A Ordem Cerúlea

4 Capítulo III - Prisão


Notas iniciais
Olá, Cerúleos! Venho aqui deixar o ultimo capítulo do ano xD Espero que tenham uma boa leitura e sintam-se vivendo a fic Õ/ Quero deixar também um agradecimento algumas MARAVILHOSAS pessoas, essas: kagomechan, MTimberleick, J Stanesco e Mandy, que comentaram a fic e me deixaram feliz, MUITO MUITO FELIZ MESMO! Muito obrigado gente, vocês são 10/10 Um agradecimento mais profundo ainda a Mandy, que me deu um tiro ontem e recomendou minha fic (• ◡ •)/ (• ◡ •)/ (• ◡ •)/ (づ。◕‿‿◕。)づ Sem mais tardar, fiquem com esse capítulo cheio de coisa! ♥ Música da vez: The Queen's Justice - GOT

Guardas levavam o grupo de delinquentes para a prisão. Olhares rápidos e curiosos fitavam o rosto ensanguentado de Hulbard. Sua falta de barba fazia com que o sangue ficasse mais evidenciado ainda. Ele observava a sua volta, percebia que cada vez mais próximo da guarnição, mais olhos fixavam-se em seu semblante. Estava ficando envergonhado, abaixava sua cabeça lentamente a medida que dava abafados e medrosos passos. Limpava suas mãos sujas de sangue discretamente em sua vestimenta. Já estava de noite e as chamas dos postes de luzes estavam intensas naquele dia, o que ajudava a destacar as marcas da violência recebida e, principalmente, da causada. Seu aspecto ficara muito diferente daquele na vez que encontrou Ewrir. Seu rosto agora estampava vergonha, temor, chateação.

Finalmente chegaram no grande local, o quartel. O mesmo em que Ewrir vislumbrou a ação de sua mãe. A construção era enorme, construída a base de pedras maciças, que passavam certo desconforto a quem olhasse. Diferente dos demais edifícios, este não era composto por pedras de mármore. Eram pedras de aspecto rígido e nada elegantes. O portão, grosso e danificado, era feito de uma madeira compacta, íntegra, com detalhes asquerosos e perturbadores.

Hulbard estava tremendo, assim como um ou outro de seus acompanhantes. Um dos guardas abriu a gigantesca porta, gerando um som seco e profundo. Adentraram e seguiram um grande corredor. Aquilo que era uma espécie de fortaleza e intimidava a quem entrasse. Poucas tochas iluminavam o local. As paredes eram frias e cinzentas, o chão um tanto quanto deformado e áspero. Os rapazes aparentavam-se consumidos por medo do que poderia acontecer a eles.

— De agora em diante, a conversa é com a comandante. — Falou um guarda, com rispidez em suas palavras. Abriu uma porta localizada no fim do corredor e empurrou o garoto de corpo robusto. Mandou que os outros o acompanhassem.

A sala, repleta de armas de guerra e papéis espalhados por mesas de pedra rachadas, não era diferente do resto da instalação dos guardas. Na frente da porta, ao fundo, estava presente a mesa principal, com diversos documentos e uma espada diferente das outras. Sentada numa cadeira de encosto alto, estava Bresys, que ficara curiosa com o que trazia aquele bando até ali. Um guarda começou a reportar o ocorrido.

Bresys cerrava cada vez mais seus olhos conforme ouvia o relato. Estava sentada com seus cotovelos apoiados nos braços da cadeira e os dedos de suas mãos cruzados, apoiando seu queixo nos polegares. Não se mexia um milímetro e piscava lenta e enfurecidamente. Parecia estar escondendo uma fúria incontrolável.

O relato terminou e a mulher ficou em silencio por alguns instantes. Olhava para um ponto qualquer em sua frente. Suas feições belas e marcantes transpareciam um ódio sobre-humano, ainda que ela não tivesse se manifestado. Levantou-se devagar de olhos fechados e os abriu quando estava completamente de pé. Mandou os guardas saírem.

— Mas, comandante... — Bresys apenas lançou um olhar rápido ao guarda que ameaçara fazer alguma observação. Isso bastou para que eles saíssem num instante. Ao fecharem a porta, a comandante olhou para o chão e deu um longo e profundo suspiro.

