A OFERENDA

12 Capítulo 11.


Notas iniciais
Oi pessoas maravilhosas, como estão? Bom, esse carinho foi escrito com muita empolgação, eu espero que vocês gostem. Tem alguns recadinhos nas notas finais, espero que vocês não esqueçam de ler. Não havia feito isso antes, mas, quero agradecer aos usuários Letilopes (a cheia de ideias Rose Blunt), Clareano (o corajoso Thomas Grace) e Daughter of Hebe (a fofa da Britt) pelas recomendações à fic. Vocês enchem meu coração de alegria. Vamos à aventura: abram suas mentes porque nesse Vale só acontece coisa louca.

A manhã do dia seguinte começou bem conturbada, a julgar pelos acontecimentos estranhos envolvendo os animais. Pela primeira vez, duas raposas apareceram próximas à árvore e saíram do local, invadindo a área onde costumamos dormir. Acordei com as pessoas berrando, embora os animais estivessem apenas correndo de um lado para o outro, sem atacar ninguém.

― Sai logo daí, Alynn – Igor grita e por estar embriagada devido ao sono, resolvo fazer o que ele está pedindo sem pestanejar.

Ele me segura pelo braço e me leva para fora do dormitório, onde as outras pessoas estão concentradas.

― Se tudo continuar como antes, em alguns minutos eles devem desaparecer – Ricky lembra.

― Sério? Quase nem lembrava disso – resmunguei e Ricky me encarou friamente.

As raposas continuaram por pouco tempo até sumirem de vez, ninguém sofreu algum tipo de ataque, mas, o nosso dormitório estava uma bagunça. Algumas redes foram destroçadas, assim como alguns sacos de dormir.

― Era só o que nos faltava – Winter lamenta, dramatizando um pouco. – Já não basta ter uma morte por dia e estar trancada nesse lugar, agora nossa ‘teoricamente’ refeição irá começar a destruir nossas coisas?

― É só acabarmos com ela antes que elas acabem com a gente – sugiro.

― Isso implica em ter que matar todos os animais, todos os dias – Diana argumenta, dando de ombros.

― E qual é o problema? – abro um sorriso contido.

― Não é óbvio, Alynn? – Rose se intromete na discussão. – Talvez a gente apenas mate por matar.

― Não sei se você percebeu Rose, mas é justamente isso que estão fazendo conosco – minha entonação sai um pouco mais irônica do que desejado, mas gostei do efeito que causou em todos, afinal, o silêncio pairou sobre nós.

Não por muito tempo, pois, alguns gritos começaram a surgir na direção da ponte. Todos correram para verificar o que estava acontecendo, até que Magrit passou em disparada por nós, com Eva na sua cola. Ricky segurou Eva – esse garoto sempre faz isso – fazendo-a parar.

― O que aconteceu? – Ricky questiona enquanto avistamos as outras pessoas chegando.

― Essa garota! – Eva grita descontroladamente. – Dissimulada!

Magrit, que anda livremente pela roda, sorri timidamente para todos, abaixando a cabeça por algumas vezes.

― Eva foi a responsável pela morte de Hazel – Magrit diz enquanto Eva tenta se livrar dos braços de Ricky. – Vocês acreditam que ela empurrou a garota montanha abaixo, fazendo-a cair na água?

― Foi você quem fez isso – Eva ri histericamente, não parece estar em seu estado normal. – Para de fingir que você é uma criança inocente! A culpa foi toda sua.

― Eva, todos nós sabemos que não é a primeira vez que você faz algo do tipo – Magrit comenta baixinho, aproximando-se de Eva. –, ou todo mundo já esqueceu o que ela fez com o Charles?

― Eu juro que dessa vez não foi eu – Eva olha para Ricky na esperança que ele acredite nela. – Vocês me conhecem, quando quis que Charles fosse pego, eu mostrei para todo mundo. Não tem motivos para esconder algo agora – ela respira fundo e seus ombros relaxam. – Pode me soltar, Ricky.

