A Oculta
3 Profecia de Ninar
Notas iniciais
— O que aconteceu cooomiigooo ?...como assim meu olhos estão vermelhos. — Grito assustada
— Na realidade o um olho só esta vermelho e o outro esta azul, é como se você tivesse um olho do bem e um do mal! — responde Alex
— E ela esta completamente certa. — Lipy aparece como fumaça roxa e azul, em cima do vaso.
— Como assim,isso não é possível...Eu vou ficar assim pra sempre ?
- E é eu que sei ! — responde Alex, pensando que Ivie fala com ela.
- Não, isso é temporário. Os seus olhos só ficaram assim porque você não esta usando seu cordão.
- Isso só acontece quando eu estou sem meu cordão ?!?
- Não sei cara isso é muito bizarro, mais tenta ué. — responde Alex no lugar de Lipy.
Alex pega o cordão e da para Ivie. Ivie pega o cordão da Alex. Alex esta paralisada com a mão na boca surpresa, mais não assustada.
- O que foi Alex?
- Hum...que legal, ela me viu. — fala Lipy
- Hã???
- Espera ai, Alex você viu ele ? — perguntei apontando para Lipy — Que gatinho fofo >.< — diz Alex
- Gato ?
Agora que eu prestei atenção, o Lipy é um gato preto com asas. Mas o mais estranho não é isso, a Alex não correu gritando e nem desmaio, igual ao caso da borboleta.
— Alex, esse é o Lipy.
- Ele é estranho. Adorei. — Fala Alex
- Eu estranho? Tá maluca garota ! — fala Lipy com raiva.
- E ele ainda faala. Ivie aonde você achou ele ?
- Eu não achei ele, ele que veio até mim. — respondo a Alex
- Mas lipy, você me falou que ninguém poderia te ver !
- Pois é, o fato é que se alguem encostar na digital do pingente do seu cordão consegue me ver.
- E eu não sou de vocês. Então evitem falar sobre mim para alguém. — fala Lupy ironicamente.
Eu coloquei meu cordão me olhando no espelho, quando prendi a corrente fina e nova no meu pescoço o meu olho azul sumiu, e logo em seguida quando coloquei a corrente grossa e velha o meu olho vermelho sumiu. E meu olhos ficaram verde escuro.
— Ivie, fique de olho na Alex, e tome cuidado. Mesmo que falte muito tempo, você pode correr perigo.
- que perigo? — Perguntou Alex.
- Ele não vai falar. — respondi pra Alex
Então o Lipy sumiu como fumaça.
— x -
Já fez alguns meses e agora estou de férias, minha mãe anda estranha esse tempo e ficou mais estranho quando ela me colocou em um acampamento chamado Aurora. Minha mãe nunca deixou ser independente, eu sou conhecida pelas minha amigas com a “filhinha da mamãe”, por ela estar sempre no meu pé, e nunca deixava sair.
Ontem a Alex me enviou uma mensagem falando que a mãe dela também vai colocar ela em um acapamento de férias, imagina qual! Ela disse que a mãe dela “acha” que vai ser bom pra ela. Aprender a ser mais responsável e cuidadosa. Alex só não ficou muito furiosa, porque ela conseguiu pelo menos, convencer a mãe dela de colocar no mesmo acampamento que eu.
Nesses meses, não teve nem um sinal do Lipy. Talvez porque eu não esteja correndo perigo “ainda”. Mais eu estou esperta e estou evitando lugares e pessoas. Essa semana as noites andam, muito frias e com muita neblina, me fazem lembrar daquele dia, nada me vem a lembrar direito, eu tenho pequenas lembranças mais nada concreto. Para mim aquilo tudo parecia loucura ou uma grande ilusão, mais eu o pânico já passou.
Na escola, eu vi um garoto. De algum modo eu senti um déjà vu.
