A Ordem Cerúlea

2 Capítulo I - Imprevisto


Notas iniciais
Agora sim, o primeiro capítulo oficial da história, pessoal! Estou muito contente em traze-lo pra vocês xD Espero que vocês tenham uma boa leitura e aproveitem o capítulo :D Eu vou postar, provavelmente, de semana em semana, se não antes! Prometo tentar o máximo não atrasar :3 A partir desse capítulo, vou começar a recomendar algumas musicas temáticas para vocês ouvirem enquanto leem ou para alguma outra ocasião :D Essa aqui é uma das minhas preferidas ----> Awake - Skyrim https://www.youtube.com/watch?v=HJAG11dVlew Bom, sem mais delongas, hora do capítulo! Õ/

— Levante-se, Ewrir. — Disse uma voz grave e calma — Você já dormiu por muito tempo. O sol já passou do centro, já está mais próximo do oeste. Você tem muito a fazer hoje! Em poucos dias receberemos a visita do Lorde Quinaton... Não podemos deixar nada para fazer em cima da hora. — Fez uma ligeira pausa para abrir as janelas do pequeno quarto — Vou voltar para a forja. Fale com o Duque Valhos para saber no que ajudar.

— Tudo bem, tudo bem. Vou me arrumar e fazer tudo o que tiver de ser feito. — Respondeu o rapaz, com preguiça. Ele parecia estar com o pensamento distante das palavras de seu pai. O recente sonho não era algo que acontecera uma ou duas vezes, mas sim dez vezes. Seguidas. Porém, diferente do que ocorrera em sua cabeça, o jovem não conseguia se lembrar do que acontecia após o dragão pousar em sua frente, no entanto sabia que aconteciam mais coisas além daquilo.

Ewrir se levantou, vestiu uma calça de couro, calçou suas botas de couro de urso especiais feitas por seu pai, alongou seus longos e definidos braços e vestiu uma camisa de pano leve. Esfregou suas mãos em sua cabeça ajeitando seus cabelos médios e castanhos. Olhou pela janela e viu a grande movimentação das pessoas e, com um último suspiro, abriu a porta de seu quarto e desceu rapidamente para comer.

Sua mãe não estava em casa, como de costume, pois era uma mulher ocupada. Era a comandante da guarda do reino de Ishitarr, aquele em que viviam. Era a mais temida e respeitada comandante não só desse, como de outros reinos e cidades. Vivia cobrando Ewrir sobre ser um guerreiro mais dedicado.

O rapaz comeu alguns pedaços de pão e bebeu mais de um copo de suco de frutas. Ele amava esse tipo de bebida e, diferente da maioria da população, principalmente de sua idade, não gostava de vinhos, cervejas ou hidromel.

Abrindo a porta de sua casa, o forte clarão do sol ofuscou seus olhos esverdeados, o que não havia acontecido antes pois a janela de seu quarto estava oposta a luz direta do sol. No instante depois que se acostumou com sua visão novamente, um camponês esbarrou no seu ombro direito e, apressadamente, pediu perdão. A quantidade de pessoas indo e vindo naquele dia era fora do normal, porém, a arquitetura bem planejada da cidade permitia uma boa quantidade de pessoas trafegando. Uma cidade como Hashpride, considerada uma das mais influentes cidades de Mundius, não poderia pecar em sua infraestrutura.

Ewrir sempre admirou tudo naquela cidade, desde as casas de pedra de mármore, até o Grande Palácio Real. Além de toda beleza, a cidade ficava próxima do mar; local que ele adorava passar o tempo livre.

Antes de ir falar com Valhos, ele decidiu passar no quartel para falar com sua mãe, que apesar de muito ocupada, sempre arranjava algum tempo para falar com o filho.

Chegando no grande local, percebeu certo alvoroço na entrada, decidindo se aproximar com cautela.

— Você não pode fazer isso comigo! Você é louca, assim como todos que a admiram! — Gritou um homem vestido com uma armadura de guarda. Era muita característica para ser confundida com qualquer outra. Apresentava alguns detalhes vermelhos de maneira quase aleatória. A única peça que faltava era o elmo.

— Você não serve para proteger essa cidade ou seja o que for. Não vou manter sob meu comando um indivíduo fraco e covarde desse jeito. — Retrucou uma voz feminina de timbre forte e baixo. Ewrir logo percebeu que se tratava de sua mãe.

— Covarde?! Como ousa me chamar assim?! O que faz com essas pessoas que “treina” é tortura, sua vad-- — Antes que o homem pudesse terminar de falar, a mulher cerrou seu punho esquerdo e acertou em cheio os lábios do mesmo.

— Você se esqueceu com quem está falando? Olhe ao seu redor! Você pensa que é o único coitadinho rejeitado do quartel? Vocês homens me irritam as vezes, quase sempre. Esse ego inflamado ridículo! Aceite sua fraqueza, melhore e volte depois! Devolva essa armadura que usa com desonra! — Bradou, com ferocidade.