Ricky, acreditando ou não em Eva, não a prende mais, e Eva senta no chão, parece estar exausta. Magrit se aproxima dela e a encara por alguns segundos, mas Eva está olhando para o chão.

― É realmente uma pena que você não tenha sido levada ontem – Magrit pragueja.

Eva, habilmente, segura ambos os tornozelos de Magrit, puxando-os para frente. A garota cai estatelada no chão, batendo a cabeça e dá a impressão que ela viu estrelinhas por longos segundos. Tempo suficiente para Eva levantar-se e distribuir alguns chutes no estômago da garota, antes que Thomas a empurrasse para um canto, afastando-a de uma Magrit com ataque de tosse constante e gemidos de arrepiar.

― Está tudo bem – digo ao Thomas, aproximando-me dos dois –, vou dar uma volta com ela.

― Ok – Thomas volta para o centro da roda, enquanto eu e Eva nos dirigimos para o lado contrário.

― Você sabe que pra mim pode contar a verdade, não sabe? – comento, enquanto caminhamos em direção à cachoeira.

― Sim, eu sei – Eva diz, pensando em tudo o que aconteceu. – Decidimos ficar exatamente no topo da montanha, até o dia raiar. Quando a garra surgiu e veio em nossa direção, todas nós nos desesperamos e começamos a pensar no que poderíamos fazer. Quando me dei conta, eu, Magrit e Hazel descemos para o lado onde há o mar e o muro, Lílian e Brittanny acabaram se dispersando e não as encontramos até o momento em que a garra sumiu. Quando estávamos praticamente à beira do abismo, vi Magrit empurrar Hazel. Tenho certeza que ela me empurraria, mas, eu estava longe demais para ela conseguir fazer isso. Não sei o que se passou pela cabeça dela, talvez pensasse que empurrando alguém e possivelmente com a morte dessa pessoa, a garra não pegaria nenhuma outra, ou seja, ela estava livre por mais um dia. Mas então algo muito estranho aconteceu. Assim que Hazel tocou na água, seu corpo não afundou, muito pelo contrário, ela teve impulso e quase voltou para onde estávamos, como se a água fosse um tipo de cama elástica, entende?

― Sim, continue – demorei alguns segundos para entender que Eva esperava minha confirmação.

― Então, Hazel voltou a cair novamente na água – Eva continua. – Magrit estava estupefata por seu plano de matá-la não ter dado certo. Quer dizer, não até o momento. Quando Hazel estava voando pela segunda vez, a garra passou sobre nossas cabeças. Naquele momento só pensei em me abaixar e me aproximar do abismo, pois, caso precisasse, também me jogaria na “água”. Vi a garra se abrir agilmente e se estabilizar exatamente na direção que Hazel estava indo, esperando a garota se aproximar o suficiente para fechar, abocanhando-a sem dó nem piedade.

― Você jura? – falo incrédula.

― Sim Alynn! – ela para de caminhar para me olhar. Já estamos à beira da cachoeira, por isso, sentamos em algumas pedras ali por perto. – Quando a garra voltou a subir, Lílian foi a primeira a aparecer e Magrit começou a espalhar que eu realmente capaz de matar qualquer um no Vale. Quando eu escutei aquilo parti para cima de Magrit no mesmo instante, mas eu estava em desvantagem.

― Eu acredito em você, Eva, acredito mesmo.

― Obrigada Alynn – ela sorri, parecendo aliviada por ter alguém do seu lado.

― Acho que você não se deu conta de uma coisa, Eva – comento na esperança de minha frase criar um clima de suspense.

― O que? – ela parece intrigada.

― Esse pode ser o jeito de sairmos daqui – menciono. – É realmente inteligente, porque ninguém se arriscaria em se jogar no mar e morrer afogado, ainda mais com toda a correnteza que Ricky diz ter. O mar falso pode nos ajudar a chegar até o buraco na montanha.

― Como foi que eu não pensei nisso? – Eva arregala seus olhos e um grande sorriso aparece em seus lábios. – Precisamos contar logo aos outros.

