A Pátria.

13 Então... Qual é o seu nome? — Blair


Enquanto caminhava feliz por ter sido informada que não era preciso que eu fizesse o teste, eu conhecia melhor Matt, um garoto do mesmo estagio que eu, que provavelmente já foi a uma guerra comigo. A conversa fluía naturalmente, e eu me perguntava duas coisas toda vez que respondia a uma pergunta dele: Como eu não o conheci antes? Como será que Clarice estava?

Toda aquela minha preocupação com Clarice, de certa forma, me assustava. Há algumas semanas atrás, eu nem ao menos olhava na cara dela, pois sentia uma espécie de nojo pela pessoa a qual ela se tornou. Mas depois de toda aquela situação quando a escola foi atacada, a forma como ela me salvou, criei um carinho de irmã por ela como tínhamos antigamente, quando éramos melhores amigas.

Quando vejo diversos jovens chorando e com feições de desgaste iminente, percebo que o teste foi horrível, pelo menos para alguns, porque logo em seguida, vejo um grupo de pessoas rindo.

— Essa é a Blair, Kendall. — Ouço a voz de Matt e então me disperso de meus devaneios.

— Muito prazer. — Falo forçando um sorriso. Eu estava preocupada demais para me fazer de feliz e receptiva, mas de qualquer forma, eu sei que Clarice pode se virar.

Então Matt sugeriu que fossemos tomar um ar, o que era ótimo, pois eu realmente precisava depois de ficar tanto tempo ali enfurnada.

Na manha seguinte, acordo mais disposta do que nunca. Visto o uniforme estipulado e então saio do dormitório em silencio antes que as demais garotas acordem. Saio pelo corredor andando em passos vagarosos, porque afinal, ainda nesse corredor tem outros diversos quartos, com outras diversas meninas que tiveram um dia difícil ontem.

Quando finalmente consigo acessar o campo, vejo a figura de uma outra pessoa, ela está dando socos e chutes no ar. Não seguro a risada, e para meu azar, a pessoa olha na minha direção. É um garoto.

— Desculpe. — Proferi ainda segurando a risada.

— Tudo bem. — Diz o garoto caminhando em minha direção. — Eu sei que é engraçado, pode rir. — Ele também da risada enquanto fala.

— Sinceramente? Não sei porque estou rindo. Já passei tantas vezes por isso. — Lembro-me de quando eu treinava em casa e minha suposta babá abria a porta do meu quarto quando eu estava nesses momentos de luta, era constrangedor.

— Mas então... Qual seu nome? — Pergunta o garoto.

— Sou Blair. — Respondo-lhe sorrindo.

— De La Court? — Pergunta ele novamente arqueando a sobrancelha.

— Vai me dizer que também me conhece? — Começo a semicerrar meus cílios e então ele ri de mim.

— Assim que você chegou foi para o ultimo estagio, e eu, que estou aqui praticamente desde que nasci ainda não passei do 3. As noticias correm, você e os outros se tornaram uma lenda. — Ele diz.

— Lenda? — Tento não rir, mas é difícil. Tudo que fiz minha vida toda foi me auto menosprezar, e agora, as pessoas me chamam de lenda. — Nunca fiz por merecer esse titulo. — Cruzei meus braços e o olhei nos olhos para ver ele estava apenas brincando comigo.

— Você adora se menosprezar, né? — Ele riu. Mas, como ele sabia disso?

— Até parece que você me conhece a anos para saber disso. — Revirei os olhos enquanto me virava para voltar a minha caminhada.

— Espere, volte aqui. — Ele gritou. — Sei mais do que você pensa, sabia? — Ele disse abrindo um sorriso irônico. — Sei por exemplo que você não é melhor que eu na luta. — Finalizou.

Mas o quê? Como ele ousa?!?!?!

— Você não disse isso. — Semicerrei meus olhos e dei meia volta, caminhando em sua direção como se eu fosse um touro tendo vermelho em vista no meu campo de visão.

— Ah, eu disse. — Ele riu alto o que só me deixou mais irritada.

