A Origem Do Medo.
2 Pesadêlos
Notas iniciais
Passei cerca de duas semanas usufruindo de minha imortalidade, duas ótimas semanas de liberdade, poder e luxo, mas devo admitir que apesar de ter roubado muito dinheiro com minha superforça e invulnerabilidade a munição comum, a melhor parte era a alimentação.
Eu adorava, amava, ficava ansioso pela hora em que minha garganta começasse a queimar, era hora do lanche, subia em cima de algum edifício grande e selecionava minhas presas, já que apenas uma não me saciavam, e em questão de minutos, já estava satisfeito.
Meus poderes, realmente ficaram mais complicados, por incrível que pareça, o total controle no qual me esforcei para conseguir nas semanas que antecederam ao caso com Daniel, foram pro 'baláu', já que agora, tudo ficou mais sensível, e muito mais poderoso, alguns dias depois do ocorrido com Jane Volturi, descobri oque ouve com sua fuga inesperada. Antes, quando eu olhava para uma pessoa, eu a deixava com medo, era a sensação de perigo, quase a mesma que se sente quando esta em um beco escuro e um leão aparecesse a sua frente, se eu me concentra-se um pouco, tinha mais controle, até mesmo de que tipo de medo poderia causar, e até enfim, conseguir controlar o medo por completo.
Por algum motivo que não vem ao meu conhecimento, após minha transformação, basta uma olhada, para a pessoa sentir muito medo, em nível de uma fobia. Tentei de todas as formas diminuir tal sensibilidade, em vão, era um problema, eu causava pânico só de olhar para a pessoa, e muitas vezes atrapalhava em minhas caçadas, então passei a usar uma bandana preta para me vendar, não era um incomodo, depois de alguns dias, minha superaudição se adaptou a ser usada com mais frequência, e consigo sentir quantas pessoas tem no ambiente pela respiração, consigo sentir suas batidas do coração e saber aonde estão, distancias...
Então... Foi assim que decidi conter meu dom. Certo dia, eu estava deitado na poltrona do meu apartamento, ou seria de Jane? Pois como acordei com minha vida vampírica ali, não poderia simplesmente retornar ao orfanato, então passei a viver ali, e com um pequeno raio de esperança de que Jane voltasse, que iluminasse meu caminho por esse mundo cheio de trilhas, quando de repente, ouço um baque oco, rapidamente meu cérebro associou que era o piso próximo a janela, me levantei.
- Jane? É você? — perguntei ao me levantar. -
- Faça Alec. — disse a voz que reconheci como sendo a de Jane. -
E do nada, escuridão, não só visual( a qual já estava acostumado), como auditiva, no tato e não sentia mais nada, era como que meu cérebro tivesse virado gelatina, tentava mover meu braços, pernas, pulava, sem sucesso. Escuridão. 8 horas, a minha percepção de tempo ainda se mantinha. Quando meus sentidos começaram a voltar.
Ainda estava vendado, com minha bandana, não sabia se tirava ou se a mantinha, não queria correr o risco de assustar Jane de novo. Foi quando ouvi o movimento do ar e alguém agarrou meus dois braços e puxou-os para trás, em uma imobilização.
- Ora, não seja tão descortês, meu caro Felix. Nosso convidado precisa se sentir bem-vindo. — ouvi uma voz rouca e zombateira dizer a minha frente. -
- Não baixe a guarda Aro, esses recém nascidos de hoje em dia são um bando de animais desobedientes, tome cuidado. — disse outra voz mais séria, cerca de 5 metros atrás da primeira, que julguei ser Aro. -
- Aonde estou? — foi tudo que consegui dizer. -
- Ora, ele fala. — disse Aro rindo, seguido por um coro de risadas, que me deram a localização de cerca de 15 outros vampiros. — Você está na casa dos Volturi meu caro.
- Volturi? Jane.. Volturi está aqui? — perguntei, procurei sentir seu cheiro, o som de sua voz, mas não consegui. —
- Haha, o coitado caiu nas desilusões do amor... — disse Aro. — Jane minha querida, venha aqui por favor.
Passos ecoaram a minha esquerda, não tinha localizado este ainda, era Jane, seus passos fracos e leves denunciaram.
- Jane? — perguntei, apesar de saber que não estava apaixonado por Jane, achava que ela me devia explicações, afinal, me colocou em um mundo diferente e foi embora. -
- Meu senhor? — disse Jane. -
- Este é o recém nascido criado por você? — perguntou Aro. -
- Sim meu senhor. — disse Jane com sua voz fria e seca casual. -
- Hum... sinceramente minha querida, eu esperava coisa melhor, afinal, você sabe que permito que os membros da Guarda recrutem apenas um recém nascidos, todos os outros incidentes devem ser apagados. — disse Aro. — Porém, você foi a única membra da Guarda que nunca criou um recém nascido, nem por acidente, e o primeiro que cria, decide trazer para casa?
- Meu senhor? Não entendi qual é o problema. — disse Jane. -
- Problema? Não à problema minha cara, eu apenas esperava algo mais... grandioso. — disse ele, e talvez por algum sinal, mas Felix puxou mais meus braços e senti eles trincarem. —
- AArrrrgh! — rosnei, maldito. —
- Ele não parece que será capaz de se mostrar digno a Guarda irmão. — disse outra voz, cerca de 3 metros ao lado da segunda que havia se direcionado a Aro antes. -
- Temo que tenha que concordar com Marcus. — disse Aro parecendo se dirigir a Jane. —
- Meu senhor, esperava um pouco mais de confiança de sua parte em minha pessoa, desculpe-me se for rude, mas imobilizar um alvo recém despertado pelos poderes de meu irmão pelas costas, não me parece muito com um teste digno. — disse Jane, parecendo defender o seu orgulho. — Poderiam ao menos desvendá-lo.
Sorri. E imediatamente me arrependi, pois Aro em uma fração de segundo aproximou-se de mim, senti seu rosto a centímetros do meu.
- Tem razão, talvez devamos ver antes a cor desses olhos. — disse Aro. -
- Meu senhor, talvez não seja uma... — ia dizer Jane. -
Tarde demais, ele tirou minhas vendas. E eu é claro, fechei os olhos.
- É perigoso. — disse. -
- Oque? — perguntou Aro, acho que ele deu outro sinal a Felix, que logo em seguida puxou mais os meus membros. -
Que ódio daquela bixa, abri meus olhos em fúria e olhei nas profundezas dos olhos de Aro.
Vi ele arregalar os olhos, vi o pânico passar por sua espinha, e vi ele pular 20 metros para trás, todos deram um passo para trás e Felix me soltou, me virei e olhei nos olhos daquele covarde.
- Nunca mais toque em mim. — disse, achei perigoso fazer uma pequena seção de tortura, ainda não tinha testado enquanto era vampiro, e poderia ser muito mais sensível. -
Ele fez cara de choro e voou para trás, ouvi um grito rápido em algum lugar, e tudo se apagou novamente.
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