― Isso é verdade, Magrit? – Rose questiona após Eva ter contado o que aconteceu na noite anterior na montanha. Estamos em roda e misteriosamente o sol já está quase desaparecendo. Este, definitivamente, foi o dia mais rápido aqui no Vale – Não estou me referindo a quem jogou Hazel do penhasco, quero saber se o mar realmente impulsiona a pessoa de volta.

― Confesso que não me lembro de nada disso – Magrit argumenta. – Assim que Eva empurrou Hazel, a garra entrou no mar e provavelmente a pegou, pois, alguns segundos mais tarde a garra se ergueu e sumiu nos céus, como sempre faz.

Eva encarava Magrit friamente, mas, conteve-se e nem ao menos resmungou. Ela sabia que não importa quantos chutes ela dê, a garota nunca irá admitir. A situação estava realmente fora de controle. Tínhamos duas versões totalmente diferentes da história e sem nenhum terceiro ponto de vista para informar qual era a verdadeira. Isso é devastador. Tínhamos a possibilidade de sair daquele lugar e ao mesmo tempo não. Eu, particularmente, acredito em Eva. Mas, ainda assim, era frustrante.

― Acho que de todo jeito, o buraco na montanha é o único modo que temos de sair daqui – Ricky menciona. – Precisamos pensar em algum modo de entrarmos lá.

― Vamos fazer o Hazel sugeriu? – Brittanny lembra. – Digo, a corrente de redes.

― Podemos tentar – Ricky afirma. – Não acho que a gente deva perder tempo, o quanto antes sair daqui melhor, não?

― Já está anoitecendo, Ricky – Igor olha para o céu para sustentar seu argumento.

― Precisamos ir todos juntos, amigão – Ricky comenta. – A garra virá de um jeito ou de outro, sabe? Podemos adiantar os trabalhos – Igor dá de ombros e apenas concorda com a cabeça.

― Então vamos recolher as coisas – Diana é a primeira a levantar. – Se tudo correr como planejamos, não precisaremos mais voltar para o centro do Vale.

― Por isso, além das redes, temos que levar a maior quantidade possível de água e comiga – Rose acrescenta.

― Seria bom se conseguíssemos levar sacos de dormir também, né? Podemos colocar os alimentos dentro do saco – Winter sugere –, assim, unimos o útil ao agradável.

― Boa ideia! – Ricky comenta, levantando-se e estendendo as mãos para ajudar Winter a ficar de pé. – Mãos a obra?

Praticamente esvaziamos o centro do Vale. Todos estavam carregando redes e sacos de dormir bastante cheios. O peso, com certeza, seria um agravante na sofrida caminhada ao topo da montanha. O sol desapareceu e não estávamos nem a ¼ do caminho. Todos tinham conhecimento que só conseguiríamos chegar amanhã, mas, era nossa melhor chance. Agora estávamos em onze pessoas e daqui a algumas horas – ou menos, quem sabe? – seremos apenas dez remanescentes. É difícil aceitar que uma garra gigantesca virá e um de nós irá embora junto dela, e o pior, não existe nada que possamos fazer para reverter esta situação.

Trazíamos as lâmpadas portáteis em nossas mãos para clarear o caminho. Não era muito difícil subir por aqui, era mais plano do que o outro lado da montanha. Basicamente tínhamos que subir em linha reta, vez ou outra contornar ou escalar alguma pedra, nada que exigisse esforço infinito.

Eva caminhava ao meu lado e eu sabia que ela estava tramando algo. Às vezes tenho a impressão que Eva não me contou tudo, mas no meu interior, tenho certeza que não foi ela a responsável pela morte de Hazel.

― Está vindo – Eva grita para que todos consigam escutar e se preparar.

― Só peço para que vocês deixem a garra escolher – Ricky grita. – Sem más intenções.

― Larguem as coisas no chão e corram em diferentes direções – Thomas sugere e é exatamente o que resolvemos fazer. – Depois voltem todos para cá.

