A Pátria.

12 Os Seis – Matt


Este lugar exala o desespero.Jovens correm por este salão, enquanto o relógio marca 2 horas da manhã.Não os culpo por estarem aflitos, estava guerra está sendo de proporções imensas, ainda mais com a invasão ao colégio e a nossa saída repentina.Vejo aqui alguns voluntários e parecem estar mais preocupados ainda do que os mais novos ou que foram obrigados a guerrear.Não esperaria nada mais que isso, afinal, se voluntariaram apenas para impressionar alguém, não por se sentirem preparados.São uns babacas.A guerra não serve para impressionar.

Ouço alguém me chamar.

–Matt?Tá aqui ainda?–É Kendall, me acordando do meu “transe”.

–Ah sim, é que esse lugar me faz pensar um pouco.–

–Hm, ok.Mas saiba que se um dia quiser compartilhar, vou estar interessada.Você parecia muito concentrado–ela riu e saiu, em direção aos banheiros.

Nós estavámos no local em que o Nível 1 treinava.Descobri, por meio de uns amigos, que aqui ficava aberto de madrugada, para quem quisesse treinar.Logo pensei em levar Kendall até lá, pois não estaria cheio e ela teria tempo para treinar.Estávamos treinando já havia um tempo, então decidi que esperaria Kendall voltar e seguiríamos para os nossos dormitórios.Com a minha orientação, Kendall já parecia menos aflita e arrisco dizer, até mais abilidosa com as armas.Enquanto espero, penso na época em que eu ainda era deste nível.Era tudo mais simples, hoje vejo como evoluímos em relação as tecnologias nos centros de treinamentos.Bom, pelo menos isso, penso.

As camas daqui são duras, geladas e extremamentes desconfortáveis.O fato de ouvir o choro de alguns guerreiros mais novos também não ajuda no aspecto confortabilidade.No final de tudo, classe alta e classe baixa, todos no mesmo lugar, na mesma situação.Não há como escapar da realidade.Meus olhos vão se fechando lentamente, até cair no sono completamente.

Acordo repentinamente.Não me lembro com o que sonhei, mas pela impressão que tive não parecia ser bom.Olho para os lados e vejo que apenas duas camas estão vazias.Ótimo, pelo menos não terei que enfrentar fila para tomar um banho, muito menos para entrar no banheiro em si.Pego a toalha e entro no banho.

Pego as roupas oferecidas a nós e tudo continua igual:uma camiseta branca com o simbolo do treinamento, calças pretas e botas.Nada demais.Assim que acabo de me trocar , a sirene (ensurdecedora) toca.Sigo para o refeitório para o café da manhã, como o indicado e me sento na mesa em que Kendall e uma garota morena que eu não reconheço estão sentadas.Mal eu chego, percebo que Kendall estava com os olhos vermelhos.Decido não comentar nada, pois isso poderia fazê-la piorar.Kendall me apresenta a garota, ela se chama Sophie e tivemos uma conversa agradável.Até que avisto Clarice e a chamo para sentar conosco.Ela também percebe que Kendall não está bem, e dá um conselho um tanto duvidoso para a garota que conheci inicialmente.Talvez ela esteja finalmente se sentindo bem consigo mesma agora.Fico feliz por ela e espero que Kendall consiga também.Conversamos sobre absolutamente tudo, até esquecemos as vezes que estávamos em guerra, afinal.Isso é bom, eu acho.A sensação de não ter um peso e sentir normal, nem que fosse apenas por um momento.Porém, nem tudo pode ser perfeito e as vezes acontecem coisas que nos desestabilizam justamente por não estarmos esperando.Nada é previsível.

Testes.Foi isso que a General Verônica Rose anunciou com a sirene imprevista.

“Atenção, guerreiros!Parece que não demos a vocês a chance de mostrar seu potencial, dividindo vocês em estágios de acordo com o número de guerras e com quem acreditamos ter tido boa educação sobre o assunto com influência de pais ou de escolas preparatórias.