A mulher suavemente pegou sua espada de cima da mesa. Tateou a lamina do pomo à ponta; A cada toque parecia lembrar das inúmeras batalhas travadas com aquela arma. Era longa e afiada, mais afiada que as demais. Tinha detalhes em azul em seu gume. Após terminar de a analisar a espada, embainhou a mesma vagarosamente. Agora, travava seus olhos no rosto de Hulbard, que desviara sua atenção para outro lugar.

Bresys caminhou com passos curtos e pesados em direção ao garoto. Chegou a seu encontro e começou a examinar o rosto dele. Examinava com repúdio, nojo. Encostou seu dedo indicador áspero e aparentemente delicado com certa força na região entre o queixo e os lábios de Hulbard. O jovem grunhiu por um segundo, depois segurou sua dor. Ela havia tocado na parte externa do machucado do rapaz, na qual havia sido mordido pelo próprio no combate. Bresys friccionou seu dedo até a bochecha esquerda do rapaz, encarando seu rosto com olhos arregalados e penetrantes. Chacoalhou seu dedo em direção ao chão para livrar-se do excesso de sangue nele nesta ocasião presente.

— Você é filho dele. Filho daquele homem sem coragem. — Disse sussurrando longamente, com um timbre ainda mais profundo em sua voz.

Hulbard engoliu seco. Não sabia como ela havia essa informação, sendo que o guarda nem havia mencionado tal.

Bresys dessa vez reparava nas roupas do garoto. Via o sangue de seu filho, via o ódio de Hulbard, via a vergonha, a incapacidade, a covardia. O semblante da mulher ficava cada vez mais tenebroso, seu olhar, cada vez mais intimidador e gélido.

— Você é igualzinho a seu pai. Um infame, inglório! Não me assusta ver vergonha no seu resto. Olhe só para você, tinha tudo para ser um nobre guerreiro, ou sabe lá o que você sonhava ser. Um lixo. Isso é o que te define. Não só você, mas todos esses que te acompanham — Proferiu, dessa vez em voz mais alta — Não sei como teve coragem de vir até aqui, afinal, um arruaceiro estúpido como você teria tentado fugir dos guardas. Ah, o que estou pensando, você teria medo de ser detido pelos guardas, não é? Você não evitou fugir por disciplina. Evitou fugir por medo! Nem “honra dos desonrados” o seu ser nojento tem — Fez uma breve pausa, percebendo que Hulbard não a olhava em seus olhos. Com sua mão, forçou o rosto do jovem na direção de sua face. Mesmo assim Hulbard se recusava a cravar seu olhar com o dela. — Olhe nos meus olhos... Olhe nos meus olhos, covarde! Olho nos meus olhos! Agora! — Esbravejou Bresys, fazendo o garoto encarar seu medo iminente. O rapaz encarava olhos negros e pavorosos. Notava o rancor transcendente daquela mulher. Engoliu seco novamente, dessa vez mais intensamente e ofegante.

— Veja só... Todo esse tamanho e nenhuma braveza. Se meu filho fosse assim, eu já teria feito de tudo para ele aprender a ser alguém. Você fica se rastejando por ai se mostrando forte e duro, mas na verdade não passa de um inseto! Nojento, fraco e frouxo! — Após escutar essas palavras, o grande sujeito começou a tremer. Seus lábios tremiam, sua feição ficara mais triste e de súbito uma lágrima escorrera de seus olhos castanhos. Bresys ameaçou uma risada e deu um sorriso irônico.

— Agora você chora? Não creio. Não sabe lidar com a verdade? Que estranho. Deve ter chorado quando levou esse golpe não queixo também, estou certa? — Falou Bresys, o encarando mais de perto. Hulbard não se conteve mais e desabou em tímidas lágrimas.

— Já basta. — Disse o garoto. Bresys voltou a adquirir um semblante de ódio, que agora parecia mais elevado ainda.

— Já basta? Você está me dizendo que... já basta?! — Gritou a mulher. Os outros garotos recuaram. Com uma velocidade anormal, Bresys agarrou o rosto do moleque e começou a aperta-lo junto de uma força sobrenatural. Hulbard não reagia, o pavor tomou conta dele. Nem lágrimas desciam mais.

