A Ordem Cerúlea

5 Capítulo IV - Estraçalho


Notas iniciais
Olá, Cerúleos! Primeiro de tudo, mil perdões pela ausência... Primeiro veio o bloqueio, depois o efeito férias e aaaaa agora ja foi tudo resolvido. Tinha dito que voltaria na primeira semana de 2018, mas não foi possível. Peço perdão novamente ◕︵◕ Enfim, sei que depois desse tempo vocês querem ler o capítulo logo :v Então, sem mais delongas, fiquem com o capítulo e a musica recomendada de hoje :3 Wonder Woman's Wrath - Music / Theme | Wonder Woman: https://www.youtube.com/watch?v=fctMc6SxVFY

O elfo, visivelmente desesperado, começou a proferir palavras de uma língua distinta, jamais conhecida pelos seres humanos. Pelo menos aqueles que não possuíam conhecimento do além, como eles chamam a quem estuda magia com afinco, o que se resume a pouquíssimas pessoas.

De repente, Bresys começara a respirar com mais dificuldade e sua visão embaçava lentamente. Começou a perder as forças e já não pressionava tanto a criatura. Sua feição agora mostrava insegurança e ódio ao mesmo tempo. Em poucos segundos, o elfo conseguiu se livrar de Bresys e não tardou a correr. A guerreira ficou de joelhos no chão sem conseguir se movimentar direito. Estava prestes a desmaiar quando percebeu que a figura já não estava mais em seu campo de visão, já tinha desaparecido em meio a tempestade. Com tudo, a mulher se recusou a desmaiar e ficou de pé novamente, recuperando os sentidos. Afirmou a si mesma que aquilo se tratava de algum feitiço e voltou a seu foco inicial, encontrar Ewrir.

Ewrir acordou do desmaio. Sentia-se muito melhor do que da vez que tinha desmaiado. Levantou-se e tentou dar alguns passos, porém se agachou e agonizou por alguns segundos devido a dor que sentia em suas pernas. Sentou-se novamente naquele chão frio e úmido do esgoto. Levou suas mãos a seu rosto e deu um longo suspiro. Deslizou-as até seu queixo e novamente suspirou. Uma lágrima escorreu de seu olho direito. Uma corrente de emoções e lembranças começaram a cercar a mente de Ewrir. Um choro amargo, intenso e irado tomava o semblante do garoto. Perguntava-se se tinha feito correto ao brigar com Hulbard. Viu que as consequências daquilo eram muito piores do que havia imaginado. Talvez agora não poderá participar da fase final da Jornada. O fato disso ser uma grande possibilidade tornava sua angustia ainda mais profunda.

Bresys havia chegado ao acesso dos esgotos. Os guardas ali presentes a avisaram que a patrulha dela já havia descido em busca do jovem. Bresys agradeceu e partiu sem demora. Agora sua mente estava ocupada com mais um problema, primeiro Ewrir, agora esse elfo desconhecido. Apesar de ser uma comandante, ela sempre preferiu o campo de batalha do que os deveres de trabalho dela. Bresys só aceitou o posto pois, mesmo que ela não goste, ela o exerce muito bem e esse posto a leva para inúmeras batalhas e expedições, então ela acabou se acostumando.

A mulher andava a passos rápidos, notava o sangue de seu filho no chão e seus olhos se reviravam a medida que a quantia se expandia. Avistou seus guardas e bradou, furiosa:

— Seus idiotas! Eu demorei a chegar aqui e vocês ainda nem sem quer chegaram perto de onde ele esteja!

— Mas comandante... — Antes que o homem pudesse continuar, seu companheiro lhe tocou o ombro e balançou a cabeça negativamente.

Agora, Bresys liderava novamente o pequeno grupo. Tinha um olfato muito bom, mais aguçado que o de muitos outros. Começara a sentir o cheiro de sangue ficar mais intenso em uma direção e seguiu a mesma. Ao se aproximar do local, avistou Ewrir inconsciente e debilitado. Ao perceber a situação do filho, o semblante de fúria e frieza desapareceu, cedendo agora a um aspecto de dó e amor intenso.

