A Paisagista

1 Renascimento (Re-Brith)


Seis horas da manhã, os feixes de luz solar adentravam o quarto de paredes rosadas, o termômetro na parede ao lado direito da cama, apontava 30 graus, mesmo aquele quarto estando localizado na cidade de Washington D.C. Alexia Sanders, de apenas vinte e um anos acabara de acordar com o despertador de seu smartphone, que vibrava em uma cabeceira poucos centímetros ao lado da cama, com uma pequena cerejeira com suas flores caindo graças a chegada do outono. Alexia levantou-se, desligou o despertador do celular e arrumou sua cama dobrando as cobertas e puxando um lençol florido por cima da colcha da cama. Um pequeno bonsai se encontrava numa próxima tabela, ao lado de um computador remoto, que mais parecia um tablet com um teclado acoplado ao mesmo. Seis horas e dois minutos, era o que mostrava a pequena telinha do computador, Alexia resmungava coçando os olhos, sobre como ir para a faculdade de manhã era algo exaustivo.

Ela abriu seu guarda-roupas beje e transpassando as roupas pelos quadros e fotos de rapazes famosos de bandas e atores, ela encontrou uma pequena blusinha azul claro e uma saia que ia até as coxas, ela então retirou sua camiseta e calças de pijama e colocou a pequena blusinha primeiro, e logo em seguida vestiu a saia, para completar ela procurou em uma gaveta um par de meias calças que alcançavam até seus joelhos, ambas com um formato e um desenho felino, com caras de gatinhos fofos e bonitos. Buscava agora na escrivaninha, seus livros de direito, e depois de encontrá-los seguiu para a porta de seu quarto, abrindo a mesma e deparando-se com a visão do pequeno corredor que ligava seu quarto com a sala de estar e a cozinha, ambas nos lados opostos de um mesmo cômodo, mesmo que grande aparentemente.

Alexia caminhou pelo corredor até chegar à cozinha, esta que possuía uma mesa redonda e amarela em seu topo, com seus pés brancos, e as borrachas que sustentavam os pés amarelas combinando com o topo, muitas prateleiras e pequenas gavetas e armários residiam sobre os móveis, um pequeno fogão branco com entalhe preto era visto no canto da cozinha, ao seu lado, havia uma pia com um balcão de granito, Alexia então caminhou para dentro do cubículo que era a cozinha e procurou na última portinhola da esquerda para a direita um pequeno saco de pães que a mesma havia guardado do dia anterior, cinco pães eram vistos ali dentro, mas sua fome não estava muito dolorosa, assim como nos dias anteriores, ela se sentia desanimada com sua vida. Alexia havia perdido seus pais desde os quatorze anos de idade, desde então ela havia vivido com sua madrinha de batizado, quando a mesma atingiu a maioridade retornou a casa de seus pais, e como era uma excelente aluna, ela acabara por entrar em Georgetown, a faculdade que possuía o curso que ela sempre sonhou em dedicar a vida, o direito, ela amava essa área porque simplesmente ajudaria ela a resolver a misteriosa morte de seus pais, que simplesmente foram encontrados a mais de um quilômetro e meio do carro abandonado no meio de uma estrada, seus corpos foram encontrados perto de um riacho, ambos com as mãos dadas, mas nenhuma espécie de ferimento por bala, ou facada, ou mesmo envenenamento, tudo fora um mistério para a pequena Alexia, que teve que conviver com essa realidade durante longos sete anos de sua vida.

Trinta graus era o que se via de acordo com um pequeno termômetro que se localizava no temporizador de um micro-ondas encontrado do lado direito da mesa em que Alexia preparava os pães torrados, com uma pequena faca de manteiga que a mesma havia encontrada na primeira gaveta da esquerda para a direita, e que, logo depois de ter pego a manteiga e o leite na geladeira preparava o pequeno pedaço de pão que lhe serviria de sustento pelas próximas cinco horas dentro da universidade. Ela depois de terminar com seu pão e despejar quatro colheradas de achocolatado em seu leite, pousou seu traseiro no sofá de couro da sala, agora batendo palmas duas vezes seguidas, até que a televisão ligava automaticamente, e ela com o passar dos dedos conseguia trocar de canais sem mesmo o uso de um controle remoto.