O homem se levantou lentamente, limpando com o dedo polegar o sangue que começara a escorrer. Pediu perdão e de cabeça baixa foi retirar sua vestimenta.

O rapaz então aproximou-se de sua mãe com um sorriso no rosto. Não fora a primeira vez que um soldado de espírito fraco a confrontara julgando suas atitudes.

— Você não muda, não é, comandante Bresys? — Disse Ewrir, num tom de brincadeira.

A alta moça dos olhos escuros virou-se para seu filho, dando um sorriso largo. Sua cicatriz na bochecha direita não desfazia sua beleza. Jogou seus longos e lisos cabelos negros para trás e correu para abraçar Ewrir.

— Como você vai, meu filho? Acordando tarde novamente. Decepcionante! — Proferiu Bresys. Suas palavras mesclavam amor incondicional com rigidez acentuada.

— Vou bem. Só vim aqui para ver como você passava. Vejo que está ótima e do jeito que gostaria de estar. — Respondeu, feliz pelo estado da mãe.

— Fico alegre em te ver, filho. Sei que você tem muito a fazer hoje, então vá logo e não perca mais tempo! — Ordenou Bresys, com a mesma tonalidade de antes.

— Você nunca muda... — Murmurou o rapaz para si mesmo, assim deixando o quartel.

Ele agora se dirigia ao castelo real, para finalmente conversar o duque e ajudar em quaisquer que fossem os preparativos, porém, ao chegar lá, se deparou com outro ambiente que lhe chamara à atenção. Era a torre de adoração, localizada dentro do castelo. O rapaz estava em busca da pessoa que podia o ajudar em relação a seus sonhos.

— Clérigo Olowar, está ai? — Falou Ewrir ao bater na porta.

Uma voz idosa e tênue respondeu para que o rapaz entrasse. Ao entrar, Ewrir se deparou com um homem baixo, assim como seu pai, porém velho, de feições amigáveis e nada ranzinzas. Sua pele negra estava bem cuidada, apesar da idade avançada.

— Ah! Olha como você cresceu, garoto! — Disse o senhor — Lembro-me quando você ainda ficava puxando minha barba com força, mesmo quando bebê! — Os dois trocaram risos.

— Me diga, Ewrir, a que devo essa grande visita?

— Ora, Olowar, não me trate com tanto respeito desse jeito, fico envergonhado — falou, olhando para baixo — Vim ver como você está. Fazia tempo que não passava aqui, aliás, tenho muito a falar com você.

O clérigo adquiriu um semblante preocupado e apressou o jovem. Das vezes que ele tinha passado lá, sempre trazia um assunto peculiar a ser tratado.

— Você é o único dessa cidade que sabe utilizar magia. É o único também que lê livros e busca conhecimento de todas as formas. Queria saber o porquê das pessoas não quererem aprender com você ou de qualquer outra maneira.

O ancião sentou-se em sua cadeira de madeira, já em estado deplorável. Acomodou-se e respondeu Ewrir de forma clara.

— Magia é algo perigoso, garoto. Não é estranho que poucos a manuseiem, com exceção dos elfos, que têm uma sabedoria fora do comum. As pessoas têm medo. Eu demorei muito para aprender o que sei. É quase impossível, se não impossível, ser um mago poderoso em plena juventude. Todos temem o conhecimento. Fora isso, nada os impede de aprender. É puro medo e o perigo de enlouquecer.

O jovem concordou com as palavras do sábio, mas aquela resposta ainda não o satisfazia.

— Enfim, não é sobre isso que vim falar em específico. Você lembra daquela vez que te contei sobre o sonho em que o Dragão dos Dragões aparecia na minha frente? — Questionou Ewrir, esperançoso.

— Ah, sim, lembro. O que tem aquele sonho? Você não esqueceu dele ainda? Já faz três anos que você sonhou com isso. Veio a minha procura com um desespero absurdo naquela época. — Respondeu o padre, com visível preocupação.

Ewrir se apoiou numa mesa bagunçada e deu procedimento ao que falava:

— É a décima vez que tenho esse sonho. Foi na noite de ontem pra hoje que tive de novo. E das últimas vezes eu percebi que tem algo além da encarada dele, mas eu acordo antes de saber, só sei que acontece! — Comentou, enfurecido.

— Dez vezes?! Pelos deuses, isso não pode ser normal, menino. Dulfanir... Não é uma mera lenda. Muitos se quer comentam sobre sua existência. Só existe um livro que fala sobre ele... Ele da informações detalhadas a questão de sua aparência. Diga-me, como ele era em seu sonho? — Perguntou Olowar, agora muito mais atento a conversa.

Ewrir descreveu cada detalhe do dragão. Só de lembrar, ele já ficava amedrontado.

— Como é possível... É exatamente como descrito no livro, sendo que o livro nem em nossa linguagem está. Você não mente em suas palavras...