A mulher se aproximou do rapaz e tocou-lhe o rosto suavemente. Ewrir abriu os olhos lentamente, ainda desnorteado. Bresys esboçou um sorriso breve, arqueando suas sobrancelhas para cima.

— Meu filho... — Disse Bresys, com ternura — Vejo que passou maus tempos nas últimas horas.

— É, um tanto quanto. — Respondeu com dificuldade.

— Poderia ter evitado tudo isso. Foi infantil de sua parte revidar. — Afirmou Bresys, voltando ao seu aspecto frio.

— Sim, sim. Eu já sei disso. — Retrucou, esfregando as mãos nos olhos. — Peço perdão. Antes de mais nada, quero sair daqui, pelo amor dos deuses, por favor.

A comandante fez uma ligeira afirmação com a cabeça e começou a ajudar o garoto a se levantar devagar. Um guarda rapidamente foi ajudar. Sem muito cuidado, o homem apertou um dos ferimentos de Ewrir no braço direito. O jovem soltou um grito abafado. Bresys levantou seu olhar ao guarda, que de forma desajeitada pediu desculpas e ajeitou sua postura. A mulher mirou seus olhos onde o guarda havia agarrado e percebeu que aquela região estava cicatrizada demais para tão pouco tempo. Muito pouco tempo.

— Ewrir... Como seu braço já cicatrizou? Faz no máximo duas horas desde que tudo aconteceu. Isso não é possível.

— Isso é complicado. — Respondeu, coçando seu volumoso cabelo. — Como estou cansado, vou direto ao ponto. Um elfo apareceu aqui e usou algum feitiço que acelerava minha recuperação. Antes que eu pudesse perguntar qualquer outra coisa, ele me desmaiou e foi embora.

Bresys franziu a testa, lembrando do que havia enfrentado um tempo atrás. Os guardas ficaram assustados e inquietos com a revelação. Uma série de cochichos começou a ecoar no longo local.

— Esse... elfo, trajava que tipo de vestimenta? — Questionou sua mãe.

— O que isso importa? — Falou Ewrir, agora já conseguindo andar sem muita dificuldade.

— Não me faça perder mais ainda a minha paciência, garoto. — Vociferou Bresys, entrando na frente do garoto e fitando seus olhos.

Todos pararam, em alerta. Os homens ali recuaram mais do que o necessário. Ewrir notou certo incomodo vindo deles.

— Ora, mãe, não precisa ser durona o tempo todo. Uma hora vão parar de ceder a sua fúria.

— Não vão não! — Retrucou um guarda. Logo após o dito, todos miraram a atenção para ele e não esboçaram reação. O homem fez uma tímida pigarra e olhou para o chão.

A conversa entre mãe e filho continuou.

— Enfim, respondendo sua pergunta, ele trajava um manto negro. Na verdade, era um tom até mais escuro. Não sei descrever direito.

— Então vimos a mesma pessoa. Criatura, tanto faz. — Ewrir arregalou os olhos — Eu o enfrentei agora pouco. Não foi uma disputa grandiosa ou coisa do tipo. Ele era fraco, mas usou uma magia estranha para me atordoar. — Bresys notou que seus homens estavam muito atentos na conversa e decidiu encerrar o assunto. Afinal, algo tão irregular não podia ser revelado para muitos, pelo menos por enquanto.

Depois da conversa voltaram a caminhar, lentamente dessa vez, para não prejudicar Ewrir. Perceberam que a chuva agora estava bem mais fraca, pois o som era quase imperceptível dali de dentro.

***

O banquete já havia encerrado, quem quisesse já podia ir para suas casas e descansar. Os que ficavam geralmente eram alguns homens adultos, para acabar com os estoques de cerveja e vinho da noite. O pai de Ewrir era um deles. O banquete era realizado num salão enorme do castelo, alguns duvidam se não era o maior local da instalação. As refeições não eram sempre feitas lá, o rei que decidia se iria realizar ou não. Com tudo, eram raras as vezes em que ele liberava o salão, afinal, é difícil fazer uma refeição para uma cidade inteira, mesmo que poucas vezes num ciclo.

