A Origem Do Medo.
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu era um humano problemático. Eu sempre tive um olhar desafiante, minha mãe sempre me disse que um dia eu iria olhar para um estranho desta forma e perderia os olhos, quando fiz 9 anos um incêndio matou minha mãe, minha unica parente já que meu pai a engravidou e meteu o pé.
Vivi em um orfanato até o 16 anos, e foi neste período de tempo que este incidente ocorreu, eu frequentava o colégio Grummer Saccion, em Ohio, e lá criei meus primeiros inimigos, foi ódio a primeira vista, literalmente, já que quando olhei para Daniel Los Santos, ele literalmente me marcou como alvo. Vou explicar a origem de meu olhar desafiante, eu olho pras pessoas, e elas sentem como se eu as tivesse desafiando, é incrível, nunca entendi, já cheguei a ensaiar diferentes olhares no espelho, sem sucesso é claro.
Sofri o tal Bullying durante dois meses, mas nada físico, eles apenas me chingávam, colocavam apelidos, e eu tocando o foda-se, nunca fui de discussão nem de briga, mesmo sabendo me defender. Até chegar o dia em que me deparei com um bêbado na rua, e com raiva dos meu olhos, que pareciam atrair a atenção de todos ao meu redor, encarei o bêbado, rapidamente os olhos dele se encontraram com os meus, apesar de não ligar para o Bullying, nós, sofredores, sempre mantemos uma pequena mágoa por dentro, e essa mágoa se tornou ódio, e olhei para aquele senhor com todo meu ódio, imaginando o p´ropio Daniel sendo esquartejado, imaginando eu colocando-o para os cães, e para minha maior surpresa, o bêbado, coitado, começou a chorar até se ajoelhar.
- Por favor senhor, tenha piedade!
Dei um passo para trás, assustado, oque acontecera? Corri beco afora, tentando esquecer o evento, inutilmente é claro, voltei para o orfanato e passei a noite em claro repassando os fatos em minha mente, apenas supus que aquela cachaça devia ser muito boa mesmo.
Dois dias depois( o final de semana), eu fui novamente para o colégio, e novamente fui motivo de chacota por nada, apenas para diverti a mente desmiolada de Daniel e seus amigos, o tempo passava rápido naquela época do ano, e logo eu estaria livre, mas em um flash, os eventos do bêbado vieram a minha mente.
Me virei para Daniel, tentando imaginar diferentes formar de atormentá-lo, apenas duas me vieram a mente, coloca-lo em uma caixa e incinera-lo, e o clássico esquartejamento, decidi esquarteja-lo, em minha mente, eu vi os dedos dele sendo cortados primeiro, depois os braços, de depois os ombros, depois passei para os dedos dos pés, me dei conta que já não mais estava na sala de aula, e sim em uma oficina de tortura em minha mente, cortei os joelhos, e depois a cintura, de alguma forma Daniel se mantinha acordado e gritando a plenos pulmões, pedindo por misericórdia, implorando por perdão, e eu apenas sorri e continuei com nossa seção, depois de sobrar apenas a cabeça, que de alguma forma( minha imaginação fértil eu suponho) se mantinha a pedir perdão e misericórdia, eu dei por terminada, e voltei a mim na sala de aula.
Todos olhavam para mim, com medo, em terror, percebi que os professores, o diretor, e alguns inspetores estavam na sala, não os vi entrar, e quando me dei conta, Daniel estava parado aos meus pés, chorando, e pedindo por perdão.
Se passando dois dias do ocorrido, o orfanato recebeu uma carta do meu colégio, alertando-os sobre a minha expulsão, com a explicação de que eu me metera em uma briga, meus protestos sobre a mentira foram em vão. O orfanato decidiu que eu seria transferido para uma de suas filiais, no Canadá.
Eu aceitei de boa, em uma semana eu estaria viajando. Mas em uma semana eu tinha muita merda pra fazer.
Comecei a testar este dom, e admito que passei a me divertir(hoje me enojo disso) com o sofrimento alheio, rapidamente inventei mais de 10 tipos de torturas, e rapidamente mais de 10 pessoas deram entrada no Instituto Psiquiátrico de Ohio, com traumas psiológicos, e até mesmo em estados de coma.
Tendo aprendido a controlar este poder, eu descobri que tinham certas limitações, como, eu deveria estar olhando diretamente nos olhos da vitima, o contato visual não deveria ser interrompido, que se uma pessoa pensa que perdeu o braço, ela esquece de como usá-lo, com o tempo, aprendi até mesmo a materializar outras pessoas, e torturá-las para que a vitima assisti-se, ou até mesmo a distorcer o tempo, me dando mais algumas horas com a vitima, aquilo havia se tornado algo doentio.
