria por isso, sentia-se incapaz, incapaz de fazer qualquer coisa, incapaz de prosseguir com sua vida. Seu mundo agora estava sem cor, sem vida.

– Violetta... –ela ouviu a voz de sua melhor amiga, Francesca, soar pelo quarto, mas não ousou levantar o olhar. – e-eu sinto muito... – Francesca disse meio que sem saber o que dizer diante daquela situação, Violetta soluçou e chorou mais. – Vilu, não é sua culpa.

Violetta ficou daquela maneira durante boa parte do dia, não quis comer, nem fazer nada, seu marido havia viajado para o Chile a trabalho q só voltaria dali a dois dias e Melissa estava na casa de Francesca brincando com Isa.

Depois de muito custo ela convenceu Francesca a ir pra casa, assim que sua amiga se foi, ela voltou ao seu quarto e se trancou lá. E toda aquela dor voltou, sentia que havia perdido uma parte de si. Olhou pela janela e pensou em semanas atrás, em tudo que havia planejado e até mesmo sonhado, sua dor de transformou em ódio, ódio de tudo que estava sentindo, ódio de tudo que estava passando. Sentiu suas forças se esgotarem e mais conseguiu reuni-las novamente...

– EU TE ODEIO!!!!!!!!!!!!!!!! – Violetta gritou como se realmente alguém a tivesse ouvindo, e em seguida desabou em lágrimas, pois sabia que aquela dor a acompanharia até o fim de seus dias.

(...)

Tempos Atuais

Violetta na caminhava mais, ela corria, corria cada vez mais rápido, mas não corria por um simples esporte, corria de seu passado, das dores que ele lhe causou, de todas as marcas que tudo aquilo deixou em sua vida. Corria mais ainda por medo, medo que tudo se repetisse, medo de que as dores que sondavam suas lembranças a acometessem novamente. Violetta sentiu suas forças se esgotando, não conseguiria correr daquela maneira por mais muito tempo, mais uma vez sentiu-se incapaz, ela parou de correr devagar e sentiu algo quente escorrer em seu rosto, limpou-a com raiva, não choraria mais por aquele passado, mesmo que aquele passado fosse mais que presente em sua vida.

Violetta despertou de seus devaneios com seu celular vibrando, rapidamente o pegou para ver de quem era a chama. Suspirou ao ver que quem lhe chamava era León. Deslizou o polegar sobre a tela do telefone e levou o objeto até sua orelha.

– fala, León. – ela disse ríspida.

– nossa, bom dia pra você também. – ele disse irônico. – pass aí as 10:00 h para pegar a Mel pode ser? – ele indagou.

– que horas são? – perguntou Violetta.

– 09:00 h. – ele disse tranquilamente.

– ahn... ok, mais alguma coisa?

– érrr... na verdade sim, bom você sabe que hoje é aniversário da minha mãe né?! – Violetta arqueou uma sobrancelha desconfiada.

– e...?!

– e que ela quer que você compareça ao almoço de comemoração familiar dela. – Violetta suspirou.

– León, é uma almoço, pra família, eu me sentiria mal se eu fosse de penetra. – ela explicou calmamente.

– acontece que se a aniversariante te convida, você não é penetra né?! – ele perguntou (lê-se afirmou)- vamos lá Violetta, faz um esforço por ela...- ele incentivou e Violetta respirou fundo.

– ok, eu vou, agora eu tenho que desligar. – Violetta firmou e encerrou a chamada antes que ele pudesse responder.

30 minutos depois...

Violetta logo chegou em casa, ofegante por causa da corrida, foi até o quarto de Melissa e a acordou dizendo que seu pai passaria aqui para buscá-la em meia hora, a morena levantou contra a sua vontade e foi se arrumar.

Melissa não queria conhecer Lara, até por que ainda achava que seus pais deviam ficar juntos, e não aquilo não era fantasia de criança que tem os pais separados e odeia a madrasta. Logo ela tomou um banho, se enrolou na toalha, foi até seu closet e decidiu que faria uma surpresinha para sua madrasta, logo escolheu uma roupa de acordo com o que ela queria hoje, faria a linha da enteada rebelde insuportável, veria quanto tempo Lara demoraria pra mostrar a verdadeira face. Algum tempo depois, Melissa ficou assim.

– Mel, seu pai chegou!! – ouviu a voz de sua mãe ecoar pelo quarto.

Logo desceu as escadas, Violetta a olhou com um perfeito “O” na boca, mas não disse nada. As duas foram até o portão onde León se encontrava, ele encarou Melissa e a olhou de cima em baixo meio assutado, Melissa entrou no carro primeiro e León logo foi em direção a vaga do motorista, assim que abriu a porta do carro, a voz de Violetta o alcançou.

– Boa Sorte! – ela disse alto e León a encarou. ela sorriu ironicamente. – vai precisar. – afirmou.