Thord, o pai de Ewrir, estava sentado em uma das diversas mesas do lugar com outros amigos. Um deles, Zjorn, estava mais bêbado do que os outros.

— É, Thord, seu filho levou uma surra! — Gritou, gargalhando. Thord, apesar de robusto e forte, sempre foi muito calmo. Por mais que ora fosse um guerrilheiro, não se mostrava intimidante, a não ser que fosse necessário. O homem riu junto de seu amigo.

— Pois é. Já a quarta ou quinta vez que você diz isso, mas é verdade. Foi uma coisa diferente pra vida do moleque, vamos ver como ele vai lidar com isso! — Afirmou, soltando uma gargalhada também. Afagou sua barba loura e cheia com suas mãos marcadas pelo ferro quente da forja.

Os outros companheiros na mesa também riram. Apesar de tudo o que ocorreu nesse dia, o povo parecia descontraído. O pai do rapaz estava visivelmente tranquilo e quase indiferente ao que tinha acontecido, tanto para o acontecimento na parte do dia, em que Bresys se desentendeu com um de seus guardas, quanto a briga de seu filho com Hulbard.

Os barris já estavam quase se esvaziando, alguns já estavam até indo embora, quando alguém chegou em silêncio e ficou parado na porta.

— Chegou um pouco tarde... — Disse o rei, que estava ali presente, sentado à mesa principal. Ele havia percebido que a presença daquela pessoa resultaria em algum conflito.

Thord estava virado para o lado contrário da porta. Notou que seus colegas ficaram mais desconfortáveis, até encerraram a breve conversa. Ele se virou para saber do que se tratava todo aquele clima estranho. Ao se virar, abriu um sorriso irônico e logo transformou seu semblante em algo frio. Até seu amigo bêbado estava quieto, aparentando estar sóbrio.

— Você tem coragem, Ozin. Não tem vergonha de mostrar seu rosto depois de tudo que sua família causou hoje? Conseguiu afetar a cidade toda. Meus parabéns.

O inquilino começou a andar lentamente em direção a Thord. De olhos fechados e um sorriso nada amigável no rosto, Ozin, o homem que foi humilhado na frente do quartel, pai de Hulbard, caminhava com ódio e apenas uma vontade: devolver todo o transtorno causado a sua família nesse dia com uma morte. A medida que avançava, os presentes na mesa de Thord iam se afastando, exceto o próprio. Guardas presentes no local perceberam que Ozin estava fora de si e moveram-se para perto da mesa do pai de Ewrir.

— Pare imediatamente! — Bradou Eric, o rei, ao perceber que Ozin desembainharia uma adaga. Os guardas barraram o homem no mesmo instante. Thord e Ozin estavam trocando olhares a uma distância menor que a de um metro. O pai de Ewrir, estava calmo, apenas mantendo a face intimidadora, a qual não era comum dele. Já o pai de Hulbard estava de olhos arregalados e perplexos. Bufava sem parar e transparecia uma fúria fora do comum.

— Vejo que Bresys deixou uma bela cicatriz em sua boca. — Provocou, Thord. Ozin começou a se debater cada vez mais para se livrar dos guardas. Estava quase conseguindo, o que fez Thord se levantar rapidamente e recuar um pouco. Eric também levantou-se de seu assento e esboçou um pequeno desespero.

O homem furioso conseguiu se livrar dos que os seguravam e sacou uma adaga. Num movimento ligeiro, desferiu um golpe em Thord, que rapidamente segurou o braço de seu atacante. A adaga havia parado centímetros de seu pescoço. Ele agora mostrava um aspecto agressivo, de testa franzida, mas ainda assim mostrava-se assustado.

