A Origem da Energia - O Reino de Alucard
2 Crescente descoberta
Notas iniciais
Todo o grupo se dirigiu para uma das muitas casas relativamente iguais que haviam por lá. Adentraram através da porta de madeira e se depararam com uma sala circular um pouco grande, com janelas de madeira pequenas e exaustores naturais perto do piso, proporcionando uma circulação natural de ar. Provia dois sofás de dois lugares recobertos de tecido, além de uma poltrona de couro. Havia também duas portas que deviam levar para o banheiro e cozinha, além de uma escadaria que levava para um primeiro andar que poderia conter o quarto ou alguma despensa.
Os garotos se organizaram pelo local e iniciaram a conversação.
– Tenho uma pergunta: sabe quais são os outros continentes além desse? – disse Jane.
– Conheço apenas uma pequena parte de Ryokun. Nunca me aventurei mais adiante, mas sei que existe o continente de Kal ao oeste de Ryokun, além das ilhas Tufão e Grande Anêmona.
– O que é essa sensação estranha que venho sentindo desde que cheguei aqui? – perguntou Vergil.
– Talvez seja a Energia. Os instrutores vão explicar melhor amanhã.
– Instrutores? – perguntou Kenneth.
– Mas é claro: ou vocês acharam que iriam viver de graça aqui? – disse Claire com um sorriso perverso – Vocês vão aprender a lutar para ganhar o pão de cada dia.
– Ei, isso não tá incluído no pacote! – reclamou Cole.
– A brincadeira só começou para vocês.
– Você já conseguiu descobrir uma maneira de ir para casa? – perguntou Suzan.
– Bom, eu não estaria aqui se tivesse conseguido. Estive pesquisando sobre isso no último mês, e acho que descobri alguma coisa.
– O que?! Conte-nos! – insistiu Kenneth.
– Nossa, que apressadinhos: soube através de notícias que no castelo do senhor de Ryokun há um ancião muito sábio, que sabe sobre a existência de várias dimensões.
– Então o que estamos esperando? Vamos! – disse Vergil, se levantando.
– Calminha aí, rapaz: a estrada até lá é perigosa e ficar com todos vocês sem treino só pra eu cuidar fica difícil pro meu lado.
– Hmpf – resmungou Vergil – Então está sugerindo que treinemos para os perigos, não é?
– Sugerindo nada, estou mandando! Agora vamos para o local de treinamento. Temos que inscrever vocês.
O grupo se dirigiu até uma enorme área, de no mínimo 300 metros de largura e comprimento, onde haviam várias pessoas correndo, levantando peso, treinando algum golpe, além de outras coisas. Logo no acesso, haviam dois homens, um de roupas bem folgadas com o cabelo longo amarrado com um rabo-de-cavalo alto, parecido com o dos antigos samurais e um de armadura de metal completa, com um curto cabelo loiro e olhos castanho-claro. Claire falou algo com eles, apontou para o grupo e em seguida, eles foram conduzidos.
– Falei com a senhorita Claire e lhes proporcionarei o treinamento básico para que vocês possam se formar em uma das cidades para sua especialização.
– Com licença, mas como iremos saber qual nossa especialização? – perguntou Kenneth.
– Assim que terminarem o treinamento básico, vocês saberão como usar armas brancas, lutar desarmado e usar a Energia. A especialização virá com o nosso líder da área, que já é um Sensitivo experiente e pode lhes indicar a melhor área. Mesmo que não aceite a área que irá atuar, você poderá mudar, mas é altamente recomendável que siga a instrução do líder. Entendido?
– Certo.
– Jim: é com você. Treine esses daí pelos próximos três meses. – disse, apontando para o homem de roupas folgadas.
– ‘Xá comigo! – disse o homem, dando um soco na outra mão e dando um sorriso.
