A OFERENDA

11 Capítulo 10.


Notas iniciais
Me animei, viu? Talvez vocês não consigam entender o que quis passar sobre a montanha, por isso fiz uma montagem exkrotah sobre como é, de fato. Espero que gostem, beijos.

O dia amanhece e como em quase cem por cento dos dias aqui no Vale, o sol está forte desde cedo. Acordo e percebo que todos os outros ainda estão dormindo, protegidos pelas sombras de algumas árvores que estão ao nosso redor, mas, ainda assim, o clima está bastante quente. Diana apoia sua cabeça em meu peito e eu me inclino para beijar sua testa, na tentativa de acordá-la de maneira carinhosa. Ela abre seus olhos e sorri gentilmente.

― Bom dia Ricky – ela esfrega seus olhos com os dedos, com o intuito de despertar.

― Bom dia! – acaricio seu cabelo lentamente – Você acha que já podemos acordar os outros? – não quero parecer inconveniente.

― Temos um longo caminho pela frente, quanto antes sairmos, mais cedo voltamos – ela responde com a voz ainda rouca de quem recém acordou.

Acordar as outras pessoas foi mais fácil do que imaginei, afinal, todos nutriam o mesmo objetivo e não se sentiram irritados por acordar tão cedo, após uma terrível noite de sono. A dúvida sobre quem foi a oferenda ontem de noite cai sobre nós, mas, infelizmente, não há o que fazer, embora a curiosidade só cresça com o passar do tempo. Rose comenta que percebeu, na noite de ontem, que dois deles saíram correndo juntos para um lado, e as outras duas pessoas, separadamente, para o outro. A garra foi em direção a uma das pessoas que estava sozinha.

― Provavelmente Eliza estava junto com Winter – Hazel, que fez grande amizade com Winter, comenta com o grupo –, então, acho que Alynn ou Igor foram pegos.

― Alynn não foi pega – Eva exclama, um pouco irritada, afinal, não há outra pessoa que seja tão próxima dela quanto Alynn.

― Mas você há de convir que nenhum dos outros três sairia correndo com ela – Brittanny diz.

― Concordo – Eva exclama. – Mas tenho certeza que ela foi a pessoa que saiu sozinha e não foi perseguida.

― Eu ainda acredito que a dupla foi formada por Igor e Winter – Rose sussurra.

― Eu também acredito nisso, infelizmente – Diana diz, mas sei que não se sente feliz em pensar na possibilidade de Eliza ter sido a oferenda de ontem.

Enquanto caminhávamos comecei a cogitar a hipótese da garra pegar somente as pessoas que estão no centro do Vale e não nas montanhas. Por um milésimo de segundo penso em esperar mais três dias para depois descermos, dessa forma, garantiríamos mais alguns dias de vida aqui. Mas, confesso que tem pessoas caminhando ao meu lado que prefiro que sejam oferendas a algumas que ficaram no centro. Chacoalho minha cabeça, tentando eliminar este pensamento, Diana me olha confusa, estranhando aquele movimento.

― O que foi? – ela questiona. Estamos à frente de todo o grupo, fator que impedia que qualquer um deles pudesse nos escutar, caso falássemos baixo.

― Estava pensando sobre a garra – explico. – Quero dizer, ontem ela foi direto para o centro do Vale, não é? E nós todos estávamos aqui. Será que ela só consegue capturar pessoas que estão no centro ou perto dele? Cheguei a cogitar a possibilidade de ficarmos aqui ou até de nos mudarmos para cá, sabe, para nossa segurança.

― Mas e os outros? – ela questiona e vejo no seu olhar que sente por Elizabeth ter ficado no Vale.

― A gente pode voltar lá durante o dia, já que a garra vem só quando está escuro – sugiro, mas sei que ela identificou meus planos de abandonar os outros.

― Bom, a gente primeiro precisa subir essa montanha, não é? Pensamos nisso depois – ela põe fim no assunto.

Chegamos ao topo quando o sol já tem passado da metade do céu, o que significa que temos menos da metade de luz do que já tivemos durante o tempo que estivemos acordados. O cansaço é tanto que eu só consigo processar o que está diante dos meus olhos após alguns longos segundos. Ainda há água do outro lado, porém, a montanha não é cerrada pelo abismo, ela tem continuidade do outro lado; no entanto, a montanha não vai de encontro com a água, na metade dela o abismo retorna. Após uma faixa extensa de água, cerca de duzentos metros – penso eu – existe um gigantesco muro, do mesmo tamanho que a montanha, talvez um pouco mais, que nos impede de ver o que há do outro lado. O muro faz uma meia lua ao redor da montanha.