Em poucos segundos eu já estava perto o suficiente para dar um soco aplicado de baixo para cima e assim desestabilizá-lo para que continuasse o atacando. Mas antes que eu o acertasse, ele segurou meus punhos e sorriu. Rapidamente, dei-lhe uma rasteira que o fez cair tão rápido que pude me soltar dele, e enquanto ele se recompunha de sua queda de uma forma até mesmo lerda, dei um giro e o acertei com meu calcanhar. Ninguém escapava daquele golpe.

— Levanta! — Gritei.

— Tudo bem, tudo bem, eu desisto. — Ele disse baixo, mas então, perdi o equilíbrio e cai no chão, ele havia me dado uma rasteira!

Rapidamente me levantei e dei-lhe um chute frontal, o que novamente o desestabilizou por alguns segundos e tive a oportunidade de prende-lo em torno de seu pescoço. Não era a minha intenção enforca-lo, e não fui o que fiz, mas talvez eu tenha sido boa até demais, porque com um golpe ele saiu e me agarrou pela cintura.

Nós estávamos perto de mais.

— Pode me soltar. — Disse calmamente.

— Tudo bem, foi mal. — Ele disse de certa forma envergonhado. — Eu... tenho que ir, foi um prazer conhecê-la. — E então ele correu para fora do meu campo de visão e entrou novamente no centro.

Mas, afinal, quem era aquele garoto? Eu não havia perguntado o nome.

Quando me dei conta, já estava na hora do café da manhã. De certa forma fiquei feliz, pois provavelmente eu o veria lá e poderia talvez perguntar seu nome ou outra coisa.

Não demorou muito para que eu já estivesse devidamente pronta para o café da manhã. Troquei de roupa pois a luta de hoje, por mais curta que fosse, me deixou exageradamente suada. Quando cheguei ao dormitório, tomei um banho curto e troquei de roupa. O dormitório estava vazio, todas as garotas provavelmente já estavam tomando seus cafés da manhã balanceados ou sei lá o que.

Enquanto eu caminhava pelo longo corredor de acesso ao refeitório, eu só conseguia pensar em como aquele garoto alto e destemido me enfrentou e lutou comigo. Eu queria estudar seus ataques, pois por mais lerdo que ele fosse para se recompor, seus ataques eram hábeis e muito ágeis até mesmo para mim, que lutei minha vida toda.

Assim que adentrei ao refeitório, o silencio do corredor me fez querer voltar. Especialmente aquela manhã, todos do refeitório resolveram conversar sobre como seus testes foram. Alguns contavam com tamanha agitação que chegava a me assustar. Mas outros, continuavam com suas caras acabadas e amassadas de quem não conseguiu dormir.

— Blair, senta aqui! — Gritou Clarice.

E lá estava ela, sorrindo. Ao seu lado, Matt e Kendall estavam sentados comendo, e na mesa do lado, lá estava ele. O garoto de hoje de manhã. Com o grito de Clarice, ele virou-se e me viu, pude perceber o sorriso que formou-se em seus lábios e, sem hesitar, deixei que meu sorriso transparecesse também. Os olhares da minha mesa se voltaram para ele, e todos pareciam desconfiados com dois estranhos trocando olhares e sorrindo.

Finalmente, sai de meu transe e sentei-me perto de Clarice. Ela, Matt e Kendall me olhavam, mas não perguntaram nada porque eu também não comentei nada. Me servi de um pouco de café e o tomei quase que rapidamente. Vez ou outra, eu olhava para a mesa do garoto e lá estava ele me olhando, então trocávamos sorrisos e voltávamos para nosso café.

Com o sinal que o café da manhã havia acabado, levantei-me na esperança de encontra-lo na saída e assim, perguntar seu nome. Mas todos saíram tão rápido que não consegui vê-lo.

No resto do meu dia, treinei, almocei, treinei, jantei, treinei e por fim, treinei. Não tive mais nenhum sinal de vida dele, e eu me perguntava o porquê de não tira-lo da cabeça.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.