Thord empurrou o braço de Ozin para trás e recuou. Eric ordenou que Ozin recuasse.

— O que foi, Eric?! Você é outro que idolatra essa família ridícula! Mas que rei... — A essa altura, os guardas já o cercavam e o puxavam a força. Iria ser preso por todo o distúrbio causado e a afronta ao rei.

— Isso! Me prendam como fizeram com meu filho! Só porque eles têm cargos mais importantes do que os outros cidadãos recebem toda essa idolatria fútil! — Gritou chorando.

Eric mandou seus homens soltarem o indivíduo e foi a seu encontro.

— Para de se envergonhar, homem. Enxugue essas lágrimas. Tenha consciência de que tudo que aconteceu hoje em relação a você e seu filho, são consequências do que vocês mesmo fizeram. E olhe, você vir buscar vingança dessa maneira... — O rei viu uma coloração arroxeada nas bordas das pálpebras de Ozin — Está explicado. Usou ervas olfeas. Não quero nem saber como as conseguiu, já que estas vêm de terras élficas. — Ervas Olfeas eram plantas que muitos homens usavam para melhorar seu desempenho em guerras. Ela acelerava a pessoa que a usasse, porém, como efeitos colaterais, trazia um forte mal estar que durava dias, além de características visíveis, onde, no dia de uso, as pálpebras se arroxavam e nos outros dias, o próprio corpo ficava num tom mais próximo do roxo.

— Minha vida já está um lixo. Perdi meu emprego por causa daquela comandante de me... enfim, meu filho está na merda também. Não tenho mais nada a perder, mas tenho a tirar.

— Você parece uma criança. — Indagou Thord. Ozin desviou sua atenção do rei e virou-se lentamente a Thord. Os dois começaram a se encarar novamente. O ferreiro se manteve frio, enquanto o outro se mostrava indignado.

— Ah, sim! Todos estão ao seu lado, suas palavras são incríveis, sempre superior! — Todos estranharam o dito por ele. As palavras não faziam sentido algum. — Vamos lá, cadê aquele cara durão que guerreava sem parar! Agora se sente mais confortável por ter sua própria mulher te defendendo? Pelos deuses, que fraco.

— Tem mais alguma coisa a dizer? Estou cansado e quero logo ver minha família. Em casa. — Respondeu Thord. Novamente Thord mostrou ser tênue apesar da aparência bruta e rígida. Era um homem esperto, tranquilo. Essa foi uma das características que fez com que Bresys se apaixonasse por ele. Era diferente.

— Vocês são escória! Resto de lixo! Sua família não devia ter vindo a essa cidade! Têm uma falsa reputação de boa gente, mas não são! Não passam de li-- — De súbito, um caneco de vidro foi estraçalhado na cabeça de Ozin. O homem caiu morto no mesmo instante.

Notas finais
Final doido ◴_◶ ◴_◶ Então pessoal, compensei a demora? xD Vou me esforçar para não tardar o próximo capítulo ;-; Agora, segue um aviso importante! Como vocês podem perceber, a história tem um desenvolvimento longo. O foco principal a de ascender ainda. Claro, sempre vou encaminhando pra isso, mas deixa avisado que será uma história bem grande! Quero desenvolver os personagens e trazer um contexto mais elaborado. Quero que ao longo da fic você sinta cada vez mais os personagens. Esse "arco" eu chamo de "A Jornada". Quando eu chegar no fim do "arco" eu irei escrever assim (exemplo): Capítulo X - Tal coisa - FIM Mas não se enganem! Não é o fim da fic, apenas o inicio de alguma outra aventura. Agora, quero perguntar se devido ao fato da história se desenvolver devagar, vocês vão querer capítulos maiores. Querem capítulos maiores? (3000 palavras+) A única coisa ruim é que demoraria mais pra eu postar um capítulo. Enfim, é isso ♥ Espero que tenham gostado e sintam-se livres a comentarem o que desejarem :3 Até a próxima, Cerúleos! 〴⋋_⋌〵
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.