― Vocês já notaram que o muro não cerca o Vale inteiro? – Magrit comenta com muito espanto.

Tento enxergar onde o muro finaliza e consigo identificar com facilidade. Ele se estende até a metade do vale, depois termina do mesmo jeito que a ponte aos pés da montanha. Com o muro, parece que uma parede invisível esconde a sua continuidade, mas sabemos que não há nada do outro lado.

― O mar aqui parece mais revolto – Rose sussurra e eu noto que realmente é verdade.

Olho para os pés da montanha e identifico onde a ponte fica. Caminho para o lado esquerdo, com o intuito de ficar exatamente na direção da ponte, torcendo para que exista uma continuidade, mas, pelo jeito, não há.

― Por que não tentamos descer um pouco para ver o que há onde a montanha termina? – Thomas sugere enquanto encara o muro com bastante foco. – Esse muro estava em meus sonhos, provavelmente é por ele que conseguiremos sair.

― Vamos descer eu e você – comento.

― Agora? – ele me olha espantado.

― Sim.

Começo a descer a montanha em direção à água. Thomas me acompanha, tomando cuidado por onde caminha, afinal, um deslize e podemos cair facilmente na água.

― Ei, aonde você vão? – Lílian questiona gritando.

― Já voltamos – Thomas responde. – Precisamos conferir uma coisa, esperem aí.

Não olho para trás, mas sei que nenhuma das meninas nos seguiu. Descemos rapidamente, depois de algum tempo pegamos o jeito e foi fácil chegar até o local onde a montanha termina, dando lugar ao abismo. O lado bom de vir apenas com Thomas é que, por ele ter o físico parecido com o meu, podemos voltar ao topo da montanha rapidamente e não precisaremos esperar por ninguém. Na realidade, Thomas parece até mais forte, já que não sofreu os danos de alguns dias no Vale.

― Não há nada – Thomas parece estar decepcionado. Chegamos ao fim, não há mais o que caminhar. A altura que separa o abismo da água é consideravelmente grande, arriscado pular daqui, ainda mais com a correnteza.

― Tive uma ideia – penso alto. – Thomas, preciso da sua ajuda. Vou me debruçar onde a montanha termina, preciso me certificar que não há nada embaixo do abismo, alguma entrada ou algo assim.

― E o que você precisa que eu faça? – ele questiona.

― Garanta que eu não vá cair.

Deito sobre o chão da montanha e curvo parte do meu corpo para enxergar o que existe abaixo dela. Preciso saber se o abismo é somente uma parede ou há algo mais.

― Tem uma continuação curva de alguns centímetros, mas consigo ver que ela termina, dando espaço para um tipo de falha na montanha – grito para Thomas, enquanto ainda estou deitado, com ele me segurando pelas pernas. – Preciso descer um pouco mais, você consegue?

― Eu seguro – ele se limita a dizer.

Ergo meu corpo e deslizo um pouco mais e então consigo observar com exatidão o que tem abaixo – e dentro – da montanha. Fico contemplando aquilo até o momento que ouço Thomas gemer.

― Não vou aguentar por muito tempo – ele diz. Thomas está basicamente – basicamente não, exatamente – segurando todo o meu peso, já que não tenho onde me apoiar ou segurar. Havia esquecido este detalhe.

― Me ajuda a subir? – bom, não é exatamente uma pergunta, se ele não me ajudar não consigo voltar sozinho. Sinto ele segurar meus tornozelo com mais força. Meu corpo é arrastado e eu ajudo, na medida do possível, com as mãos.

Quando estou novamente em solo, Thomas deita ao meu lado, ofegante. Fico sentando olhando para o muro em nossa frente, sem dizer nada.

― Você não vai me contar? – ele questiona entre respiração. – Digo, o que é que tem lá embaixo?

― A nossa salvação, Thomas, a nossa salvação!

Após recuperarmos o fôlego, subimos até o topo da montanha o mais rápido que conseguimos, correndo em disparada e sem tempo para descanso. Chego ao topo da montanha extremamente cansado, exausto. Diana me traz um pouco de água, tomo alguns goles e passo o recipiente para Thomas também beber. Ele me agradece sorridente, afirmando com a cabeça.

