Notas iniciais
Tudo agora pode depender de sua escolha e qual caminho escolher pro seu destino futuramente.
O perigo chega mais perto e o seu esconderijo é seu amuleto...

Quando eu acordo, o outro lado da cama está frio. Meus dedos se esticam, procurando um pouco de calor, mas encontrando apenas a áspera lona que cobre o colchão. Eu me apoio em um cotovelo. Há bastante luz no quarto. Minha mãe esta dormindo na poltrona logo ao lado da minha cama. Tento me levantar mais, meu corpo esta dolorido e minha perna esta pesada. Estou com a perna engessada.


— Minha filha, você esta se sentindo bem?

Minha mãe parecia desapontada e cansada, talvez seja por culpa minha...é sempre minha.

- Estou !...o quê que ouve com a minha perna, eu pensei que só tinha torcido o tornozelo. — respondi.

— Você além de ter torcido, você fraturou sua perna.

— O médico disse que não foi nada muito grave, para me preocupar.

— Como me acharam ?

— Aquela sua amiga, Tamy. Te acho em um banco próximo a praça, desacordada e com a perna machucada. E acharam isso com você.

— Ela me entregou o colar de palheta.

— Ivie. Você se lembra de alguma coisa que aconteceu ontem?

— Não. — respondi.

Eu só me lembrava de um sonho que parecia muito real. Mas, assim que peguei aquele colar me lembrei. Eu estava sendo carregada por um garoto, não dava para ver seu rosto minha vista estava embaçada. E a única coisa que eu ouvia era o som da noite. Vi que ele estava com um cordão de uma nota musical. Então, acabou. Isso foi tudo que eu consegui lembrar.

— Mãe, aonde esta meu pai ?

— Seu pai, esta trabalhando e seus irmãos estam em casa.

Por mais que eu tenha os meus pais estejam juntos, as vezes parece que eles separados em opiniões e gostos. Uma coisa que eu detesto é quando eles brigam, a única coisa que me leva para longe daquele barulho, é escutar o meu barulho. O rock, o melhor rock. Em muitas situações eu pensei em auto multilação, mais a minha segurança que tive quando pequena me manteve firme. Quando alguém faz multilação é por que sua confiança em si esta abalada e sua dor que tanto quer parar, só continua e a cicatriz só te amostra que você não tem força suficiente para sentir dor. E uma coisa que eu aprendi em 14 anos, é que quanto mais forte você se torna, mais esperta você fica, a vida é um campo de batalha e o guerreiro pode ser você. Se você quiser. E assim me tornei, por mais que eu seja sensível por fora, sou indestrutível por dentro, com algumas fraquezas.

— Ivie, minha filha, você tem certeza...

— O médico entra interrompendo.

— Me desculpe interromper, dona Selina, preciso falar com você só um minutinho.
Minha mãe saiu parecendo um pouco nervosa. Olhei para o colar e o coloquei, a partir daquele instante ele ia ser meu objeto da sorte. Tento olhar pela janela, o tempo estava nublado e frio. Estava perfeito do jeito que eu gosto. Estava pensando. Tentando lembrar de alguma coisa que aconteceu naquela noite...até que fui interrompida.


— Ivie, como você esta fiquei muito preocupada. Logo quando a Tamy me ligo, vim logo correndo pra cá. — disse Dulce, com seus olhos castanhos arregalados.

- Não é pra tanto Dulce, o médico disse que não foi muito sério.- disse Alexandra, em quando entrava. Muito despreocupada com o seu jeito de rockeira rebelde, ela me conhecia muito bem, mais eu a conhecia mais e sabia que ela estava mais preocupada comigo do que a Dulce.

- Dulce e Alex, por favor não começem.

- Vocês pelo menos sabem mais ou menos, quando vou sair desse lugar.

- Não sei, Ivie – disse Dulce.

- Pelo que eu ouvi, você vai sair daqui provavelmente amanhã, mais vai passar a noite aqui em observação e você vai ficar uns longos meses com esse geso.

- Merda, era só o que faltava. — respondi frustrada

Depois que o tempo de visita acabou e minha mãe finalmente foi pra casa dormir, eu fui dormir. No meio da noite acordo, e penso ter visto alguem na janela, vou ao banheiro e me olho no espelho, quando vejo que um dos meus olhos estavam de uma cor diferente. Estava vermelho.
— O que é que esta acontecendo comigo ? — me pergunto.

- O que acontecem com todos que é infectado por um shinnigami.
Quase caio com o peso de minha perna.
— Quem é você. Melhor “o que é você” ?

— Ha...esqueci de te falar. Eu sou seu Komon(“conselheiro” em japonês)

— E o que isso significa ? — pergunto pulando de uma perna só até a cama.

— Eu sou um conselheiro. E só pessoas do seu “tipo” podem ter um Komon. Um detalhe só você pode me ver, a não ser que alguém acredite em Komon.

— Como assim “tipo” ?

— Ivie, você corre perigo e você precisa se preparar.

— Me preparar pra que ? — pergunto confusa com o aquilo tudo. — Não é “pra que” e pra o que. Ele começa a voar em direção a janela.
— Pra onde você vai ? Qual é o seu nome ?

— Eu me chamo Lipy, e sempre que precisar de ajuda eu estarei lá.
Eu tiro meu colar e coloco na cadeira ao lado da minha cama, para que não arrebente em quanto durmo. Lipy com suas pequenas asas, e com seu corpo de gato que mais parecia um ursinho de pelúcia. Jogou uma fumaça azul em mim e desmaio de sono (de novo).


No dia seguinte eu sou acordada pela Alex.


— Ivie ? Acorda bicho lerdo...vamos dona preguiça, já esta na hora de sair desse hospício...

Quando abro meus olhos. Alex pula assustada pra porta, era a segunda vez que eu vejo ela assustada, a primeira foi dela fugindo de uma linda borboleta, sim. Ela tem medo de borboleta. Eu só tenho amiga maluca. Mas ela parecia não só assustada, mas tambem impressionada. Mas eu tambem me assustei, muitas coisas tinha acontecido comigo até ali, e mais uma surpresa “para minha alegria”...


— Ivie, o que aconteceu???

Eu olho para as minha mãos, elas estam com uma tatuagem estranha em cada mão, e elas vão subindo em meus braços. Agora sim, eu começo a me apavorar e saio pulando de um pé só até o banheiro. E a minha luta começa quando eu olho no espelho e vejo.

Notas finais
Não tinha espelho no banheiro o.O
Brincadeirinhaaa, a verdadeira continuação só no próximo capítulo...