Até que entrei em um beco e me deparei com um homem, a primeira coisa que vi, foram suas botas negras, depois subindo mais meus olhos, vi que ele usava luvas medicas e uma faca, e meu maior medo, ao olhar seu rosto, vi que ele estava vendado.
- Ele esta na sua frente Alex! — disse um garoto na minha esquerda, com uma breve olhada, percebi que era um dos amigos de Daniel. -
O homem me agarrou pelos dois braços e rapidamente me colocou de costas no chão.
- Oi, meu nome é Alexander Los Santos, e eu vou te ensinar oque é sentir medo. — disse Alex, parente de Daniel. -
E começou, ele começou a cortar meu membros, sem arrancá-los, apenas cortando-os, profundamente, os cortes ardiam, doiam e queimavam, o garoto, Nicolas, se não me falhe a memoria, se aproximou com uma garrafa, com um liquido que julguei ser água, e o despejou nas feridas, não era água, era álcool. E doía. Muito.
Até que meu anjo sem nome, desceu dos céus, uma mulher loira de olhos profundamente avermelhados caiu do telhado como uma pomba, e parou como um gato, que só cai em pé, em uma piscada, ela estava com os dentes no garoto, que rapidamente parecia um velho, seco, e morto. Entre uma lágrima e uma piscada, ela já havia secado o homem. E a última coisa que me lembro, era de ela me secando também, só não entendi o porque de ela não preferir lamber meu sangue no chão, seria mais lucro.
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Acordei por volta das 22:30 do dia seguinte, me sentei em na cama e olhei ao meu redor, era incrível, era como se eu pudesse enxergar o cocô de uma formiga, conseguia ouvir os batimentos cardíacos dos ratos que eu sabia que estavam por cima do telhado, era incrivelmente maneiro. Me levantei incrivelmente rápido, olhei a minha volta e me assustei com uma garota sentada em uma poltrona no canto mais remoto do quarto, ela tinha um sorriso falso no rosto, me distrai com barulhos alheios e quando retomei minha atenção a ela, já não mais estava lá, estava a minha frente.
- Prazer, eu sou Jane Volturi. — disse ela estendendo a mão para um aperto. -
Com os olhos em suas mãos, eu a apertei, senti algo estranho, ela era forte, e resistente, não que eu tenha feito alguma força, mas deu para sentir.
- Ahn.. Meu nome é Lúcio. — me apresentei. -
Os olhos dela eram incrivelmente vermelhos, e quando me dei conta de que a estava olhando nos olhos já era tarde. Ela voou para trás em um pulo e me encarava com incredulidade.
- Me desculpe, eu.. — tentei me explicar, mas era tarde, Jane quebrou a janela com um pulo, e quando fui ver, já não mais a encontrei.
Passei algumas horas no quarto estudando os meus poderes, eu sabia oque era aquilo, não era nenhum otário, já assisti O Dracula, e sei oque é um vampiro quando vejo, e assim que pensei nisso, senti aquela dor tão esperada na minha garganta, agora sabia oque era sede de sangue, sentia como se não bebesse água a milênios, mas havia uma jarra de água na mesa, e eu não a queria, saltei da janela e cai como uma pena no asfalto, me impressionei, rapidamente um alerta se fez em minha mente, "até hoje ninguém viu um vampiro, que continue assim". Eu entendi oque o meu cérebro quis dizer, se eu quisesse me manter vivo, era melhor me manter longe de problemas.
Vagueei pelos becos até encontrar um homem encostado em um muro, um mendingo eu supus, senti o cheiro do sangue em suas veias, ouvi sua pulsação, e quando me dei conta meu corpo já se deslocara para perto, e meus dentes já riscavam seu pescoço, ele abriu os olhos e os arregalou, e eu os fechei apenas sugando-o.
Ele ficou seco em questão de 3 segundos, uma unica sugada, deu uma aliviada na garganta, mas senti que queria mais, vi uma criança que assistiu a cena da janela de um prédio, e sem dó nem remorso, pulei na janela, a criança não gritou, eu é claro, mantive meus olhos afastados dos dela, e em um segundo eu já tinha meus dentes cravados no pescoço do garotinho. Em alguns minutos já estava satisfeito e andando pelas ruas, percebi que era difícil manter a velocidade, as vezes eu passava como um borrão e as pessoas olhavam confusas, mas com o tempo me adaptei aos passos dos outros. E assim vivi. Ou melhor, revivi.
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