2014/Argentina, Buenos Aires

Melissa riu do comentário da mãe, ela queria chegar logo a mansão Vargas, queria ver a reação de Lara as suas provocações. O caminho até a casa de León foi em silencio, um silêncio confortável, mas logo León e Melissa chegaram ao seu destino.

Assim que León guardou o carro na garagem, ambos adentraram a mansão, apesar de tudo, Melissa sentia falta daquele lugar, sentia falta dos momentos que passou com sua família, sentia falta de quando era bem novinha e tomava banho de piscina e sai correndo toda molhada pela casa. Melissa nunca entendeu bem o motivo da separação de seus pais, quando tudo aconteceu tinha apensa 5 anos e não se lembra de muita coisa.

– Mel, ta tudo bem? – indagou León tirando Melissa de seus devaneios.

– ta sim. – a morena respondeu. León sorriu.

– vem, a Lara ta na piscina. – a garota respirou fundo e seguiu seu pai.

Logo adentraram a área da piscina, onde de longe Melissa pode ver sua madrasta, ela usava um biquíni estampado de oncinha e uma saída de praia branca. Melissa fez uma careta ao vê-la, mas logo mudou sua expressão, ela e León se aproximaram de Lara, que a encarou com um sorriso falso.

– oie florzinha... – disse sorrindo exageradamente, Melissa formou outra careta. – muito prazer, meu nome é Lara, mas pode me chamar de Larinha. – disse levantando a mão fazendo menção para Melissa apertar a mesma. Melissa arqueou as sobrancelhas, mas tratou de começar logo com o seu jogo, afinal se queria que Lara se irritasse com ela na frente de León tinha que começar a provocá-la desde já.

– muito prazer, Lara. – Melissa deu um sorriso falso e apertou a mão de Lara – meus amigos me chamam de Mel... – Lara deu um sorriso imaginando como a garota terminaria a frase, grande erro. – mas você pode me chamar de Melissa. – A garota disse séria, fazendo Lara formar uma careta.

– Melissa! – León disse em tom de repreensão. Melissa fez carinha de inocente.

– que foi? – indagou fazendo carinha de vítima, León suspirou.

– qualquer coisa, estarei no meu escritório resolvendo uns assuntos, se comportem. – León disse já saindo.

Lara e Melissa trocaram sorrisos falsos e logo as duas morenas se sentaram nas espreguiçadeiras que tinham na borda da piscinha...

– então... – Lara começou a puxar assunto. – bonita a pulseira. – ela disse levando sua atenção ao pulso de Melissa.

A garota levantou o pulso para que as suas pudessem ver sua pulseira.

– você gostou? – Melissa indagou convencida, pois sabia exatamente o que dizer para irritar sua madrasta. Lara assentiu. – é de família. Meu pai deu essa pulseira pra minha mãe quando pediu ela em namoro... – Lara respirou fundo controlando a raiva que estava começando a sentir e de propósito Melissa continuou. – então, quando eu fiz 10 anos minha mãe me deu essa pulseira, desde então virou minha pulseira da sorte. Sabe, ás vezes eu penso que essa pulseira é uma forma de manter nós três conectados, e eu sou o que prende eles um ao outro. – Melissa afirmou e mais uma vez Lara suspirou sentindo o ódio que tem por Violetta crescer a cada segundo. — o que foi querida? – indagou Melissa falsamente. – não gosta de perceber que meu pai NUNCA vai esquecer minha mãe? – indagou mais uma vez com um sorrisinho cínico.

– quer saber garota?! – indagou Lara, deixando a raiva falar mais alto. – você não vai conseguir atrapalhar o meu noivado com o León. – a morena afirmou e Melissa riu.

– você me subestima de mais Larinha. – disse sarcasticamente Melissa. – Não entre numa guerra comigo, pois eu com certeza vou ganhar.

– ah é?! E eu posso saber o porque? – Lara indagou rindo. Melissa sorriu e a encarou com raiva e ar superior.

– por que eu sou uma “Vargas” de verdade, já você... – começou Melissa a falar com ar de desdém. – depois de 3 anos com meu pai não conseguiu nem levá-lo ao altar. Aí eu me pergunto se isso falta de capacidade sua ou se é porque o meu pai, na verdade, nunca esqueceu a minha mãe.