Vejo que Thomas e Rose correm juntos montanha acima, mas focando o lado direto. Diana e Ricky fazem o oposto, indo para o lado esquerdo. Acredito que não tenho pique para subir montanha acima como eles estão fazendo.

― Eu vou correr para lá – digo para Eva enquanto aponto para o lado esquerdo, na direção de algumas árvores, embora esteja um pouco distante.

― Eu vou com você – ela indica e por alguns milésimos de segundos me passa pela mente a possibilidade de Eva ir comigo para que, se a garra venha em nossa direção, ela provoque algo para não ser pega. Indico que sim com a cabeça, deixo o conteúdo que estava carregando no chão e corre a todo vapor, com Eva atrás de mim.

Viro a cabeça para trás e vejo que a garra está praticamente encostando-se ao morro, porém, na direção contrária.

― Eva, não precisamos mais correr – estou bastante ofegando devido ao tiro rápido que acabei de dar. Eva também para e olha a cena acontecendo no outro extremo. A garra já está subindo, fechando-se completamente aos poucos, levando mais um de nós. – Vamos voltar?

― Sim, venha – Eva estende a mão e eu retribuo com um olhar de estranheza, mas, prefiro não comentar nada, por isso, apenas seguro sua mão e caminhamos ao encontro das nossas coisas.

Ao poucos todos foram se reunindo, sendo que fomos as primeiras a chegar. Os dois casais chegam logo na sequência, seguidos por Lílian e Winter. Achei estranho Magrit não estar junto de Lílian, e por isso, a esperança que a garota foi pega começou a nascer em meu coração. Maldade? Talvez, mas convenhamos, ela merece. Faltam apenas Igor, Brittanny e Magrit. Embora estejamos com as lâmpadas, não conseguíamos identificar onde eles estão. Escutamos passos se aproximando e avistamos Brittanny se aproximando com alguém logo atrás dela.

― Brittanny sempre está com Igor – Eva sussurra em meu ouvido e sei exatamente o que ela quer dizer. Se os dois são inseparáveis, Magrit foi pega.

A garota se aproxima e percebo que está aos prantos; atrás dela não está quem esperávamos: mais um garoto foi pego. Rose sai dos braços de Thomas e corre para acolher a amiga. A cena até é comovente, mas Eva recolhe a rede que estava carregando e a coloca em suas costas, em seguida estende sua mão, indicando que devo acompanhá-la na subida.

― Vocês não acham que a gente deve parar para descansar um pouco? – Ricky grita para que possamos ouvir.

― Nós vamos subir um pouco mais – Eva responde. – Caso vocês parem, a gente se encontra amanhã.

Não obtemos resposta de nenhum deles, também não esperava que respondessem. Eu queria estar com a maioria, por proteção, mas Eva era a única pessoa que eu conhecia ali. Precisava segui-la

Notas finais
Bom, espero que vocês não fiquem super #xate comigo. Não vou dar spoilers aqui, porque sempre tem aquele sapeca que vem ler as notas antes e descobre o que aconteceu no capítulo. HAUHAA. Enfim, me entendam s2 Pensei muito se eu deveria - ou não - dar esse recado agora, mas enfim, darei: A Oferenda terá uma segunda temporada! O M G! Todos vibram - assim espero. HUAHAUHA Vocês saberão um pouco mais sobre isso nos próximos capítulos, prometo. Espero que gostem disso. Ah, aproveito para deixar um recadinho: Os usuários que tiveram seus personagens pegos pela garra OU leitores fantasminhas que não possuem personagens poderão participar da segunda temporada, que será BEM diferente desta primeira. Pronto, fechei a matraca. Beijos no coração e até o próximo capítulo. Ah, uma última coisinha: Minha prima está iniciando sua vida aqui no Nyah (pois é, a vontade de escrever é de família) e ficaria super contente se vocês dessem uma olhada na fic dela: https://fanfiction.com.br/historia/636004/A_Centelha_da_Esperanca/ Bom, é isso. Beijocas.