Notas iniciais
Oizinho :3 Hã, digamos que eu não saiba o que dizer aqui, então só vou avisar que esse prólogo é meio "pararelo" ao rumo da história nos capítulos depois desse. É algo que fará mais sentido ao longo da história.

E ah, alguns dos nomes e o sobrenome de todos que aparecem nesse prólogo são sim kibados de um livro é um jogo, caso alguém tenha reconhecido e ficado meio "qUE"

É isso migos, corações verdes pra todo mundo e boa leitura ♥

Joel remexia em sua seringas, procurando dentro da gaveta branca uma entre as centenas de frascos com diferenciados líquidos tanto na cor quanto na textura, até mesmo na grossura em algumas das agulhas, já que a maioria era colocada e escolhida na hora da aplicação, apesar de nem todas.

Kira estava sentada na fileira de cadeiras, o braço preparado e o irmão mais velho, Andrew, agarrando-a com força. A garotinha lutava de verdade para sair. Não exatamente pelo medo da injeção — medo é claro que ela tinha, mas já estava acostumada. Porém, era em maior parte por teimosia. Não queria dar o gosto ao pai de, novamente, injetar aquelas malditas vacinas em seu braço. Mas, de nada adiantaria, ela sabia. Andrew chegava a arranhar um pouco sua cintura, mas Kira não reclamou. Apenas esperou.

Em época de vacinação, o pai sempre conseguia as doses da prefeitura por ajudar à produzi-las e, por ser biomédico, tinha permissão para manuseá-las (o que incluía utilizá-las ao próprio benefício) em sua própria moradia. Aquela seria a segunda dose da vacina de catapora, dissera ele. Ao menos aquilo, era justo: ela sabia o que estava sendo injetado para correr por suas veias e supostamente impedir seu corpo de adoecer por tal doença.

- Finalmente! — murmurou Andrew ao ver Joel voltando com a seringa. Limpou o braço com álcool num algodão e sem delongas, injetou o líquido transparente. Kira estremeceu, encarando a agulha perfurar sua pele. Ela sempre preferira olhar, no lugar de fechar os olhos. Encarava os mínimos detalhes, a forma como a pele afundava até a agulha encontrar a veia, tudo. Era melhor do que não saber, afinal. Algumas lágrimas escorreram juntamente com um pequeno gemido. A ardência do líquido parecia mais intensa. Mal percebera que o toque do irmão passara, aos poucos, de seguro para reconfortante.

Não demorou para que a agulha fosse retirada e um pequeno algodão fosse colocado e colado em cima da perfuração com um band-aid redondo. A morena, em seguida, se desvencilhou do aperto do irmão e se dirigiu ao quarto, sentido-se derrotada.

* * *


Kira agarrou o tecido grosso do cobertor azul como se sua vida dependesse dele. Logo, percebeu que não havia retirado o band-aid durante o banho, então, já sabendo que estaria cicatrizado, o retirou e jogou no piso bege do quarto mesmo. Estava cansada demais para levantar e decidiu que o tiraria no dia seguinte. Seu pai, Joel Dhurvasula, acabara de sair do pequeno quarto da menina, apagando a luz e ignorando o pavor da filha, alegando apenas um medo passageiro, o que, de fato, era verdade.

Após um bom tempo tentando fechar os olhos sem ter de abri-los logo em seguida para conferir se não havia nenhum monstro ali, o sono venceu o medo e Kira Dhurvasula caiu nos braços da escuridão, cedendo à fadiga que aparecera tão repentinamente.

Então, um som perturbador invade seus ouvidos, fazendo-a acordar num pulo. Sonolenta, percebeu ser o telefone fixo da sala tocando. Não se preocupou em ver as horas e, ignorando o sono e o frio, saiu da cama. Correu até o aparelho, passando por corredores e escadas, e o atendeu.

Silêncio.

E, um som tão repentino e alto que fez a garotinha prender a respiração, assustada, saiu do alto falante. Eram berros. Berros que caíam numa agonia que quase parecia contagiosa. Berros que faziam suas crenças desaparecem aos poucos, berros que faziam a fé parecer uma ilusão, que passavam toda a agonia, a tristeza, a dor e todos os pecados que aquelas pessoas pagavam injustamente.

E então, risadas. Não risadas malévolas que os filmes tanto retratavam, mas sim uma risada normal, como qualquer ser humano pode dar num momento feliz, pois, para o dono daquela voz, o momento era feliz, era prazeroso. Uma risada que trabalha fora de sincronia com os gritos ao fundo, mas que parecia ser compreendida pela dor. A risada da dor, a dor pela risada. Fora de sincronia, mas num trabalho ainda sim perfeito.

Perfeito...

E mais silêncio, mas que dessa vez não foi seguido por nenhum ruído além dos bipes do telefone.

A ligação foi encerrada, juntamente com o pesadelo da garotinha.

Kira acordou em silêncio. Normalmente, ela berrava ao ter um pesadelo e ia correndo ao quarto dos pais, mas não se sentiu apta para tal feito. Jovem, ela era. Sabia que havia vivido uma porcentagem inútil da vida que era permitida aos padrões da sociedade. Mas também sabia que nunca mais se atreveria à permitir um mísero grito sair de sua garganta. Sabia que caso isso acontecesse, ela não ouviria a própria voz, mas reviveria o pesadelo.

Lágrimas de desespero escorriam pelas bochechas, tanto e principalmente pelo pesadelo quanto para a escuridão de seu quarto, que em nada ajudava.

Como de costume, se dirigiu ao quarto dos pais e nem esperou permissão: jogou-se entre o homem e a mulher, abraçou a mãe, fechou os olhos e tentou, em vão, voltar a dormir, como sempre fez após os todos os momentos agonizantes após acordar de seus pesadelos.

Notas finais
Miguxinhos, metade do capítulo um está pronto, então é provável que saia logo. Corações verdes para todos e até lá ♥