Lara encarou a garota a sua frente com ódio, não tinha reação. Melissa sorriu vitoriosa, tinha realmente vencido o 1° round.

– meninas... – as duas morenas deSviaram sua atenção para León que havia voltado pra aquele local. – vamos, temos o almoço de aniversário da minha mãe se não sairmos agora vamos nos atrasar. – ele afirmou e as duas assentiram.

(...)

XXXX

A manhã de Violetta havia sido um tanto tranqüila, ela tomou café da manhã, resolveu alguns assuntos com Naty e se arrumou para ir ao almoço de sua ex-sogra, quando terminou de se arrumar ficou assim , não queria fazer uma produção exagerada. Logo saiu em direção a casa (lê-se mansão) de Carlos Vargas e Sofia Vargas, não demorou muito e chegou ao seu destino, alcançou sua bolsa e desceu do seu carro que havia acabado de comprar, literalmente.

A morena logo avistou León, Lara e Melissa; em seguida avistou Sofia que logo veio cumprimentá-la com um abraço. Sofia nunca gostou das namoradas de León, e olha que foram muitas, ela sempre arranjava algum defeito nelas e comemorava quando León terminava com as mesmas. Violetta havia sido a única que Sofia havia aprovado e ajudado o casal em todas as brigas.

O almoço foi tranqüilo, tirando as indiretas de dona Sofia para que León voltasse com Violetta, foi tranqüilo. No fim, decidiram que Melissa dormiria na casa dos avós paternos, assim que pode Violetta se despediu de todos e logo foi para casa. Ao chegar a mesma, apenas tomou um banho, trocou de roupa e foi em direção a loja “Castillo’s” de Buenos Aires, onde teria uma reunião.

(...)

Assim que a reunião terminou, Violetta percebeu que já era meia-noite, se pôs a ir pra casa, mas quando chegou na mesma percebeu que tudo estava revirado e bagunçado. Violetta sentiu alguém tapar sua boca e colocar uma arma em suas costas.

– fica quietinha, isso é assalto. – o ladrão disse alto e claro. Violetta começou a ficar nervosa e agradeceu mentalmente por ter deixado Melissa dormir na casa dos Vargas. – anda, me mostre onde fica o cofre. – ele gritou.

Violetta se pos a subir as escadas em direção ao seu quarto onde fica o seu cofre, a morena tremia de medo e nervoso, seu coração batia descompassado. Começou a digitar lentamente a senha, mas antes que pudesse terminar, ouviu um barulho e em seguida o ladrão a soltou, quando se virou para ver o que havia acontecido Violetta encontrou León a encarando meio ofegante.

– você ta bem? – ele indagou preocupado. Violetta penas o abraçou pelo pescoço, não tinha forças para responder nada no momento, León a apertou mais contra o seu corpo e sentiu a mesma tremer em seus braços, Violetta deixou involuntariamente lágrimas escorrerem por seu rosto e a cada nova lágrima apertava mais León contra si. Ele afagou seus cabelos, León não suportava nem imaginar a idéia de perder Violetta, afinal, nunca se sabe até que ponto um ladrão ou algo do tipo pode chegar. Violetta começou a soluçar baixinho, sentia como se fosse uma garota indefesa que necessitava dos cuidados de León. Ele se sentia na mais pura obrigação de protegê-la e vê-la assim, soluçando por conta do choro, lhe deixava mal. – shhh... calma,... eu to aqui... – ele disse tentando tranqüilizar Violetta o que de certo modo adiantou, pois a garota em poucos estantes parou de chorar. Os dois continuaram abraçados durante um tempo até que foram interrompidos pelo barulho da porta se abrindo.

– desculpe interromper... – León e Violetta levaram seus olhares até a porta, sem se afastarem. – León, conseguimos pegar o marginal. – León sorriu.

– ótimo, Martin! – León exclamou, ainda com Violetta em seus braços, ela estranhou tamanha intimidade que seu ex-marido tinha com o policial.