- eu conheço ele de algum lugar !!! . — Pensei
Alex tinha me falado que ele foi transferido para a nossa escola na mesma época em que aconteceu aquilo tudo comigo. Claro, obvio que eu achei aquilo tudo muito estranho, porque além dele começa a estudar lá, ele vivia me olhando, como se estivesse me vigiando. Tamy achou ele bonitinho, e fica tentando se aproximar. Alex acha que ele esta afim de mim, e a Dulce acha ele “muito” para a Tamy. Nestas férias elas combinaram de viajarem para algum lugar chamado Avemeidi, nunca ouvi falar, mais dizem elas que o “lugar é lindo e é perfeito para pegar um solzinho e alguns gatinhos.” Hoje eu acabei de fazer minhas malas e combinei com a Alex de nos encontrarmos no ponto de ônibus do Acampamento. Logo depois que eu tomei banho, vesti minha blusa gigante e velha do meu irmão mais velho e meu short do meu primeiro pijama, ele tah pequeno mais ainda cabe.
Antes deu dormir minha mãe entra no quarto.
— Ivie eu posso fazer uma coisa que eu não faço há muito tempo ?
- Pode!!!
Então a ultima coisa que eu pensei que ela ia fazer...ela fez. Ela me colocou para dormir e cantou um pedaço da música de ninar. Uma música que ela cantava para mim, quando eu era criança.
— "Apenas feche seus olhos,
O sol está se pondo.
Você vai ficar bem,
Ninguém pode feri-lo agora.
Venha luz da manhã,
Você e eu vamos estar são e salvos..."
No momento em que minha mãe cantava esse pequeno verso, me lembrei de minha infância, eu era sempre muito tímida e chorona. Minha mãe parou de cantar olhando para mim, só se ouvia o silêncio da noite e se via a luz da lua sorridente. Assim que minha mãe olhou para a janela com os olhos cheios de saudades do passado, eu cantei...o começo que ela não cantou.
— "Eu lembro das lágrimas escorrendo pelo seu rosto
Quando eu disse que nunca deixaria você ir
Quando todas aquelas sombras quase mataram sua luz
Eu lembro de você dizer não me deixe aqui sozinho
Mas tudo isso está morto e enterrado e hoje à noite passou."
E então ela olhou para mim com uma lagrima já correndo em seu rosto...e cantou novamente comigo...
- "Apenas feche seus olhos,
O sol está se pondo.
Você vai ficar bem,
Ninguém pode feri-lo agora.
Venha luz da manhã,
Você e eu vamos estar são e salvos...
Não se atreva a olhar pela janela, Querida
Tudo está pegando fogo.
A guerra à nossa porta continua,
Segure-se a esta canção de ninar.
Mesmo quando a música se for...
Apenas feche seus olhos,
O sol está se pondo.
Você vai ficar bem,
Ninguém pode feri-lo agora.
Venha luz da manhã,
Você e eu vamos estar são e salvos...
Apenas feche seus olhos,
Você vai ficar bem.
Venha luz da manhã,
Você e eu vamos estar são e salvos."
Eu nunca poderia me esquecer dessa música...ela faz parte de mim. Depois minha mãe falou das coisas boas da minha infância e de um gatinho preto que ela tinha...que por alguma razão não me lembrava, minha mãe me disse que eu vivia agarrada com ele, até que um dia ela fugiu...minha mãe me lembrou de minhas histórias de quando criança...de minha esperteza e minha timidez. Minha mãe estava com um sorriso que não era exagerado e nem pequeno...era o sorriso que me fazia feliz.
Antes dela sair, ela me cobriu, beijou minha testa e disse o verso dos sonhos...
— "Lembre-se da lua de nata,...
a guardiã cuidara do seu olhar.
Não se esqueça de se aquecer na fonte das lágrimas,...
porque a dama do gelo, pode rouba-las.
Para fugir da dama, basta fluir...
Com a leveza da rainha do ar. E lembre-se...
- … Você é a oculta da noite e do luar. - completei, com um leve sorriso.
Ela apagou o luz do abajur e fechou a porta, deixando somente a luz da lua iluminado meu quarto. Esse foi com certeza um momento mãe e filha.
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