As notícias estavam péssimas como sempre, o primeiro canal que ela pousou na televisão fora a BBC de Londres, cuja apresentadora estava a criticar a política Estadounidense pelas atitudes cometidas a mais investimentos no restante dos 2% da mata florestal mundial, que agora poderia ser explorada em busca de recursos submersos dentro da flora mundial. Os restantes da mata ciliar mundial encontravam-se na Amazônia, poucas partes russas e muito pouco na Africa. O olhar de Alexia se tornou desapontado com a humanidade, depois de 2020, onde pesquisadores descobriram um tônico natural expelido nas folhas e nos caules de árvores e outros tipos de componentes naturais, a exploração e a retirada de árvores fora algo natural, onde todas as pessoas buscavam por essa fonte energética extremamente útil em várias situações, tanto como um óleo natural capaz de produzir uma queima com 200% de efetividade do antigo petróleo, ainda havia a grande concentração de efeitos alucinógenos, que aumentou o uso e a cortação de árvores para a produção de remédios e de drogas ilegais, as árvores realmente estavam entrando em extinção, para ajudar na sobrevivência humana, uma espécie de oxigênio industrial fora criado pela H.U.M.A.N Corps. uma empresa que monopoliza grande parte dos investimentos dos nutrientes produzidos pelas árvores, inclusive poucos sabem, mas eles são responsáveis pela grande produção desses produtos ilegais pelo país, mas mesmo assim o presidente Daniel o' Connor, ainda cisma em tratar acordos com a mesma.

Grandes esquemas de corrupção foram encontrados, e mais de quarenta investigações contra os governos atuais e anteriores foram apuradas, mas pouquíssimas delas conseguiram desvendar alguma coisa sobre o envolvimento da H.U.M.A.N Corps nas produções ou distribuições das substâncias ilegais, todo e qualquer americano tem certeza com seu envolvimento, porém há muito dinheiro envolvido para a queima de provas que poderiam comprometer de qualquer jeito financeiramente a H.U.M.A.N. De qualquer forma, mais vinte minutos foram passados, onde a jornalista citava todos os acordos realizados entre o presidente da empresa e do país haviam feito para a exploração de novos terrenos por além do território americano.

Alexia levantou-se desacreditada do pequeno sofá quando terminada sua torrada, a mesma pegou seu material que encontrava-se em cima da mesa de refeições e após uma breve escovada de dentes, prosseguiu para a saída de sua casa, a mesma que possuía uma trava eletrônica que funcionava através dos batimentos do coração de Alexia, quando a mesma acionou o comando de "travamento" a casa inteira parecia fechar as portas e janelas, assim como o portão de aço que guardava o interior da casa. E seguiu por mais ou menos dois quilômetros apé, o cheiro industrializado de oxigênio clínico a deixava sempre angustiada de viver, mas mesmo assim ela dirigia-se à faculdade, o sol estava vermelho, não dourado como as histórias e desenhos infantis de crianças do passado retratavam. A nova camada de ozônio, também industrializada parecia estar cumprindo seu papel com uma ótima perfeição, mesmo que isso significasse que os humanos estavam evoluindo e progredindo cada dia mais, mostrava que a moral e a humanidade em si na personalidade das pessoas se perdia cada dia mais.

Chegando na universidade, cerca de uma hora mais tarde, caminhando, a figura de Alexia aparecia na rua, ajeitava os cabelos curtos com um pequeno pente de bolso, e colocava uma pequena flor de sua cerejeira, enfeitando o mesmo, estando apoiada em sua orelha direita. Ela caminhava pela calçada e via os carros passando e eliminando uma poluição além do normal, aquilo era nocivo para seus olhos, para sua alma em si. Continuou caminhando até a porta da faculdade, que tinha uma pequena trava eletrônica que travava a porta, e logo após Alexia passar com sua pulseira por cima de um leitor à laser, um apito foi-se ouvido e uma voz eletrônica cumprimentou Alexia dizendo: "Bem vinda de volta senhorita Alexia" demorando um segundo a mais para proferir o nome da garota, pois a tecnologia não havia avançado para inteligencia artificial.

Ela caminhou pelo corredor da universidade, vários rapazes estavam caminhando de lá para cá, outros encostados a seus armários, fumando maconha, outros usando drogas direto em suas veias, mas Alexia não parecia se importar com eles, e apenas seguiu para sua sala de aula, que convencionalmente não estava muito lotada, mesmo faltando apenas cinco minutos para o sino bater e a aula começar. A garota então sentou-se na segunda carteira da última fileira, descansando os livros na base da carteira, e encostando-se a uma janela que dava direto para fora da sala de aula, onde o cenário parecia chuvoso, mas na verdade era o céu convencional, cheio de nuvens carregadas de poeira e de poluição atmosférica, despejada por empresas irresponsáveis, ou pela empresa no caso.