― O que vocês encontraram lá? – Diana pergunta, sentando ao meu lado.

― Vocês viram a cena ridícula daqui? – Thomas brinca.

― Não muda de assunto, Thomas, também estou curiosa – Rose argumenta.

― A ponte continua – começo a explicar. – Quando a montanha se perde de vista há o restante dela, um fragmento, como se fosse um teto, por isso precisei descer mais. Depois é como se fosse um grande buraco, uma caverna, não sei ao certo. Mas a ponte está lá no final. O espaço é bastante iluminado, embora não tenha nenhuma lâmpada, é bem estranho. Mas ainda não sei como a gente vai conseguir entrar lá, seria uma grande queda. E se conseguirmos, não sei o que poderemos fazer lá, pois, teoricamente, é só uma ponte dentro de uma grande caverna.

― De todo modo, nossa vinda até aqui valeu de algo, não é? – Thomas comenta sorrindo. Contei para ele o que aconteceu na outra excursão e ele não queria que as coisas acontecessem da mesma forma.

― Claro que sim – Eva diz. – Agora precisamos pensar em um modo de entrarmos nessa caverna.

― Talvez a gente traga algumas coisas do Vale – Hazel menciona, dando de ombro. – Podemos fazer uma corrente com as redes e alguém descer.

― É uma opção – afirmo. – Pois bem, logo irá escurecer. Vamos voltar para o Vale?

― E arriscar ser pego? – Lílian nos encara com seriedade. – Acho que prefiro passar a noite aqui.

― E quem foi que disse que a garra não pode vir aqui nos buscar? – Brittanny argumenta. – Não é porque ela não veio até agora que isto não pode acontecer.

― De todo modo, ainda acho que podemos arriscar passar a noite na montanha – Lílian argumenta e vejo Magrit concordando com a cabeça.

― Eu vou voltar, não acho justo deixá-los sozinhos sem necessidade – comento incisivamente.

― Pois bem, eu ficarei – Lílian levanta-se e esfrega as mãos, livrando-se da poeira que ali ficou acumulada.

― Então não vejo porque levantar, não é mesmo? – meus lábios abrem um sorriso de canto.

Descemos a montanha com facilidade e comparando este lado com o outro, acho que sofremos mais na primeira excursão. Talvez por causa da chuva. Com Lílian, no topo da montanha, ficaram Eva, Magrit, Brittanny e Hazel, todas convencidas que a garra não é capaz de buscar oferendas na montanha. Bom, confesso que também acredito nisso, mas não podia deixar três deles sozinhos mais uma vez.

Ao chegar ao pé da montanha, não conseguimos ver nenhum dos três restantes. A noite cai rapidamente e as luzes já estão acesas próximas ao dormitório. Quando me dou conta, estou correndo e Rose, Thomas e Diana fazem o mesmo que eu. A curiosidade está tomando conta de mim. Igor vem correndo ao nosso encontro, de braços abertos.

― Winter, eles voltaram – ele grita, e logo Winter sai correndo em nossa direção também. Paramos de correr quase que no mesmo instante. – Deu tudo certo lá?

― Temos muitas novidades, mas acho que vocês também têm, não? – Diana comenta, sorrindo.

― A garra veio ontem aqui – Winter começa a relatar.

― Onde estão os outros? – Igor interrompe.

― Quem a garra levou? – pergunto.

Nenhum deles precisa responder. Alynn sai da área do dormitório revelando que Elizabeth foi a primeira menina pega pela garra. Diana cai de joelhos no chão e não consegue controlar o choro.

― Triste em me ver, Diana? – Alynn comenta com sarcasmo em sua voz.

― Vai ficar tudo bem, ok? – me abaixo e dou um beijo sobre a testa de Diana. – Não é o momento, Alynn.

― Cadê os demais? – ela questiona, vindo em nossa direção.

― Resolveram ficar na montanha – Thomas explica. – Acreditam que a garra só colhe pessoas que estão próximas ao centro do Vale.

― Talvez não – Winter diz, apontando para cima da montanha, no qual podemos ver – com bastante dificuldade – a garra se aproximando cada vez mais.

Notas finais
Comentem o que vocês acharam, lindezas! Críticas e sugestões são sempre aceitas com carinho, viu?! Beijooos.