E assim, por três meses, os garotos correram por todo o campo para resistência física, fizeram exercícios para fortalecimento de braços e pernas assim como para o tronco. No final do dia, sempre faziam cerca de 10 minutos de controle de respiração, para depois irem cansados para a casa de Claire dormir. Certo dia, no treinamento, Jim chamou os cinco para uma discussão.
– E aí pessoal? Tenho uns assuntos pra tratar com vocês.
– O que seria, senhor Jim? – perguntou Suzan.
– Vou avaliá-los para definir a área que irão atuar baseado no desempenho de vocês durante esse tempo, certo?
– Tudo bem, mas você tem uma noção do que iremos... “Enfrentar”, por assim dizer? – perguntou Vergil.
– Acho que você vai acabar parando na divisão de combate desarmado, junto com o menino – disse, apontando pra Cole – e esse maior aqui – apontou para Kenneth — As meninas provavelmente irão para a sessão de luta armada.
Ele procurou em uns documentos na mesa, e puxou algumas pastas (no total, cinco), lendo logo em seguida. Observou primeiro a ficha de Jane e disse:
– Interessante... Mostrou proficiência com armas brancas leves e obteve resultados muito bons na disciplina de Percepção. Recomendo a ser Batedora. Suas habilidades serão úteis para reconhecimento de áreas.
Com Kenneth: “Esse daqui tem proficiência maior em socos, com notas excelentes em Fundação. Minha recomendação é que seja Clérigo. Seus pontos fortes servirão para ajudar os outros em batalha.”
“Hum... Intrigante, mas ainda assim fácil de decidir. Resultados incríveis em Fundação e força melhor aproveitada em armas brancas pesadas, apesar de ter conseguido um resultado tão bom quanto em armas de disparo simples. Minha escolha é que seja Guerreira. Seu poder segurará a linha de frente de batalha.”, assim disse para Suzan.
“Bons resultados em armas brancas leves, notas excelentes em Alteração. Não há muito o que dizer. Será um Mago. Você será o pináculo de causar o inferno aos seus inimigos.”, mencionado para Cole.
Já com Vergil: “Esse é difícil. Eficiência incrível em combate desarmado, porém teve notas altas em Alteração e não em Fundação. Será uma escolha difícil, mas como mostrou agilidade, será um Lutador. Servirá tanto para a frente de batalha como para causar bagunça nos inimigos.”
Com todos recomendados, foram mandados para as cidades nas imediações da central. E por lá permaneceram por nove meses completos.
Os garotos trabalharam duro por esse ano para poder sair desse lugar, já que Claire os avisou que seria perigoso. Todos, sem exceção, se excederam pensando sobre os familiares, que não os via fazia muito tempo, atingindo um patamar da Energia raramente visto pela sociedade de Ryokun.
Antes de qualquer coisa, é necessário que se saiba o que é a Energia: Energia é simplesmente o que move o mundo. Nada funciona sem Energia. Desde seres vivos até aparelhos criados pelos humanos: tudo depende dela e ela depende de tudo para existir. “Nada se perde e nada se cria; apenas se transforma”. Ela existe em vários nomes: energia cinética, térmica, nuclear, maremotriz e até espiritual. Mas ela é única; apenas é como diz na lei, ”transformada”. Em Ryokun, diferente do Brasil, existem pessoas capazes de utilizar Energia para vários fins. São chamados de “Sensitivos”. São capazes de coisas incríveis, coisas que seres humanos normais não conseguiriam fazer (ou pelo menos não sem um árduo treinamento para “sentir” essa Energia).
Vergil obteve um controle e intensificação dos impulsos elétricos do corpo, podendo afetar o exterior com cargas elétricas. Suzan convertia o calor formado com a batalha em força física extrema, além de poder literalmente incendiar o ar com a vontade. Kenneth detinha um conhecimento sobre os fótons dos átomos, permitindo reuni-los e amplificá-los, e conhecia pontos de circulação do corpo humano, para atrasar ou aumentar a recuperação. Jane tinha visão e audição incríveis, e conseguia, através da Energia, atrair moléculas de água de qualquer local. Cole foi mais além: através de precisos movimentos, detinha um cálculo inigualável para manipular o ar da forma que quisesse.