Os famosos cinco minutos se passaram, e logo a sineta tocou, todos os alunos logo encheram a sala de aula, homens, mulheres, todos eles interessados em apenas uma coisa: Sexo, drogas e bebidas, diferentemente de Alexia, que pensava que a faculdade era algo que deveria ser levado a sério, mesmo que os tópicos que seriam abordados naquela aula não tivessem uma certa relevância para Alexia, ela comprometera-se em aprender o máximo possível em todas as aulas. O professor adentrou a sala, vestindo um jaleco beje, com uma camisa social e uma gravata marrom, uma calça social e um sapato preto, trazendo consigo um par de livros e uma pequena lista de presença, contendo os quarenta nomes que deveriam se apresentar naquele dia para mais uma aula.

O professor começou a aula com um "bom dia" que fora respondido em coro pelos alunos, ele então iniciou a aula dizendo:

— Hoje iremos estudar casos de indenização, por favor, abram na página cento e trinta da apostila e anotem o que eu vou escrever na lousa.

— Você viu o que aconteceu na "Kissing Problems" ontem? — Alexia ouviu suas colegas de sala discutirem nas carteiras atrás, — Miga, aquele macho eu queria ter pra mim.

— Ah eu vi, miga, o Jean dando aquele abraço na Elleanor, fiquei passada.

Nesse meio tempo o professor já tinha começado a escrever na lousa, Alexia desanimada abriu seu caderno, e tentou buscar páginas que não estivessem desenhadas para poder anotar o conteúdo da aula. Ela adorava desenhar, seu hobby favorito, e gostava de pintar quadros para mostrar sua visão de mundo, sobre como seria um mundo melhor, verde, cheio de flores e frutos, invejando como eram anos atrás. Mas ela não conseguia se conformar: "Como podem ser tão burras?" pensava ela "Se limitando a assistir séries enquanto o mundo está morrendo e nós estamos matando ele..." os olhos de Alexia se abaixaram para procurar as páginas, mas algo estranho aconteceu.

Ela passou a mão por cima de seu caderno de vinte e cinco matérias, as folhas pareciam desniveladas, como se algo estivesse marcando uma página específica, cuja fora perseguida por Alexia, que determinou-se a descobrir que tal página poderia ser aquela, e o que ela podia representar, mas para sua surpresa, quando alcançou a mesma, uma pena colorida estava marcando a página. Um tom de dúvida chegou a cabeça de Alexia, já que a pena não estava sozinha, e uma mensagem enorme podia ser vista escrita em torno de metade da folha, porém as palavras eram simples e um tanto enigmáticas, apenas estava escrito "Um presente", que deixou a menina em uma dúvida eterna, mas acabou por aceitar o mesmo, guardando em seu pequeno estojo, e selando o mesmo com o zíper de plástico.

Horas se passaram e Alexia terminou seu período de escola, traçando seu caminho de volta para sua casa, ela viu uma cena incomum, vários soldados estavam de patrulha por volta da escola, soldados não americanos, mas com um uniforme negro com a costa mostrando o símbolo da "H.U.M.A.N CORPS", isso deixou Alexia curiosa, e atiçou a mesma a pesquisar sobre o que se tratava, mas a análise da mesma fora adiada por um sujeito encapuzado que chegou por trás da mesma e sussurrou em seu ouvido lenta e calmamente:

— Alexia Sanders?

— Sou eu... Posso ajudar?

Ela virou-se e viu a grande estrutura do homem, era cerca de quatro ou cinco centímetros maior que a mesma, e ele parecia preocupado, ele tinha cabelos escuros e olhos verdes, e trajava uma camiseta branca por baixo do blusão escuro.

— Eu posso te dizer quem matou seus pais.

A garota então entrou em estado de choque, não sabia se respondia ao homem ou se chamava as autoridades, mas não teve muito tempo para decidir, no instante seguinte um dos seguranças que rodeava o local viu a conversa dos dois e pareceu reconhecer o rapaz mais alto que Alexia, e no mesmo instante apontou a arma para ambos e começou a dizer:

— OS DOIS, PRO CHÃO!