Então, em uma reunião com sócios e personalidades importantes, fora decidido que hoje mesmo teremos um teste para designar a cada um de vocês o estágio correto.

Estágio um, para os que estão em sua primeira guerra, no entanto possuem talento em pelo menos uma área.Estágio dois para os estrategistas experientes em armas.Estágio três, para os experientes em guerras que possuem pelo menos três dos talentos que são precisos em batalhas.Os que não se encaixarem em nenhum dos três estágios, não mais será um integrante do exército”E foi com essas palavras, que pela primeira vez na história, o silêncio absoluto reinava.Nem uma voz.As pessoas se encaram, claremente confusas.O único movimento é Clarice correndo para fora do refeitório.

***

“Você continua uma covarde”.Sentado, no refeitório, fico repassando na minha cabeça minha discussão com Clarice.Posso ter sido um pouco duro, mas não é justo quando você tenta ajudar alguém e esta pessoa continua insistindo no erro.Ela tem potencial e não sabe, todos temos.Só falta a ela se dar a chance de descobri-lo.Kendall para de conversar com Sophie e olha pra mim.

–O que está acontecendo?–pergunta ela–Você tá tão quieto.–Prefiro não contar nada sobre minha discussão com Clarice e sobre as coisas que ela disse, pois Kendall parecia bem melhor depois do conselho de Clarice.

–Não é nada, só estou um pouco preocupado com as pessoas que não conseguirão passar pelos testes.–Não era isso, é claro.Mas agora que toquei neste assunto, penso em Elijah, o garoto que conheci quando invadiram o colégio e em Amy e Kyle, não havia falado com eles desde o dia da morte de Abby.

–Ah sim, eu também estou um pouco preocupada, mas foi bom para mim, pois pelos menos vou estar no nível correto.–responde ela, parecendo até mesmo um pouco confiante.

Avisto Amy e Kyle, em uma mesa no fundo do refeitório e decido ir até eles.

–Olha, eu vou ir ver uns amigos ali, ok?Depois nos falamos.–digo a Kendall e Sophie e as duas concordam.

–Ei, como vão?Faz tempo que não vejo vocês.–digo, me sentando.

Amy abre um sorriso e fico feliz por isso.Ela e Kyle tem sido meus melhores amigos desde que tínhamos 5 anos.

–É ótimo que esteja aqui, Matt–diz ela, ao que Kyle completa:

–Não tivemos a chance de te agradecer desde aquele dia, as coisas tem sido bem tensas por aqui.–

–Não é necessário agradecer.–digo–E quanto as coisas estarem tensas, acho que você é otimista demais.Claro que não vejo problema algum, mas qual é, cara, vamos ser sinceros–falo rindo e eles riem junto.

Conversamos e não toco uma vez no nome de Abby, muito menos eles.Perder alguém é difícil e eu sei como é isto mais do que ninguém.Você supera, ri e passa a ter uma vida normal novamente.Mas a ferida ainda está aberta, mesmo que com um curativo.

A sirene toca pela terceira vez no dia e já sei do que se trata.Os testes vão começar.Seguimos até o saguão, onde guardas uniformizados estão a nossa espera para nos levar a sala de testes.Quando, aparentemente, todos chegam, os seguranças praticamente nos empurram pelo caminho.Todos estão entrando, mas um dos seguranças me puxa junto a uma garota de cabelos pretos e nos tira da multidão.Somos levados para uma sala, onde estão mais 4 guerreiros:duas garotas, uma loira e uma negra e dois garotos, um ruivo e um moreno.Percebo a garota que foi praticamente arrastada comigo me olhar confusa e retribuou o olhar.A General Verônica entra na sala e pede para todos nos sentarmos e começa a falar.