Por mais meio ano, todo o grupo (incluindo Claire) resolveu aperfeiçoar as técnicas. Ajudaram-se no processo de sobreviver por lá até conseguir as informações necessárias sobre o ancião. Aparentemente o senhor de Ryokun, chamado Alucard Dorman, não era exatamente um senhor bonzinho. Era um tirano que apenas formou o grupo de cidade conhecido como “Círculo de Batalha” (onde os garotos treinaram) para formar exércitos, auxiliando na conquista da porção sul do continente de Ryokun, além de desbravar as Ilhas Tufão e Grande Anêmona. Ninguém questionava sua soberania, e quem fosse louco o bastante, era morto. Quem não podia (ou não queria) lutar no exército, era forçado a trabalhar mais de 12 horas por dia em funções agropecuárias e ferreiras, para garantir a sustentação da força militar. Como ainda não tinha expandido suas garras para a parte mais sulista do continente, algumas pessoas ainda viviam como pequenos mercadores e fazendeiros.
Os garotos, de alguma forma, conseguiram sair da cidade central de Osmos e migraram para o pequeno vilarejo de Everlott, que de lá iriam montar o plano para falar com o tirano, ou se fosse necessário, invadir o castelo e procurar o ancião. Mais meio ano foi gasto em preparações e treino, caso fosse realmente necessário ter que invadir. No dia decidido:
– Pessoal, estão de acordo? – disse Cole. O grupo estava no único bar do vilarejo. Havia uma quantidade relativamente pouca de pessoas por lá, e estavam falando baixo, tentando evitar suspeitas.
– Só para revisar: tomaremos essa rota – disse Vergil, apontando para o mapa e seguindo com o dedo pelo continente até o castelo – Porém aqui, cerca de 2km antes, tomaremos um desvio para procurar por possíveis rotas de acesso. Estou certo?
– Sim – disse Jane. Jogava uma adaga girando para cima e segurava perfeitamente no cabo, sem mesmo olhar. – Não vamos pegar rotas muito comuns porque levantará suspeita e nem rotas quase esquecidas porque vão suspeitar mais ainda.
– Segundo o conhecimento de Claire – disse Kenneth. Segurava um livro de capa preta, com letras douradas indicando “Bíblia Sagrada”. Ajustou os óculos – Temos um grupo que pode se adaptar a vários tipos de situação que poderemos encontrar. As criaturas darão para serem enfrentadas se trabalharmos em sincronia.
– Certo. Então vamos – disse Suzan. A espada de 1 metro cintilou pelo local com um raio de sol quando ajeitou o arco nas costas.
– Espere Suzan – disse Claire. Sua armadura de metal fez um barulho quando se ajustou no banco de madeira – Percebi três fontes de Energia vindo para cá. Pelo nível, parecem ser soldados de Fundação. – segurou o machado repentinamente nas costas – Talvez tenham nos encontrado. Fiquem quietos.
– Se tentarem falar conosco, não sei se me controlo – disse Cole, segurando uma varinha escondida na manga.
– Calma Cole – cochichou Vergil, e instintivamente fechou o punho. No mesmo momento, as pessoas entraram. A percepção de Claire estava certa: os três eram soldados, visto as armas e armaduras pesadas, e eram de Fundação, pela grande concentração de Energia no corpo. Os três foram para o balcão e foram falar com o barman. Poucos segundos depois, o grupo dos meninos foi saindo.
– Ei! Aonde pensam que vão? – gritou um dos soldados. Assim que terminou a frase, subitamente o chão explodiu, levantando bastante poeira. Os soldados tentaram procurar os garotos, mas eles não estavam mais lá.
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