— Não vai rolar — disse o rapaz puxando o braço de Alexia, que se deixou levar, porque naquele momento ela não poderia dizer se era uma boa ideia seguir com o garoto.

Os dois adentraram em um pequeno beco, antes de ouvirem um tiro disparado pela arma do segurança, que atingiu uma placa de metal que estava ao lado dos dois. O beco levava a uma escada de apartamentos, que ambos correram e buscavam estar o mais longe dos policiais, em todo o caminho Alexia procurava por tentar convencer o rapaz a soltá-la, já que ela não tinha nada a ver com ele, mas ele recusava-se e pediu para que a mesma ficasse calma, já que ele havia passado por situações mais complicadas sem nenhum arranhão, isso assustou ainda mais Alexia, já que agora sabia que estava ao lado de um fugitivo praticamente que nacional.

Ambos chegaram até uma porta de emergência do prédio que no chão era uma farmácia comercial, foram seguidos pelos tiros dos policiais, que atingiram em partes o corpo do rapaz, mas que não parecia muito machucado, mesmo sangrando não esboçava expressões de dor em sua face, mas mesmo assim Alexia desconfiava de seu comportamento, ele então continuou a conversar com ela a medida que ambos corriam:

— Não posso dizer tudo agora, mas vai ter que confiar em mim.

— E se eu não confiar?

— Você vai morrer — Respondeu o rapaz irritado.

Os dois correram para um corredor que dava para várias portas e uma pequena janela no fundo, e então ele retomou com um ar estranho na conversa:

— Você tem a pena ai? — Perguntou ele

— Como você? VOCÊ TÁ ME ESPIONANDO? — Perguntou Alexia indignada, agora com medo do rapaz.

— Não temos tempo, por favor, confie em mim. — Disse o rapaz. — Preciso que você desenhe algo que possa nos tirar daqui!

— Tá brincando comigo, não é? — Perguntou ela

— TÔ COM CARA DE QUEM TÁ BRINCANDO??? — Perguntou ele extremamente irritado e apreensivo.

— Tudo bem, tudo bem... — Agora Alexia estava eufórica.

Ela puxou o estojo de lápis e deslacrou o mesmo através do zíper, e puxou a pena, agora procurava uma folha de seu caderno, mas o rapaz logo percebendo a movimentação dos guardas vindo em sua direção, ordenou a mesma para que escrevesse na parede, e graças a falta de criatividade e a sua ansiedade, Alexia desenhou na parede um enorme muro de tijolos, que depois de completo, ascendeu afrente dos guardas que apontavam suas armas na direção dos dois, e que dispararam, com várias rajadas automáticas de suas armas inutilmente contra o muro de concreto materializado a sua frente. Os olhos de Alexia mostravam confusão, ela estava apavorada e ao mesmo tempo excitada com o que tinha acontecido, e desejou mais tempo ao rapaz para poder pensar em algo para lhes tirar dali, mas o mesmo a repreendeu, dizendo que não havia tempo, e pediu pra mesma confiar nele mais uma vez, o que foi fácil, já que agora ela tinha visto a extensão da surrealidade da situação.

Alexia então aceitou confiar no rapaz e ele agarrou seus braços e pediu para que a mesma subisse em suas costas, mesmo que envergonhada pelo fato de estar usando uma saia, ela fez o que lhe foi pedido, e logo o rapaz estava a correr a uma velocidade sobre humana, pulando da janela, quebrando-a e correndo em direção à fora da cidade, Alexia não soube se estava em cima de uma pessoa humana ou de um foguete que ia direto para a Austrália, pois aquela velocidade era incrível. Ela não pode ver com clareza onde estavam indo, ou como era o caminho para chegar até lá, mas quando o homem parou, ela teve uma sensação de alívio por poder pisar em terra firme novamente.

Chegando numa pequena capela, escondida no meio de estranhas árvores, que pareciam dar vida a uma extensa floresta, o rapaz mandou Alexia entrar, e a mesma desconfiada o fez. Dentro da capela, aparentemente vinte pessoas estavam andando de lá para cá, muitos rapazes e moças, aparentemente da mesma idade que Alexia, trajando vestes comuns, mas todos pararam com sua chegada, e começaram a olhar para ela, admirando sua presença, e Alexia então, ao contemplar aquelas pessoas perguntou em voz alta:

— Onde eu estou?

Notas finais
O final é enigmático, eu sei, mas aguardem os próximos capítulos, terá um desenrolar bem dinâmico, espero que tenham gostado.