–Na mesma reunião em que decidimos que os testes iriam acontecer, também concordamos que alguns guerreiros não iriam precisar realizá-los.E adivinhem?São vocês.Nós os consideramos experientes e conhecemos seus potenciais, portanto testes para vocês serião totalmente dispensáveis e uma perda de tempo.–

A garota negra levanta a mão e Verônica lhe concede a chance de falar.

–Onde ficaremos durantes os testes?–pergunta.

–Aqui mesmo, podem conversar ou não.Tem comida, coisas pra beber e cadeiras.Se sintam confortáveis.–finaliza e sai da sala junto com os seguranças.

Todos se acomodam, e ouço a garota de cabelos pretos sussurando pra mim.

–Se sintam confortáveis?Essas cadeiras estão longe da minha visão disso.–

–O chão é mais confortável que isso–respondo, ao que a garota ri e se senta no chão.Eu me sento também e os outros garotos olham para nós como se fossemos malucos.

–Filhinhos de papai.–digo pra garota, ela ri e concorda.

–Aposto que eles nunca quebrarão nenhuma regra.–

–Certinhos demais–digo rindo.

–Eu sou a Blair.–diz ela.

–Eu sou Matt– respondo.

–Adorei o fato de você não ter dito seu sobrenome pra contar status, a maioria das pessoas fazem isso.–

–Odeio isso.–

–Deixa eu adivinhar, é um Winchester né?–

–E você uma De la Court?–

Rimos, e começamos a conversar.É bom ter alguém que não seja dependente de seu sobrenome para conseguir alguma coisa.Não duraria nem 5 minutos uma conversa minha com qualquer um dos outros ali.

–Vi que você tem ajudado Clarice Parker.–diz ela

–É, eu a conheci no refúgio depois da invasão e ela parecia aflita.–respondi.

–Pois eu a conheci na invasão, ela estava desesperada e sem saber pra onde ir.Acho legal você ajudar ela.–

–Ah, você a ajudou também.Vai saber o que poderia ter acontecido naquela invasão.–

–Pois é-diz ela–Vem, vamos comer algo.–

**

General Verônica Rose vem nos informar que os testes foram finalizados e que poderíamos sair, finalmente.Eu e Blair nos dirigimos até a porta e quando estávamos saindo, quase fomos derrubados por uma multidão de jovens, conversando e alguns até chorando.

–Uau-diz Blair–Deve ter sido pesado.–

–Se quer saber, eu achava que a situação deles depois seria bem pior–Rimos e fomos para longe da multidão, ao que Kendall chega parecendo satisfeita.

–Kendall, essa é a Blair.–digo e Blair dá um sorriso amigável para Kendall que o retribui.

–Não vi você nos testes, o que aconteceu?–

–Seis guerreiros não precisariam fazer o teste.–respondo.

–Espero que ninguém chame isto de privilégio–diz Blair.

–É, até porque os salgadinhos oferecidos estavam horríveis.-digo e rimos.–Mas enfim, como você se saiu?–pergunto para Kendall.

–Ah, eu tive a impressão de que fui bem.Os resultados vão sair amanhã de manhã.–ela diz isso, mas parecia um pouco preocupada.

–E quanto a Clarice?Você a viu?–pergunta Blair.

–Só na hora em que ela foi chamada.Logo que ela saiu, fui chamada, então não tivemos tempo para conversar.–responde Kendall.

–Hm, vamos esperar então.Que tal a gente sair um pouco pra tomar um ar antes de ir para os dormitórios?Acho que você precisa relaxar um pouco.–sugiro ao que Blair responde imediatamente:

–Eu topo!Ficar trancada numa sala não é legal, tomar um ar seria uma boa agora–

–Ok, ok.Vocês venceram.–diz Kendall.

Saímos no pátio do centro e caminhamos, até dar a hora de ir para os dormitórios.Nos despedimos e fomos ao encontro das nossas camas totalmente desconfortavéis, nos preparando para um novo dia.