– devo levá-lo para a delegacia ou você vai querer acertar as contas com ele antes disso? – Martin indagou e Violetta entendeu o que ele quis dizer, obviamente, se León quisesse, o tal policial deixaria León acabar com a raça do ladrão sem se importar. Ela observou León esboçar o que seria um sorriso.

– León... – Violetta o chamou, fazendo com que o mesmo encarasse a mulher que se encontrava em seus braços. – não... – sua voz fraquejou. – por favor... não faça o que está pensando em fazer. – pediu e León se afastou dela com uma expressão ilegível até mesmo para Violetta.

– eu aguardo sua decisão lá em baixo, León. – Martin afirmou saindo.

León permanecia calado, um silêncio que angustiava Violetta, ela não sabia o que fazer ou pensar, apenas achava que não havia necessidade de León tentar fazer justiça com as próprias mãos.

– eu não te entendo, Violetta. – León afirmou deixando Violetta confusa, ele passou a mão pelos cabelos e inclinou a cabeça mirando o teto, soltou um riso fraco e em seguida fitou Violetta. – você tem noção que esse cara podia ter te matado? – indagou tentando controlar a ira que sentia ao imaginar o que poderia ter acontecido.

– ele não o fez! – Violetta afirmou, não entendia a reação de seu ex-marido, sabia que o que havia acontecido era grave, mas não era pra tanto. Ele parecia o mesmo León de antes, o León seu marido, o León super protetor que se desesperava apenas com a idéia de perdê-la. Mas, não era possível que fosse isso, afinal 10 anos haviam se passado, León estava noivo e na mente de Violetta estava bem claro que ele não a amava.

– Mas PODERIA! – León se alterou se aproximando de Violetta e parando exatamente em sua frente. – já imaginou o que teria acontecido se eu não chegasse a tempo? Já imaginou o que poderia ter acontecido se nossa filha estivesse aqui? Já pensou na possibilidade daquele ladrãozinho, simplesmente querer te ROUBAR e te MATAR? – León indagou furioso, ele se afastou de Violetta cerrou os punhos e levou sua mão na direção da parede dando um soco na mesma, fazendo Violetta se assustar.

– León, eu sei que o que aconteceu foi grave,... – ela disse tentando tranqüiliza-lo — mas, não há necessidade de fazer justiça com as próprias mãos. – Violetta afirmou e León suspirou se acalmando, ele finalmente encarou Violetta.

– você é que sabe Violetta. – ele afirmou. – mas, o fato é que você e a Mel estão vulneráveis demais morando sozinhas nessa casa, não há ninguém aqui para protegê-las. – Violetta ficou confuso com aquelas palavras. Afinal, a partir de que ponto a conversa tinha mudado de violência para segurança.

– o que quer dizer? – Violetta indagou baixo, confusa.

– você sabe muito bem o que quero dizer. – Léon suspirou. – quero que você e a Mel venham morar comigo. – ele afirmou fazendo Violetta olhá-lo incrédula, ela não acreditava no que estava ouvindo.

– o que?... eu... não... o que?... – Violetta se enrolou com as palavras ainda processando a frase que seu ex-marido acabara de dizer. León suspirou.

– olha, pensa bem. Vai ser melhor assim, afinal, você e a Mel estariam mais seguras e tenho certeza que ela ficaria muito feliz voltando a morar com o pai. – ele tentou convencê-la, em vão.

– olha, eu não vou voltar a morar com você. – Vioetta afirmou irredutível, realmente, não pensava em aceitar essa proposta absurda, segundo ela.

– Violetta, você está sendo egoísta, e a história de pensar na felicidade da sua filha antes de qualquer coisa? – indagou fazendo Violetta pensar, realmente, esse havia sido o motivo da sua volta, não queria se sentir culpada por privar sua filha da felicidade plena. Mas, voltar a morar com León seria algo um tanto perigoso. – então, o que você me diz? Aceita ou não? – León indagou, completamente imersa em pensamentos, Violetta encarou León, suspirou e finalmente tomou uma decisão.

– sim, León. Eu aceito voltar a morar com você. – Violetta afirmou e León sorriu vitorioso.