— Repita! Me mande parar! O que está esperando, seu infame! Infame! — Estrondou a comandante, fincando suas unhas, quase seus dedos no rosto de Hulbard, fazendo-o sangrar mais e mais. De repente, seus olhos adquiriram uma coloração esbranquiçada, totalmente oposta a tonalidade original. A cor ficava mais forte a cada segundo e quando estava quase em seu auge, Bresys soltou o rosto do rapaz, bufando. Fechou suas pálpebras e as abriu lentamente. Sua visão voltara ao normal; A visão petrificante e escura de antes.

Hulbard permanecera imóvel e pálido de tanto pavor. Bresys se distanciou um pouco e voltou a falar.

— Escutem-me! Independente da pessoa que tenham espancando e jogado no esgoto, seja essa meu filho, seja essa um mendigo desconhecido, a atitude de vocês foi deplorável. Detestável. Eu gostaria de matar vocês, mas não o farei. Eu tenho meus limites, mas não pensem que a punição não será severa. Eu não sei se ele está vivo ainda, acredito que esteja, mas seja qual for a situação dele, a punição continuará a mesma. Se bem que nenhuma punição será tão vergonhosa quanto a idiotice que fizeram.

A comandante ordenou para que abrissem caminho e abriu a porta. Os guardas que estavam do lado de fora da porta se afastaram e disfarçaram. Bresys fez uma ligeira movimentação com a cabeça indicando desaprovação. Virou-se para os arruaceiros e mandou todos a seguirem, inclusive os guardas.

— A prisão de vocês não será anunciada em público. Seria muita dignidade, se é que o tipo de vocês tem alguma. Vou leva-los a um lugar especial.

Bresys caminhou pelo corredor a direita de sua sala. Ele levava a prisão de cidade, que ficava junto do quartel. As celas possuíam pouquíssimas pessoas, era uma prisão quase abandonada. Os ratos que ali andejavam se esconderam ao ouvir os passos do grupo de pessoas. Bresys foi obrigada a acender uma tocha depois de algum tempo caminhando pela longa prisão. As pessoas presas estavam localizadas bem na entrada da prisão, então, era a única área que tinha alguma manutenção, ainda que precária. Ao passo que caminhavam, o local ficava mais escuro e frio. Um barulho baixo e constante vindo de fora invadiu o silencio no asqueroso espaço. Chuva, deduziram para si mesmos.

Hulbard e os outros não entendiam o porquê de não terem sidos colocados em uma das celas que passaram, já que várias estavam vazias.

— Por q-- — Hulbard foi interrompido por Bresys antes que qualquer outro som fosse emitido de sua boca.

— Fique quieto. Não ordenei que falasse.

Continuaram andando até se depararem com um gigantesco e profundo lance de escadas. Aquilo levava as masmorras, que ficavam numa região ainda mais funda que a do esgoto. A medida que desciam, o local ficava mais tenebroso. As paredes devastadas, rachadas. Aracnídeos e insetos deixavam o cenário ainda mais hediondo. Até os guardas se sentiram mais incomodados ali, mas não Bresys.

Finalmente chegaram no fim da escadaria. Uma cela gigante e completamente fechada estava diante deles. Uma nevoa densa e fúnebre pairava no grande salão. Bresys abriu o portão e acendeu as tochas de lá. Morcegos voaram rapidamente para fora. Não tinha nada lá dentro, a não ser dois esqueletos no chão, praticamente virando pó.

— Vamos, entrem ai. — Comandou. Os jovens se olharam entre si e Hulbard retrucou:

— Me desculpe, senhora comandante, mas isso... Não, não está certo! Eu entendi que fizemos algo terrível, mas nos manter aqui... É melhor nos matar! Isso é exagero!

Bresys ficou parada por um tempo, sem mostrar reação alguma as palavras escutadas. Virou-se lentamente e disse:

— Entrem. — Com uma voz seca e rígida

Hulbard se enfureceu e deu um passo em direção a Bresys, que no mesmo instante sacou sua espada diferenciada encostando-a no pescoço do rapaz.