— E você achou que eu mentiria? — Retrucou Ewrir, com certo receio.

— Não, não. De forma alguma. É que isso é incrível! — Respondeu, com um sorriso de canto da boca — Eu vou estudar seu sonho, pelo o que temos até aqui. Me procure em breve, isso realmente me intrigou.

— Você não tem ideia do que seja? — Questionou Ewrir, impaciente.

— Como lhe disse, conhecimento leva tempo. Espere.

O rapaz então sai da torre leste do castelo, insatisfeito, porém feliz e realizado de encontrar o padre. Vendo que já estava ficando cada vez mais tarde, apressou o passo.

Andando apressadamente pelo castelo em busca do duque, esbarrou novamente em alguém, dessa vez numa moça que também andava rapidamente.

— Ora, de novo! Essa agitação toda é horrível! Pra que isso?! O pessoal por aqui precisa... Ah, oi, Corella... — Disse Ewrir, agora, preocupado — Não tinha notado que era você, me desculpe.

A jovem mulher de pele clara levantou-se lentamente. Ajeitou seus fios de cabelo curtos e cacheados e por fim questionou o rapaz com uma voz suave:

— Ah, se fosse um outro indivíduo qualquer você não se desculparia?

— Você sempre tem palavras para me contrariar, não é? — Respondeu, com um sorriso breve — Por acaso viu seu pai? Preciso falar com ele e estou “atrasado”.

A garota ajeitou seu vestido cor de mel e replicou:

— Sim, vi. Ele está no salão Real. Seu amigo está com ele, aliás — Franziu a testa — Você já completou dezenove ciclos e ainda não tem a responsabilidade de fazer as coisas no tempo certo?

Ewrir bufou e revirou os olhos por um segundo.

— Ah, você está parecendo minha mãe, deixa disso... Você é só um ciclo mais velha que eu! — Cada ciclo equivalia a um ano — Não tem porque me dizer essas coisas. — Afirmou.

Ambos então trocaram olhares sérios por alguns instantes, mas logo soltaram risadas amigáveis e se despediram.

Ewrir se apressou mais ainda. Subiu o longo lance de escadas que levavam ao salão Real e delicadamente bateu na porta.

— Entre. — Disse uma voz rigorosa.

O garoto entrou com certa vergonha, mas manteve a postura.

— Até que enfim! Achei que você nunca iria vir pra cá! — Gritou um outro jovem, de cabelos louros, longos e bagunçados.

— Fique quieto, moleque! — Ordenou Valhos, o duque corpulento — Está na presença do Rei e da Rainha!

Ewrir permanecia quieto e imóvel perante a cena.

— Não seja tão rígido, Valhos! Estão no auge de sua juventude! — Replicou o rei Eric. Era diferente dos demais reis em questão da rigidez. Era careca de pele escura. Trajava da vestimenta mais cara e bela, obviamente, pela sua posição atual de majestade. Não era muito forte, mas já liderou batalhas em seus tempos de guerra.

— Vossa Alteza. Vossa Alteza. — Cumprimentou, Ewrir, se curvando ao rei e a rainha — Olá, duque Valhos, perdão por demorar a vir. Olá, Wilmorn, seu tolo.

Todos riram, com exceção do duque, que continuava tenso.

— O que tenho que fazer para ajuda-los? Estou a seu dispor.

Valhos afagou sua barba curta e começou a explicar.

— Meninos, vocês dois estão trilhando A Jornada do Aprendiz e sabem da importância de sua conclusão. O torneio final aconteceria daqui um Curto Ciclo — o que equivalia a um mês — e alguns dias.

— Aconteceria? — Perguntou Wilmorn, desconfiado — Por que “aconteceria”?

— O Rei Eric e a Rainha Krisstine decidiram colocar o evento para daqui três dias, junto com a chegada do Lorde Quinaton, como forma de entreter o mesmo. — Respondeu calmamente.

Ambos os rapazes ficaram boquiabertos com a informação.

— Mas... mas não estamos preparados! — Bradou Ewrir, incrédulo.

O rei lançou um olhar ríspido sobre os rapazes.

— Perdão, Vossa Alteza. — Falou Ewrir, se desculpando e visivelmente furioso.

— Então, se preparem. — Comandou Valhos.

Notas finais
Boa sorte pros dois! Hehehe Gostaram do capítulo? Se sim, fico muito feliz! Foi um capítulo mais para introduzir alguns personagens e afins do que algo mais intenso. Os próximos serão mais direcionados ♥ Sintam-se livres para comentar o que quiserem xD ~~~Fantasminhas que vagam por ai, não sintam vergonha de comentar :D Claro, se quiserem :s Anuncio também que os meus leitores terão apelidos especiais a partir de deste capítulo (HOORHAY ◕ ◡ ◕ ) Chamarei meus leitores de: Cerúleos ಠ益ಠ Hahahah, até a próxima, galera!