— Você perdeu discernimento?! Ou vai me enfrentar? Tem coragem o suficiente pra isso?! — Esbravejou. O garoto suava frio e lágrimas ameaçaram escorrer novamente. Ele gentilmente abaixou a espada da comandante, que inclinou a cabeça sutilmente para o lado direito. Hulbard se aproximou dela, ficaram com os rostos muito próximos um do outro. O ódio de Bresys ainda era evidente. Ficaram se encarando por um tempo, até que Hulbard negou com a cabeça e entrou na cela.

— Eu imaginei. — Disse Bresys, guardando sua lâmina. Os guardas deram um empurrão nos outros e mandaram eles entrarem também e assim foi feito. A cela foi trancada e a mulher disse para os guardas subirem de volta, os observando ir embora. Deu um longo suspiro e voltou-se para o grupo agora preso.

— Última coisa... Se acham que vou passar a mão no cabelo de Ewrir e trata-lo como um coitado que apanhou, podem ficar tranquilos, eu não irei. Pelo menos nem tanto. — Falou, com um rápido sorriso, voltando a ficar séria. — Perceberam que não tem muita gente presa lá em cima? Isso se deve ao fato de que as pessoas sabem da minha severa conduta. Os que estão lá em cima são casos como bêbados irritantes, roubo de algo sem muita importância a não ser pessoal. Entenda uma coisa: as pessoas corretas não têm medo de mim. Já qualquer outro de má índole tem esse pavor, então eles pensam duas, três, quatro vezes antes de cometer um crime seja ele qual for. — Aproximou-se da cela — Essa é uma cidade que está em paz a muito tempo e tenho orgulho de dizer que é por minha causa. — Disse, deixando o local.

Voltando para o quartel, pediu aos guardas que se preparassem para uma “excursão” no esgoto em busca de Ewrir. Ao saírem, viram que a chuva estava muito mais forte do que imaginavam, mas não encararam como um problema. Um dos guardas colocou a mão em sua barriga. Bresys notou o movimento e avisou que o guarda não precisava se preocupar. Assegurou que voltariam a tempo do banquete.

Bresys verificou se todos estavam prontos e partiu. Os postes não iluminavam tanto agora, o que tornava mais difícil ainda enxergar alguma coisa.

Andavam a passos rápidos e largos, não queriam perder tempo. Bresys pediu para que acelerassem um pouco mais. As ruas estavam vazias, já que a população estava ou no banquete, ou se protegendo da chuva dentro de suas casas. Um bêbado ou outro perambulava pela noite.

Uma figura chamou muito a atenção de Bresys. A mesma personalidade que havia aparecido para Ewrir, agora entrara num beco próximo ao local em que o garoto caíra. A comandante ordenou que prosseguissem para o esgoto enquanto ela investigava o indivíduo estranho.

— Ei! — Gritou. Ao ouvir, a figura encapuzada começara a correr. Bresys franziu sua testa e partiu em direção ao indivíduo.

Bresys era muito rápida e conhecia a cidade como a palma de sua mão. Interceptou a figura, agarrando-a pelo braço e removeu seu capuz. Vira um elfo. Não conseguiu ver sua feição, mas tinha certeza de que era um elfo.

O elfo se livrou de Bresys e lançou o mesmo pó misterioso jogado em Ewrir. A chuva e a habilidade de Bresys a fizeram se esquivar daquilo. Com um seu punho direito, acertou um soco no estômago do ser de manto além de negro. A criatura caiu, agonizando. A mulher a levantou e a pressionou contra a parede.

— O que você quer aqui?! — Bradou com ferocidade.

Notas finais
É isso! Nada mais a declarar ◴_◶ Espero que tenham gostado e se divertido lendo! Vejo vocês no próximo capítulo, ou nos comentários ¯_(ツ)_/¯ Obrigado a você que acompanhou até aqui, ano que vem tem muito mais! Acredite, muito mesmo ♥ Boas festas e tudo de bom para vocês nesse fim de ano ヘ(◕。◕ヘ) Feliz Natal e Ano Novo! ~Sir Gustav Adeus, Cerúleos! 〴⋋_⋌〵